Santo António – 13 de Junho

– Correi, portanto, famintos, avarentos e usurários, para quem o dinheiro vale mais do que Deus, e comprai o grão de trigo que a Virgem tirou hoje do armário do seu ventre. Deu à luz um Filho.

– Quem está cheio do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, como a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamo-las, quando mostramos aos outros estas virtudes na nossa vida. A linguagem é viva, quando falam as obras. Cessem, portanto, as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, mas de obras vazios; por este motivo nos amaldiçoa o Senhor, como amaldiçoou a figueira em que não encontrou fruto, mas somente folhas. Diz São Gregório: «Há uma norma para o pregador: que faça aquilo que prega». Em vão pregará os ensinamentos da lei, se destrói a doutrina com as obras.

Santo António

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, que em Santo António destes ao vosso povo um pregador insigne do Evangelho e um poderoso intercessor junto de Vós, concedei que, pelo seu auxílio, sigamos fielmente os ensinamentos da vida cristã e mereçamos a vossa protecção em todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Oração de consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Entrego-me e consagro-vos, Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas acções, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser toda(o) vossa(o) e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar.

Tomo-vos, pois, Sagrado Coração de Jesus, por único bem do meu amor, protector da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sede, Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim a sua justa cólera. Coração amoroso de Jesus, deposito toda a minha confiança em vós, pois tudo temo da minha malícia e da minha fraqueza, mas tudo espero da Vossa bondade!

Extingui em mim tudo o que possa desagradar-vos ou que se oponha à vossa vontade. Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso no meu coração, que jamais vos possa esquecer nem me separar de vós. Suplico-vos, por vossa bondade, que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero viver e morrer como vossa(o) verdadeira(o) devota(o). Sagrado Coração de Jesus, confio em vós!

Santa Margarida Maria Alacoque

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Santo anjo da guarda de Portugal

“Anjo” quer dizer “enviado”. Em todo o Antigo Testamento encontramos estas figuras que, em nome de Deus, ajudam a orientar os homens. É suficiente recordar o livro de Tobias, onde aparece a figura do anjo Rafael, que assiste o protagonista em numerosas vicissitudes. A presença tranquilizadora do anjo do Senhor acompanha o povo de Israel em todas as suas vicissitudes boas e más. No início do novo Testamento, Gabriel é enviado para anunciar a Zacarias e a Maria os ditosos acontecimentos que se encontram no princípio da nossa salvação; e um anjo, do qual não se diz o nome, adverte José, orientando-o naquele momento de incerteza. Um coro de anjos anuncia aos pastores a boa notícia do nascimento do Salvador; assim, serão também os anjos que anunciarão às mulheres a notícia jubilosa da sua ressurreição. No final dos tempos, os anjos hão-de acompanhar Jesus na sua vinda na glória (cf. Mt 25, 31). Os anjos servem Jesus, que certamente é superior a eles, e esta sua dignidade é aqui, no Evangelho, proclamada de maneira clara, embora discreta. Efectivamente, também na situação de pobreza e humildade extremas, quando é tentado por Satanás, Ele permanece o Filho de Deus, o Messias, o Senhor.

Estimados irmãos e irmãs, excluiríamos uma parte notável do Evangelho, se deixássemos de lado estes seres enviados por Deus, que anunciam a sua presença no meio de nós e constituem um sinal da mesma. Invoquemo-los com frequência, a fim de que nos sustentem no compromisso de seguir Jesus a ponto de nos identificarmos com Ele. (Bento XVI, Angelus, 1 de Março de 2009).

Oração

Deus eterno e omnipotente, que destinastes a cada nação o seu Anjo da Guarda, concedei que, pela intercessão e patrocínio do Anjo de Portugal, sejamos livres de todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Perseverar no amor

Hoje falaremos da perseverança na oração, partindo da exortação a orar sem cessar que nos faz São Paulo na Primeira Carta aos Tessalonicenses (cf. 5,17). Mas como é possível, uma vez que a nossa vida é fragmentada, com tantos momentos diversos que dificultam manter a concentração? Temos a resposta para tal dilema na tradição da espiritualidade cristã, que ensina que a oração deve ser como o “fogo sagrado” que ardia nos antigos templos, sempre alimentado para não se apagar. Na prática, significa que podemos estar em atitude orante em todas as circunstâncias da nossa vida diária, como uma partitura em que colocamos a melodia da nossa existência. No fundo, trata-se de ter presente que Deus sempre se lembra de nós e que também nós devemos lembrar-nos sempre d’Ele. Por fim, não esqueçamos que a tradição monástica cristã sempre deu uma grande importância ao trabalho, pois este ajuda a evitar que a oração se desligue da vida concreta. Com efeito, do mesmo modo que no ser humano tudo é binário – temos dois braços, dois olhos, duas mãos – assim também a oração e o trabalho são complementares, criando uma circularidade entre a fé e a vida que mantém aceso o fogo do amor. (Papa Francisco, Audiência Geral (resumo), 9 de Junho, 2021).

