A oração vocal

A oração é diálogo com Deus. A Palavra divina fez-se carne e, na carne de cada ser humano, a palavra retorna a Deus pela oração. A Sagrada Escritura ensina-nos a rezar com palavras por vezes ousadas pois, quando os maus sentimentos batem à porta do nosso coração, temos de ser capazes de desarmá-los com a oração e com a palavra de Deus. A primeira oração do ser humano é sempre vocal, e embora saibamos que rezar não significa repetir palavras, todavia a oração vocal é a mais segura e sempre podemos fazê-la. A oração do coração é misteriosa e, em certos momentos, ausente, ao passo que a oração dos lábios – sussurrada ou dita em voz alta – está sempre ao nosso alcance. Todos deveríamos ter a humildade de alguns idosos que na igreja, talvez pela sua audição já meio enfraquecida, ouvimos recitando em voz baixa as orações que aprenderam de pequenos, enchendo o templo com seus murmúrios. Esta oração não perturba o silêncio, antes testemunha a fidelidade ao dever da oração feita sem desfalecer a vida inteira. Estes orantes da oração humilde são frequentemente os grandes intercessores da paróquia. Não devemos, portanto, desprezar a oração vocal. Jesus disse-nos: «Quando orardes, dizei assim!» e ensinou-nos a oração do Pai-nosso (cf. Mt 6,9). 

Papa Francisco, Resumo da Catequese da Audiência Geral, 21 Abril, 2021 

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Ao que tem… ao que não tem…

O Evangelho tem frases tão provocatórias que por vezes até parecem engano. Esta, por exemplo: “Ao que tem dar-se-á e ao que não tem até o que tem lhe será tirado.” Parece não só contraditório como injusto. Mas não, no Evangelho “ter” não significa posse de coisas, mas de amor, esse “ter” significa ter abertura, ter espaço para acolher. Quem o tem pode receber sempre mais! Mas quem não tem abertura nem amor não só não pode receber como até desgasta e consome a sua própria realidade, fechado em si. Não tem comunicação. É que a felicidade não vem de ter coisas, mas de ter liberdade e abertura. 

 Vasco P. Magalhães, sj 

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58º Semana de Oração pelas Vocações

Oração

Senhor Jesus,
por quem José abraçou sonhos
maiores que os medos,
peço-Te uma capacidade de sonhar
como a de José e de Maria.
Ensina-me a sonhar livremente,
confiado apenas nos sonhos do Pai.
Vence em mim as inseguranças e bloqueios
que me impeçam de abraçar os sonhos
que nascem do coração de Deus.
Concede à Tua Igreja corações disponíveis
para viver um sonho que é maior que nós.
Ensina-me, Senhor Jesus, a fazer meus
os sonhos que são Teus.

São José, homem capaz de sonhar a vocação,
rogai por nós.

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Tocai as minhas mãos e os meus pés

Neste terceiro Domingo de Páscoa, voltamos a Jerusalém, ao Cenáculo, como que guiados pelos dois discípulos de Emaús, que tinham ouvido com grande emoção as palavras de Jesus ao longo do caminho e depois o reconheceram «ao partir o pão». Agora, no Cenáculo, Cristo ressuscitado apresenta-se no meio do grupo de discípulos, saudando-os: «A paz esteja convosco!». Mas eles, assustados e perturbados, pensaram que «viam um espírito», assim diz o Evangelho. Então Jesus mostra-lhes as feridas do seu corpo e diz: «Vede as minhas mãos e os meus pés – as chagas – sou eu mesmo; tocai-Me e vede» . E para os convencer, pede comida e come-a sob os seus olhares atónitos. Esta página do Evangelho é caraterizada por três verbos muito concretos, que num certo sentido reflectem a nossa vida pessoal e comunitária: ver, tocar e comer. Três acções que podem proporcionar a alegria de um verdadeiro encontro com Jesus vivo. (…)

Ao convidar os discípulos a tocá-lo, para que que vejam que ele não é um fantasma – tocai-me! -, Jesus indica-lhes e a nós também que a relação com ele e com os nossos irmãos não pode ser “à distância”, não existe um cristianismo à distância, não existe um cristianismo somente ao nível do ver. O amor pede que se veja mas pede também proximidade, pede contacto, pede partilha de vida. O Bom Samaritano não se limitou a olhar para o homem que encontrou meio morto no caminho: parou, abaixou-se, tratou-lhe as feridas, tocou-o, carregou-o na sua montada e levou-o para a estalagem. E o mesmo acontece quanto a Jesus: amá-lo significa entrar em comunhão de vida, comunhão com ele. (…).

Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com ele, com o Senhor Ressuscitado: olhámo-lo, tocámo-lo, alimentamo-nos dele e, transformados pelo seu amor, olhamos, tocamos e alimentamos os outros como irmãos e irmãs.

