Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 14

Dia 14: Repousar em Deus e estar pronto a deixar tudo por seu amor

Acima de tudo e em tudo descansarás, ó minha alma, no Senhor, pois é Ele o repouso eterno dos santos. Concede-me, doce e amado Jesus, que em ti descanse mais do que em toda a criatura; mais que na saúde e na beleza, que em toda a honra e glória, que em todo o poder e dignidade; mais que em toda a ciência e subtileza, que em todas as artes e riquezas, que em toda a alegria e júbilo; mais que em toda a fama e louvor, que em toda a suavidade e consolação, que em toda a esperança e toda a promessa; mais que em todo o merecimento ou desejo, que em todos os bens e tributos que podes dar e derramar, que em todo o gáudio e exultação que o espírito pode experimentar e sentir; e mais, finalmente, do que nos anjos e arcanjos e todo o exército do Céu, mais que em todas as coisas visíveis e invisíveis, mais que em tudo o que não és Tu, ó meu Deus.

Resolução: Preparar o Natal ocupando-se mais com Deus, em vez de se deixar ocupar pelo frenesim deste tempo.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 13

Dia 13: Viver na Terra, desejar o Céu

Oxalá, ó forte Deus de Israel, zelador das almas fiéis, olhes para o sofrimento e para a dor do teu servo, e que o assistas em todas as coisas, em tudo o que empreender. Enche-me com a fortaleza do Céu, para que o homem velho, a mísera carne, ainda não totalmente submetida ao espírito, e contra a qual teremos de combater enquanto respirarmos nesta triste vida, não consiga dominar.

Censura-se frequentemente ao mundo o ser mentiroso e vão, mas nem por isso o deixamos mais facilmente, pois somos dominados pelo desejo da carne. Umas coisas levam-nos a amá-lo, outras a desprezá-lo. A amá-lo, o desejo da carne, o desejo dos olhos e o orgulho da vida; a odiá-lo e a aborrecê-lo, as penas e misérias que justamente os seguem.

Resolução: Pedir a Deus para que alimente o amor por Ele, e assim a sua vontade não será peso, mas bem-aventurança.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 12

Dia 12: Declarar a fraqueza

Confessarei contra mim a minha injustiça, confessar-te-ei, Senhor, a minha fraqueza. Muitas vezes, por pouca coisa me abato e torno triste. Prometo portar-me com mais coragem, mas, assim que vem a tentação, faz-se grande a minha angústia. E, por vezes, é bem desprezível a coisa de que me vem a grande tentação. Quando me julgo de certo modo seguro, quando nada sinto, dou comigo às vezes quase vencido por um ligeiro sopro. Vê, pois, Senhor, a minha pequenez e a minha fraqueza, que em tudo encontras; tem misericórdia de mim, e arranca-me do lodo para que não me atole e não fique caído para sempre. O que tantas vezes me dói e me envergonha diante de ti é a facilidade com que caio e a minha fraqueza em resistir às paixões. Por aqui bem vejo a minha fraqueza, visto que essas loucas fantasias entram bem mais facilmente em meu espírito do que dele saem.

Resolução: Reconhecer e meditar na fraqueza própria.

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A oração de súplica

A oração cristã é plenamente humana: inclui o louvor, mas também a súplica. Quando os discípulos pedem a Jesus que lhes ensine a rezar, Ele o faz com a oração do “Pai-Nosso”. Nesta, pedimos a Deus os dons mais elevados, mas também as coisas mais simples de cada dia como o pão quotidiano, o perdão e o auxílio divino nas tentações. Pedir, suplicar: isto é muito humano! Somos criaturas que pelo pecado nos afastamos de Deus. A oração de súplica é um retorno a Ele. A ilusão da auto-suficiência do ser humano rapidamente se desvanece quando experimentamos tempos escuros, momentos difíceis. Nestas situações aparentemente sem solução, a nossa única saída é a súplica: “Ajudai-me, Senhor!”. Esta oração permite que suaves fachos de luz penetrem nas trevas mais escuras. Assim, não devemos escandalizar-nos se sentirmos a necessidade de orar mais intensamente quando estamos a passar por dificuldades. É verdade que devemos aprender a rezar intensamente também nos momentos bons e alegres, mas jamais deveríamos sufocar o clamor que surge espontaneamente nas provações. Deus responderá! A Bíblia repete-o várias vezes: Deus escuta o clamor de quem o invoca! O Pai do Céu quer dar-nos o seu Espírito, que anima cada oração e transforma todas as coisas. Até mesmo a morte recua diante de um cristão que reza, pois sabe que o orante possui um aliado mais forte do que ela: o Senhor Ressuscitado! A morte já foi derrotada em Cristo, e virá o dia no qual tudo será definitivo, e ela não poderá mais fazer escárnio da nossa vida e da nossa felicidade (Papa Francisco, Resumo da Audiência Geral, 9 de Dezembro, 2020).

