Discurso do Papa Francisco aos participantes no Capítulo Geral da Ordem Carmelita

Caríssimos irmãos!

Saúdo-vos com alegria, vós que fostes convocados para celebrar o Capítulo Geral e, através de vós, saúdo todos os membros da Ordem Carmelita. O tema central da vossa reflexão capitular é “Vós sois minhas testemunhas (Is 43,10); de uma geração à outra: chamados a ser fiéis ao nosso carisma carmelita(cf. Const., nº 21).

Deus abençoou o Carmelo com um carisma original para enriquecer a Igreja e para comunicar ao mundo a alegria do Evangelho, partilhando o que recebestes com entusiasmo e generosidade: “De graça recebestes, de graça dai” (Mt 10,8). Gostaria de vos encorajar acerca disto indicando-vos três linhas orientativas para o caminho.

A primeira linha é fidelidade e contemplação. A Igreja aprecia-vos e, quando pensa no Carmelo, pensa numa escola de contemplação. Como atesta uma rica tradição espiritual, a vossa missão é fecunda, na medida em que está enraizada na relação pessoal com Deus. O Beato Tito Brandsma, mártir e místico, afirmou: “É próprio da Ordem do Carmelo, embora seja uma Ordem mendicante de vida activa e que vive no meio das pessoas, conservar uma grande estima pela solidão e desapego do mundo, considerando a solidão e a contemplação como a melhor parte da sua vida espiritual”. As Constituições de 1995, que por estes dias estais a rever, sublinham-no: “A esta vocação contemplativa referem-se sempre os grandes mestres espirituais da família carmelita” (nº 17). O modo carmelita de viver a contemplação prepara-vos para servir o povo de Deus através de qualquer ministério e apostolado. O certo é que, qualquer que seja o que façais, sereis fiéis ao vosso passado e abertos ao futuro com esperança se, “vivendo em obséquio de Jesus Cristo” (Regra, nº 2), tiverdes especialmente no coração o caminho espiritual das pessoas.

A segunda linha é acompanhamento e oração. O Carmelo é sinónimo de vida interior. Os místicos e os escritores carmelitas entenderam que “estar em Deus” e “estar nas suas coisas” nem sempre coincidem. Se nos tornarmos agitados por causa de fazer mil coisas por Deus sem estar enraizados n’Ele (cfr. Lc 10,38-42), mais cedo ou mais tarde a conta é-nos apresentada: damo-nos conta de que O perdemos durante o caminho. Santa Maria Madalena de’ Pazzi, nas suas famosas cartas de Renovamento da Igreja (1586), prevê que a “tibieza” pode infiltrar-se na vida consagrada quando os conselhos evangélicos se tornam apenas uma rotina e o amor de Jesus deixa de ser o centro da vida (cf. Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, nº 264). Do mesmo modo, também o mundanismo pode infiltrar-se, que é a tentação mais perigosa da Igreja, especialmente para nós, homens da Igreja. Sei muito bem, irmãos, que esta tentação entrou e causou sérios danos também entre vós. Rezei e rezo para que o Senhor vos ajude. E este Capítulo é uma ocasião providencial para receber do Espírito Santo a força para lutar juntos contra essas armadilhas.

Gerações de carmelitas e carmelitas ensinaram-nos com o exemplo, a viver mais “dentro” do que “fora” de nós mesmos, e a seguir para “o mais profundo centro”, como diz São João da Cruz (Chama viva de amor B, 1,11-12), porque aí habita Deus, e aí Ele nos convida a procurá-lo. O verdadeiro profeta na Igreja é aquele e aquela que vem do “deserto”, como Elias, cheio do Espírito Santo, com aquela autoridade que têm os que escutaram no silêncio a voz subtil de Deus (cf. 1 Rs 19,12).

Encorajo-vos a acompanhar as pessoas a “fazer amizade” com Deus. Santa Teresa dizia: “De falar ou ouvir falar de Deus quase nunca me cansava”. O nosso mundo tem sede de Deus e vós carmelitas, mestres de oração, podeis ajudar muitos a sair do barulho, da pressa e da aridez espiritual. Não se trata naturalmente de ensinar as pessoas a coleccionar orações, mas a serem homens e mulheres de fé, amigos de Deus, que sabem percorrer os caminhos do espírito.