Papa Francisco, Regina Caeli (excerto), 18 de Abril, 2021

 

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3º Domingo da Páscoa – Ano B

Companheiro de caminho

Há muitas maneiras de colocar obstáculos à verdadeira fé. Há a atitude do «fanático», que se agarra a um conjunto de crenças sem nunca se deixar interrogar por Deus e sem jamais ouvir ninguém que possa questionar a sua posição. A sua, é uma fé fechada onde falta acolhimento e escuta do Mistério e onde sobra arrogância. Esta fé não liberta da rigidez mental nem ajuda a crescer, pois não se alimenta do verdadeiro Deus.

Há também a posição do «céptico», que não procura nem se interroga, pois já não espera nada de Deus, nem da vida, nem de si mesmo. A sua é uma fé triste e apagada. Falta nela o dinamismo da confiança. Não vale a pena. Tudo se resume a continuar a viver, sem mais.

Há também a posição do «indiferente», que já não se interessa nem pelo sentido da vida nem pelo mistério da morte. A sua vida é pragmatismo. Só lhe interessa o que lhe pode proporcionar segurança, dinheiro ou bem-estar. Deus diz-lhe cada vez menos. Na verdade, para que pode servir acreditar n’Ele?

Há também quem se sinta «proprietário da fé», como se esta consistisse num «capital» recebido no baptismo e que está aí, não se sabe muito bem onde, sem que se tenha que preocupar demasiado. Esta fé não é fonte de vida, mas «herança» ou «costume» recebida de outros. Podia livrar-se dela sem sentir a sua falta.

Há também a «fé infantil» daqueles que não acreditam em Deus, mas sim naqueles que falam d’Ele. Nunca tiveram a experiência de dialogar sinceramente com Deus, de procurar o Seu rosto, ou de se abandonar no Seu mistério. Basta-lhes acreditar na hierarquia ou confiar «nos que sabem dessas coisas». A sua fé não é experiência pessoal. Falam de Deus «de ouvir dizer».

Em todas estas atitudes falta o mais essencial da fé cristã: o encontro pessoal com Cristo. A experiência de caminhar pela vida acompanhados por alguém vivo com quem podemos contar e a quem nos podemos confiar. Só Ele nos pode fazer viver, amar e esperar apesar dos nossos erros, fracassos e pecados.

Segundo o relato evangelho, os discípulos de Emaús contavam «o que lhes tinha acontecido no caminho». Caminhavam tristes e desesperançados, mas algo novo se despertou neles ao encontrar-se com um Cristo próximo e cheio de vida. A verdadeira fé sempre nasce do encontro pessoal com Jesus como «companheiro de caminho».

José Antonio Pagola

 

 

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São José, Pai na obediência

Senhor, sois um Deus delicado,
entras na minha vida dizendo,
“com licença”, “por favor” e “obrigado”.
O que fizeste no passado, com Maria e José,
fazes ainda hoje em tantos homens e mulheres.
Tu conheces as minhas debilidades,
e sabes também como sou tão cego.
Quando irrompes na minha vida,
parece que tudo fica desconcertado,
e julgando que não é para mim o que me pedes,
apresento-te as minhas fraquezas e excusas.
Contudo, delicadamente, tu me dizes:
“Não tenhas medo. Eu estou contigo”.
Foi assim que acendeste a tantos chamados
luzes de confiança e coragem, porque és fiel,
e nunca pedes sem primeiro dares.
São José, educa-me na tua sabedoria prática,
e a saber decidir confiadamente na obediência,
iluminada pela Palavra de Deus,
como fizeste sempre nas situações
que te pediam uma resposta e compromisso.
Pai na obediência, Pai na escuta, afasta
todas as vozes sedutoras do mau espírito.
Amen.

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Audiência geral: “A Igreja mestra em oração”

A Igreja é mestra e uma grande escola de oração; nela, tudo nasce na oração e tudo cresce graças à oração. Muitos de nós aprendemos com os nossos pais e avós a balbuciar as primeiras orações e, à medida que fomos crescendo, encontramos outros mestres e testemunhas de oração. A vida das pessoas que rezam não é mais fácil do que a dos outros que não rezam; também elas têm os seus problemas e, além disso, são muitas vezes vítimas de zombaria e oposição. Mas a sua força é a oração, que sempre vão beber ao «poço» inexaurível da Santa Mãe Igreja. Com a oração, alimentam a chama da sua fé, como as lamparinas de azeite; e, assim, vão caminhando na fé e na esperança. Aos olhos do mundo, podem contar pouco, mas são tais pessoas que o sustentam, não com as armas do dinheiro e do poder, mas com as armas da oração. De facto, no Evangelho de Lucas (18, 8), temos esta pergunta dramática de Jesus: «Quando o Filho do homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» Ora, a pergunta aparece no fim duma parábola onde Jesus ensina que é preciso rezar sempre sem nunca se cansar. Por isso, podemos concluir que a lâmpada da fé permanecerá acesa na terra, enquanto houver o azeite da oração. Assim é tarefa essencial da Igreja rezar e ensinar a rezar; transmitir de geração em geração a lâmpada da fé com o azeite da oração. Sem a luz desta lâmpada, é impossível ver a estrada a seguir na evangelização; é impossível ver o rosto dos irmãos e irmãs que devemos acolher e servir. Sem a fé, tudo cai; e, sem a oração, apaga-se a fé. Por isso a Igreja, que é casa e escola de comunhão, é casa e escola de oração.

