Orar: lembrar-se do Amado

[Deus] não nos pede grande coisa: uma pequena lembrança de tempos a tempos, uma pequena adoração, às vezes pedir a Sua graça, às vezes oferecer-Lhe as vossas penas, outras vezes agradecer as graças que vos fez e que vos faz no meio dos vossos trabalhos, consolar-vos com Ele, o mais frequentemente que possais. 

Durante as vossas refeições e os vossos encontros, elevai de vez em quando o vosso coração para Ele: a mais pequena lembrança ser-Lhe-á sempre muito agradável. Para isto, não é necessário gritar bem alto, Ele está mais perto de nós do que nós pensamos. 

Frei Lourenço da Ressurreição, OCD

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“Effatà”, “Abre-te”

Foi propriamente o coração, ou seja, o núcleo profundo da pessoa, que Jesus veio “abrir”, libertar, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros. Ele fez-se homem para que o homem, tendo-se tornado pelo pecado surdo e mudo, possa ouvir a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprenda a falar, por sua vez, a linguagem do amor, traduzindo-o em gestos de generosidade e de doação de si próprio.

Papa Francisco, Angelus, 9 de Setembro, 2018

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Ó Virgem do Carmo

Ó Virgem do Carmo, Mãe de Deus e nossa Mãe, revestidos do Escapulário, sinal do nosso amor para convosco e da nossa decisão de viver com maior autenticidade o Evangelho, nós vos pedimos: olhai com amor o mundo em que vivemos. Não permitais que o ódio vença o amor, que a guerra destrua a paz, que o mal domine sobre o bem.

Ó Virgem do Carmo, fazei que as nossas famílias sejam pequenas igrejas onde Cristo, Vosso Filho, seja o Rei dos corações e estabeleça entre nós o seu reino de amor, justiça e fraternidade.

Virgem Mãe, Senhora do Carmo, nós Vos consagramos toda a nossa vida e, revestidos do Escapulário, queremos imitar as vossas virtudes. Conservai-nos no amor e na paz; ajudai-nos na hora da morte e conduzi-nos ao reino da paz e da alegria eternas para cantarmos convosco a glória da Santíssima Trindade. Amen.

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23º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 7, 31-37)

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele.

Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente.

Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

Reflexão

No centro do Evangelho de hoje (Mc 7, 31-37) há uma pequena palavra, muito importante. Uma palavra que — no seu sentido profundo — resume toda a mensagem e a inteira obra de Cristo… Esta palavra é «effathá», que significa: «abre-te». Vejamos em qual contexto foi colocada. Jesus atravessava a região chamada «Decápole», entre o litoral de Tiro e Sidónia e a Galileia; portanto uma zona não judaica. Trouxeram-lhe um homem surdo-mudo para que o curasse — evidentemente até lá a fama de Jesus tinha-se difundido. Afastando-se com ele da multidão, tocou-lhe os ouvidos e a língua e depois, olhando para o céu, com um suspiro profundo disse: «Effathá», que significa justamente «Abre-te». E imediatamente o homem começou a ouvir e a falar correctamente (cf. Mc 7, 35). Eis portanto o significado histórico, literal desta palavra: aquele surdo-mudo, graças à intervenção de Jesus, «abriu-se»; antes estava fechado, isolado, para ele era muito difícil comunicar; a cura para ele foi uma «abertura» aos outros e ao mundo, uma abertura que, partindo dos órgãos da audição e da palavra, envolveu toda a sua pessoa e a sua vida: finalmente podia comunicar e por conseguinte relacionar-se de modo novo.

Mas todos nós sabemos que o fechamento do homem, o seu isolamento, não depende só dos órgãos dos sentidos. Existe um fechamento interior relativo ao núcleo profundo da pessoa, que a Bíblia chama «coração». É isto que Jesus veio a «abrir», a libertar, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros. Eis porque eu dizia que esta pequena palavra, «effathá — abre-te», resume em si toda a missão de Cristo. Ele fez-se homem para que o homem, que se tornou interiormente surdo-mudo pelo pecado, seja capaz de escutar a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprenda por sua vez a falar a linguagem do amor, a comunicar com Deus e com os outros. Por este motivo a palavra e o gesto do «effathá» foram inseridos no Rito do Baptismo, como um dos sinais que explicam o seu significado: o sacerdote, ao tocar a boca e os ouvidos do neo-baptizado diz: «Effathá», rezando para que possa imediatamente ouvir a Palavra de Deus e professar a fé. Mediante o Baptismo, a pessoa humana inicia, por assim dizer, a «respirar» o Espírito Santo, aquele que Jesus invocou ao Pai com o suspiro profundo, para curar o surdo-mudo (Bento XVI, Angelus, 9 de Setembro de 2012).

