Ver Jesus

Senhor Jesus, / Há tanta gente que Te procura à pressa e Te quer ver. / Mas quando dizem que Te querem ver, / Não é para Te conhecer. / É o teu rosto, a cor dos teus olhos e cabelos, / A tez da tua pele, a tua forma de vestir que os atrai e contagia. / Querem ver-te como se fosse numa fotografia.

Mas Tu, Senhor Jesus Ressuscitado,/ Quando Te dás a conhecer a nós, / Não mostras o rosto, / Uma fotografia, / O cartão de cidadão. / Se fosse assim, / Mal seria que os teus amigos Te não reconhecessem.

E o facto é que, / Quando surges no meio deles, / Não Te reconhecem. / E em vez do rosto, / São, afinal, as mãos e o lado que apresentas. / Entenda-se: é a tua maneira de viver que nos queres fazer ver. / Na verdade, a tua identidade é dar a vida, / É dar a mão e o coração. / É essa a tua lição, a tua paixão, a tua ressurreição.

Senhor, dá-nos sempre desse pão!

António Couto

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Das chagas de Jesus vem a misericórdia

Oito dias depois, isto é, exactamente como hoje, repete-se a aparição: Jesus vem ao encontro da incredulidade de Tomé, convidando-o a tocar as suas chagas. Elas constituem a fonte da paz, porque são o sinal do imenso amor de Jesus que derrotou as forças hostis ao homem, o pecado e a morte. Convida-o a tocar as chagas. É um ensinamento para nós, como se Jesus dissesse a todos nós: “Se tu não estás em paz, toca as minhas chagas”.

Tocar as chagas de Jesus, que são os tantos problemas, dificuldades, perseguições, doenças, de tantas pessoas que sofrem. Tu não estás em paz? Vai, vai visitar alguém que é o símbolo da chaga de Jesus. Toca a chaga de Jesus. (…)

As chagas de Jesus são um tesouro, delas vem a misericórdia. Sejamos corajosos e toquemos as chagas de Jesus. Com estas chagas Ele está diante do Pai, mostra-as ao Pai, como se dissesse: “Pai, este é o preço, estas chagas são o que paguei pelos meus irmãos”. Com as suas chagas Jesus intercede diante do Pai, dá-nos a misericórdia se nos aproximamos e intercede por nós. Não esqueçamos as chagas de Jesus.

Papa Francisco, Regina Coeli, 28 de Abril de 2019

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A identidade do Ressuscitado

A identidade do Senhor Ressuscitado está para além do rosto. Por isso, vê-lo não implica necessariamente reconhecê-lo, como sucede em não poucas páginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado não é do domínio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a nós dada por amor até ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus mostra as mãos e o lado aberto, mãos dadas e coração aberto, sinais abertos para entrar no sacrário da sua intimidade, dádiva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso coração empedernido. Entenda-se também que a missão que nos é confiada é mostrar Jesus. Está bom de ver que não basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis e cabelo louro encaracolado. Só o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.

António Couto

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2º Domingo da Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia

Entrega do destino do mundo à Divina Misericórdia

Deus, Pai misericordioso, que revelaste o Teu amor no Teu Filho Jesus Cristo, e o derramaste sobre nós no Espírito Santo Consolador, confiamos-Te hoje o destino  do mundo e de cada homem. 

Inclina-Te sobre nós, pecadores, cura a nossa debilidade, vence o mal, faz com que todos os habitantes da terra conheçam a tua misericórdia, para que em Ti, Deus Uno e Trino, encontrem sempre a esperança. 

Pai eterno, pela dolorosa Paixão e Ressurreição do Teu Filho, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro. Amen!

São João Paulo II

2º Domingo da Páscoa: Domingo da Divina Misericórdia

(…) o meu amado predecessor João Paulo II quis intitular este Domingo, o segundo da Páscoa, à Divina Misericórdia, e indicou a todos Cristo ressuscitado como nascente de confiança e de esperança, acolhendo a mensagem espiritual transmitida pelo Senhor a Santa Faustina Kowalska, sintetizada na invocação: Jesus, em Ti confio!

Bento XVI

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O Senhor não está aqui; ressuscitou

Vemos e continuaremos a ver problemas perto e dentro de nós. Sempre existirão, mas esta noite (noite da vigília pascal) é preciso iluminar tais problemas com a luz do Ressuscitado, de certo modo «evangelizá-los». Evangelizar os problemas. Não permitamos que a escuridão e os medos atraiam o olhar da alma e se apoderem do coração, mas escutemos a palavra do Anjo: o Senhor «não está aqui; ressuscitou!»; Ele é a nossa maior alegria, está sempre ao nosso lado e nunca nos decepcionará .

