Dons do Espírito Santo

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de David. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem (Catecismo da Igreja Católica, §1831).

– Ver o mundo, as situações, as conjunturas e os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Nisto consiste a sabedoria.

– O dom do entendimento é uma graça que somente o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundidades do pensamento de Deus e do seu desígnio de salvação.

– Com a oração damos espaço para que o Espírito venha e nos ajude naquele momento, nos aconselhe sobre o que devemos fazer.

– Em todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza (dom do Espírito), para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé.

– O dom da ciência que deriva do Espírito Santo não se limita ao conhecimento humano: trata-se de um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua profunda relação com cada criatura.

– O dom da piedade suscita em nós, antes de tudo, a gratidão e o louvor. Com efeito,  este é o motivo e o sentido mais autêntico do nosso culto e da nossa adoração.

– O temor de Deus é o dom do Espírito que nos recorda como somos pequenos diante de Deus e do seu amor, e que o nosso bem está no nosso abandono com humildade, respeito e confiança em suas mãos.

Papa Francisco

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Abrir espaço ao Espírito Santo

O maior pecado da Igreja actual é a “mediocridade espiritual”. O nosso maior problema pastoral é o esquecimento do Espírito. O facto de se pretender substituir com a organização, o trabalho, a autoridade ou a estratégia o que somente pode nascer da força do Espírito. Não basta reconhecê-lo. É necessário reagir e abrir-nos à sua acção.

O essencial hoje é abrir espaço ao Espírito. Sem Pentecostes não há Igreja. Sem Espírito não há evangelização. Sem a irrupção de Deus nas nossas vidas, não se cria nada de novo, nada de verdadeiro. Se não se deixa reavivar pelo Espírito Santo de Deus, a Igreja não poderá oferecer nada de essencial ao anseio do homem dos nossos dias.

J. A. Pagola

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Ascensão do Senhor – Ano C

Havia de ser pregado em seu nome

o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações (Lc 24, 47)

– Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado quer mostrar-nos que a meta do nosso caminho é o Pai. A nossa primeira tarefa é a de sermos testemunhas da Bondade de Deus. 

– Crer na Ascensão de Jesus é crer que a humanidade de Cristo, da qual todos participamos, entrou na vida íntima de Deus dum modo novo e definitivo. Jesus ocultou-se em Deus, porém não para ausentar-se de nós, mas para viver, a partir desse Deus, uma proximidade nova e insuperável, e impulsionar a vida dos homens para o seu destino último.

– A Igreja existe para anunciar o Evangelho! Só para isto. E também, a alegria da Igreja é anunciar o Evangelho. A Igreja somos todos nós baptizados. Hoje somos convidados a compreender melhor que Deus nos deu a grande dignidade e responsabilidade de O anunciar ao mundo, de O tornar acessível à humanidade. Esta é a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, de todos os baptizados! (Papa Francisco).

– A fé cristã não é “ficar a olhar para o céu” esquecendo o que se passa à nossa volta. O “Céu”, que não é um sítio no espaço ou a tela de fundo azul que a atmosfera terrestre produz e onde os pardais voam, começa dentro de cada um de nós. É a vida divina que o Espírito Santo derrama em todos os que abrem o coração a Deus. Porque começamos a viver como Jesus. A fazer comunhão ainda que os egoísmos teimem em destruí-la. A trabalhar pela paz e pela justiça ainda que muitas sedes de poder ergam obstáculos. É quando olhamos à volta e vemos o que pode ser melhor e mais belo, que descobrimos a vontade de Deus. E com outros, inventarmos novos gestos de compromisso! (Pe. Vítor Gonçalves).

Oração

Senhor Jesus, subiste para o Pai, deste-nos o Espírito. Com a Tua vida plantaste em cada coração a esperança da vida eterna. Deste-nos a força suficiente para cumprir as exigências da missão que nos pedes: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura”. Esta esperança é o segredo que nos faz sair de nós. A esperança cristã é actuante, não cruza os braços. A esperança é a palavra que traz dentro a confiança em Jesus que está sempre connosco.

Senhor Jesus, que vivamos sempre na Tua esperança, pois é tempo de ser esperança, é tempo de comunicar, é tempo de ser testemunha de Deus neste mundo que não sabe amar!

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No termo do mês de Maio de 2019

43. No coração da Igreja, resplandece Maria. É o grande modelo para uma Igreja jovem, que deseja seguir Cristo com frescor e docilidade. Era ainda muito jovem quando recebeu o anúncio do anjo, não se coibindo de fazer perguntas (cf. Lc 1, 34). Mas tinha uma alma disponível e disse: «Eis a serva do Senhor» (Lc 1, 38).

44. «Sempre impressiona a força do “sim” de Maria, jovem. A força daquele “faça-se em Mim”, que disse ao anjo. Foi uma coisa distinta duma aceitação passiva ou resignada. Foi qualquer coisa distinta daquele “sim” que por vezes se diz: “Bem; provemos a ver que sucede”. Maria não conhecia a frase “provemos a ver que sucede”. Era determinada: compreendeu do que se tratava e disse “sim”, sem rodeios de palavras. Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma “influenciadora”, é a “influenciadora” de Deus! O “sim” e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades».

45. Sem ceder a evasões nem miragens, «Ela soube acompanhar o sofrimento do seu Filho (…), apoiá-Lo com o olhar e protegê-Lo com o coração. Que dor sofreu! Mas não A abateu. Foi a mulher forte do “sim”, que apoia e acompanha, protege e abraça. É a grande guardiã da esperança (…). D’Ela, aprendemos a dizer “sim” à paciência obstinada e à criatividade daqueles que não desanimam e recomeçam».

