O Pai-Nosso. Catequese do Papa Francisco sobre a Missa

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Continuemos com a Catequese sobre a Santa Missa. Na última Ceia, depois de ter tomado o pão e o cálice do vinho, e de ter dado graças a Deus, sabemos que Jesus «partiu o pão». A esta ação corresponde, na Liturgia eucarística da Missa, a fração do Pão, precedida pela oração que o Senhor nos ensinou, ou seja, o “Pai-Nosso”.

E assim começam os ritos de Comunhão, prolongando o louvor e a súplica da Oração eucarística com a recitação comunitária do“Pai-Nosso”. Esta não é uma das tantas orações cristãs, mas é a oração dos filhos de Deus: é a grande oração que Jesus nos ensinou. Com efeito, entregue a nós no dia do nosso Batismo, o “Pai-Nosso” faz ressoar em nós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Quando rezamos o “Pai-Nosso”, oramos como Jesus. Foi a oração que Jesus proferiu e que nos ensinou; quando os discípulos lhe disseram: “Mestre, ensina-nos a rezar como tu rezas”. E Jesus rezava deste modo. É tão bonito rezar como Jesus! Formados pelo seu divino ensinamento, ousamos dirigir-nos a Deus chamando-o “Pai” porque renascemos como seus filhos através da água e do Espírito Santo (cf. Ef 1, 5). Na verdade, ninguém poderia chamá-lo familiarmente “Abbá” — “Pai” — sem ter sido gerado por Deus, sem a inspiração do Espírito, como ensina São Paulo (cf. Rm 8, 15). Devemos pensar: ninguém pode chamá-lo “Pai” sem a inspiração do Espírito. Quantas vezes as pessoas dizem “Pai Nosso”, mas não sabem o que estão a dizer. Porque sim, é o Pai, mas será que quando dizes “Pai” sentes que Ele é o Pai, o teu Pai, o Pai da humanidade, o Pai de Jesus Cristo? Tens uma relação com este Pai? Quando rezamos o “Pai-Nosso”, entramos em relação com o Pai que nos ama, mas é o Espírito quem nos confere esta relação, este sentimento de sermos filhos de Deus.

Que oração melhor do que aquela que Jesus nos ensinou pode predispor-nos para a Comunhão sacramental com Ele? Além da Missa, o “Pai-Nosso” é rezado, durante a manhã e à noite, nas Laudes e nas Vésperas; deste modo, a atitude filial em relação a Deus e de fraternidade para com o próximo contribuem para dar forma cristã aos nossos dias.

Na Oração do Senhor — no “Pai-Nosso” — pedimos o «pão de cada dia», no qual entrevemos uma especial referência ao Pão eucarístico, do qual necessitamos para viver como filhos de Deus. Imploramos também «o perdão dos nossos pecados», e para sermos dignos de receber o perdão de Deus comprometemo-nos a perdoar a quem nos tem ofendido. E isto não é fácil. Perdoar as pessoas que nos ofenderam não é fácil; é uma graça que devemos pedir: “Senhor, ensina-me a perdoar como tu me perdoaste”. É uma graça. Com as nossas forças não podemos: perdoar é uma graça do Espírito Santo. Assim, enquanto nos abre o coração a Deus, o “Pai-Nosso” dispõe-nos também ao amor fraterno. Por fim, peçamos ainda a Deus para «nos libertar do mal» que nos separa d’Ele e nos divide dos nossos irmãos. Compreendemos bem que estas são exigências muito adequadas para nos prepararmos para a Sagrada Comunhão (cf. Ordenamento Geral do Missal Romano, 81).

Com efeito, quanto pedimos no “Pai-Nosso” é prolongado pela oração do sacerdote que, em nome de todos, suplica: «Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz». E depois recebe uma espécie de selo no rito da paz: em primeiro lugar, invoca-se de Cristo que o dom da sua paz (cf. Jo 14, 27) — tão diferente da paz do mundo — faça crescer a Igreja na unidade e na paz, segundo a sua vontade; portanto, com o gesto concreto trocado entre nós, expressamos «a comunhão eclesial e o amor recíproco, antes de receber o Sacramento» (OGMR, 82). No Rito romano a troca do sinal de paz, colocado desde a antiguidade antes da Comunhão, visa a Comunhão eucarística. Segundo a admoestação de São Paulo, não é possível comungar o único Pão que nos torna um só Corpo em Cristo, sem nos reconhecermos pacificados pelo amor fraterno (cf. 1 Cor 10, 16-17; 11, 29). A paz de Cristo não pode enraizar-se num coração incapaz de viver a fraternidade e de a reparar depois de a ter ferido. É o Senhor quem concede a paz: Ele dá-nos a graça de perdoar a quem nos tem ofendido.

