Sábado Santo

A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor. (Santa Teresa de Jesus).

Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas. (São João Paulo II).

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Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Senhor Jesus, neste dia consagrado pela vossa Paixão,
as nossas vozes erguem-se para Vós
com a confiança de que nos escutais.

Bendizemo-Vos porque sois para nós fonte de vida,
assumistes os nossos sofrimentos,
com a vossa santa cruz redimistes o mundo.

Acreditamos que pelas vossas chagas fomos curados,
que não nos deixais sozinhos na hora da provação,
que o vosso Evangelho é verdadeira sabedoria.

Reconhecemos o vosso corpo martirizado
em tantos dos nossos irmãos e irmãs,
a violência que sofrestes em quem é perseguido,
o vosso abandono no vilipêndio de quem é morto.

Vós, que quisestes viver numa família,
olhai com benevolência para as nossas famílias:
atendei as orações, escutai os lamentos,
abençoai as resoluções, acompanhai o caminho,
sustentai-as nas incertezas, consolai os afectos feridos,
infundi a coragem de amar, concedei a graça do perdão,
tornai-as abertas às necessidades dos outros.

Senhor Jesus, Vós que sois o Crucificado Ressuscitado,
fazei que não deixemos roubar-nos a esperança
duma nova humanidade, dos novos céus e da nova terra,
onde enxugareis todas as lágrimas dos nossos olhos
e não haverá mais pranto nem angústia,
porque as coisas velhas passaram
e seremos uma grande família
na vossa casa de amor e de paz.

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Ceia do Senhor

Senhor nosso Deus, que nos reunistes para celebrar a Ceia santíssima em que o vosso Filho unigénito, antes de Se entregar à morte, confiou à Igreja o sacrifício e o banquete da nova e eterna aliança, fazei que recebamos neste grande sacramento a plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

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Caminhada quaresmal – 15 de Abril

Com Maria junto à Cruz

Junto à Cruz de Jesus estava, de pé, sua Mãe. (Jo 19,25).

Há já três dias que estou mergulhada na agonia de Nosso Senhor. A cada instante Ele apresenta-Se a mim como um moribundo, com o rosto por terra, os cabelos vermelhos de sangue, […]. A sua túnica baixada até metade do corpo. (…) A Santíssima Virgem está de pé a seu lado, chorando e pedindo misericórdia ao Pai. (Santa Teresa dos Andes, Diário; 26 de Maio 1919).

Com Maria junto à Cruz, suplico: «Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós».

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Ser sacerdote é uma graça muito grande

Ser sacerdote é uma graça, uma graça muito grande, que todavia não se destina ao próprio sacerdote, mas aos fiéis. E é do Senhor que receberá a recompensa, isto é, o seu Amor e o perdão incondicional dos pecados. Não há recompensa maior do que a amizade com Jesus. Não há paz maior do que o seu perdão. Não há preço mais elevado do que o seu precioso Sangue: não permitamos que seja aviltado com uma conduta indigna.

No fim do dia é bom olhar para o Senhor e deixar que Ele contemple o nosso próprio coração não para contabilizar os pecados, mas numa atitude de contemplação e agradecimento. E não só, mas também identificar e rejeitar as tentações. Deixar que o Senhor veja os nossos ídolos escondidos, torna-nos fortes face a eles e tira-lhes o poder.

Há três espaços de idolatria nos quais o Maligno se serve para enfraquecer a vocação sacerdotal.

O primeiro deles é a mundanidade espiritual, que é uma proposta de vida, uma cultura do efémero, da aparência, da maquilhagem. O seu critério é o triunfalismo sem Cruz. É a mundanidade de andar à procura da própria glória, que rouba a presença de Jesus humilde e humilhado. Um sacerdote mundano não passa de um pagão clericalizado.

Outro espaço de idolatria é a primazia ao pragmatismo dos números. Quem possui este ídolo é reconhecido pelo seu amor às estatísticas. Mas as pessoas não se podem reduzir a números. Substituir o Espírito Santo é aquilo que visa o ídolo dos números, que faz com que tudo «apareça», mas de modo abstrato e contabilizado.