Papa Francisco, Audiência geral (resumo), 14 de Abril, 2021

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Obras de misericórdia

As obras de misericórdia são acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. As obras de misericórdia corporais, na sua maioria, surgem de uma lista feita por Jesus Cristo na sua descrição do Juízo Final. A lista das obras de misericórdia espirituais foi elaborada pela Igreja a partir de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correcção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc.

Obras de misericórdia corporais

1) Dar de comer a quem tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Vestir os nus
4) Dar pousada aos peregrinos
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais

1) Dar bons conselhos
2) Ensinar os ignorantes
3) Corrigir os que erram
4) Consolar os tristes
5) Perdoar as injúrias
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos.

 

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A confissão é o sacramento da ressurreição

Jesus usa de misericórdia com os discípulos oferecendo-lhes o Espírito Santo. Dá-O para a remissão dos pecados (cf. Jo 20, 22-23). Os discípulos eram culpados; fugiram, abandonando o Mestre. E o pecado acabrunha, o mal tem o seu preço. Como diz o Salmo 51 (cf. v. 5), temos sempre diante de nós o nosso pecado. Sozinhos, não podemos cancelá-lo. Só Deus o elimina; só Ele, com a sua misericórdia, nos faz sair das nossas misérias mais profundas. Como aqueles discípulos, precisamos de nos deixar perdoar, precisamos de dizer do fundo do coração: «Perdão, Senhor». Precisamos de abrir o coração, para nos deixarmos perdoar. O perdão no Espírito Santo é o dom pascal para ressuscitar interiormente. Peçamos a graça de o acolher, de abraçar o Sacramento do perdão; e de compreender que, no centro da Confissão, não estamos nós com os nossos pecados, mas Deus com a sua misericórdia. Não nos confessamos para nos deprimir, mas para fazer-nos levantar. Todos precisamos imenso disso. Precisamos disso como precisam os pequeninos, sempre que caem, de ser levantados pelo pai. Também nós caímos com frequência; e a mão do Pai está pronta a pôr-nos de pé e fazer-nos caminhar. Esta mão segura e fiável é a Confissão. É o Sacramento que nos levanta, não nos deixando caídos a chorar sobre as lajes duras das nossas quedas. É o Sacramento da ressurreição, é pura misericórdia. E quem recebe as Confissões deve fazer sentir a doçura da misericórdia. Tal é o caminho a seguir por aqueles que ouvem as pessoas de Confissão: fazer-lhes sentir a doçura da misericórdia de Jesus, que perdoa tudo. Deus perdoa tudo. (Papa Francisco, Excerto da Homilia do 2º Domingo da Páscoa, 11 de Abri, 2021).

 Homilia completa:

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2021/documents/papa-francesco_20210411_omelia-divinamisericordia.html

 

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2º Domingo da Páscoa – Ano B

Domingo da Divina Misericórdia

A comunhão dos primeiros cristãos tinha como verdadeiro centro e fundamento Cristo ressuscitado. De facto narra o Evangelho que, no momento da paixão, quando o divino Mestre foi preso e condenado à morte, os discípulos dispersaram-se. Só Maria e as mulheres, com o apóstolo João, permaneceram juntos e seguiram-no até ao calvário. Ressuscitado, Jesus doou aos seus uma nova unidade, mais forte de que antes, invencível, porque fundada não nos recursos humanos, mas na misericórdia divina, que a todos fez sentir amados e perdoados por Ele. É portanto o amor misericordioso de Deus que une firmemente, hoje como ontem, a Igreja e que faz da humanidade uma só família; o amor divino, que mediante Jesus crucificado e ressuscitado nos perdoa os pecados e nos renova interiormente. Animado por esta íntima convicção, o meu amado predecessor João Paulo II quis intitular este Domingo, o segundo de Páscoa, à Divina Misericórdia, e indicou a todos Cristo ressuscitado como nascente de confiança e de esperança, acolhendo a mensagem espiritual transmitida pelo Senhor a Santa Faustina Kowalska, sintetizada na invocação: “Jesus, em Ti confio!”.

Bento XVI, Regina Caeli, 19 de Abril, 2009

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