Do silêncio e da oração nascerão comunidades renovadas e ministérios autênticos (cf. Const., nº 62). Como bons artesãos de fraternidade ponde a vossa confiança no Senhor vencendo a inércia do imobilismo e evitando a tentação de reduzir a comunidade religiosa a “grupos de trabalho” que acabariam por diluir os elementos fundamentais da vida religiosa. A beleza da vida comunitária é em si mesma um ponto de referência que gera serenidade, atrai o povo de Deus e contagia a alegria de Cristo Ressuscitado. O verdadeiro carmelita transmite a alegria de ver no outro um irmão que deve ser apoiado e amado e com quem se partilha a vida.

E finalmente a terceira linha: ternura e compaixão. O contemplativo tem um coração compassivo. Quando o amor enfraquece, tudo perde sabor. O amor, diligente e criativo, é bálsamo para os que estão cansados ​​e esgotados (cf. Mt 11,28), para os que sofrem o abandono, o silêncio de Deus, o vazio da alma, o amor despedaçado. Se um dia, à nossa volta, não houver mais pessoas doentes e famintas, abandonadas e desprezadas – os menores de que fala a vossa tradição mendicante – não é porque não se encontrem aí, mas simplesmente porque não as vemos. Os pequenos (cf. Mt 25, 31-46) e os descartados (cf. A Alegria do Evangelho, nº 53) sempre os teremos (cf. Jo 12,8), a oferecer-nos uma oportunidade para que a contemplação seja uma janela aberta à beleza, à verdade e à bondade. “Quem ama a Deus deve procurá-lo nos pobres”, nos “irmãos de Jesus”, como disse o Beato Angelo Paoli, de quem ireis celebrar brevemente o terceiro centenário da sua morte. Que possais ter sempre a bondade de os procurar! A confiança absoluta do Beato Angelo Paoli na providência divina fazia-o exclamar com alegria: “Tenho uma despensa na qual nada falta!”. Que a vossa despensa transborde compaixão diante de qualquer forma de sofrimento humano!

A contemplação seria apenas qualquer coisa momentânea se se reduzisse a arroubos e êxtases que nos afastasse das alegrias e das preocupações das pessoas. Devemos desconfiar do contemplativo que não é compassivo. A ternura, segundo o estilo de Jesus (cf. Lc 10,25-37), protege-nos da “pseudo-mística”, da “solidariedade de fim de semana” e da tentação de ficar longe das feridas do corpo de Cristo. Três perigos: a “pseudo-mística”, o “fim de semana solidário” e a tentação de ficar longe das feridas do corpo de Cristo. As feridas de Jesus são também ainda hoje visíveis no corpo dos irmãos que são despojados, humilhados e escravizados. Tocando estas feridas, acariciando-as, é possível adorar o Deus vivo no meio de nós. Hoje é necessário fazer uma revolução da ternura (cf. A Alegria do Evangelho, nnº 88; 288) para que nos torne mais sensíveis diante das noites escuras e dos dramas da humanidade.

Caríssimos irmãos, agradeço-vos por este encontro. Que a Virgem do Carmelo sempre vos acompanhe e proteja todos aqueles que colaboram convosco e se inspiram na vossa espiritualidade. E, por favor, confiai-me também a mim à sua maternal protecção. Obrigado!

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25º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Que farei agora? (Lc 16, 3)

Antes da oração do Angelus, o Papa Francisco reflectiu sobre a parábola do evangelho do 25º Domingo (Ano C) que tem como protagonista um administrador astuto e desonesto que está para ser despedido.

Nesta situação difícil, o administrador desonesto não recrimina o chefe, não procura justificações, nem se deixa desmotivar, mas pensa numa forma de saída que lhe assegure um futuro tranquilo. Reage com lucidez, reconhecendo os seus limites: não pode cavar pois não tem forças e mendigar envergonha-o. O que faz? Chama os devedores e reduz as dívidas que têm para fazê-los seus amigos e ser recompensado por eles quando for despedido.

Jesus apresenta este exemplo não para exortar à desonestidade mas à astúcia. O administrador injusto é louvado porque agiu com astúcia, isto é, com a mistura de inteligência e astúcia que permite ultrapassar situações difíceis.