O gesto da paz é seguido pela fração do Pão, que desde o tempo dos apóstolos conferiu o nome a toda a celebração da Eucaristia (cf. OGMR, 83; Catecismo da Igreja Católica, 1329). Cumprido por Jesus durante la última Ceia, partir o Pão é o gesto revelador que permitiu aos discípulos reconhecê-lo depois da sua ressurreição. Recordemos os discípulos de Emaús, os quais, falando do encontro com o Ressuscitado, narram «como o tinham reconhecido ao partir o pão» (cf. Lc 24, 30-31.35).

A fração do Pão eucarístico é acompanhada pela invocação do «Cordeiro de Deus», figura com a qual João Batista indicou em Jesus «aquele que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29). A imagem bíblica do cordeiro fala da redenção (cf. Êx 12, 1-14; Is 53, 7; 1 Pd 1, 19; Ap 7, 14). No Pão eucarístico, partido pela vida do mundo, a assembleia orante reconhece o verdadeiro Cordeiro de Deus, ou seja, Cristo Redentor, e suplica-o: «Tende piedade de nós… dai-nos a paz».

«Tende piedade de nós», «dai-nos a paz» são invocações que, da oração do “Pai-Nosso” à fração do Pão, nos ajudam a predispor a alma a participar no banquete eucarístico, fonte de comunhão com Deus e com os irmãos.

Não nos esqueçamos da grande oração: a que Jesus nos ensinou, e que é a oração com a qual Ele rezava ao Pai. E esta oração prepara-nos para a Comunhão.

Papa Francisco, Audiência Geral, 14 de Março de 2018

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Frases sobre a caridade

– A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (Ef 4, 15) (Bento XVI).

– A caridade é o caminho excelente, que conduz seguramente a Deus (Santa Teresinha do Menino Jesus).

– Diante da constatação de um mundo marcado pela indiferença, o egoísmo e o pessimismo, é útil questionar-se sobre a ausência de caridade nos corações e nas relações com Deus e os outros (Papa Francisco).

– Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (Jo 15, 14-15) (Bento XVI).

– É preciso subir à árvore da mui santa cruz e de lá veremos e tocaremos Deus. Lá encontraremos o fogo da sua caridade inexprimível, o amor que O conduziu até à vergonha da cruz, que O exaltou e O fez desejar, com o ardor da fome e da sede, honrar seu Pai e obter a nossa salvação (Santa Catarina de Sena).

– Na caridade nos acolheu o Senhor; pela sua caridade para connosco, Jesus Cristo nosso Senhor, segundo a vontade divina, derramou o seu sangue por nós, imolou a sua carne para redimir a nossa carne, deu a sua vida para salvar a nossa vida (São Clemente de Roma).

– A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (Jo 13, 13-17) (Bento XVI).

– O mesmo diremos da caridade. Ao recebermos o mandamento de amar a Deus, já possuímos capacidade de amar, plantada em nós desde a primeira criação (São Basílio Magno).

– Sinto que quando sou caridosa é só Jesus que age em mim (Santa Teresinha do Menino Jesus).

– A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (Mt 25, 14-30) (Bento XVI).

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Via Sacra: 11ª Estação

11ª Estação: Jesus promete o seu reino ao bom ladrão

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Lucas (Lc 23, 39-42): Um dos malfeitores que tinham sido crucificados com Ele insultava-O, dizendo: “porventura não és Tu o Messias? Salva-Te, pois, a Ti mesmo e a nós também.” O outro, porém, tomando a palavra, repreendia-o, dizendo: “não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Connosco fez-se justiça, pois recebemos o justo castigo dos nossos crimes, porém, Este nada de mau praticou”. E dizia: “Jesus, quando chegares ao teu Reino lembra-Te de mim”. Jesus respondeu-Lhe: “em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Cristo é crucificado entre malfeitores, a sua última companhia são dois ladrões. Aparente confusão do bem com o mal! O vento do Calvário envolve e fustiga as três cruzes. As palavras sinceras perante a morte são sempre solenes, e sobretudo o último pedido: “Lembra-te de mim quando chegares ao Teu reino”. O bom ladrão descobriu o Crucificado na sua própria cruz. E Jesus morre salvando: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Oremos: Senhor Jesus, crucificado em estranha companhia, insultado e invocado na agonia. Nós Vos pedimos, como o bom ladrão, que não nos esqueçais, que não nos abandoneis no fim, que tenhais piedade de nós e nos leveis para a casa do Pai. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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Frases sobre a Cruz de Jesus

– Na Eucaristia revivemos o mistério da cruz, não apenas recordamos, mas realizamos o memorial do sacrifício redentor (Papa Francisco).

