São José, homem próximo e fiel

São José,
vós que guardastes o vínculo com Maria e Jesus,
ajudai-nos a cuidar das relações na nossa vida.
Que ninguém experimente o sentimento de abandono
que vem da solidão.
Que cada um de nós se reconcilie com a própria história,
com aqueles que nos precederam,
e reconheça inclusive nos erros cometidos
um modo pelo qual a Providência abriu o seu caminho,
e o mal não teve a última palavra.
Mostrai-vos amigo para aqueles que mais lutam,
e como apoiastes Maria e Jesus nos momentos difíceis,
assim apoiai também a nós no nosso caminho.
Amen.

Catequese do Papa Francisco sobre São José, 24 de Novembro, 2021: “São José na história da salvação”

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20211124_udienza-generale.html#CATEQUESE

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A organização do Ano Litúrgico

O Ano Litúrgico é um período de doze meses, organizado em tempos litúrgicos, em que se celebram os principais acontecimentos da vida de Jesus e de Maria e em que se comemoram os Santos. Começa no primeiro Domingo do Advento e termina no sábado a seguir à Solenidade de Cristo Rei. Por ordem de importância, é constituído pelos Ciclos da Páscoa e do Natal, pelo Tempo Comum e pelo Ciclo Santoral. Seguindo a cronologia, apresenta-se assim: Advento, Natal, Tempo Comum I, Quaresma, Tríduo Pascal, Páscoa e Tempo Comum II.

No Rito Romano, o mais difundido na Igreja Católica Ocidental, o Ano Litúrgico passa por três anos: A, B e C. Cada um tem uma sequência própria de leituras do Antigo e do Novo Testamento, de modo que a distribuição dos textos bíblicos, ao longo de três anos, permita aos fiéis uma visão abrangente da História da Salvação. No Ano A, é lido Mateus; no Ano B, Marcos; e no Ano C, Lucas. O Evangelho de João é reservado para ocasiões especiais, como as grandes festas e solenidades ou a Semana Santa.

Para encontrar o ciclo litúrgico, basta somar os números que compõem o ano e dividir por três. Se for divisível, estamos no Ano C; se sobrar 1, no Ano A; e, se sobrar 2, no Ano B. Como o Ano Litúrgico começa um pouco antes do civil, não conta o ano em curso, mas o que está prestes a começar. Assim, estando quase a chegar 2022, entramos no Ano C (2 + 0 + 2 + 2 = 6).

Durante a semana (a liturgia chama-lhe “dias feriais”), o evangelho de cada dia é igual todos os anos, mas muda a primeira leitura, conforme o ano é par ou ímpar.

O Tempo do Advento é constituído por quatro domingos antes do Natal, para cujas solenidades prepara. Nele se comemora a primeira vinda de Jesus e se voltam os corações para a expectativa de uma segunda vinda. É um tempo em que soa forte o apelo à purificação da vida e à concentração no que é essencial. Pelo meio, a 8 de dezembro, celebra-se a Imaculada Conceição.

O Tempo de Natal estende-se desde a Solenidade de Natal (começa com o entardecer do dia anterior) até ao Domingo do Batismo do Senhor. É um tempo de fé, de alegria e de acolhimento do Filho de Deus que se fez homem. Nele se celebram as Festas da Sagrada Família (Domingo a seguir ao Natal); de Santa Maria, Mãe de Deus (1 de janeiro); da Epifania (Domingo a seguir ao dia 1 de Janeiro); e do Batismo do Senhor (Domingo a seguir à Epifania). Quando o Natal e o dia 1 de janeiro ocorrem ao Domingo, a Sagrada Família celebra-se na sexta-feira a seguir ao Natal e o Batismo do Senhor na segunda-feira a seguir à Epifania.

O Tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. É um tempo forte de apelo à conversão e à penitência, de jejum, caridade e oração, preparando a Páscoa do Senhor. É visível, nas nossas igrejas e capelas, a ausência de flores e lugares há onde se cobrem as imagens com tecidos roxos, à exceção da cruz que só é velada na Semana Santa.

