Para estar unido a Jesus

O Senhor aqui só nos pede duas coisas: amar a Deus e ao próximo. (…) Guardando-as com perfeição fazemos a Sua vontade, e deste modo estaremos unidos a Ele. (…) O sinal mais certo que há para sabermos se guardamos estas duas coisas consiste em cumprir bem o amor ao próximo.

Santa Teresa de Jesus

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Os escritos dos santos

Se realmente tomar a sério a busca da verdade nas coisas religiosas, isto é, a busca de Deus, não da prova da existência religiosa, então, encontrará, sem lugar para dúvidas, um caminho. Só posso aconselhar-lhe o que já lhe escrevi uma vez: apoiar-se nos escritos dos grandes santos e místicos, aí tem a melhor documentação: a vida de Santa Teresa, escrita por ela mesma, [e] os escritos de São João da Cruz.

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

 

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«Os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz»

Jesus narra uma história de corrupção: um administrador desonesto, que rouba e depois, descoberto pelo seu patrão, age com astúcia para sair daquela situação. Pela narração vemos que o administrador corrupto acaba em apuros porque se aproveitou dos bens do seu patrão; agora terá de prestar contas e perderá o seu emprego. Mas ele não desiste, não se resigna ao seu destino e não se comporta como vítima; pelo contrário, age com astúcia, procura uma solução, é engenhoso. Jesus parte desta história para nos lançar uma primeira provocação: «Os filhos deste mundo – diz – são mais sagazes que os filhos da luz» (v. 8). Ou seja, acontece que aqueles que se movem nas trevas, de acordo com certos critérios mundanos, sabem como sair dos problemas, sabem ser mais espertos que os outros; por outro lado, os discípulos de Jesus, isto é, nós, por vezes estamos a dormir, ou somos ingénuos, não sabemos como tomar a iniciativa para procurar vias de saída das dificuldades (cf. Evangeli gaudium, 24). Por exemplo, penso nos momentos de crise pessoal, social, mas também eclesial: por vezes deixamo-nos vencer pelo desânimo, ou caímos em lamentos e vitimismos. Em vez disso – diz Jesus – também poderíamos ser sagazes segundo o Evangelho, estar alerta e atentos para discernir a realidade, ser criativos para procurar boas soluções, para nós e para os outros.

Papa Francisco, Angelus, 18 de Setembro, 2022

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Santo Alberto de Jerusalém – 17 de Setembro

A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo celebra no dia 17 de Setembro a festa de Santo Alberto de Jerusalém.

Santo Alberto de Jerusalém escreveu a Regra que até aos nossos dias inspira a vida de toda a Família Carmelita (religiosos, religiosas, leigos). A Regra carmelita é a mais pequena de todas as Regras religiosas existentes na Igreja. Consiste, quase exclusivamente, numa sábia concatenação de citações da Bíblia. A Regra centra-se mais na justificação espiritual da vocação carmelita e nos meios necessários para a realizar, do que em normas legais que devem regular as relações de um grupo concreto.

Hino

No decorrer deste dia
O Céu parece mais perto
Do Carmelo em alegria,
Por festejar Santo Alberto.
 
Virtuoso Patriarca
De palavra benfazeja,
Presença que deixou marca
Em tempos duros da Igreja.
 
Legislador santo e prudente,
Que tesouro nos deixaste!
Quem sempre o tiver presente
Tem tudo quanto lhe baste.
 
Na Pátria celestial,
Desse lugar onde habitas,
Protege de todo mal
A Ordem dos Carmelitas!
 
Glória a vós, Pai de bondade,
E a Jesus Cristo Senhor,
E por toda a eternidade!
Com o Espírito de Amor.

    Oração

Senhor, que por intermédio de Santo Alberto nos destes uma forma de vida evangélica, concedei-nos, por sua intercessão, viver sempre na contemplação de Jesus Cristo e servi-lo com fidelidade até à morte. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

 

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Nossa Senhora das Dores – 15 de Setembro

Senhora das Dores, sabes melhor do que ninguém como a dor nos espera a cada momento nas esquinas da vida, nos filhos mortos, no salário que não chega, no murro cruel da injustiça, na violência e na guerra, no horrível vazio de tantas solidões, nos infinitos rios de choro de tantos homens, mulheres e crianças. Nestas horas a quem recorrer se não a ti, e permanecer junto de ti, Senhora das Dores, experimentada e mestra no sofrimento e conhecedora de todas as espadas?