A chave de leitura desta narração encontra-se no convite feito por Jesus no final da parábola: “ganhai amigos com o dinheiro da injustiça para que um dia que este vos falte, eles vos recebam nas moradas eternas”. Isto parece um pouco confuso mas não o é:  riqueza desonesta é o dinheiro – chamado também o “esterco do diabo” – e em geral os bens materiais. As riquezas podem empurrar para levantar muros, criar divisões e discriminações. Jesus, porém, convida os seus discípulos a inverter a rota: “ganhai amigos com a riqueza”. É um convite para saber transformar os bens e as riquezas em relações, porque as pessoas valem mais do que as coisas e contam mais do que as riquezas que se possuem. Na vida, de facto, dá fruto não quem tem muitas riquezas mas quem cria e mantém vivos muitos vínculos, muitas relações, muitas amizades através das diferentes “riquezas”, isto é, dos diversos dons que Deus nos deu.

Se formos capazes de transformar as riquezas em instrumentos de fraternidade e de solidariedade, não estará no Paraíso a receber-nos somente Deus mas também aqueles com quem compartilhámos, administrando bem, tudo o que o Senhor colocou nas nossas mãos.

O Santo Padre convida a pensar na pergunta do administrador desonesto despedido pelo patrão: “Que farei agora?” para aprendermos que diante das nossas faltas e dos nossos fracassos, Jesus assegura-nos que estamos sempre a tempo de curar com o bem o mal realizado. 

Que a Virgem Maria nos ajude a ser astutos para assegurar não o êxito mundano mas a vida eterna, para que no momento do juízo final as pessoas necessitadas que ajudámos testemunhem que nelas vimos e servimos o Senhor.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 22 de Setembro, 2019

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Tempo da criação – 21 – 27 de Setembro

DIA 21. “A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos. Muitos estão cientes de que não basta o progresso actual e a mera acumulação de objectos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano, mas não se sentem capazes de renunciar àquilo que o mercado lhes oferece. Nos países que deveriam realizar as maiores mudanças nos hábitos de consumo, os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação de outros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo” (nº 209).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus omnipotente, obrigado porque estás connosco todos os dias. Nós Te pedimos: sustenta-nos na nossa luta pela justiça, o amor e a paz. Amen.

DIA 22. “Se «os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornaram tão amplos», a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa” (nº 217).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus dos pobres, cura a nossa vida, para protegermos o mundo e não o depredarmos, para semearmos beleza e não poluição nem destruição. Amen.

DIA 23. “Para se resolver uma situação tão complexa como a que o mundo actual enfrenta, não basta que cada um seja melhor. Os indivíduos isolados podem perder a capacidade e a liberdade de vencer a lógica da razão instrumental e acabam por sucumbir a um consumismo sem ética nem sentido social e ambiental. Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias […]. A conversão ecológica, que se requer para criar um dinamismo de mudança duradoura, é também uma conversão comunitária” (nº 219).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Ó Deus dos pobres, ajuda-nos a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Amen.

DIA 24. “A espiritualidade cristã propõe uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo. […] Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». […] A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem nos entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres” (nº 222).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus Omnipotente, que estás em todo o Universo e na mais pequenina das tuas criaturas: Tu, que envolves na tua ternura tudo o que existe, derrama em nós a força do teu amor para cuidarmos da vida e da beleza.

DIA 25. “A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Não se trata de menos vida, nem vida de baixa intensidade; é precisamente o contrário. Com efeito, as pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de debicar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar-se com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas. Deste modo conseguem reduzir o número das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansaço e a ansiedade. É possível necessitar de pouco e viver muito, sobretudo quando se é capaz de dar espaço a outros prazeres, encontrando satisfação nos encontros fraternos, no serviço, na frutificação dos próprios carismas, na música e na arte, no contacto com a natureza, na oração. A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as múltiplas possibilidades que a vida oferece” (nº 223).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Senhor Deus, Uno e Trino, comunidade admirável de amor infinito, ensina-nos a contemplar-Te na beleza do universo, onde tudo nos fala de Ti. Louvado sejas!

