Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano C

Na casa do nosso Pai Celeste

No céu, sim, na casa do nosso Pai Celeste será doce espraiarmo-nos nos prados eternos, recordando os dias escuros daqui de baixo… Cantaremos juntas as divinas misericórdias na maior liberdade, sem sombra de temor, e será doce para nós termos à cabeça dos nossos colóquios o nosso Pai divino. Beberemos da Sua luz eterna e nos Seus olhos descobriremos as Suas eternas verdades. (Beata Elias de S. Clemente).

Oração coleta

Deus todo-poderoso, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória, como nossa Cabeça, para aí nos chama, como membros do seu Corpo. Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amen.

Prefácio I da Ascensão do Senhor

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte. Porque o Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, vencedor da morte e do pecado, subiu (hoje) ao mais alto dos céus, ante a admiração dos anjos, e foi constituído Mediador entre Deus e os homens, Juiz do mundo e Senhor dos senhores. Ele não abandonou a nossa condição humana, mas, subindo aos céus, como nossa cabeça e primogénito, deu-nos a esperança de irmos um dia ao seu encontro, como membros do seu Corpo, para nos unir à sua glória imortal. Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e, com os anjos e todos os coros celestes, proclamam a vossa glória, dizendo (cantando) numa só voz: Santo, Santo, Santo…

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A Ascensão do Senhor

No final do seu Evangelho, são Lucas narra o evento da Ascensão de modo muito sintético. Jesus conduziu os discípulos «para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado para o céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus» (24, 50-53); assim diz são Lucas. Gostaria de observar dois elementos desta narração. Antes de tudo, durante a Ascensão, Jesus realiza o gesto sacerdotal da bênção e sem dúvida os discípulos manifestam a sua fé com a prostração, ajoelham-se inclinando a cabeça. Este é o primeiro ponto importante: Jesus é o único e eterno Sacerdote que, com a sua paixão, atravessou a morte e o sepulcro, ressuscitou e subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai, de onde intercede para sempre a nosso favor (cf. Hb 9, 24). Como afirma são João, na sua primeira Carta, Ele é o nosso advogado: como é bom ouvir isto! Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das insídias do diabo, defende-nos de nós mesmos e dos nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de o procurar para pedir perdão, para pedir a bênção, para pedir misericórdia! Ele perdoa-nos sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre!

Assim, a Ascensão de Jesus ao Céu leva-nos a conhecer esta realidade tão consoladora para o nosso caminho: em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a nossa humanidade foi levada para junto de Deus; Ele abriu-nos a passagem; Ele é como um chefe de grupo, quando se escala uma montanha, que chega ao cimo e nos puxa para junto de si, conduzindo-nos para Deus. Se lhe confiarmos a nossa vida, se nos deixarmos guiar por Ele, temos a certeza de estar em mãos seguras, nas mãos do nosso Salvador, do nosso advogado.

Um segundo elemento: são Lucas afirma que os Apóstolos, depois de terem visto Jesus subir ao Céu, voltaram para Jerusalém «com grande júbilo»… com o olhar da fé, eles compreendem que, não obstante tenha sido subtraído aos seus olhos, Jesus permanece para sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, sustém-nos, orienta-os e intercede por eles.

Caros irmãos e irmãs, a Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas diz-nos que Ele está vivo no meio de nós de modo novo; já não se encontra num lugar específico do mundo, como era antes da Ascensão; agora está no Senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo de cada um de nós. Na nossa vida nunca estamos sozinhos: temos este advogado que nos espera e nos defende.

Papa Francisco, Audiência geral (resumo), 17 de Abril de 2013

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A vocação contemplativa do Carmelo

Para o Carmelo, a máxima perfeição seria a consagração completa á contemplação, que não se deve interromper senão por necessidade, somente quando é preciso ir aos homens e falar-lhes de Deus. Somente a caridade com o próximo ou a obediência podem ser motivos suficientes para “abandonar Deus por causa de Deus”. 

São Tito Brandsma, O. Carm. 