Senhora das Dores,

Pelo cansaço que experimentaste quando te dirigias para Belém, nós te pedimos por todos os cansados e abatidos.

Pelo frio da gruta e da noite de Natal, nós te pedimos, pelos que passam fome.

Pela dor que inundou o teu coração pela perda do teu Filho no Templo de Jerusalém, ajuda tantos pais que perderam e perdem os seus filhos nos turvos caminhos da vida.

Pelos anos de obscura pobreza em Nazaré, dá um maior salário de amor aos que vêem como diminuem os seus salários.

Pelo longo silêncio de tantos anos de viuvez, acompanha a tantas pessoas que vivem na solidão.

Pela angústia que viveste por ver Jesus perseguido, acompanha e anima os que são esmagados pela injustiça.

Pelas horas terríveis passadas no Calvário, senta-te na borda da cama dos que vivem mortos sem saúde e sem forças.

Virgem Mãe das Dores, coloca o teu coração em quem tem a alma destroçada. Amen.

 

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Exaltação da Santa Cruz – 14 de Setembro

Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo‑a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.
Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.
Para te convenceres de que a cruz é a glória de Cristo, ouve o que Ele mesmo diz: Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele e em breve O glorificará. E também: Glorifica‑me, ó Pai, com a glória que tinha junto de Ti, antes de o mundo existir. E noutra passagem: Pai, glorifica o teu nome. Veio então uma voz do Céu: ‘Eu O glorifiquei e de novo O glorificarei’.
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Santo André de Creta

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Canonização de Tito Brandsma, O. Carm.

Servir o Evangelho e os irmãos, oferecer a própria vida sem retribuição – fazê-lo em segredo: oferecer sem esperar retribuição –, sem buscar qualquer glória mundana, mas escondido humildemente como Jesus: a isto somos chamados também nós. Os nossos companheiros de viagem, hoje canonizados, viveram assim a santidade: abraçando com entusiasmo a sua vocação – uns de sacerdote, outras de consagrada, e outros ainda de leigo –, gastaram-se pelo Evangelho, descobriram uma alegria sem par e tornaram-se reflexos luminosos do Senhor na história. Um santo ou uma santa é isto: um reflexo luminoso do Senhor na história. Tentemos fazê-lo também nós: não está fechado o caminho da santidade, é universal, é uma chamada para todos nós, começa com o Batismo, não está fechado o caminho. Tentemos também nós, porque cada um de nós é chamado à santidade, a uma santidade única e irrepetível. A santidade é sempre original, como dizia o Beato Carlos Acutis: não há santidade de fotocópia, a santidade é original, é a minha, a tua, a de cada um de nós. É única e irrepetível. Sim, o Senhor tem um plano de amor para cada um, tem um sonho para a tua vida, para a minha vida, para a vida de cada um de nós. E que posso dizer-vos eu? Levai-o para diante com alegria. Obrigado.

Papa Francisco, Homilia da canonização, 15 de Maio, 2022

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Mensagem para a 37ª JMJ 2022-2023

«Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39)

A Mãe do Senhor é modelo dos jovens em movimento, jovens que não ficam imóveis diante do espelho em contemplação da própria imagem, nem «alheados» nas redes. Ela está completamente projetada para o exterior. É a mulher pascal, num estado permanente de êxodo, de saída de si mesma para o Outro, com letra grande, que é Deus e para os outros, os irmãos e as irmãs, sobretudo os necessitados, como estava então a prima Isabel.

A pressa da jovem mulher de Nazaré é a pressa típica daqueles que receberam dons extraordinários do Senhor e não podem deixar de partilhar, de fazer transbordar a graça imensa que experimentaram. É a pressa de quem sabe colocar as necessidades do outro acima das próprias. Maria é exemplo de jovem que não perde tempo a mendigar a atenção ou a aprovação dos outros – como acontece quando dependemos daquele «gosto» nas redes sociais –, mas move-se para procurar a conexão mais genuína, aquela que provem do encontro, da partilha, do amor e do serviço.

A partir da Anunciação, desde aquela primeira vez quando partiu para ir visitar a sua prima, Maria não cessa de atravessar espaços e tempos para visitar os filhos carecidos da sua ajuda carinhosa. Os nossos passos, se habitados por Deus, levam-nos diretamente ao coração de cada um dos nossos irmãos e irmãs. Quantos testemunhos nos chegam de pessoas «visitadas» por Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Em quantos lugares remotos da terra, ao longo dos séculos, Maria visitou o seu povo com aparições ou graças especiais. Praticamente não há lugar, na Terra, que não tenha sido visitado por Ela. Movida por uma solícita ternura, a Mãe de Deus caminha no meio do seu povo e cuida das suas angústias e vicissitudes.