DIA 26. “A sobriedade e a humildade não gozaram de consideração positiva no século passado. Mas, quando se debilita de forma generalizada o exercício de alguma virtude na vida pessoal e social, isso acaba por provocar variados desequilíbrios, mesmo ambientais. Por isso, não basta falar apenas da integridade dos ecossistemas; é preciso ter a coragem de falar da integridade da vida humana, da necessidade de incentivar e conjugar todos os grandes valores. […] Não é fácil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos autónomos, se excluímos Deus da nossa vida fazendo o nosso eu ocupar o seu lugar, se pensamos ser a nossa subjectividade que determina o que é bem e o que é mal” (nº 224).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Espírito Santo, que com a tua luz guias este mundo para o amor do Pai e acompanhas o gemido da criação, Tu vives também nos nossos corações a fim de os mover para o bem. Louvado sejas!

DIA 27. “Ninguém pode amadurecer numa sobriedade feliz, se não estiver em paz consigo mesmo. E parte de uma adequada compreensão da espiritualidade consiste em alargar a nossa compreensão da paz, que é muito mais do que a ausência de guerra. A paz interior das pessoas tem muito a ver com o cuidado da ecologia e com o bem comum, porque, autenticamente vivida, reflecte-se num equilibrado estilo de vida aliado com a capacidade de admiração que leva à profundidade da vida. A natureza está cheia de palavras de amor; mas, como poderemos ouvi-las no meio do ruído constante, da distracção permanente e ansiosa, ou do culto da notoriedade?” (nº 225-a).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus Omnipotente, inunda-nos de paz, para vivermos como irmãos e irmãs sem prejudicar ninguém. Amen.

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Santo Alberto de Jerusalém e novo Prior Geral Carmelita – 17 de Setembro

Hoje, 17 de Setembro, a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo celebra a festa de Santo Alberto de Jerusalém. Neste mesmo dia, em Roma, foi eleito Fr. Míċéal O’Neill como novo Prior Geral da Ordem Carmelita (imagem).

Santo Alberto de Jerusalém escreveu a Regra que até aos nossos dias inspira a vida de toda a Família Carmelita (religiosos, religiosas, leigos). A Regra carmelita é a mais pequena de todas as Regras religiosas existentes na Igreja. Consiste, quase exclusivamente, numa sábia concatenação de citações da Bíblia. A Regra centra-se mais na justificação espiritual da vocação carmelita e nos meios necessários para a realizar, do que em normas legais que devem regular as relações de um grupo concreto.

Nela recolhe-se a motivação que deve guiar a vida dos consagrados e de todos os cristãos: “viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com coração puro e boa consciência” (nº 2), meditando dia e noite na sua palavra. Este é o ideal que a Regra do Carmelo apresenta e que a Família Carmelita deseja pôr em prática ainda hoje, oitocentos anos depois da sua promulgação.

Santo Alberto apesar de não ter sido carmelita, a Ordem do Carmo representa-o nas suas imagens vestido de carmelita e com a Regra na mão.

Quanto ao novo Prior Geral, Fr. Míċéal O’Neill O. Carm., é da Província Irlandesa, mas ultimamente já estava a viver em Roma, como Prior do Colégio Internacional de Santo Alberto. Nascido a 2 de Maio de 1952, professou na Ordem do Carmo a 19 de Setembro de 1971, tendo sido ordenado a 16 de Julho de 1977 e desempenhado desde então diversos cargos na Ordem. Para o novo Prior Geral as nossas felicitações e a nossa oração.

Oração

Senhor, que por intermédio de Santo Alberto nos destes uma forma de vida evangélica, concedei-nos, por sua intercessão, viver sempre na contemplação de Jesus Cristo e servi-lo com fidelidade até à morte. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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24º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa (Lc 15, 10)

O Evangelho do 24º Domingo do Tempo Comum, Ano C, começa por narrar a reacção de alguns que, escandalizados, criticavam Jesus, dizendo com desdém: “Ele acolhe os pecadores e come com eles”. Uma frase que acaba por revelar um anúncio maravilhoso: Jesus acolhe os pecadores e come com eles, como acontece connosco, em cada Missa, em cada igreja: Jesus está contente por nos acolher na sua mesa, onde se oferece por nós. É a frase que poderíamos escrever nas portas das nossas igrejas: “Aqui Jesus acolhe os pecadores e convida-os para a sua mesa”.