– A cruz é troféu levantado contra os demónios e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente (São João Crisóstomo).

– A cruz é a manifestação do amor de Deus: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca (São João Crisóstomo).

– A cruz não é só uma decoração para as nossas igrejas nem um símbolo que nos distingue dos outros; é o mistério do amor de Deus, o qual se humilha para a nossa salvação (Papa Francisco).

– E o que é a glória do Senhor? É sem dúvida nenhuma a cruz sobre a qual Cristo foi glorificado, Ele, o esplendor da glória do Pai. Ele mesmo o dissera, ao aproximar-se a Sua Paixão: «Agora foi glorificado o Filho do Homem e Deus foi glorificado Nele; […] e glorificá-Lo-á sem demora» (Jo 13, 31-32). A glória de que aqui se fala é a Sua subida à cruz. Sim, a cruz é a glória de Cristo e a Sua exaltação, como Ele próprio disse: «E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32) (Santo André de Creta).

– Vimos sempre que os mais chegados a Cristo, Nosso Senhor, foram os que passaram pelos maiores sofrimentos. Consideremos quanto sofreu a sua gloriosa Mãe (Santa Teresa de Jesus).

– Na Cruz é o próprio Deus que mendiga  o amor da sua criatura. Ele tem sede do amor de cada um de nós (Bento XVI).

– Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias a Paixão do Senhor. Nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo (São Boaventura).

– Por meio da Cruz de Cristo o maligno é vencido, a morte é derrotada, a vida é-nos doada, a esperança é-nos restituída. Isto é importante: por meio da Cruz de Cristo é-nos restituída a esperança. A Cruz de Jesus é a nossa única esperança verdadeira! (Papa Francisco).

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Via Sacra: 10ª Estação

10ª Estação: Jesus é crucificado

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (Mc 15, 23-26): Depois de O terem crucificado repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte a fim de ver a quem tocava cada parte. Era a hora tércia quando O crucificaram. O motivo da Sua condenação estava assim inscrito: “Rei dos Judeus”.

Chegou a hora da crucifixão: Jesus é pregado na Cruz e é levantado ao alto. Os seus braços estendidos entre o céu e a terra traçam o sinal indelével da aliança. A árvore seca da cruz tinge-se de púrpura do Sangue divino. Sempre é difícil entender a loucura da cruz, absurda para o mundo e salvação para o cristão. Doce árvore onde começa a vida, com um peso tão doce no seu exterior.

Oremos: Senhor Jesus, crucificado pelos nossos crimes, exaltado no calvário do mundo para redimir a todos: na Cruz nós Vos reconhecemos como nosso Salvador. Nós Vos bendizemos e adoramos no patíbulo da Cruz, sinal de vitória e de triunfo. Concedei-nos que saibamos aceitar as nossas cruzes de cada dia. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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Via Sacra: 8ª e 9ª Estações

8ª Estação – Jesus é ajudado pelo cireneu a levar a cruz

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (Mc 15, 21): Obrigaram então um certo homem que passava, vindo do campo, chamado Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, a levar a cruz.

Ninguém queria ajudar Jesus, não houve voluntários. O Cireneu é obrigado pelos soldados a levar a Cruz de um condenado à morte. Há muitos “cireneus” forçados, que se compram ou alugam, mas não o fazem por compaixão. Ser cireneu é não recusar a cruz do irmão, é entender o evangelho do sofrimento, é ser solidário com o homem humilhado.

Oremos: Senhor Jesus, ao carregardes com a Cruz de todos os homens, tivestes que ser ajudado pelo Cireneu no Vosso caminho para o Calvário. Dai-nos entranhas de misericórdia, ensinai-nos a levar a cruz e fazei que nunca deixemos abandonados à beira do caminho da vida os homens com a suas cruzes. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

9ª Estação – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Lucas (Lc 23, 27-28) : Seguia-O uma grande multidão de povo e de mulheres que O choravam e O lamentavam. Voltando-se para elas, disse-lhes Jesus: “ filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos”.

Choravam as mulheres de Jerusalém e Jesus repreendeu as suas lágrimas, com estranhas palavras de advertência. Não precisam de chorar com lamentos estéreis aqueles que não aliviam nenhuma dor do mundo. Todos somos convidados a chorar com realismo sobre nós mesmos, e nunca ser carpideiras dos outros. O pranto do cristão deve ser o arrependimento, a justa penitência, a conversão.

