Discernimento: o desejo

Depois de termos refletido sobre a oração e o conhecimento de si mesmo, hoje gostaria de falar sobre o desejo, que é outro elemento indispensável para o discernimento. Discernir implica procurar, o que por sua vez pressupõe a consciência de que falta algo. O desejo é, assim, o conhecimento da falta de plenitude que impele a fazer um caminho em busca dela. Tomemos como exemplo um jovem que quer ser médico. Ele terá que iniciar um percurso árduo, dizer “não” a outros caminhos de estudo e a possíveis divertimentos; mas como a meta é atraente, os pensamentos são absorvidos por ela, e nem os obstáculos nem os insucessos a conseguem sufocar. O desejo é assim: exige saber o que se quer. Muitas pessoas sofrem porque não sabem o que querem da vida. Como, provavelmente, nunca encontraram o seu desejo profundo, não se decidem a mudar e ficam-se pelas boas intenções. Compreende-se, por isso, que Jesus, antes de realizar um milagre, interrogue a pessoa sobre o seu desejo: Ele pretende fazer luz sobre o que realmente o coração quer. E no coração humano, Deus colocou um profundo desejo por Ele. Peçamos-lhe que nos ajude a conhecer esse desejo e a concretizá-lo.

Papa Francisco, Resumo da Audiência Geral, 12 de Outubro, 2022

Catequese completa

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2022/documents/20221012-udienza-generale.html

Abrir

“Amas-me?”

E o Senhor, que «na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles» (Dei Verbum, 2), pergunta ainda, pergunta sempre à Igreja, sua esposa: «Amas-Me?» O Concílio Vaticano II foi uma grande resposta a esta pergunta: foi para reavivar o seu amor que a Igreja, pela primeira vez na história, dedicou um Concílio a interrogar-se sobre si mesma, a reflectir sobre a sua própria natureza e missão. E descobriu-se mistério de graça gerado pelo amor: descobriu-se povo de Deus, corpo de Cristo, templo vivo do Espírito Santo!

Este é o primeiro olhar que devemos ter sobre a Igreja, o olhar do alto. Sim, antes de mais nada a Igreja deve ser vista do alto, com os olhos enamorados de Deus. Perguntemo-nos se, na Igreja, partimos de Deus, do seu olhar enamorado sobre nós. Existe sempre a tentação de partir do eu antes que de Deus, colocar as nossas agendas antes do Evangelho, deixar-se levar pelo vento do mundanismo para seguir as modas do tempo ou rejeitar o tempo que a Providência nos dá e voltar-nos para trás. Mas tenhamos cuidado! Nem o progressismo que segue o mundo, nem o tradicionalismo – o «retrogradismo» – que lamenta um mundo passado são provas de amor, mas de infidelidade.

Amas-Me? Redescubramos o Concílio para devolver a primazia a Deus, ao essencial: a uma Igreja que seja louca de amor pelo seu Senhor e por todos os homens, por Ele amados; a uma Igreja que seja rica de Jesus e pobre de meios; a uma Igreja que seja livre e libertadora.

Papa Francisco, Homilia, 11 de Outubro, 2023

Abrir

Obrigado, Senhor

No grupo dos dez leprosos, há apenas um que, ao ver-se curado, regressa para louvar a Deus e manifestar a sua gratidão a Jesus. Enquanto os outros nove ficam purificados mas prosseguem pelo seu caminho, esquecendo-se d’Aquele que os curou (esquecem a graça que Deus lhes dá), o samaritano faz do dom recebido o princípio dum novo caminho: regressa para junto de Quem o sarou, vai conhecer Jesus de perto, inicia uma relação com Ele. Assim, a sua atitude de gratidão não é um simples gesto de cortesia, mas o início dum percurso de gratidão: prostra-se aos pés de Cristo (cf. Lc 17, 16), isto é, faz um gesto de adoração, reconhecendo que Jesus é o Senhor e que é mais importante do que a cura recebida.

E esta, irmãos e irmãs, é uma grande lição também para nós, que todos os dias beneficiamos dos dons de Deus, mas frequentemente prosseguimos pela nossa estrada esquecendo-nos de cultivar uma relação viva, real com Ele. Trata-se duma grave doença espiritual: dar tudo como garantido, inclusive a fé, mesmo a nossa relação com Deus, a ponto de nos tornarmos cristãos que deixaram de saber maravilhar-se, já não sabem dizer «obrigado», não se mostram agradecidos, não sabem ver as maravilhas do Senhor… Não nos esqueçamos de sentir necessidade e dizer «obrigado»!