Catequese completa

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20210609_udienza-generale.html

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A força de amar quem erra

– Na noite em que é traído Jesus dá-nos o Pão da vida. Concede-nos o maior dom enquanto sente no coração o abismo mais profundo: o discípulo que come com Ele, que se serve do mesmo prato, atraiçoa-o. E a traição é a maior dor para quem ama. E o que faz Jesus? Reage ao mal com um bem maior. Responde ao “não” de Judas com o “sim” da misericórdia. Não castiga o pecador, mas dá a vida por ele, paga por ele. Quando recebemos a Eucaristia, Jesus faz o mesmo em relação a nós: conhece-nos, sabe que somos pecadores e sabe que cometemos muitos erros, mas não renuncia a unir a sua vida à nossa. Sabe que precisamos disto, pois a Eucaristia não é a recompensa dos santos, não, é o Pão dos pecadores. É por isso que nos exorta: “Não tenhais medo! Tomai e comei!”. (Papa Francisco, Angelus, 6 de Junho, 2021).

– A própria Igreja deve ser uma sala grande. Não um círculo restrito e fechado, mas uma Comunidade com os braços abertos, acolhedora para com todos. Perguntemo-nos: Quando se aproxima alguém que está ferido, que errou, que segue um percurso diferente de vida, a Igreja, esta Igreja é uma sala grande para o acolher e levar à alegria do encontro com Cristo? A Eucaristia quer alimentar quem se sente cansado e faminto ao longo do caminho; não nos esqueçamos disto! A Igreja dos perfeitos e dos puros é um quarto onde não há lugar para ninguém; pelo contrário, a Igreja das portas abertas, que faz festa ao redor de Cristo, é uma sala grande onde todos – todos, justos e pecadores – podem entrar. (Papa Francisco, Homilia da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, 6 de Junho, 2021).

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Ver para além das aparências

Só Deus vê o interior do coração. Ele vê o que bate como um sino, mas ele vê também a mais pequena pepita de ouro que escapa muitas vezes à nossa vista e que não está nunca totalmente ausente. Acredita nesta pepita em cada ser humano.

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Oração

Jesus, ajuda-me a encontrar em cada um dos meus irmãos, essa “pepita de ouro” que está no coração de cada um. Ajuda-me a não me deixar levar pelas avaliações negativas, mas concede-me, em todo o tempo, a humildade de coração e o Teu olhar, para ver cada um como Tu o vês, com um coração de mãe! Assim seja.

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10º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Quem é a minha Mãe e quem são os meus irmãos?

Estamos de novo em Cafarnaum, onde Jesus continua a anunciar o Reino de Deus por palavras e obras. Entretanto, vai crescendo a contestação relativamente a Ele.
Perante opiniões tão contraditórias sobre Jesus, tido por uns como profeta, por outros como um herético ou um louco que está “fora de si”, os parentes de Jesus, receando que a má fama pudesse recair sobre a sua terra, até então ignorada, e sobre a sua pobre, mas honrada, família, bem como uma deturpação política do caso, percorrem 43 km até Cafarnaum para O deter, chamar à razão e fazer regressar à “sua casa”, em Nazaré. Para isso, levam Maria, sua Mãe, na esperança de Ele, em atenção a ela, lhes dar ouvidos.
Segue-se o conflito com os escribas. Os “escribas” eram juristas, especialistas na Lei, que se tinham dedicado a estudar as Escrituras, que agora liam, traduziam e interpretavam nas sinagogas, criando normas para todas as situações, ensinando o povo a observar a Lei escrita e oral. Estes escribas vêm de Jerusalém e fizeram 180 km para vigiar Jesus. Começam por caluniar Jesus, afirmando que está “possesso de um espírito impuro” ou, pior, do chefe dos demónios, Beelzebul (“senhor das moscas”, o nome depreciativo com que os judeus mencionavam Satanás:), em cujo nome Jesus expulsava os demónios. Dizer que Jesus o faz com a ajuda de Satanás é uma blasfémia, porque equivale a afirmar que Satanás tem mais poder do que Deus, visto que só Deus pode expulsar os demónios com uma palavra. É também um absurdo, porque se nega a própria evidência, pois significa que Satanás se teria posto contra si mesmo e recorrido a um mais fraco que ele para se destruir a si próprio. Satanás é o autor da divisão, o sedutor e instigador da calúnia e do mal, ao passo que Jesus é a verdade, a fonte da salvação que cria a comunhão.
Jesus descreve Satanás como “um forte”, a quem ninguém, a não ser um mais forte, lhe pode roubar a casa. Jesus é este “forte”, melhor, “o mais forte” que chegou e venceu Satanás e agora expulsa demónios, libertando os que estão sob o seu domínio. Todos os pecados têm perdão, excepto o pecado contra o Espírito Santo. Este consiste em negar a evidência da verdade, afirmando, como aconteceu, que Jesus fazia milagres «por artes mágicas, seduzindo e desencaminhando Israel». Quem o afirma não é perdoado, não porque Deus o não queira perdoar, mas porque rejeita logo à partida o Espírito Santo, que é o perdão e a remissão dos pecados.
Por último, Jesus apresenta a sua nova família. Para os judeus os laços de sangue são sagrados. Mas há um laço ainda mais sagrado do que eles, o amor e a obediência a Deus, como ilustra o sacrifício de Isaac por Abraão que “fez a vontade de Deus”, tornando-se “pai de muitos povos”. Para Jesus, mais importante do que os seus laços de sangue é a vontade do Pai que nele quer estabelecer novos laços com a humanidade, alargando a sua família a todos os homens. Todos podem entrar nela e dela fazer parte. “Quem é a minha Mãe e os meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam sentados à sua volta, diz: «Eis a minha Mãe e os meus irmãos. Pois quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»”.