Oremos: Senhor Jesus, que nos olhais com amor e Vos compadeceis de todos, perdoai os nossos falsos lamentos. Fazei que saibamos chorar a secura das nossas vidas egoístas, para florescermos com frutos de amor sincero. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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Via Sacra: 6ª e 7ª Estações

6ª Estação – Jesus é flagelado e coroado de espinhos

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (Mc 15, 16-19): Os soldados conduziram-no para dentro do átrio, isto é, ao pretório, convocando toda a corte. Revestiram-nO então com um manto de púrpura, e cingiram-Lhe a cabeça com uma coroa tecida de espinhos. Então começaram a saudá-lO, dizendo: “salve, ó rei dos judeus.” Ao mesmo tempo batiam-Lhe com uma cana na cabeça, cuspiam-Lhe e pondo-se de joelhos faziam-lhe reverências.

Refinadíssima tortura a que padeceu Cristo: tortura da flagelação e da comédia sangrenta. Os açoites terminam em coroação de espinhos. Que infâmia esta a dos soldados! Que escárnio de falsas homenagens! A comédia das genuflexões, os golpes na cabeça e os escarros no rosto. À dor moral une-se a dor física.

Oremos: Senhor Jesus, Cristo das injúrias, flagelado, ultrajado, escarnecido, coroado de espinhos. Quanta paciência temos para aprender diante da vossa imagem preso à coluna, e perante a comédia dos que não têm compaixão! Iluminai-nos com o Vosso amor, para que nunca flagelemos ninguém, nem coroemos de espinhos, nem façamos pouco dos débeis, nem exerçamos a violência física. Vós, o paciente, que sois Deus com o Pai, na unidade do espírito Santo.

R. Amen.

7ª Estação: Jesus carrega com a cruz

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (Mc 15, 20-21): Tendo-O escarnecido, os soldados tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas próprias roupas. Depois levaram-No dali, para o crucificarem.

Sobre os ombros de Jesus colocaram, colocamos todos, a Cruz. O seu peso é duro, mas é-o sobretudo pelo seu fim. O Filho de Deus caminha com a Cruz às costas para salvar os filhos dos homens. A Cruz de Cristo é bem diferente das cruzes de adorno, de poder e de honra que nós, homens, colocamos uns aos outros. A árvore seca do patíbulo converte-se em árvore verde de vida.

Oremos: Senhor Jesus, Mestre no alto da Cruz, Sacerdote do único sacrifício, ensinai-nos a sermos Vossos discípulos, a saber tomar a nossa própria cruz, a seguir-Vos sempre. Dai-nos a verdadeira sabedoria, para sabermos aceitar e entender a cruz como caminho necessário para a glória. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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Via Sacra: 5ª Estação

5ª Estação: Jesus é julgado por Pilatos

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (15, 9-15): Pilatos perguntou à multidão: “querem que solte o Rei dos judeus?”. O povo, porém, incitado pelos príncipes dos sacerdotes, gritava: “solta-nos Barrabás”. Pilatos de novo perguntou: “que quereis que eu faça ao Rei dos judeus?”. Eles gritaram:” crucifica-O!”. Então Pilatos disse: “que mal é que ele praticou?”. Contudo eles ainda mais forte gritaram: “crucifica-O!”. Então Pilatos, querendo agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás. E depois de ter mandado chicotear Jesus, entregou-O para que O crucificassem.

Pilatos quis manter a ordem no meio de um povo desordeiro, e quis também salvar um inocente. As duas coisas eram opostas. Os gritos da multidão impressionavam-no. E embora lavasse as mãos diante do povo, acabou por ser culpado do assassinato de um inocente. Pilatos, curioso por saber o que é a verdade, não a descobre diante de Cristo que Se cala… Pilatos quis agradar ao povo, libertando um homicida e condenando à morte Quem tinha vindo para dar a vida por todos.

Oremos: Senhor Jesus, que do tribunal religioso fostes levado à presença da autoridade politica para serdes condenado; Vós que passastes pela vida fazendo o bem e pregando a Boa Nova da salvação, sois entregue aos invejosos para serdes crucificado. Livrai-nos da hipocrisia de lavarmos as mãos perante a injustiça; que, seguindo o Vosso exemplo em todas as circunstancias, sempre salvemos e nunca condenemos. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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Via Sacra: 3ª e 4ª Estações

3ª Estação: Jesus é condenado pelo Sinédrio

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (14, 55.60-64): Os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para Lhe dar a morte, mas não o encontravam. O sumo-sacerdote levantou-se no meio de todos e perguntou a Jesus: “não respondes nada ao que eles depõem contra ti?” “és Tu o Messias, Filho do Deus bendito?”. Jesus respondeu-lhe: “ Eu sou”. Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.