Audiência Geral, 9 de Dezembro, 2020

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20201209_udienza-generale.html

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 11

Dia 11: As tribulações fortalecem a alma

Sê pronto para a luta, se queres conseguir vitória. Não podes, sem combate, alcançar a coroa da paciência. Se não queres sofrer, recusas-te a ganhar. Mas, se queres ganhar, combate corajosamente e aguenta com paciência. Não se alcança o repouso sem trabalho, nem sem luta se chega à vitória.

Faça-se, Senhor, possível pela graça o que impossível me parece pela natureza. Sabes o pouco que posso sofrer e quão depressa desanimo à mais pequena adversidade.

Resolução: Na profundidade do teu coração, pedir a Deus que ajude a identificar com Ele as tribulações, e entregá-las.

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Ano de São José (2020 – 2021)

Para celebrar os 150 anos da declaração do São José como Padroeiro da Igreja Universal, através do decreto Quemadmodum Deus, assinado em 8 de Dezembro de 1870, pelo Beato Pio IX, o Papa Francisco convoca o “Ano de São José” (8 de Dezembro de 2020 – 8 de Dezembro de 2021) com a Carta apostólica Patris corde – Com coração de Pai.

Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento, pai com coragem criativa, trabalhador, sempre na sombra, com estas palavras, o Papa Francisco descreve São José na Carta apostólica, Patris corde – Com coração de Pai,  publicada hoje, 8 de Dezembro de 2020.

Diz o Papa: “Todos os dias, há mais de quarenta anos, depois das Laudes, recito uma oração a São José tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria, que expressa devoção, confiança e um certo desafio a São José: «Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa protecção as situações tão graves e difíceis que Vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amen»”.

Para consultar Patris corde – Com coração de Pai:

http://www.vatican.va/…/letteraapostolica-patriscorde.html

Oração

Salve, guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria! A vós, Deus confiou o seu Filho; em vós, Maria depositou a sua confiança; convosco, Cristo tornou-Se homem. Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós e guiai-nos no caminho da vida. Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem, e defendei-nos de todo o mal. Amen.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 10

Dia 10: Viver alimentando a paciência

Não é verdadeiramente paciente o que não quer sofrer senão o que lhe agrada e de quem lhe agrada. O que tem real paciência não olha a quem o faz sofrer, se é seu superior, se é igual a si ou seu inferior, se é bom e santo, ou se é mau e indigno; mas aceita indiferentemente tudo de qualquer criatura todas as vezes que lhe sucede algo de mal, e tudo recebe reconhecidamente da mão de Deus, tendo-o como grande bem; porque, para Deus, qualquer coisa, mesmo pequena, por amor dele sofrida, não pode deixar de ter merecimento.

Resolução: Ter presente na mente e no coração que o que se sofre e faz por amor a Deus tem grande merecimento.

 

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Imaculada Conceição – 8 de Dezembro

Ao contrário de nós, Maria, visitada por Deus, não foge, não se esconde de si mesma, não se esconde de Deus, não esconde Deus na sua vida. Tinha consagrado a Deus toda a sua vida, a sua virgindade. Não sendo usual no mundo judaico do seu tempo, esta maneira de viver está, porém, solidamente documentada por parte de homens e mulheres. Ao contrário do homem do Génesis e desta sociedade em que vivemos, Maria não se esconde de Deus, recebendo e aceitando com amor intenso a sua nova Vocação que lhe vem de Deus. Maria vai ser a Mãe, não de um filho, mas do Filho há muito ansiado, esperado e anunciado nas páginas da Escritura Santa Antiga. É o Filho de Deus, totalmente consubstancial a Deus, e é o Filho de Maria, totalmente consubstancial à sua Mãe. Por isso, «Alegra-te, Maria», «não tenhas medo», «o Senhor está contigo» (Lucas 1,28 e 30). Alguns anos mais tarde, as mulheres que vão ao túmulo de Jesus ouvirão também a mesma música divina: «Alegrai-vos», «não tenhais medo» (Mateus 28,5 e 9).

«Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Lucas 1,38). Deus chama, mas não impõe. A Maria, e a cada um de nós. Podemos sempre aceitar Deus ou esconder-nos de Deus. Deixar Deus entrar, ou fechar-lhe a porta. Maria aceitou, e, por isso, todas as gerações a proclamarão Bem-aventurada (Lucas 1,48). Feliz és tu, Maria, pioneira de um mundo novo, porque acreditaste em tudo quanto te foi dito da parte do Senhor (Lucas 1,45)! Feliz também aquele que ouve a Palavra de Deus e a põe em prática (Lucas 11,28)!

