Se o perdemos, perdemo-nos (cf. Lc 2, 43)



– (O Evangelho de hoje narra a peregrinação da Sagrada Família a Jerusalém mas) no regresso a Nazaré, após um dia de viagem, Maria e José aperceberam-se de que Jesus «não fazia caminho com eles», e ficaram preocupados e foram procurá-lo. Sinal importante para as restantes páginas do Evangelho e para nós: quando nos apercebermos de que Jesus não está a fazer caminho connosco, devemos ficar preocupados e ir à procura dele. Por outras palavras: não podemos perder Jesus. Podemos perder coisas e tralhas que atrapalham e sobrecarregam. Mas Jesus é a nossa vida (se o perdemos, perdemo-nos!), e é Ele que todos nos pedem: «Nós queremos ver Jesus!» (João 12,21). Se o perdemos, não o temos para dar!

António Couto

– Aquela angústia que sentiram nos três dias da perda de Jesus, deveria ser também a nossa angústia quando estamos longe d’Ele, quando estamos distantes de Jesus. Devemos sentir angústia quando, por mais de três dias, nos esquecemos de Jesus, sem orar, sem ler o Evangelho, sem sentir a necessidade da sua presença e da sua consoladora amizade. E tantas vezes passamos os dias sem que eu me lembre de Jesus. Mas isto é feio, isto é muito feio. Devemos sentir angústia quando estas coisas acontecem. Maria e José procuraram no Templo e encontraram-no enquanto ele ensinava: também nós, é sobretudo na casa de Deus que podemos encontrar o divino Mestre e acolher a sua mensagem de salvação. Na celebração eucarística fazemos a experiência viva de Cristo; Ele fala-nos, oferece-nos a sua Palavra, ilumina-nos, ilumina o nosso caminho, dá-nos o seu Corpo na Eucaristia, do qual obtemos vigor para enfrentar as dificuldades de todos os dias.

Papa Francisco, Angelus, 30 de Dezembro, 2018

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Oração à Sagrada Família de Jesus, Maria e José

Jesus, Maria e José, a vós, Sagrada Família de Nazaré, hoje dirigimos o olhar com admiração e confiança, em vós contemplamos a beleza da comunhão no verdadeiro amor, a vós confiamos todas as nossas famílias, para que se renovem nelas as maravilhas da graça.

Sagrada Família de Nazaré, amável escola do santo Evangelho, ensinai-nos a imitar as vossas virtudes com uma sábia disciplina espiritual, doai-nos o olhar puro que sabe reconhecer a obra da Providência nas realidades quotidianas da vida.

Sagrada Família de Nazaré, guardiã fiel do mistério da salvação, fazei renascer em nós a estima pelo silêncio, transformai as nossas famílias em cenáculos de oração e transformai-as em pequenas Igrejas domésticas. Renovai o desejo de santidade, sustentai a nobre fadiga do trabalho, da educação, do ouvir, da compreensão recíproca e do perdão.

Sagrada Família de Nazaré, reavivai na nossa sociedade a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, bem inestimável e insubstituível. Que cada família seja um lar acolhedor de bondade e de paz para as crianças e para os idosos, para quem está doente e sozinho, para os pobres e necessitados.

Jesus, Maria e José, a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos entregamos.

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Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano C

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 2, 41-52)

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. 

Deus quis nascer e crescer numa família humana

Neste último Domingo do ano celebramos a festa da Sagrada Família de Nazaré. (…) No Evangelho não encontramos discursos sobre a família, mas uma admoestação que vale mais do que toda a palavra: Deus quis nascer e crescer numa família humana. Deste modo consagrou-a como caminho primário e efectivo do seu encontro com a humanidade. Na vida transcorrida em Nazaré, Jesus honrou a Virgem Maria e o justo José, permanecendo submetido à sua autoridade por todo o tempo da sua infância e adolescência (cf. Lc 2, 51-52). Deste modo, lançou luz sobre o valor primordial da família na educação da pessoa. De Maria e José, Jesus foi introduzido na comunidade religiosa, frequentando a sinagoga de Nazaré.