O Tríduo Pascal começa com a Missa da Ceia do Senhor, na tarde da Quinta-Feira Santa, em que se celebra a Instituição da Eucaristia, os dons do sacerdócio e do mandamento novo do amor, ilustrado no lava-pés. Na Sexta-Feira Santa, ocorre a Celebração da Paixão do Senhor, constituída por Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Sagrada Comunhão. O Sábado Santo é dia de contemplar Jesus morto e sepultado e, por isso, não há atos litúrgicos.

O Tempo Pascal começa com a Vigília e estende-se ao longo de 50 dias. É o tempo de celebrar a Ressurreição de Jesus. São sete semanas de alegria e exultação, como se fosse um único dia de festa, um grande domingo em que se afirma a fé na vitória da vida sobre a morte.

Nas restantes trinta e quatro semanas, a Igreja celebra, na sua globalidade, os Mistérios de Cristo. É o Tempo Comum, em que se acolhe a Palavra de Deus e se afirma a presença divina nas coisas mais simples. A primeira parte fica compreendida entre o tempo de Natal e o da Quaresma; a segunda situa-se entre o Tempo da Páscoa e o do Advento. Nele ocorre a maior parte das celebrações das memórias da Virgem Maria e dos Santos.

P. João Alberto Correia

 

 

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Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano B

Neste último Domingo do ano litúrgico celebramos a solenidade de Cristo Rei do Universo. O Evangelho de hoje repropõe-nos uma parte do dramático interrogatório ao qual Pôncio Pilatos submeteu Jesus, quando lhe foi entregue com a acusa de ter usurpado o título de “rei dos Judeus”.

Às perguntas do governador romano, Jesus respondeu afirmando que era rei, mas não deste mundo (cf. Jo 18, 36). Ele não veio para dominar sobre os povos e territórios, mas para libertar os homens da escravidão do pecado e reconciliá-los com Deus. E acrescentou: “Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz” (Jo 8, 37).

Mas qual é a “verdade” que Cristo veio testemunhar no mundo? Toda a sua existência revela que Deus é amor: portanto, é esta a verdade da qual Ele deu testemunho pleno com o sacrifício da sua própria vida no Calvário. A Cruz é o “trono” do qual manifestou a sublime realeza de Deus-Amor: oferecendo-se em expiação pelos pecados do mundo, Ele derrotou o domínio do “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31) e instaurou definitivamente o Reino de Deus. Reino que se manifestará em plenitude no fim dos tempos, quando todos os inimigos, e por fim a morte, tiverem sido submetidos (cf. 1 Cor 15, 25-26). Então o Filho entregará o Reino ao Pai e finalmente Deus será “tudo em todos” (1 Cor 15, 28). O caminho para chegar a esta meta é longo e não admite atalhos: de facto, é necessário que cada pessoa acolha livremente a verdade do amor de Deus. Ele é Amor e Verdade, e quer o amor quer a verdade nunca se impõem: batem à porta do coração e da mente e, onde podem entrar, trazem paz e alegria. É este o modo de reinar de Deus; este é o seu projecto de salvação, um “mistério” no sentido bíblico da palavra, isto é, um desígnio que se revela pouco a pouco na história. (Bento XVI, Angelus, 26 de Novembro, 2006).

Palavra para o caminho

A melhor prova de que Cristo é o nosso rei é o desprendimento do que polui a vida, tornando-a ambígua, opaca, triste. Quando a vida é ambígua, um pouco aqui, um pouco ali, é triste, é muito triste. Certamente, temos sempre de fazer as contas com limitações e falhas: somos todos pecadores. Mas, quando se vive sob o senhorio de Jesus, não nos tornamos corruptos, não nos tornamos falsos, propensos a encobrir a verdade. Não se leva uma vida dupla. Recordai bem: pecadores sim, todos somos, corruptos nunca! Pecadores sim, corruptos jamais.  (Papa Francisco, Angelus, 21 de Novembro, 2021).