46. Maria era a donzela de alma grande que exultava de alegria (cf. Lc 1, 47), era a jovenzinha com os olhos iluminados pelo Espírito Santo, que contemplava a vida com fé e guardava tudo no seu coração (cf. Lc 2, 19.51). Não ficava quieta, punha-se continuamente a caminho: quando soube que sua prima precisava d’Ela, não pensou nos próprios projetos, mas «dirigiu-Se à pressa para a montanha» (Lc 1, 39).

47. E, sendo necessário proteger o seu menino, partiu com José para um país distante (cf. Mt 2, 13-14). Pelo mesmo motivo, permaneceu no meio dos discípulos reunidos em oração à espera do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Assim, com a presença d’Ela, nasceu uma Igreja jovem, com os seus Apóstolos em saída para fazer nascer um mundo novo (cf. At 2, 4-11).

48. Aquela jovenzinha é, hoje, a Mãe que vela pelos filhos: por nós, seus filhos, que muitas vezes caminhamos na vida cansados, carentes, mas desejosos que a luz da esperança não se apague. Isto é o que queremos: que a luz da esperança não se apague. A nossa Mãe vê este povo peregrino, povo jovem amado por Ela, que A procura fazendo silêncio no próprio coração, ainda que haja muito barulho, conversas e distrações ao longo do caminho. Mas, diante dos olhos da Mãe, só há lugar para o silêncio cheio de esperança. E, assim, Maria ilumina de novo a nossa juventude.

Papa Francisco, Cristo vive, nnº 43-48

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Para construir a paz

Construir a paz obriga a tomar decisões e a fazer opções, a não pactuar com a injustiça, a não pactuar com a mentira, a lutar contra tudo o que é desumano. Por isso, a paz não é um apaziguamento nem um mero bem-estar, que pode ser muito egoísta e uma fuga à construção da paz. Para que exista paz verdadeira tem de se mudar de nível nas relações e há que destruir a paz podre, a paz falsa das águas mornas.

Vasco P. Magalhães, sj

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Senhor, ensina-nos a amar

Porventura nem sabemos o que é amar, e não me espantarei muito; porque não está no maior gosto, mas sim na maior determinação de desejar contentar a Deus em tudo e procurar, tanto quanto podermos, não O ofender.

Santa Teresa de Jesus

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Somos obra das suas mãos

Para Ele, és realmente valioso; tu não és insignificante. Importa-Se contigo, porque és obra das suas mãos. Por isso, presta atenção e lembra-Se de ti com carinho. Precisas de confiar «na recordação de Deus: a sua memória não é um “disco rígido” que grava e armazena todos os nossos dados, a sua memória é um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal». Não quer guardar a conta dos teus erros e, em todo o caso, ajudar-te-á a aprender alguma coisa também com as tuas quedas. Porque te ama.

Papa Francisco, Cristo vive, nº 115

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6º Domingo da Páscoa – Ano C

Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome,

vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse (Jo 14, 26)

– Em que consiste a missão do Espírito Santo que Jesus promete como dom? Ele mesmo o diz: “Ele vos ensinará todas as coisa e vos recordará tudo o que eu vos disse”. No decurso da sua vida terrena, Jesus já transmitiu tudo o que queria confiar aos Apóstolos: ele completou a Revelação divina, isto é, tudo o que o Pai queria dizer à humanidade com a encarnação do Filho. A tarefa do Espírito Santo é a de fazer recordar, isto é, fazer compreender em plenitude e induzir a realizá-la através de um estilo de vida preciso, caracterizado por algumas exigências: fé no Senhor e a observância da sua Palavra; docilidade à acção do Espírito, que torna continuamente vivo e presente o Senhor Ressuscitado; o acolhimento da sua paz e o testemunho dela através de um comportamento de abertura e de encontro com o outro” (Papa Francisco, Regina Coeli, 26 de Maio, 2019).

– “O Evangelho deste Domingo, tirado do capítulo 14 de São João, oferece-nos um retrato espiritual implícito da Virgem Maria, onde Jesus diz: “Se alguém me ama, guarda a minha Palavra; meu Pai amá-lo-á, viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14, 23). Estas expressões são dirigidas aos discípulos, mas podem ser aplicadas ao máximo grau precisamente Àquela que é a primeira e perfeita discípula de Jesus. Efectivamente, Maria foi a primeira que observou de maneira plena a palavra do seu Filho, demonstrando deste modo que O ama não apenas como Mãe, mas ainda antes como serva humilde e obediente; por isso, Deus Pai amou-a e nela a Santíssima Trindade fez a sua morada. Além disso, quando Jesus promete aos seus amigos que o Espírito Santo os assistirá, ajudando-os a recordar cada uma das suas palavras e a compreendê-las profundamente (cf. Jo 14, 26), como não pensar em Maria, que no seu coração, templo do Espírito, meditava e interpretava fielmente tudo aquilo que o seu Filho dizia e fazia?” (Bento XVI).

– “Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa Palavra silenciosa, mas forte e inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da Santa Igreja.

Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus. Dai-me um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo o tédio, todo o cansaço, toda a desilusão, toda a ofensa! Um coração grande e forte, constante até ao sacrifício, quando este for necessário!

Ó Espírito Santo, dai-me um coração cuja felicidade seja palpitar com o coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e firmemente a vontade do Pai” (São Paulo VI).

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Não estás só nem abandonado(a)

Se interiorizei a certeza de ser amado, se mesmo no meio dos medos recordo e assumo que Deus está sempre comigo, se recupero, mesmo contra os meus sentimentos actuais, a presença amiga de Deus, então eu consigo vencer o medo e a angústia de existir. Porque o maior medo está ligado à solidão e ao abandono.

Vasco P. Magalhães, sj

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