Com eles, aprendeu a fazer a peregrinação a Jerusalém, como narra o trecho evangélico que a liturgia de hoje propõe à nossa meditação. Quando tinha doze anos, permaneceu no Templo, e os seus pais empregaram três dias para o encontrar. Com aquele gesto, fez-lhes compreender que Ele se tinha de “ocupar das coisas do seu Pai”, ou seja, da missão que o Pai lhe confiara (cf. Lc 2, 41-52).

Este episódio evangélico revela a mais autêntica e profunda vocação da família: isto é, a de acompanhar cada um dos seus componentes pelo caminho da descoberta de Deus e do desígnio que Ele lhe predispôs. Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo: nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do matrimónio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o género humano (Bento XVI, Angelus, 31 de Dezembro, 2006).

Palavra para o caminho

O Apóstolo Paulo, na Carta aos Colossenses 3,12-21, proposta para este Domingo da Sagrada Família, exorta esposos, pais e filhos ao amor mútuo, mostrando ainda de que sentimentos nos devemos vestir por dentro e de que música devemos encher o nosso coração. Salta à vista que a misericórdia, a bondade, a humildade, a mansidão, a longanimidade, o amor, o perdão são vestidos importantes para a festa, mas não se compram nem vendem por aí em nenhum pronto-a-vestir. De resto, vê-se bem que andamos todos bem vestidos por fora, mas andamos muitas vezes nus por dentro!

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“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado” (Lc 2, 14)

E que nos diz aquele Menino, nascido, para nós, da Virgem Maria? Qual é a mensagem universal do Natal? Diz-nos que Deus é um Pai bom, e nós somos todos irmãos. Esta verdade está na base da visão cristã da humanidade. Sem a fraternidade que Jesus Cristo nos concedeu, os nossos esforços por um mundo mais justo ficam sem fôlego, e mesmo os melhores projectos correm o risco de se tornar estruturas sem alma.

Por isso, as minhas boas-festas natalícias são votos de fraternidade. Fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas. Fraternidade entre pessoas de ideias diferentes, mas capazes de se respeitar e ouvir umas às outras. Fraternidade entre pessoas de distintas religiões. Jesus veio revelar o rosto de Deus a todos aqueles que o procuram.

E o rosto de Deus manifestou-se num rosto humano concreto. Apareceu, não sob a forma dum anjo, mas dum homem, nascido num tempo e lugar concretos. E assim, com a sua encarnação, o Filho de Deus indica-nos que a salvação passa através do amor, da hospitalidade, do respeito por esta nossa pobre humanidade que todos compartilhamos numa grande variedade de etnias, línguas, culturas… mas todos irmãos em humanidade.

Papa Francisco, Mensagem «Urbi et Orbi» , 25 de Dezembro, 2018

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Santo e Feliz Natal de 2018

– Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.
Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos – São Leão Magno.

– Em cada Natal Deus oferece de novo ao Homem a resposta ao anseio do seu coração: “Fizeste-nos para vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em vós” – Santo Agostinho. 

– Mãe do Verbo, revela-me o Teu mistério, quando Deus Se encarnou dentro de Ti. Diz-me como viveste na terra, mergulhada em contínua adoração […] Mãe, guarda-me sempre num apertado abraço. Que eu traga sempre em mim a realidade deste Deus, todo amor – Santa Isabel da Trindade.

Santo e Feliz Natal para toda a Família de “Caminhos Carmelitas”

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Senhora da Visitação: 4º Domingo do Advento – Ano C

Pede à Santíssima Virgem para ser a tua guia; para ser a tua estrela, o farol que brilha no meio da escuridão da tua vida. Que te mostre o porto onde desembarcar para alcançar a Jerusalém celeste.

Santa Teresa dos Andes

Oração a Nossa Senhora

Virgem e Mãe Maria, Vós que, movida pelo Espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao Eterno, ajudai-nos a dizer o nosso «sim» perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus. Vós, cheia da presença de Cristo, levastes a alegria a João o Baptista, fazendo-o exultar no seio de sua mãe. Vós, estremecendo de alegria, cantastes as maravilhas do Senhor. Vós, que permanecestes firme diante da Cruz com uma fé inabalável, e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nascesse a Igreja evangelizadora. Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga. Vós, Virgem da escuta e da contemplação, Mãe do amor, esposa das núpcias eternas intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo, para que ela nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino. Estrela da nova evangelização, ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz. Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amen. Aleluia!

Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, 288

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4º Domingo do Advento – Ano C

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas (Lc 1, 39-45)

Naqueles dias, levantando-se Maria, dirigiu-se apressadamente para a região montanhosa, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. E aconteceu que ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre, Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou que se há-de cumprir tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

O encontro do Antigo Testamento (Zacarias, Isabel e João) com o Novo (José, Maria e Jesus)

Neste 4º Domingo de Advento (…) o Evangelho narra a visita de Maria à sua prima Isabel. Este episódio não é um simples gesto de gentileza mas representa com grande simplicidade o encontro do Antigo Testamento com o Novo. As duas mulheres, ambas grávidas, encarnam de facto a expectativa e o Esperado. A idosa Isabel simboliza Israel que espera o Messias, enquanto que a jovem Maria traz em si o cumprimento desta expectativa, em benefício de toda a humanidade. Nas duas mulheres encontram-se e reconhecem-se antes de tudo os frutos do seio de ambas, João e Cristo. Comenta o poeta cristão Prudêncio: «O menino contido no seio senil saúda, pelos lábios de sua mãe, o Senhor filho da Virgem» (Apotheosis, 590: pl59, 970). A exultação de João no seio de Isabel é o sinal do cumprimento da expectativa: Deus está para visitar o seu povo. Na Anunciação o arcanjo Gabriel tinha falado a Maria da gravidez de Isabel (cf. Lc 1, 36) como prova do poder de Deus: a esterilidade, não obstante ela fosse idosa, tinha-se transformado em fertilidade.

Isabel, acolhendo Maria, reconhece que se está a realizar a promessa de Deus à humanidade e exclama: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43). A expressão «bendita és tu entre as mulheres» refere-se no Antigo Testamento a Jael (Jz 5, 24) e a Judite (Jd 13, 18), duas mulheres guerreiras que se preocupam por salvar Israel. Agora, ao contrário, dirige-se a Maria, jovenzinha pacífica que está para gerar o Salvador do mundo. Assim também o salto de alegria de João (cf. Lc 1, 44) evoca a dança que o rei David fez quando acompanhou a entrada em Jerusalém da Arca da Aliança (cf. 1 Cor 15, 29). A Arca, que continha as tábuas da Lei, o maná e o ceptro de Aarão (cf. Hb 9, 4) era o sinal da presença de Deus no meio do seu povo. O nascituro João exulta de alegria diante de Maria, Arca da nova Aliança, que traz no seio Jesus, o Filho de Deus feito homem.

A cena da Visitação expressa também a beleza do acolhimento: onde há acolhimento recíproco e escuta, onde se dá espaço ao outro, ali estão Deus e a alegria que vem d’Ele. Imitemos Maria no tempo de Natal, visitando quantos vivem em dificuldade, em particular os doentes, os presos, os idosos e as crianças (Bento XVI, Angelus, 23 de Dezembro, 2012).

Palavra para o caminho

Senhora da Visitação, / Que corres ligeira sobre os montes, / Vela por nós, / Fica à nossa beira. / É bom ter a esperança como companheira. / Contigo rezamos ao Senhor: / Dá-nos, Senhor, / Um coração sensível e fraterno, / Capaz de escutar / E de recomeçar.

Mantém-nos reunidos, Senhor, / À volta do pão e da palavra. / Ajuda-nos a discernir / Os rumos a seguir / Nos caminhos sinuosos deste tempo, / Por Ti semeado e por Ti redimido.

Ensina-nos a tornar a tua Igreja toda missionária, / E a fazer de cada paróquia, / Que é a Igreja a residir no meio das casas dos teus filhos e das tuas filhas, / Uma Casa grande, aberta e feliz, / Átrio de fraternidade, / De onde se possa sempre ver o céu, / E o céu nos possa sempre ver a nós (António Couto).