Para responder aos seus críticos, Jesus conta três parábolas, três parábolas maravilhosas, que fazemos bem em lê-las, que mostram a sua predilecção por aqueles que se sentem distantes dele.

Começando pela parábola da ovelha perdida uma pessoa sensata não deixaria as noventa e nove no deserto para buscar aquela que se perdeu. Fazendo os cálculos, chegaria à conclusão que valeria mais a pena sacrificar uma, mantendo as outras noventa e nove a salvo. Mas Deus faz o contrário. Deus, ao invés disso, não se resigna, a ele importa precisamente tu que ainda não conheces a beleza do seu amor, tu que ainda não acolheste Jesus no centro da tua vida, tu que não consegues superar o teu pecado, tu que talvez, pelas coisas ruins que aconteceram na tua vida, não acreditas no amor.

Na segunda parábola, cada um de nós é aquela pequena moeda que o Senhor não quer perder e a procura incessantemente. Ele quer-te dizer que és precioso aos seus olhos, que és único. Ninguém te pode substituir no coração de Deus. Tu tens um lugar, és tu, e ninguém pode substituir-te. E também eu, ninguém pode substituir-me no coração de Deus.

Na terceira parábola Deus é pai que espera o retorno do filho pródigo. É Um Deus paciente, que não desanima, não se cansa e aguarda o retorno do filho pródigo. Este é o nosso Deus, que nos abraça novamente, nos acaricia e nos coloca nos seus ombros. Ele espera em cada dia que percebamos este seu amor ainda que te lamentes de muitas coisas das quais te arrependes hoje de as ter feito. Não tenhas medo: Deus ama-te, ama-te como és e sabe que somente o seu amor pode mudar a tua vida.

Mas o amor infinito de Deus por nós pecadores, que é o coração do Evangelho, pode ser rejeitado como fez o filho mais velho da parábola. Ele não entende o amor naquele momento e tem em mente mais um patrão do que um pai. É um risco também para nós: acreditar num deus mais rigoroso do que misericordioso, num deus que derrota o mal com o poder do que com o perdão. Mas com Deus não é assim. Deus salva com o amor, não com a força, propondo, não impondo. Mas o filho mais velho, que não aceita a misericórdia do pai, fecha-se, comete um erro pior: presume-se justo, presume-se traído e julga tudo a partir do seu pensamento de justiça. Assim, fica irritado com o irmão e censura o pai: “Tu matastes o novilho gordo agora que este teu filho voltou”. Este “teu filho”: não o chama “meu irmão”, mas “teu filho”. Sente-se como filho único.

Também nós muitas vezes agimos como o filho mais velho, quando acreditamos ser os justos, quando pensamos que os maus são os outros. Mas não nos julguemos bons, porque sozinhos, sem a ajuda de Deus que é bom, não sabemos vencer o mal.

E como se faz para derrotar o mal? Acolhendo o perdão de Deus e o perdão dos irmãos. Acontece quando nos confessamos. Recebemos o amor do Pai que vence o nosso pecado: não existe mais, Deus esquece-o. Quando Deus perdoa, perde a memória, esquece os nossos pecados. Deus é tão bom connosco!

Deus esquece, diferentemente de nós, que mesmo quando dizemos que “está tudo certo”, na primeira oportunidade recordamos os ferimentos sofridos. Deus apaga o mal, faz-nos novos por dentro e, assim, faz renascer em nós a alegria, não a tristeza, não a obscuridade no coração, não a suspeita, mas a alegria.

Coragem! Com Deus nenhum pecado tem a última palavra. Que Nossa Senhora, que desata os nós da vida, nos liberte da pretensão de acreditar que somos justos e nos faça sentir a necessidade de ir até ao Senhor, que nos espera sempre para nos abraçar, para nos perdoar.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 15 de Setembro, 2019

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Oração pelo Capítulo Geral da Ordem do Carmo

De 12 a 27 de Setembro do corrente ano a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo realiza o seu Capítulo Geral, em Sassone (Roma-Itália). Apresentamos a oração pelo Capítulo Geral da Ordem do Carmo para que na oração nos unamos aos que representam a Família Carmelita para que abertos ao Espírito Santo sejam dóceis às suas inspirações e aos caminhos que ele aponta para o bem do Povo de Deus e dos Carmelitas.