O Sinédrio, o grande Concelho de anciãos, sacerdotes e escribas, reunido em assembleia extraordinária, num lugar onde não era costume e a uma hora não habitual, decide a morte de Jesus. Um tribunal, sinal de justiça, actua injustamente condenando o justo. A inocência é declarada culpada. Querer condenar à morte, falsear testemunhos, fazer calar o que interpela pela sua coerência e pureza de vida, tem sido e é atitude frequente.

Oremos: Senhor Jesus, calado diante do tribunal, condenado à morte, esbofeteado e cuspido: que grande lição de silencio e de humildade nos dais, a nós que falamos tanto e julgamos negativamente! Concedei-Nos a graça de viver em perdão, de nunca condenar ninguém e de não nos escandalizarmos facilmente. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

4ª Estação – Jesus é negado por Pedro

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Do Evangelho de São Marcos (14, 66-72): Estando Pedro em baixo no átrio, aquecendo-se, veio uma das criadas e ao ver Pedro disse-lhe: “tu também estavas com o Nazareno, com Jesus.” Ele porém negou, dizendo: “nem sei nem entendo o que dizes.” Saindo fora, ao vestíbulo, cantou um galo. Tendo a criada visto Pedro outra vez, disse aos presentes: “este é dos d’Ele.” Ele novamente negou. Tendo passado um pouco, disseram-lhe os presentes: “na verdade, tu és um dos d’Ele, pois és galileu.” Ele começou a fazer imprecações e a jurar: “não conheço Esse Homem de Quem falais”. Nesse momento o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro recordou-se do que Jesus lhe tinha dito: “antes que o galo cante duas vezes, tu já Me terás negado três vezes.” E começou a chorar.

Na noite da Paixão, diante de um tribunal de mulheres e soldados, cheio de medo e suor, Pedro negou publicamente a sua ligação com o Nazareno. Pedro, tu que ouviste o canto do galo, tu que choraste a tua negação, não ouves os gritos dos cobardes, dos que negam para não serem condenados? Não vês os negadores de sempre, a quem a alma treme no corpo?

Oremos: Senhor Jesus, a luz serena e bondosa dos Vossos olhos penetrou na noite; os Vossos olhos luminosos cruzaram-se com os olhos envergonhados de Pedro. Concedei-nos que sejamos sinceros e fortes na debilidade das nossas lágrimas, e que saibamos chorar a nossa cobardia, para podermos voltar a ver o Vosso rosto. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

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4º Domingo da Quaresma – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 3, 14-21)

Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus. E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más. De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas acções não sejam desmascaradas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus.»

Reflexão

“Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna”. Não se trata de uma frase mais, palavras que poderiam ser eliminadas do Evangelho sem que nada de importante acontecesse. É a afirmação que recolhe o núcleo essencial da fé cristã. Este amor de Deus é a origem e o fundamento da nossa esperança. Deus ama o mundo, ama-o tal como é: inacabado e incerto, cheio de conflitos e contradições, capaz do melhor e do pior. Este mundo não percorre o seu caminho sozinho, perdido e desamparado. Deus envolve-o com o seu amor.

Jesus é o “presente” que Deus Pai dá ao mundo, e não só aos cristãos. Só quem se aproxima de Jesus Cristo como o maior dom do Pai, pode fazer a descoberta da proximidade de Deus de todo o ser humano. A Igreja é chamada a recordar ao mundo este amor de Deus. Nada há de mais importante.

Com efeito, Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho único (Jo 3, 16). Ouvindo estas palavras, dirigimos o olhar do nosso coração a Jesus Crucificado e sentimos dentro de nós que Deus nos ama, nos ama verdadeiramente, nos ama muito! Eis a expressão mais simples, que resume o Evangelho inteiro, toda a fé, toda a teologia: Deus ama-nos com amor gratuito e sem limites. (…)

Cruz de Cristo é a prova suprema da misericórdia e do amor de Deus por nós: Jesus amou-nos “até ao fim” (Jo 13, 1), ou seja, não apenas até ao último instante da sua vida terrena, mas até ao extremo limite do amor” (Papa Francisco).

Palavra para o caminho

Neste momento que estamos a viver, em que tudo parece confuso, incerto e desalentador, nada nos impede de introduzir um pouco de amor no mundo: “Onde não há amor, põe amor e colherás amor” (São João da Cruz).

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