 

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São José, homem da confiança

São José,
vós que sempre confiastes em Deus,
e fizestes as vossas escolhas
guiado pela sua providência
ensinai-nos a não contar tanto com os nossos projectos
mas com o seu desígnio de amor.
Vós que viestes das periferias
ajudai-nos a converter o nosso olhar
e a preferir o que o mundo descarta e marginaliza.
Confortai quantos se sentem sozinhos
e apoiai quantos se comprometem em silêncio
para defender a vida e a dignidade humana.
Amen.

Catequese do Papa Francisco sobre São José, 17 de Novembro, 2021: “São José e o ambiente em que viveu”

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20211117_udienza-generale.html

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Tu me pacificas e alegras

Muitas vezes me lembrava de quando o Senhor mandou aos ventos que estivessem quedos no mar, quando se levantou a tempestade. E assim eu dizia: Quem é Este a quem assim obedecem todas as minhas potências e que num momento dá luz em tão grande escuridão e torna brando um coração que parecia pedra, dá água de lágrimas suaves onde parecia que por muito tempo havia de haver secura? Quem infunde estes desejos? Quem dá este ânimo? Que pensei eu, e o que temo? Que é isto? Eu desejo servir a este Senhor; não pretendo outra coisa senão agradar-Lhe. Não quero contentamento, nem descanso, nem outro bem, senão fazer Sua vontade.

Santa Teresa de Jesus

 

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Todos os defuntos da Ordem Carmelita – 15 de Novembro

Para uma carmelita a morte não tem nada de espantoso. Vai viver a vida verdadeira. Vai cair nos braços de quem amou aqui na terra sobre todas as coisas. Vai submergir eternamente no amor. (Santa Teresa dos Andes).

Pai de misericórdia, tu és generoso em perdoar e desejas que todos se salvem. Por isso, imploramos a sua clemência para que, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e de todos os Santos Carmelitas, concedas aos nossos irmãos, parentes, amigos e benfeitores que deixaram este mundo, a participação na felicidade eterna. Isto te pedimos por Jesus Cristo, teu Filho e Senhor nosso. Amen.

Oração

Senhor, glória dos fiéis, concedei o descanso eterno aos nossos irmãos e irmãs defuntos, a quem nos une o mesmo Baptismo e a mesma vocação no Carmelo, para que, tendo seguido a Cristo e sua Mãe, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Salvador Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Todos os Santos Carmelitas – 14 de Novembro

– Somente em Deus está a fonte da nossa alegria. (Santa Teresa dos Andes).
– Deus é como a fonte, da qual cada um tira, segundo a capacidade do recipiente que leva. (São João da Cruz).

Hino

Salve, falange florida do Carmelo,
nosso modelo, nossa glória, nossa alegria,
porque de Elias perpetuaste o zelo,
e a oração silenciosa de Maria.

Com um total desprendimento e pobreza
a alma virgem conservaste para o Amor:
fielmente o serviste com presteza,
amando a Igreja, povo eleito do Senhor.

Da solidão saindo, já bem transformados
em mártires fortes e testemunhas da paz,
embora ocultos nesses claustros sagrados,
fizestes no mundo o que o fermento faz.

Dai-nos a mão para também nos elevarmos
à contemplação daquele que é nosso encanto,
e convosco pra sempre glorificarmos
o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Oração

Nós Vos pedimos, Senhor, que nos assistam, com a sua protecção, a Virgem Maria, nossa Mãe, e todos os Santos do Carmelo, para que, seguindo fielmente os seus exemplos, sirvamos a Vossa Igreja com a oração e com obras dignas de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Logótipo da JMJ Lisboa 2023

O logótipo da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, inspirado no tema «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39), é da autoria da jovem designer portuguesa Beatriz Roque Antunes, e contém os elementos que a seguir são elencados e ajudam a compreendê-lo.

Cruz

A Cruz de Cristo, sinal do amor infinito de Deus pela humanidade, é o elemento central, de onde tudo nasce.