Oração pelo Capítulo Geral da Ordem do Carmo

Senhor, tu escolheste e chamaste cada um de nós ao Carmelo para ser testemunha do teu amor em cada geração. Envia o teu Espírito Santo, para que nos guie para o futuro, como nos primeiros dias da nossa Primavera no Monte Carmelo, para que os irmãos e as irmãs da Ordem dêem uma resposta autêntica e evangélica aos desafios que nos interpelam, reconhecendo o teu rosto no coração do mundo. Juntos como Família Carmelita, oramos pelo nosso Capítulo Geral, sob a protecção de Maria nossa Mãe e do profeta Elias, para que renovemos com esperança firme e na verdade da nossa vocação, o nosso cuidado e serviço pelo teu povo. Amen.

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Tempo da criação – 13 – 20 de Setembro

DIA 13. “Não haverá uma nova relação com a natureza, sem um ser humano novo. Não há ecologia sem uma adequada antropologia. Quando a pessoa humana é considerada apenas mais um ser entre outros, que provém de jogos do acaso ou de um determinismo físico, «corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade». […] Não se pode exigir do ser humano um compromisso para com o mundo, se ao mesmo tempo não se reconhecem e valorizam as suas peculiares capacidades de conhecimento, vontade, liberdade e responsabilidade” (nº 118).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus omnipotente, inunda-nos de paz, para vivermos como irmãos e irmãs sem prejudicar ninguém. Amen.

DIA 14. “A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isto exige sentar-se a pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência de uma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo. Nunca é demais insistir que tudo está interligado. […] Por isso, os conhecimentos fragmentários e isolados podem tornar-se uma forma de ignorância, quando resistem a integrar-se numa visão mais ampla da realidade” (nº 138).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Senhor Deus, Uno e Trino, dá-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe. Amen.

DIA 15. “O Domingo, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. […] Assim, a acção humana é preservada não só do activismo vazio, mas também da ganância desenfreada e da consciência que se isola buscando apenas o benefício pessoal. […] O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres” (nº 237).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Ó Deus dos pobres, cura a nossa vida, para protegermos o mundo e não o depredarmos, para semearmos beleza e não poluição nem destruição. Amen.

DIA 16. “A previsão do impacto ambiental dos empreendimentos e projectos requer processos políticos transparentes e sujeitos a diálogo, enquanto a corrupção, que esconde o verdadeiro impacto ambiental dum projecto em troca de favores, frequentemente leva a acordos ambíguos que fogem ao dever de informar e a um debate profundo” (nº 182).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus de amor, ilumina os donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos e cuidem deste mundo que habitamos. Amen.

DIA 17. “Em qualquer discussão sobre um empreendimento, dever-se-ia pôr uma série de perguntas, para poder discernir se o mesmo levará a um desenvolvimento verdadeiramente integral: Para que fim? Por qual motivo? Onde? Quando? De que maneira? A quem ajuda? Quais são os riscos? A que preço? Quem paga as despesas e como o fará? Neste exame, há questões que devem ter prioridade. Por exemplo, sabemos que a água é um recurso escasso e indispensável, sendo um direito fundamental que condiciona o exercício doutros direitos humanos. Isto está, sem dúvida, acima de toda a análise de impacto ambiental de uma região” (nº 185).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã Água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

DIA 18. “Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência de uma origem comum, de uma recíproca pertença e de um futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração (nº 202).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Com São Paulo de Tarso, proclamamos: «Há um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos.» (Ef 4,6) Louvado sejas, meu Senhor!

DIA 19. “Uma mudança nos estilos de vida poderia chegar a exercer uma pressão salutar sobre quantos detêm o poder político, económico e social. […] Verifica-se isto quando os movimentos de consumidores conseguem que se deixe de adquirir determinados produtos e assim se tornam eficazes na mudança do comportamento das empresas, forçando-as a reconsiderar o impacto ambiental e os modelos de produção. […] «Comprar é sempre um acto moral, para além de económico.» Por isso, hoje, «o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós»” (nº 206).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus nosso Pai, Criador e Senhor do Universo, ensina-nos a viver de modo austero, como S. Francisco de Assis, para não transformarmos a realidade em mero objecto de uso e domínio. (nº 11).