O terceiro espaço de idolatria é o funcionalismo. A mentalidade funcionalista não tolera o mistério, aposta na eficácia. Pouco a pouco, este ídolo vai substituindo em nós a presença do Pai. O funcionalista não sabe alegrar-se com as graças do Espírito e compraz-se com a eficácia dos programas.

Contra todas estas idolatrias, Jesus é o antídoto. Jesus é o único caminho para não nos enganarmos no conhecimento do que sentimos e para onde nos leva o nosso coração; é o único caminho para um bom discernimento.

Papa Francisco, Resumo da Homilia da Missa Crismal, 14 de Abril, 2022

 

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Caminhada quaresmal – 14 de Abril

Deixar-se purificar

Começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. (Jo 13,5).

Talvez receies que o abismo da grandeza de Deus e o do teu nada nunca se possam unir? Existe n’Ele o Amor; e essa paixão fê-l’O incarnar para que, vendo um Homem-Deus, não receássemos aproximar-nos d’Ele. (Santa Teresa dos Andes, Carta 138).

Repito frequentemente a Jesus: «Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso».

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Caminhada quaresmal – 13 de Abril

Abrir-me ao seu mistério de Amor

Onde queres que façamos os preparativos para a Páscoa? (Mt 26,17).

Tentem conhecer Jesus, o amigo íntimo das nossas almas. N’Ele encontrarão a ternura de uma mãe a um grau infinito, a consolação para o sofrimento, a força para cumprir os vossos deveres. Olhem para Jesus, aniquilado na manjedoura, na Cruz, no tabernáculo. A partir dali, Ele diz-nos o quanto nos amou. (Santa Teresa dos Andes, Carta 151).

Ofereço o meu coração e a minha alma a Jesus para que neles possa encontrar abrigo e consolação.

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Caminhada quaresmal – 12 de Abril

Acolher o seu perdão

Darias a vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de Me teres negado três vezes! (Jo 13, 38).

Quando tropeças em alguma dificuldade no caminho do dever, pensa que (…) Deus, nesse instante, te ama infinitamente, que Ele cuida de ti como se não existisse mais nenhuma criatura no mundo, que Ele te ampara para que vivas. (Santa Teresa dos Andes, Carta 114).

Deixo-me olhar por Jesus e faço actos de fé no seu demasiado grande Amor.

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Caminhada quaresmal – 11 de Abril

Deixar-se cobrir pela sua Misericórdia

Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume. (Jo 12,3).

Não percebo como é que Deus Se aproxima de mim, miserável pecadora, Ele que é a Santidade. (…) tenho desejos ardentes de Lhe oferecer qualquer coisa que corresponda ao seu amor infinito. (Santa Teresa dos Andes, Carta 88).

Durante este dia, apresento frequentemente ao Senhor o meu desejo de O amar cada vez mais e aconchego-me sob o seu manto de Misericórdia.

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Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem

“Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem”. Notemos mais uma coisa. Jesus não só implora o perdão, mas diz também o motivo: perdoa-lhes, “porque não sabem o que fazem”. Como é possível? Os seus opositores tinham premeditado a morte d’Ele, organizado a sua captura, os julgamentos e agora estão lá, no Calvário, para assistir ao seu fim… e, todavia, Cristo justifica aqueles violentos, “porque não sabem”. É assim que Jesus Se comporta connosco: faz-Se nosso “advogado”. Não Se coloca contra nós, mas por nós contra o nosso pecado. E é interessante o argumento que usa: “porque não sabem”, ou seja, aquela ignorância do coração que temos todos nós pecadores. Quando se usa violência, nada mais se sabe sobre Deus, que é Pai, nem sobre os outros, que são irmãos. Esquece-se a razão por que se está no mundo e chega-se a realizar absurdas crueldades. Vemo-lo na loucura da guerra, onde se torna a crucificar Cristo. Sim, Cristo é pregado na cruz mais uma vez nas mães que choram a morte injusta de maridos e filhos. É crucificado nos refugiados que fogem das bombas com os meninos no braço. É crucificado nos idosos deixados sozinhos a morrer, nos jovens privados de futuro, nos soldados mandados a matar os seus irmãos. Hoje, Cristo está crucificado aí.

Papa Francisco, Eucaristia do Domingo de Ramos, 10 de Abril, 2022

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