 Caminho

Tal como indica o relato da Visitação que dá tema à JMJ Lisboa 2023, Maria parte, pondo-se a caminho para viver a vontade de Deus, e dispondo-se a servir Isabel. Este movimento sublinha o convite feito aos jovens para renovarem «o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade» (Christus Vivit, 20). A acompanhar o caminho surge, ainda, uma forma dinâmica que evoca o Espírito Santo.

 Terço

A opção pelo terço celebra a espiritualidade do povo português na sua devoção a Nossa Senhora de Fátima. Este é colocado no caminho para invocar a experiência de peregrinação que é tão marcante em Portugal.

 Maria

Maria foi desenhada jovem para representar a sua figura tal como é retratada no Evangelho de São Lucas (Lc 1, 39) e potenciar uma maior identificação com os jovens. O desenho exprime a juvenilidade própria da sua idade, característica de quem ainda não foi mãe, mas carrega em si a luz do mundo. Esta figura aparece levemente inclinada, para mostrar a atitude decidida da Virgem Maria.

As cores (verde, vermelho e amarelo) evocam a bandeira portuguesa.

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Catequese sobre a Carta aos Gálatas. Não nos deixemos tomar pelo cansaço

Com a catequese de hoje, damos por concluídas as nossas reflexões sobre a Carta aos Gálatas. No termo deste exigente mas fascinante percurso, recordemos as palavras que deixou escritas o bispo Santo Inácio de Antioquia: «Um só é o mestre que disse e foi feito; mas também é digno do Pai o que Ele fez em silêncio. O que possui a palavra de Jesus é capaz de perceber também o seu silêncio» (Ad Ephesios 15, 1-2). Pois bem! De Paulo, podemos afirmar que foi capaz de dar voz a este silêncio. Aquele seu encontro com Cristo Ressuscitado no caminho de Damasco conquistou-o e transformou inteiramente a sua vida que ele havia de gastar ao serviço do Evangelho. As suas intuições mais originais ajudam-nos a descobrir a novidade impressionante que se encerra na revelação de Jesus Cristo. Na verdade, os seus ensinamentos geram em nós entusiasmo, impelindo-nos a embocar decididamente o caminho da liberdade, impelindo-nos a caminhar segundo o Espírito Santo; mas embatemos nas nossas próprias limitações, que nos impedem de ser dóceis às inspirações divinas, e sobrevém o cansaço que gela o nosso entusiasmo. Entretanto ouvimos São Paulo dizer-nos: «não nos cansemos de fazer o bem». Mas como reagir ao cansaço? Fazendo como os discípulos de Jesus, quando na barca se viram perdidos no meio da tempestade: acordemos o Senhor que parece dormir no nosso coração em sobressalto. Que Ele acorde e nos fale, porque vê para além da tempestade. Através daquele seu olhar sereno, podemos ver algo que, sozinhos, não conseguíamos sequer vislumbrar: o Espírito Santo vem sempre em ajuda da nossa fraqueza, dando-nos o apoio de que precisamos. (Papa Francisco, Resumo da Catequese sobre a Carta aos Gálatas,10 de Novembro, 2021)

Catequese completa

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20211110_udienza-generale.html

 

 

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Quando o “pouco” é mais do que o “muito”

Na balança da justiça divina não se pesa a quantidade dos dons, mas o peso dos corações. A viúva do Evangelho depositou no tesouro do templo duas moedas de pouco valor e superou os dons de todos os ricos. Nenhum gesto de bondade está privado de sentido diante de Deus, nenhuma misericórdia permanece sem fruto.

São Leão Magno

Eis então que Jesus propõe aquela senhora como mestra de fé: ela não frequenta o Templo para limpar a própria consciência, não reza para se mostrar, não ostenta a fé, mas doa com o coração, com generosidade e gratuidade. As suas moedinhas têm um som mais bonito do que as grandes ofertas dos ricos, porque exprimem uma vida dedicada a Deus com sinceridade, uma fé que não vive das aparências, mas da confiança incondicional. Aprendamos com ela: uma fé sem enfeites exteriores, mas sincera interiormente; uma fé feita de amor humilde a Deus e aos irmãos.

Papa Francisco, Angelus, 7 de Novembro, 2021

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