DIA 20. “Sempre é possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro. Sem tal capacidade, não se reconhece às outras criaturas o seu valor, não se sente interesse em cuidar de algo para os outros, não se consegue impor limites para evitar o sofrimento ou a degradação do que nos rodeia. […] Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade” (nº 208).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus de amor, mostra-nos o nosso lugar neste mundo como instrumentos do teu carinho por todos os seres da terra, porque nem um só deles é esquecido por Ti.

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Oração a São Nuno

Pai Santo, em Jesus Cristo mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do Vosso Reino. Para o acolher, ele pôs a render, como servo fiel, os dons que lhe concedestes, no serviço a Deus, à Igreja, à Pátria, ao próximo, especialmente aos mais necessitados, e a Maria Santíssima, por quem se enamorou e se entregou, quer na vida pública ao serviço do bem comum quer na vida conventual do Carmo de Lisboa, onde ingressou como religioso carmelita.

Concedei-nos, por sua intercessão, a graça… (nomeá-la), para que também nós possamos viver sempre ao Vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, um dia tenhamos parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Jesus Cristo, Senhor nosso. Amen.

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Tempo da criação – 6 – 12 de Setembro

DIA 6. “Às vezes nota-se a obsessão de negar qualquer preeminência à pessoa humana, conduzindo-se uma luta em prol das outras espécies que não se vê na hora de defender igual dignidade entre os seres humanos. Devemos, certamente, ter a preocupação de que os outros seres vivos não sejam tratados de forma irresponsável, mas deveriam indignar-nos sobretudo as enormes desigualdades que existem entre nós, porque continuamos a tolerar que alguns se considerem mais dignos do que outros. […] Na prática, continuamos a admitir que alguns se sintam mais humanos que outros, como se tivessem nascido com maiores direitos” (nº 90).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Os pobres e a terra estão bradando: Senhor, tomai-nos sob o vosso poder e a vossa luz, para proteger cada vida, para preparar um futuro melhor, para que venha o vosso Reino de justiça, paz, amor e beleza. Louvado sejas!

DIA 7. “Para nada serviria descrever os sintomas, se não reconhecêssemos a raiz humana da crise ecológica. Há um modo desordenado de conceber a vida e a acção do ser humano, que contradiz a realidade até ao ponto de a arruinar. Não poderemos deter-nos a pensar nisto mesmo? Proponho, pois, que nos concentremos no paradigma tecnocrático dominante e no lugar que ocupa nele o ser humano e a sua acção no mundo” (nº 101).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Espírito Santo, com a tua luz guias este mundo para o amor do Pai e acompanhas o gemido da criação. Tu vives também nos nossos corações a fim de nos impelir para o bem. Louvado sejas!

DIA 8. “«O homem moderno não foi educado para o recto uso do poder», porque o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência. […] Neste sentido, ele está nu e exposto frente ao seu próprio poder que continua a crescer, sem ter os instrumentos para o controlar. Talvez disponha de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que carece de uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro dum lúcido domínio de si” (nº 105).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Jesus, Filho de Deus, por Ti foram criadas todas as coisas. Foste formado no seio materno de Maria, e assim Te fizeste parte desta terra e contemplaste este mundo com olhos humanos. Hoje estás vivo em cada criatura com a tua glória de ressuscitado. Louvado sejas!

DIA 9. “A cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo à volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático. […] Buscar apenas um remédio técnico para cada problema ambiental que aparece, é isolar coisas que, na realidade, estão interligadas e esconder os problemas verdadeiros e mais profundos do sistema mundial” (nº 111).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus de amor, mostra-nos o nosso lugar neste mundo como instrumentos do teu carinho por todos os seres desta terra, porque nem um deles sequer é esquecido por Ti. Amen.

DIA 10. “Torna-se difícil parar para recuperarmos a profundidade da vida. Se a arquitectura reflecte o espírito duma época, as megaestruturas e as casas em série expressam o espírito da técnica globalizada, onde a permanente novidade dos produtos se une a um tédio enfadonho. Não nos resignemos a isto nem renunciemos a perguntar-nos pelos fins e o sentido de tudo. Caso contrário, apenas legitimaremos o estado de facto e precisaremos de mais sucedâneos para suportar o vazio” (nº 113).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Senhor Deus, Uno e Trino, comunidade admirável de amor infinito, ensina-nos a contemplar-Te na beleza do universo, onde tudo nos fala de Ti. Amen.