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Abandonar-se em Deus

Nada há no mundo de mais urgente do que abandonarmo-nos totalmente em Deus e entregar-nos completamente nas suas mãos, no seu infinito e incomensurável amor.

São Tito Brandsma, O. Carm.

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São Tito Brandsma, O. Carm.

Oração de acção de graças pela canonização

Deus, nosso Pai, nós vos damos graças,
pela canonização do Bem-aventurado Tito Brandsma,
filho da Igreja e do Carmelo,
que imbuído do espírito de Elias e
da Virgem Maria, Senhora do Carmo,
foi fiel no vosso serviço e vitorioso no martírio.
Concedei-nos imitá-lo na sua grande fé,
no generoso amor e no ardente zelo,
na construção do vosso Reino,
de verdade, de justiça e de paz.
Pela sua intercessão e por seu intermédio,
concedei-nos sempre a vossa ajuda (nomear…),
e guiai os nossos passos, imitando São Tito Brandsma.
Isto vos pedimos por Jesus Cristo,
Caminho, Verdade e Vida,
vosso Filho e nosso Irmão.
Amen.

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“Tito Brandsma” de Fernando Millán Romeral, O. Carm.

A Família Carmelita está mobilizada para celebrar com alegria e em acção de graças, no dia 15 de Maio próximo, a canonização do Beato Tito Brandsma, O. Carm.
 
O anterior Prior Geral da Ordem, Fr. Fernando Millán Romeral, O. Carm., escreveu o livro “Tito Brandsma” que se encontra disponível em português. O Fr. Fernando Millán e a sua equipa que o acompanhou no governo da Ordem durante dois mandatos, trabalharam incansavelmente, com entusiasmo e competência, para que o que dependesse deles a canonização do Beato Tito fosse uma realidade.
 
O livro “Tito Brandsma” é uma porta escancarada por onde se pode entrar para conhecer de modo mais profundo a figura ímpar e multifacetada do religioso carmelita e mártir dos Países Baixos. Adquiri-lo e lê-lo é também uma forma de unir-se ao novo santo da Igreja Católica que será canonizada em Roma no dia 15 de Maio de 2022, e a toda a Família Carmelita.
 
Para adquirir esta obra basta contactar a “Ordem do Carmo em Portugal”.
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Alguns pensamentos do carmelita Beato Tito Brandsma

– A espiritualidade do Carmelo, que é vida de oração e de terna devoção a Maria, levaram-me à feliz decisão de abraçar esta vida. O espírito do Carmelo fascinou-me!

– Devemos ver Deus como a base fundamental do nosso ser. Este fundamento está escondido na intimidade profunda da nossa natureza.

– É preciso sentirmo-nos felizes na presença de Deus. Exercitarmo-nos frequentemente nesta atitude. Buscar a Jesus com Maria e José. Eles souberam encontrá-lo e poderão ensinar-nos o caminho.

– Quem não vê a manifestação do Espírito Santo na Igreja não entende bem a essência da própria Igreja. Conhecer esta realidade é a garantia mais segura da prosperidade da Igreja.

– A nossa bondade deve ser proverbial e percebida por todos.

– Devemos buscar continuamente o modo de ajudar os outros. Onde existir boa vontade, existirá, sem dúvida, um caminho.

– A nossa missão não é realmente fazer grandes coisas, mas fazer com grandeza as pequenas coisas.

– A imitação de Elias e a devoção á Santíssima Virgem têm sido desde o começo os dois elementos específicos da espiritualidade do Carmelo…

– Cabe a nós, carmelitas, pensar de uma maneira especial na Virgem Maria. É a nossa vocação.

– O carmelita deve viver uma vida tão parecida com a de Maria, de modo que viva “com”, “em”, “para” e “por” Maria.

– Para o Carmelo, a máxima perfeição seria a consagração completa à contemplação, que não se deve interromper senão por necessidade, somente quando é preciso ir aos homens e falar-lhes de Deus. Somente a caridade com o próximo ou a obediência podem ser motivos suficientes para “abandonar Deus por causa de Deus”.