Oração  

Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. 

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O “espírito do mundo” e o “Espírito de Deus”

O exame de consciência permite conhecer o que acontece no coração. Se nós não fizermos isso, se nós não soubermos o que acontece no nosso coração – e isso não o digo eu, di-lo a Bíblia –, somos como os animais que não entendem nada, e que só avançam empurrados pelo instinto. Mas nós não somos animais, somos Filhos de Deus, baptizados com o dom do Espírito Santo. Por isso, é importante entender o que aconteceu hoje no meu coração.

Existem dois espíritos, duas modalidades de pensar, de sentir, de agir: o que me leva ao Espírito de Deus e o que me leva ao espírito do mundo. E isso acontece na nossa vida: todos nós temos esses dois “espíritos”, digamos assim. O Espírito de Deus leva-nos às boas obras, à caridade, à fraternidade, a adorar Deus, a conhecer Jesus, a fazer tantas obras boas de caridade, a rezar. Por outro lado, está o espírito do mundo, que nos leva em direcção à vaidade, ao orgulho, à auto-suficiência e à murmuração.

O nosso coração, dizia um santo, é como um campo de batalha, um campo de guerra onde esses dois espíritos combatem. Portanto, na vida cristã, deve-se combater para deixar espaço ao Espírito de Deus e expulsar o espírito do mundo e fazer também um exame de consciência diário para determinar as tentações.

Temos este grande dom, que é o Espírito de Deus, mas somos frágeis, somos pecadores e temos também a tentação do espírito do mundo. Neste combate espiritual, nesta guerra do espírito, é preciso ser vencedores como Jesus.

Papa Francisco, Meditação matutina (resumo), 4 de Setembro, 2018

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Jesus, esse Louco de amor, não é amado

Quando se ama não se pode deixar de falar do objecto amado. E ainda mais quando o objecto amado reúne em Si todas as perfeições possíveis. Não sei como poderia fazer outra coisa senão contemplá-Lo e amá-Lo. Que queres que te diga, se Jesus Cristo, esse Louco de amor me tornou louca? É um martírio aquilo que sofro ao ver que corações nobres e bem nascidos, corações capazes de amar o bem, não amem o Bem imutável; que corações agradecidos às criaturas não o sejam para com Aquele que os sustenta, que lhes dá e que lhes deu tudo, até dar-Se a Si mesmo.

Santa Teresa dos Andes

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Chamados a sermos substanciais

«Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’». Assim disse Jesus. Palavras claras e fortes. Hipócrita é, por assim dizer, um dos adjectivos mais fortes que Jesus usa no Evangelho e pronuncia-o dirigindo-se aos mestres da religião: doutores da lei, escribas… “Hipócrita!”, diz Jesus.

De facto, Jesus quer sacudir os escribas e os fariseus do erro em que eles caíram, e qual é este erro? O de desvirtuar a vontade de Deus negligenciando os seus mandamentos para observar as tradições humanas. A reacção de Jesus é severa porque é grande o que está em jogo: trata-se da verdade da relação entre o homem e Deus, da autenticidade da vida religiosa. O hipócrita é um mentiroso, não é autêntico.

Também hoje o Senhor nos convida a fugir do perigo de dar mais importância à forma do que à substância. Ele nos chama a reconhecer, sempre de novo, aquele que é o verdadeiro centro da experiência da fé, isto é, o amor de Deus e o amor ao próximo, purificando-a da hipocrisia, do legalismo e do ritualismo.

“Não deixar-se contaminar por este mundo” não significa isolar-se e fechar-se à realidade. Não! Também aqui não deve ser uma atitude exterior, mas interior, de substância: significa vigiar para que o nosso modo de pensar e agir não seja contaminado pela mentalidade mundana, isto é, pela vaidade, pela avareza, pela soberba. Na realidade, um homem ou uma mulher, que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo acredita e se mostra como religioso e até mesmo chega a condenar os outros, é um hipócrita.

Papa Francisco, Angelus, 2 de Setembro de 2018

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22º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23)

Naquele tempo os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus, e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre. Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?» Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos. Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.» Chamando de novo a multidão, dizia: «Ouvi-me todos e procurai entender. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.»