Queridos jovens, é tempo de voltar a partir apressadamente para encontros concretos, para um real acolhimento de quem é diferente de nós, como acontece entre a jovem Maria e a idosa Isabel. Só assim superaremos as distâncias entre gerações, entre classes sociais, entre etnias, entre grupos e categorias de todo o género, e superaremos também as guerras. (Papa Francisco, Mensagem para a 37ª JMJ 2022-2023).

Mensagem completa:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/youth/documents/papa-francesco_20220815_messaggio-giovani_2022.html

 

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A ovelha perdida

Jesus, diante da intransigência dos fariseus, pergunta: “Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?”. A resposta razoável é “não” pois nenhum pastor, com a cabeça no lugar, deixaria noventa e nove ovelhas à deriva para tentar encontrar uma ovelha perdida. Seria loucura! Mas, exactamente aqui está o sentido da parábola: Deus faz loucuras por amor a nós! Ele é capaz de fazer o que nenhuma pessoa humana faria: ir atrás da ovelha perdida, custe o que custar, até a achar e trazer de volta! Aqui a parábola funciona não por comparação, mas por contraste: Deus é o oposto dos homens, que só agem através de decisões calculistas. Faz loucura, e a loucura do amor consegue o que a razão jamais conseguiria, a volta da ovelha perdida! Assim, se faz contraste entre a atitude de Deus e a atitude dos fariseus e doutores da Lei! Esta parábola questiona-nos sobre as nossas atitudes diante das “ovelhas perdidas” das nossas comunidades e famílias! Agimos como os fariseus, com censuras e moralismos? Ou, como Deus, com a loucura do amor?

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O Pai Bom

O 24º Domingo Tempo Comum (Ano C) oferece-nos a proclamação e audição integral da grande parábola guardada em Lucas 15,1-32. A página lucana tem lugar garantido em qualquer antologia dos mais belos textos de todos os tempos.

É a história dos pecadores e dos publicanos, dos escribas e dos fariseus. De uns e de outros, todos temos um pouco. Todos se aproximam de Jesus: os primeiros para o escutar com alegria; os segundos para o recriminar com azedume pelo facto de ele receber os primeiros e comer com eles. Há, portanto, aqui um comportamento novo, misericordioso, inclusivo e acolhedor por parte de Jesus. Os pecadores compreendem que Jesus traz um Evangelho, uma Notícia Boa e Feliz. Os escribas e os fariseus, porém, não consideram a Notícia suficientemente Boa. Por isso, dele se aproximam os pecadores, até então marginalizados e hostilizados pela tradição religiosa vigente; por isso, o recriminam os fariseus e os escribas, os garantes da velha tradição religiosa, rigorista, classista e exclusivista.

A estes últimos conta Jesus uma parábola. Note-se também que, para escutarmos corretamente «esta parábola» de Jesus, é do lado dos fariseus e dos escribas que nos devemos postar, dado que é para eles que Jesus conta a parábola. «Esta parábola» é, portanto, para eles e para o nosso lado orgulhoso, farisaico, classista e exclusivista, para o nosso como eles. É notório que, dado o desenrolar da história contada por Jesus, gostemos mais de nos rever na ovelha perdida e encontrada do que nos noventa e nove fariseus cumpridores de ordens e que, por isso, se julgam piedosos e justos com direitos e créditos sobre Deus, como também nos revemos habitualmente naquele filho que sai de casa e que acaba por voltar, sendo recebido por um Pai carinhoso que o espera de braços abertos. Mas, para que a história contada por Jesus nos caia em cima, como um relâmpago, é mesmo do outro lado de nós que nos devemos colocar.

A história que ouvimos mostra-nos e adverte-nos que tanto nos podemos perder lá longe, no deserto, como a ovelha e o filho mais novo, como nos podemos perder em casa, como a moeda e o segundo filho. Atenção, portanto: podemos andar perdidos em casa, numa casa fria, sem Pai e sem irmãos, sem lareira, sem mesa e sem alegria! Só com patrão e assalariados! E, ainda por cima, podemos pensar que somos zelosos e até beatos (!), muito melhores do que os outros. Todos os cuidados, portanto!

António Couto (Texto sintetizado e adaptado)

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