– Enquanto tratavam da sua transferência da prisão de Kleve, escreveu ao seu irmão Henrique: “Eu pus tudo nas mãos de São José que levou a Virgem e o Menino Jesus para o Egipto. Como Jesus e a Virgem, eu confio-me à sua poderosa protecção. Une-te às minhas orações”.

– “Rezemos o rosário pelos que nos perseguem e torturam” – dizia ao irmão Rafael (carmelita) no campo de concentração de Dachau.

– A imprensa, depois dos templos, é o primeiro púlpito para ensinar a verdade. É a força da palavra contra a violência das armas.

– A oração como observância não é um oásis no deserto da vida; é toda a vida. Durante as horas de meditação, nós preparamos o alimento que nos sustenta durante todo o dia, fazendo contínua a nossa oração.

– Fomos criados para a alegria… Não se deve servir o Senhor com suspiros… Deves procurar ter o sorriso no teu rosto.

– Quem quiser ganhar o mundo para Cristo, deve ter a coragem de entrar em conflito com esse mundo. É duro o conflito com o mundo: fez Cristo morrer na cruz.

– A Eucaristia é a força que nos permite chegar à contemplação.

 

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Novo santo carmelita: Frei Tito Brandsma

Nasceu na cidade de Bolsward, na Frísia (Países Baixos), no ano de 1881. Ainda muito jovem, entrou para a Ordem do Carmo da qual dizia “a espiritualidade do Carmelo que é vida de oração e de terna devoção a Maria, levaram-me à feliz decisão de abraçar esta vida. O espírito do Carmelo fascinou-me!”. Foi ordenado sacerdote em 1905. Estudou em Roma, onde conseguiu o grau de Doutor em Filosofia na Universidade Gregoriana. Retornando para os Países Baixos, ensinou em diversas escolas e foi nomeado professor de Filosofia, Teologia Mística e sua história, na Universidade Católica de Nimega, da qual foi também eleito “Reitor Magnífico”. Foi jornalista profissional e, em 1935, foi designado Assistente Eclesiástico dos jornalistas católicos. Todos se admiravam de como conseguia chegar a todas as partes. E o que causava maior espanto era verificar que Frei Tito era, antes de tudo, um religioso observante, alma de profunda oração, fervoroso sacerdote e profundamente sensível e humilde. No jardim da sua alma floresceram todas as virtudes. É um enamorado de Jesus Cristo, da Virgem Maria e da sua Ordem Carmelita.

Opôs-se à ocupação dos Países Baixos por parte dos nazis e, baseando-se no Evangelho, combateu tenazmente a ideologia do nacional-socialismo, defendeu a liberdade da Educação e da Imprensa católicas. Enquanto presidente da União das Escolas Católicas, trabalhou para derrubar a exigência nazi de expulsar as crianças judias das escolas. Por estas razões foi preso: começa desta forma o seu Calvário de campo de concentração em campo de concentração, de prisão em prisão e, depois de tantos sofrimentos e humilhações, foi assassinado no campo de concentração de Dachau, através de uma injecção mortal de ácido fénico, no ano de 1942. Todos no campo repetiam: “morreu um santo!”. Até ao seu último suspiro, não se cansou de levar a paz e o conforto espiritual a todos os seus colegas de prisão. Foi um “anjo” para os demais prisioneiros. No meio de inúmeros e atrozes sofrimentos soube comunicar o bem, o amor e a paz. A própria enfermeira alemã que lhe aplicou a injecção mortal, mais tarde, no processo de beatificação, testemunhou emocionada a mansidão e a paz conservadas pelo nosso querido Padre Tito.

No dia 3 de Novembro de 1985 foi proclamado “Beato” pelo Papa João Paulo II, que dele disse: “Frei Tito Brandsma foi o maior carmelita do século XX”. No próximo dia 15 de Maio do corrente ano de 2022, o Papa Francisco canonizará o Beato Tito Brandsma, na Praça de São Pedro, em Roma, declarando-o “Santo” da Igreja Católica.

Vídeo sobre Frei Tito Brandsma, O. Carm.
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