Reflexão

Um grupo de fariseus e escribas aproxima-se de Jesus. Observaram que, em alguns aspectos, os discípulos de Jesus não seguem a tradição dos mais velhos (antigos). Falam dos discípulos mas querem atingir o Mestre. Jesus responde-lhes com umas palavras do profeta Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos”.

O culto que agrada a Deus nasce do coração, da adesão interior, desse centro íntimo da pessoa de onde nascem as nossas decisões e projectos. Quando o nosso coração está longe de Deus, o nosso culto fica sem conteúdo. Falta-lhe a vida, o escutar sincero da Palavra de Deus, o amor ao irmão. A religião converte-se em algo exterior que se pratica por hábito, mas em que faltam os frutos de uma vida fiel a Deus. O culto que agrada a Deus e que não degenera, acontece quando o nosso coração “não está longe d’Ele”.

Ouvi-me todos e procurai entender. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro”. A sábia advertência de Jesus tem actualidade também hoje, numa sociedade tão complexa e organizada como a nossa. “As maldades saem de dentro do homem“. Os roubos, os adultérios, as injustiças, as fraudes, o desprezo, a inveja, a difamação, o orgulho, a frivolidade, que de tantas maneiras se incorporam nos costumes, modas, instituições e estruturas de nossa sociedade, “saem de dentro do coração“.

Palavra para o caminho

Podemos entrever nas reacções dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua actuação: Esta maneira de pensar – admoesta Jesus – é ingénua e míope. A injustiça, fruto do mal , não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: ”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-me no pecado (Sl. 51,7) (Bento XVI).

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21º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 6, 60-69)

Naquele tempo, muito discípulos depois de ouvirem Jesus disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?» Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes:«Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida. Mas há alguns de vós que não crêem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar. E dizia: «Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.» A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com Ele. Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus.»

Reflexão

Nos Domingos passados foi-nos anunciado o discurso do “pão da vida”, que Jesus pronunciou na sinagoga de Cafarnaum depois de ter dado de comer a milhares de pessoas com cinco pães e dois peixes. Hoje, o Evangelho apresenta a reacção dos discípulos àquele discurso. O evangelista João refere que “a partir de então muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com Ele”. Por quê? Porque não acreditaram nas palavras de Jesus, que dizia: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu, quem comer a minha carne e beber o meu sangue viverá eternamente”.

O grupo começa a diminuir. Jesus não se irrita, não pronuncia nenhum juízo contra ninguém. Só faz uma pergunta aos que ficaram com ele: “Também vós quereis ir embora?”. É a pergunta que nos é feita hoje a nós que seguimos Jesus na Igreja. O que é que queremos? Por que ficamos e não fomos embora? É para seguir Jesus, acolhendo o seu espírito e vivendo ao seu estilo? É para trabalhar pelo seu projecto? A resposta de Pedro é comovedora: “A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!” A sua resposta é exemplar, sincera, humilde, sensata, própria de um discípulo que conhece Jesus o suficiente para não o abandonar. Os que ficam fazem-no só por Jesus. Por mais nada. O único motivo para permanecer no seu grupo é ele. Nada mais.

O texto desafia-nos a verificar se estamos realmente à procura da verdade onde ela se encontra, ou se a deixamos de lado, achando – como a multidão no texto – que o seguimento de Jesus “é duro demais”! No meio de tantas propostas de vida, somos convidados a reencontrar a fonte da verdadeira felicidade e da verdadeira vida, fazendo a experiência de Pedro, que descobriu que Jesus “tem palavras de vida eterna”. Em Jesus, Pedro descobriu que as palavras do Mestre não são palavras vazias nem enganosas. Junto dele descobriu a vida de outra forma. A Sua mensagem abriu-lhe a vida eterna. Onde poderia encontrar uma notícia melhor de Deus? “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava… Estavas comigo e eu não estava contigo… Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e curaste a minha cegueira” (Santo Agostinho).

Palavra para o caminho

Pedro faz a sua confissão de fé em nome dos outros Apóstolos: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. Não diz “para onde iremos?”, mas «para quem iremos?». O problema fundamental não é ir e abandonar a obra empreendida, mas é para quem ir. A partir desta interrogação de Pedro, compreendemos que a fidelidade a Deus é questão de fidelidade a uma pessoa, com o qual nos unimos para caminhar juntos pela mesma estrada. E esta pessoa é Jesus (Papa Francisco).

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