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Senhor, dá-me…

Uma antiga oração, de muitos conhecida, diz: “Senhor, dá-me coragem para mudar aquilo que pode ser mudado, dá-me humildade, fortaleza e serenidade para aceitar o que não se pode mudar e dá-me sabedoria para distinguir uma coisa da outra!” Assim seja. Quem vive assim, repetindo estes três desejos, encontra o caminho da liberdade e da paz num mundo sem sabedoria para saber o que é bom e em que a ganância de possuir justifica tudo.

Vasco P. Magalhães, sj

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Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

– A Eucaristia é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode permanecer indiferente perante quem, também nos nossos dias, não tem o pão quotidiano. Muitos pais têm grande dificuldade de obtê-lo para si e para os próprios filhos. É um problema cada vez mais grave, que a comunidade internacional tem grande dificuldade de resolver. A Igreja não só reza “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, mas, a exemplo do seu Senhor, compromete-se de todas as formas para “multiplicar os cinco pães e os dois peixes” com numerosas iniciativas de promoção humana e de partilha, a fim de que a ninguém falte o necessário para viver. (Bento XVI, Angelus, 25 de Maio de 2008).

– Hoje (…) celebra-se o Corpus Domini, a festa da Eucaristia, o Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, que Ele instituiu na Última Ceia e que constitui o tesouro mais precioso da Igreja… Sem a Eucaristia a Igreja simplesmente não existiria. De facto, é a Eucaristia que faz de uma comunidade humana um mistério de comunhão, capaz de levar Deus ao mundo e o mundo a Deus.
Numa cultura cada vez mais individualista, como é aquela na qual estamos imersos nas sociedades ocidentais, e que tende a difundir-se em todo o mundo, a Eucaristia constitui uma espécie de «antídoto», que age nas mentes e nos corações dos crentes e semeia continuamente neles a lógica da comunhão, do serviço, da partilha, em síntese, a lógica do Evangelho. (Papa Bento XVI, Angelus, 26 de Junho de 2011).

– Jesus, na Eucaristia, como fez com os discípulos de Emaús, põe-se ao nosso lado, peregrino na história, para alimentar em nós a fé, a esperança e a caridade; para nos confortar nas provas; para nos amparar no compromisso pela justiça e a paz. (…) E na Eucaristia Ele oferece-se a si mesmo como força espiritual para nos ajudar a pôr em prática o seu mandamento — amar-nos como Ele nos amou — construindo comunidades acolhedoras e abertas às necessidades de todos, sobretudo das pessoas mais frágeis, pobres e carenciadas. (Papa Francisco, Angelus, 18 de Junho de 2017).

Oração

Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Jesus modelo e alma de cada oração

A oração foi um elemento fundamental na relação de Jesus com os seus discípulos. São Lucas narra como a escolha dos Doze nasce da oração de Jesus, do seu diálogo com o Pai. Frequentemente vemos o Senhor a rezar em favor dos seus amigos, esperando com paciência que se convertam. Há pouco ouvimos como Jesus, com a sua oração, cria amorosamente uma defesa em torno de Pedro, contra as ameaças do Maligno. Consola-nos saber que, nos momentos em que cedemos às tentações, não cessa o amor de Jesus por nós, pelo contrário, na realidade faz-se mais intenso e coloca-nos no centro da Sua oração! Os grandes eventos na missão de Jesus são precedidos de oração intensa, prolongada. É depois de um desses momentos de oração que Jesus pede a confissão de fé dos seus discípulos e lhes anuncia a sua paixão, morte e ressurreição. Igualmente num momento de oração, acontece o episódio da Transfiguração, sinal antecipado da glória da ressurreição. Assim, mesmo que as nossas tentativas de oração fossem ineficazes, podemos sempre contar com a oração de Jesus, que faz da oração cristã uma petição eficaz, pois Ele ora por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram reunidos, de uma vez por todas, no seu brado sobre a cruz e atendidos pelo Pai na sua ressurreição; e é por isso que Ele não cessa de interceder por nós junto do Pai. (Papa Francisco, Resumo da Catequese da Audiência Geral, 2 de Junho de 2021).

Catequese completa

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20210602_udienza-generale.html

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