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O Presépio conserva em si uma força evangelizadora

Em muitas famílias, segundo uma bela e consolidada tradição, imediatamente depois da festa da Imaculada, começa-se a preparar o Presépio, como que para reviver juntamente com Maria aqueles dias repletos de trepidação, que precederam o nascimento de Jesus. Preparar um Presépio em casa pode revelar-se um modo simples, mas eficaz, de apresentar a fé para a transmitir aos próprios filhos. O Presépio ajuda-nos a contemplar o mistério do amor de Deus, que se revelou na pobreza e na simplicidade da gruta de Belém. São Francisco de Assis foi de tal maneira tomado pelo mistério da Encarnação, que desejou repropô-lo em Greccio, no Presépio vivo, tornando-se deste modo iniciador de uma longa tradição popular, que ainda hoje conserva o seu valor para a evangelização. Com efeito, o Presépio pode ajudar-nos a compreender o segredo do verdadeiro Natal, porque fala da humildade e da bondade misericordiosa de Cristo que, “embora fosse rico, se tornou pobre” (2 Cor 8, 9) por nós. A sua pobreza enriquece quem a abraça e o Natal traz alegria e paz àqueles que, como os pastores em Belém, acolhem as palavras do Anjo: “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12).

Bento XVI

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Aprendamos com São José a preparar a celebração do Natal

(…) Nos dias que precedem o Natal, é mais oportuno do que nunca estabelecer uma espécie de colóquio espiritual com São José, para que ele nos ajude a viver em plenitude este grande mistério da fé.

O amado Papa João Paulo II, que era muito devoto de São José, deixou-nos uma admirável meditação a ele dedicada, na Exortação Apostólica Redemptoris custos, “Guardião do Redentor”. Entre os numerosos aspectos que salienta, dedica uma evidência particular ao silêncio de São José. O seu silêncio é permeado de contemplação do mistério de Deus, em atitude de total disponibilidade à vontade divina. Em síntese, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas acções. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do “pai” José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da “justiça superior”, que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).

Deixemo-nos “contagiar” pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.

Bento XVI

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“Família Carmelita”, Dezembro, nº 81, 2018

Uma palavra pode sintetizar uma parte significativa do conteúdo de mais um número da revista “Família Carmelita”: santidade. A nota de abertura do seu director é uma bela reflexão acerca do tema da santidade. Nela ecoa a Exortação Apostólica “Alegrai-vos e Exultai”, do Papa Francisco, como podemos encontrar também pontos de contacto com o texto da Audiência Geral do Papa Bento XVI, pronunciada em 13 de Abril de 2011, texto merecedor de ser conhecido e divulgado, e que tem como título “A santidade”.

Ao Carmelo liga-se a beleza e a fecundidade. Deste jardim, a flor mais bela é Nossa Senhora do Carmo de cujos odores de virtude espiritual e do pólen de santidade no decorrer dos séculos gerações de cristãos e de carmelitas inalaram e acolheram para viver em “obséquio de Jesus Cristo” (Regra Carmelita, nº 2). Ainda hoje este jardim vai sendo plantado com novas flores. Uma delas é o Fr. João Costa que no dia 1 de Dezembro do corrente ano professou solenemente na Ordem Carmelita. Esta plantação é motivo de alegria e tem uma força atractiva para dentro e para fora da Família da Ordem do Carmo, visto que é também por “atracção” que a promoção vocacional se faz e as vocações se alimentam e perseveram. O mesmo acontece com a missão.

Em resumo, são três as principais temáticas do conteúdo deste número da “Família Carmelita”: santidade, Nossa Senhora do Carmo e Profissão Solene do Fr. João Costa na Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

Desejamos que este número que acaba de ser publicado seja bem acolhido e proveitoso para os seus leitores. Damos os parabéns a todos os que colaboraram para que ele nascesse agora e chegasse às nossas mãos. Bem hajam.

Para quem deseja adquirir a revista ou ser assinante basta estabelecer contacto com: Centro de Estudos da Ordem do Carmo – Rua Santa Isabel, 128-130 – 1250–208 LISBOA – email: familiacarmelita.revista@gmail.com – Telef.: 213875179.

Fr. Manuel Castro, O. Carm.

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