Papa Francisco, Homilia, 9 de Outubro, 2022

Abrir

Nossa Senhora do Rosário – 7 de Outubro

Momentos depois de termos chegado à Cova da Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

– Vossemecê que me quer? – perguntei.

– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

Serva de Deus Irmã Lúcia de Jesus

Oração

À Vossa protecção, nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas nas nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

Abrir

Discernimento: conhecer-se a si mesmo

Para um bom discernimento, além da oração (vivida em familiaridade e confidência com Deus), requer-se o conhecimento de nós mesmos e dos nossos desejos mais profundos. Isto só se consegue com um paciente trabalho de introspecção, para tomarmos consciência do nosso modo de agir, dos sentimentos que nos animam, dos pensamentos que frequentemente nos condicionam, mesmo sem nos darmos conta. Precisamos de aprender a distinguir entre emoções e impulsos da alma; por exemplo: «ouço» não é o mesmo que «estou convencido», como não o é «apetece-me» e «quero». O problema é que não nos conhecemos suficientemente e, assim, não sabemos aquilo que verdadeiramente queremos. Para superar tal ignorância é de grande ajuda o exame de consciência, ou seja, aquele hábito bom de repassar, calmamente, aquilo que fizemos durante o dia, aprendendo a notar, nas avaliações e nas decisões, aquilo a que demos maior importância, o que procuramos conseguir e porquê, e qual foi o resultado; aprendendo sobretudo a reconhecer aquilo que sacia o nosso coração. Pois o tentador nem sempre nos sugere coisas más, mas apresenta-no-las com uma importância excessiva, hipnotizando-nos com o fascínio que as mesmas exercem sobre nós: são coisas belas mas ilusórias, que no fim nos deixam um sentimento de vazio e tristeza. Só o Senhor é que nos pode confirmar na avaliação justa que fazemos das coisas.

Papa Francisco, Resumo da Audiência geral, 5 de Outubro, 2022

Catequese completa:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2022/documents/20221005-udienza-generale.html

Abrir

Quando fores comungar

Quando vos preparais para a comunhão, deveis considerar quem é Aquele vem. É Jesus, Jesus tão bom, tão amável, tão doce e, ao mesmo tempo, tão belo!… Vem para quem? Vem para vós que não sois senão pó e nada. Vem para Se dar a vós, para Se fazer uma só coisa convosco. Quando O possuirdes no vosso coração, pensai que sois como Nossa Senhora, que levava Jesus no seu seio. Durante o dia tende sempre o vosso olhar fixo n’Aquele Jesus que haveis recebido pela manhã.

Santa Maria de Jesus Crucificado

Abrir

Senhor, aumenta a nossa fé

“Eu creio Senhor, ajuda a minha pouca fé”(Mc 9, 24). Façamos nosso este pedido do evangelho. Como o grão de mostarda, a nossa fé é pequenina para responder às muitas dúvidas que a vida e o ambiente descrente nos coloca. Acreditar no invisível e viver no mundo sem nos conformarmos com o mundo, é um processo de procura constante de luz, de força espiritual, de crescimento no amor a Deus e aos outros. Peçamos, portanto, ao Senhor que aumente a nossa fé e a nossa confiança. Não vemos o nível da fé, mas a sua qualidade manifesta-se na qualidade do amor, pois o agir da fé é a caridade. A fé expressa a dimensão espiritual da pessoa humana e necessita de crescer e amadurecer para acompanhar o crescimento humano. De contrário, fica desfasada da vida. E sem fé não há esperança e o amor diminui e enfraquece. Abandonar a fé é pôr de lado a luz que nos orienta na estrada nebulosa da vida. E sem orientação andamos sem rumo, perdidos no mar misterioso da existência. Cultivemos, pois, a vida espiritual e peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé.

Manuel Pelino

Abrir

Santa Teresinha do Menino Jesus – 1 de Outubro

Do teu trono de glória fulgente,
já, ó virgem, na Pátria gozando,
tua chuva de rosas envia
aos fiéis que te estão suplicando.
 