Papa Francisco

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Não é a grandeza Dele que diminui se vós não tendes fé, mas sim a vossa miséria que aumenta.

Beata Josefina de Jesus Crucificado

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Esta é a notícia

A maior verdade que és chamado a acreditar é esta: a ressurreição de Jesus. É a maior, a mais delirante, a mais incrível das pretensões cristãs.

Há um Homem, na história, que ressuscita, e que Deus constitui como princípio de um novo destino para a nossa humanidade.

Verdadeiramente Aquele que contemplaste na cruz está vivo e caminha à frente dos seus, Aquele que viste esmagado pelo sofrimento testemunha um amor capaz de vencer a morte Aquele que viste ser deposto no sepulcro deixou vazio o seu sepulcro.

Esta é a notícia que o teu coração esperava como nenhuma outra, mas na qual nem sequer ousavas pensar. Este é o dia, o primeiro dia da tua re-criação em Cristo.

Alegra-te, por isso. Que tu possas rejubilar imensamente. Reveste o teu coração de festa. Compreende que na ressurreição de Cristo está toda a vida que se amplifica, se ilumina.

Compreende que é a tua própria vida que adquire uma outra forma. Sente-te atraído, lançado, projetado para dentro do Mistério Pascal.

Jesus ressuscitou, e agora vive à direita do Pai, como Senhor da História. E Ele, o Vivente, envia o seu Espírito para que tu te tornes o seu Corpo Místico, presença do Ressuscitado no mundo.

Pede-lhe a força de acreditar naquilo que melhor exprime a sua presença: a comunhão, o perdão, a fraternidade, a compaixão, a misericórdia, a bondade, a mansidão, o serviço.

D. José Tolentino Mendonça

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Tê-lo sempre presente

Pensar e esquadrinhar o que o Senhor passou por nós move-nos à compaixão, e é saborosa esta pena e as lágrimas que procedem daqui, e de pensar a glória que esperamos e o amor que o Senhor nos teve e a sua ressurreição move-nos ao gozo.

Santa Teresa de Jesus

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O nosso caminho não é feito em vão, não esbarra contra uma pedra tumular

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação ou ao fracasso? A Páscoa, irmãos e irmãs, é a festa da remoção das pedras. Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expectativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas decepções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas.

Papa Francisco

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Porque buscais o Vivente entre os mortos?

1. As mulheres vão ao túmulo levando os aromas, mas temem que a viagem seja inútil, porque uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro. O caminho daquelas mulheres é também o nosso caminho; lembra o caminho da salvação, que voltamos a percorrer nesta noite. Nele, parece que tudo se vai estilhaçar contra uma pedra: a beleza da criação contra o drama do pecado; a libertação da escravatura contra a infidelidade à Aliança; as promessas dos profetas contra a triste indiferença do povo. O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levem à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida.

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação ou ao fracasso? A Páscoa, irmãos e irmãs, é a festa da remoção das pedras. Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expectativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas decepções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas. Perguntemo-nos, antes de mais nada: Qual é a minha pedra a ser removida, como se chama esta pedra?

Muitas vezes, a esperança é obstruída pela pedra da falta de confiança. Quando se dá espaço à ideia de que tudo corre mal e que sempre vai de mal a pior, resignados, chegamos a crer que a morte seja mais forte que a vida e tornamo-nos cínicos e sarcásticos, portadores dum desânimo doentio. Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança. Lamentando-nos da vida, tornamos a vida dependente das lamentações e espiritualmente doente. Insinua-se, assim, uma espécie de psicologia do sepulcro: tudo termina ali, sem esperança de sair vivo. Mas, eis que surge a pergunta desafiadora da Páscoa: Porque buscais o Vivente entre os mortos? O Senhor não habita na resignação. Ressuscitou, não está lá; não O procures, onde nunca O encontrarás: não é Deus dos mortos, mas dos vivos (cf. Mt 22, 32). Não sepultes a esperança!

Há uma segunda pedra que, muitas vezes, fecha o coração: a pedra do pecado. O pecado seduz, promete coisas fáceis e prontas, bem-estar e sucesso, mas, depois, dentro deixa solidão e morte. O pecado é procurar a vida entre os mortos, o sentido da vida nas coisas que passam. Porque buscais o Vivente entre os mortos? Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira (cf. Jo 1, 9)? Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?