DIA 11. “O que está a acontecer põe-nos perante a urgência de avançar numa corajosa revolução cultural. A ciência e a tecnologia não são neutrais, mas podem, desde o início até ao fim dum processo, envolver diferentes intenções e possibilidades que se podem configurar de várias maneiras. Ninguém quer o regresso à Idade da Pedra, mas é indispensável abrandar a marcha para olhar a realidade doutra forma, recolher os avanços positivos e sustentáveis e ao mesmo tempo recuperar os valores e os grandes objectivos arrasados por um desenfreamento megalómano” (nº 114).

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Senhor Deus, Uno e Trino, desperta o nosso louvor e a nossa gratidão por cada ser que criaste. Dá-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe. Amen.

DIA 12. “A falta de preocupação por medir os danos à natureza e o impacto ambiental das decisões é apenas o reflexo evidente do desinteresse em reconhecer a mensagem que a natureza traz inscrita nas suas próprias estruturas. Quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos –, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza. Tudo está interligado. Se o ser humano se declara autónomo da realidade e se constitui dominador absoluto, desmorona-se a própria base da sua existência, porque «em vez de realizar o seu papel de colaborador de Deus na obra da criação, o homem substitui-se a Deus, e deste modo acaba por provocar a revolta da natureza»” (nº 117) .

Breve momento de reflexão e interiorização.

Oração

Deus de amor, ilumina os donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos e cuidem deste mundo que habitamos. Amen.

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22º Domingo do Tempo Comum – Ano C

E serás feliz por eles não terem com que retribuir-te (Lc 14, 14)

A reflexão que o Papa Francisco fez neste 22º Domingo do Tempo Comum – Ano C, foi inspirada no Evangelho de São Lucas que narra a presença de Jesus num banquete na casa de um chefe dos fariseu. Jesus olha e observa como os convidados correm, se apressam para conseguir os primeiros lugares. É um comportamento bastante difundido também nos nossos dias: habitualmente busca-se o primeiro lugar para afirmar uma suposta superioridade sobre os outros. Mas esta corrida pela busca dos primeiros lugares faz mal à comunidade quer civil como eclesial, porque destrói a fraternidade. Todos conhecemos estas pessoas: galgadores, que sempre se agarram para subir, subir. Fazem mal à fraternidade, prejudicam a fraternidade.

Diante desta cena, Jesus conta duas breves parábolas. Na primeira, dirigida a uma pessoa convidada para um banquete, é advertida para não ocupar o primeiro lugar, sob o risco de ser convidada pelo dono da festa a cedê-lo para outra pessoa e ocupar o último lugar, o que seria uma vergonha. Em vez disso Jesus ensina-nos a ter a atitude oposta, a sentar-se no último lugar. Portanto, não devemos buscar por iniciativa própria a atenção e a consideração dos outros, mas sim permitir que sejam os outros a dá-la. Jesus mostra-nos sempre o caminho da humildade – devemos aprender o caminho da humildade! – porque é o mais autêntico, o que também permite ter relações autênticas.

Na segunda parábola Jesus dirige-se ao dono da festa, sugerindo que na escolha dos convidados, chame os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Se o fizer, então será feliz porque eles não lhe podem retribuir. Também aqui, Jesus vai completamente contra a corrente, manifestando como sempre a lógica de Deus Pai. E também acrescenta a chave para interpretar este seu discurso. E qual é a chave? Uma promessa: se fizeres assim,“receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. Isto significa que aquele que assim se comportar, terá a recompensa divina, muito superior à retribuição humana que se espera: eu te faço este favor esperando que tu me faças outro. Não, isso não é cristão. A generosidade humilde é cristã.

A retribuição humana geralmente distorce os relacionamentos, torna-os comerciais, introduzindo o interesse pessoal numa relação que deveria ser generosa e gratuita. Jesus convida à generosidade desinteressada, para abrir-nos o caminho em direcção a uma alegria muito maior, a alegria de ser participantes do próprio amor de Deus que nos espera, a todos nós, no banquete celeste.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 1 de Setembro, 2019

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