Sejam símbolo, para nós, tuas rosas,
de que podes prestar-nos auxílio!
Junto a Deus, firma a nossa esperança
na alegria e na dor, neste exílio.
 
Que teus rogos inspirem mais fé.
Tuas rosas maior esperança
possam dar, aos que lutam na terra,
a Deus Pai, teu amor de criança.
 
Dai-nos isto Deus Pai e Deus Filho
e o Espírito Santo também,
cuja glória, na altura dos céus,
sem cessar cantaremos.  Amen.

Teresa faleceu na noite de 30 de Setembro de 1897, pronunciando as simples palavras «Meu Deus, amo-Te!», olhando para o Crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O acto de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras «Jesus, amo-Te» estão no centro de todos os seus escritos. O acto de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade. Ela escreve: «Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, / O Espírito de Amor inflama-me com o seu fogo. / É amando-Te que eu atraio o Pai». (Bento XVI).

Oração

Deus de infinita bondade, que abris as portas do vosso reino aos pequeninos e humildes, fazei que sigamos confiadamente o caminho espiritual de Santa Teresa do Menino Jesus, para que, por sua intercessão, cheguemos à revelação da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

Abrir

Jesus gosta de escutar o nosso “olá”

Peçamos esta graça: viver uma relação de amizade com o Senhor, como um amigo fala com o amigo (cf. Santo Inácio de Loyola, Exercícios espirituais, 53). Conheci um irmão religioso idoso que era o porteiro de um colégio e cada vez que podia ele aproximava-se da capela, olhava para o altar, e dizia: “olá”, porque tinha proximidade com Jesus. Ele não precisava de dizer blá-blá-blá, não: “olá, estou perto de ti e tu estás perto de mim”. Esta é a relação que devemos ter na oração: proximidade, proximidade afetiva, como irmãos, proximidade com Jesus. Um sorriso, um simples gesto e não recitar palavras que não chegam ao coração. Como eu dizia, falar com Jesus como um amigo fala a outro amigo. É uma graça que devemos pedir uns pelos outros: ver Jesus como o nosso amigo, o nosso maior amigo, o nosso amigo fiel, que não chantageia, sobretudo que nunca nos abandona, nem sequer quando nos afastamos d’Ele. Ele permanece à porta do coração. “Não, não quero saber de nada de ti”, dizemos. E Ele permanece calado, fica ali ao alcance das mãos, ao alcance do coração porque Ele é sempre fiel. Vamos em frente com esta oração, recitemos a prece do “olá”, a oração de saudar o Senhor com o coração, a oração do afeto, a oração da proximidade, com poucas palavras, mas com gestos e com boas obras.

Papa Francisco, Audiência Geral, 28 de Setembro, 2022

Abrir

Frases de São Vicente de Paulo – 27 de Setembro

– Amemos a Deus, meus irmãos, amemos a Deus, mas que isto seja à custa dos nossos braços, que isto seja com o suor dos nossos rostos.
– A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas feitas, mas no facto de serem bem feitas.
– É preciso que vós e eu tomemos a resolução de jamais faltar à oração diária. Digo: diária, minhas Filhas, mas se pudesse, diria: não a deixemos nunca.
– Os que desejam realmente seguir as máximas de Cristo, devem ter em grande conta a simplicidade.
– Se procurardes a Deus, encontrá-lo-eis por toda a parte…
– Não sou daqui nem dali, mas de qualquer lugar onde Deus quer que esteja.
– Nunca se tem Deus como Pai, se não se tem Maria como Mãe.
– Não sei quem é mais carente: se o pobre que pede pão ou o rico que pede amor.
– Não me basta amar a Deus, se o meu próximo também não o ama”.
– Dez vezes irão aos pobres, dez vezes encontrarão a Deus.
– Convém amar os pobres com um afecto especial, vendo neles a pessoa do próprio Cristo, e dando-lhes a importância que Ele mesmo dava.
– Só as verdades eternas podem encher o nosso coração.
– É preciso dar o seu coração, para obter em troca o dos outros .
– Os pobres abrem-nos a porta para a eternidade.- Uma maneira óptima para se exercitar no amor de Cristo, é acostumar-se a tê-lo sempre presente em nós.
– É preciso unir-se ao próximo para unir-se a Deus.

 

Abrir