2. Voltemos às mulheres que vão ao sepulcro de Jesus… À vista da pedra removida, sentem-se perplexas; ao ver os anjos, ficam – diz o Evangelho – «amedrontadas» e «voltam o rosto para o chão» (Lc 24, 5). Não têm a coragem de levantar o olhar. E quantas vezes nos acontece o mesmo! Preferimos ficar encolhidos nos nossos limites, escondidos nos nossos medos. É estranho! Mas, por que o fazemos? Muitas vezes porque, no fechamento e na tristeza, somos nós os protagonistas, porque é mais fácil ficarmos sozinhos nas celas escuras do coração do que abrir-nos ao Senhor. E, todavia, só Ele levanta. Uma poetisa escreveu: «Só conhecemos a nossa altura, quando somos chamados a levantar-nos» (E. Dickinson, Nunca sabemos quão alto estamos nós). O Senhor chama-nos para nos levantarmos, ressuscitarmos à sua Palavra, olharmos para o alto e crermos que estamos feitos para o Céu, não para a terra; para as alturas da vida, não para as torpezas da morte: Porque buscais o Vivente entre os mortos?

Deus pede-nos para olharmos a vida como a contempla Ele, que em cada um de nós sempre vê um núcleo incancelável de beleza. No pecado, vê filhos carecidos de ser levantados; na morte, irmãos carecidos de ressuscitar; na desolação, corações carecidos de consolação. Por isso, não temas! O Senhor ama esta tua vida, mesmo quando tens medo de a olhar de frente e tomar a sério. Na Páscoa, mostra-te quanto a ama. Ama-a a ponto de a atravessar toda, experimentar a angústia, o abandono, a morte e a mansão dos mortos para de lá sair vitorioso e dizer-te: «Não estás sozinho, confia em Mim!» Jesus é especialista em transformar as nossas mortes em vida, os nossos lamentos em dança (cf. Sal 30, 12). Com Ele, podemos realizar também nós a Páscoa, isto é, a passagem: passagem do fechamento à comunhão, da desolação ao conforto, do medo à confiança. Não fiquemos a olhar para o chão amedrontados, fixemos Jesus ressuscitado: o seu olhar infunde-nos esperança, porque nos diz que somos sempre amados e que, não obstante tudo o que possamos combinar, o amor d’Ele não muda. Esta é a certeza não negociável da vida: o seu amor não muda. Perguntemo-nos: Na vida, para onde olho? Contemplo ambientes sepulcrais ou procuro o Vivente?

3. Porque buscais o Vivente entre os mortos? As mulheres escutam a advertência dos anjos, que acrescentam: «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia» (Lc 24, 6). Aquelas mulheres tinham esquecido a esperança, porque não recordavam as palavras de Jesus, a chamada que lhes fez na Galileia. Perdida a memória viva de Jesus, ficam a olhar o sepulcro. A fé precisa de voltar à Galileia, reavivar o primeiro amor com Jesus, a sua chamada: precisa de O recordar, ou seja – literalmente –, de voltar com o coração para Ele. Voltar a um amor vivo para com o Senhor é essencial; caso contrário, tem-se uma fé de museu, não a fé pascal. Mas Jesus não é um personagem do passado, é uma Pessoa vivente hoje; não Se conhece nos livros de história, encontra-Se na vida. Hoje, repassemos na memória o momento em que Jesus nos chamou, quando venceu as nossas trevas, resistências, pecados, como nos tocou o coração com a sua Palavra.

Irmãos e irmãs, voltemos à Galileia.

Recordando Jesus, as mulheres deixam o sepulcro. A Páscoa ensina-nos que o crente se detém pouco no cemitério, porque é chamado a caminhar ao encontro do Vivente. Perguntemo-nos: na minha vida, para onde caminho? Sucede às vezes que o nosso pensamento se dirija continua e exclusivamente para os nossos problemas, que nunca faltam, e vamos ter com o Senhor apenas para nos ajudar. Mas, deste modo, são as nossas necessidades que nos orientam, não Jesus. E continuamos a buscar o Vivente entre os mortos. E quantas vezes, mesmo depois de ter encontrado o Senhor, voltamos entre os mortos, repassando intimamente saudades, remorsos, feridas e insatisfações, sem deixar que o Ressuscitado nos transforme! Queridos irmãos e irmãs, na vida demos o lugar central ao Vivente. Peçamos a graça de não nos deixarmos levar pela corrente, pelo mar dos problemas; a graça de não nos estilhaçarmos contra as pedras do pecado e os rochedos da desconfiança e do medo. Procuremo-Lo a Ele, deixemo-nos ser procurados por Ele, procuremo-Lo em tudo e antes de tudo. E com Ele, ressuscitaremos.

Papa Francisco, Homilia da Vigília Pascal, 20 de Abril de 2019

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