Foi o Concílio de Basileia (1439) que sugeriu a definição do dogma da Imaculada Conceição, proclamado depois por Pio IX em 08 de Dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus. Note-se que o termo «conceção», na linguagem bíblica, indica a totalidade da existência. A existência de Maria está, desde o seu início, sob a proteção de Deus, marcada com o selo de Deus, não estando nunca sob o selo do pecado original, que mostra a existência humana marcada por um projeto alternativo ao de Deus, em que cada existência humana, eu, o meu pai, os filhos que aparecerão sobre a face da terra, queremos ser por nossas próprias forças «como deus, conhecedores do bem e mal» (Génesis 3,5).

Esta celebração da Mãe de Deus e nossa Mãe e Padroeira Principal de Portugal é um desafio imenso para o homem «em fuga» deste tempo, que se esconde de si mesmo, que continua a esconder-se de Deus, e que pretende esconder Deus, retirando-o da via pública e da vida pública. Homem deste tempo às escuras, engessado, triste, exilado, escondido, anestesiado e medicado, volta para a Luz, reentra em tua casa, no teu coração despedaçado. Há-de seguramente por lá haver ainda, caída no fundo da alma, uma lágrima dorida e uma mão de Mãe à tua espera!

António Couto, Texto resumido e adaptado

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal- 9

Dia 9: A disposição interior diante das provas da vida

Quanto melhor te dispões a sofrer, tanto mais sabiamente ages e mais mereces, e também suportas melhor os sofrimentos, visto que a coragem e o hábito a isso te ajudam. Não digas: “Não consigo suportar tais coisas de tal homem; não as posso aguentar porque me fez uma grave ofensa e me censura de coisas que nunca pensei; mas, doutro, sofrê-las-ei de boa vontade, como acho dever sofrê-las”. É louco tal pensamento, pois não considera a virtude da paciência, nem como ela há-de ser recompensada, mas, pelo contrário, tem em conta as pessoas e as ofensas feitas.

Resolução: Suportar com paciência as ofensas de qualquer pessoa, seja inferior ou superior hierárquico, rico ou pobre, de boa ou má fama.

 

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2º Domingo do Advento – Ano B

O Evangelho proclamado neste II Domingo do Advento, Ano B, (Mc 1, 1-8), apresenta-nos a figura e a obra de João Baptista, que nos mostrou um itinerário de fé, semelhante ao que o Advento nos propõe. Trata-se de um caminho de conversão. Na Bíblia, a conversão significa primeiro mudar de direcção e orientação; e, portanto, mudar também a maneira de pensar. Na vida moral e espiritual, converter significa passar do mal ao bem, do pecado ao amor de Deus. Era isto que João Baptista no deserto da Judeia ensinava ao proclamar um baptismo de conversão para a remissão dos pecados. Receber o baptismo foi um sinal externo e visível da conversão de quem ouviu a sua pregação e decidiu fazer penitência. Aquele baptismo ocorria com a imersão no Jordão, na água, mas era inútil, era apenas um sinal e era inútil, quando não havia a disponibilidade de se arrepender e mudar a vida.

A conversão envolve a dor pelos pecados cometidos, o desejo de se livrar deles, o propósito de excluí-los da própria vida para sempre. Para excluir o pecado, é preciso também rejeitar tudo o que está ligado a ele: a mentalidade mundana, a excessiva estima do conforto, do prazer, do bem-estar, da riqueza.

João Baptista era um homem austero, renuncia ao supérfluo e busca o essencial. Aqui está o primeiro aspecto da conversão: desapego do pecado e do mundanismo, e o segundo é a busca de Deus e do seu reino. O abandono do conforto e da mentalidade mundana não é um fim em si mesmo, mas visa alcançar algo maior, ou seja, o reino de Deus, a comunhão com Deus, a amizade com Deus.

Mas isto não é fácil porque há tantos laços que nos mantêm próximos do pecado: a inconstância, o desânimo, a malícia, os ambientes nocivos, os maus exemplos. Às vezes o impulso que sentimos para com o Senhor é muito fraco e quase parece que Deus se cala. Nesta situação é-se tentado a dizer que é impossível se converter verdadeiramente, e em vez de se converter do mundo para Deus, corre-se o risco de permanecer na “areia movediça” de uma existência medíocre. Contudo lembremo-nos de que a conversão é uma graça, que deve ser pedida a Deus com força. Nós convertemo-nos verdadeiramente na medida em que nos abrimos à beleza, à bondade, à ternura de Deus. Então deixamos o que é falso e efémero, para o que é verdadeiro, belo e dura para sempre (Papa Francisco, Angelus (resumo), 6 de Dezembro, 2020).

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