Perdoar

Per-doar é da minha parte e o outro pode não querer, mas é doar, apesar de tudo, uma nova oportunidade, um abrirmo-nos e oferecermo-nos para recomeçar uma relação. O perdão tem a ver com a relação, a reconquista da relação. Isto não se consegue de um dia para o outro, nem através de um contorcionismo de sentimentos, como se uma pessoa que me é antipática tivesse de começar a ser-me simpática… Significa começar a fazer a caminhada no sentido de reestabelecer relações perdidas, estragadas. Posso perdoar alguém que continua a ser-me antipático e vice-versa. Perdoar significa que me disponho a ter uma relação construtiva com esse alguém, a doar-lhe o meu coração e a minha abertura, a estabelecer a ponte. O perdão é isso. Não é um esquecer ou um abafar de sentimentos. Não é um mero desculpar. É uma ponte que se pode lançar até no silêncio.

Vasco P. Magalhães, sj

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Solenidade da Santíssima Trindade

– Vós, Trindade eterna, sois como um mar profundo, no qual quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Vos procurar. Saciais a alma, mas dum modo insaciável, porque, saciando-se no vosso abismo, a alma permanece sempre faminta e sedenta de Vós, ó Trindade eterna, desejando ver-Vos com a luz da vossa luz.

Oh abismo, oh Trindade eterna, oh Divindade, oh mar profundo! Que mais me podíeis dar do que dar-Vos a Vós mesmo? Sois um fogo que arde sempre e não se consome. Sois Vós que consumis com o vosso calor todo o amor profundo da alma. Sois um fogo que dissipa toda a frialdade e iluminais as mentes com a vossa luz, aquela luz com que me fizestes conhecer a vossa verdade.
Espelhando-me nesta luz, conheço-Vos como sumo bem, o bem que está acima de todo o bem, o bem feliz, o bem incompreensível, o bem inestimável, a beleza sobre toda a beleza, a sabedoria sobre toda a sabedoria: porque Vós sois a própria sabedoria, o alimento dos Anjos, que com o fogo da caridade Vos destes aos homens.

Santa Catarina de Sena

– A palavra que resume toda a revelação é esta:  “Deus é amor” (1 Jo 4, 8.16); e o amor é sempre um mistério, uma realidade que supera a razão sem a contradizer, aliás, exaltando as suas potencialidades. Jesus revelou-nos o mistério de Deus:  Ele, o Filho, fez-nos conhecer o Pai que está nos Céus, e deu-nos o Espírito Santo, o Amor do Pai e do Filho. A teologia cristã sintetiza a verdade acerca de Deus com esta expressão:  uma única substância em três pessoas. Deus não é solidão, mas comunhão perfeita. Por isso a pessoa humana, imagem de Deus, realiza-se no amor, que é dom sincero de si.

Bento XVI, Angelus, 22, de Maio, 2005

– Mas o mistério da Trindade fala-nos hoje novamente da nossa relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Com efeito, mediante o Baptismo, o Espírito Santo inseriu-nos no coração e na própria vida de Deus, que é comunhão de amor. Deus é uma «família» de três Pessoas que se amam tanto a ponto de formar uma só. Esta «família divina» não está fechada em si mesma, mas está aberta, comunica-se na criação e na história e entrou no mundo dos homens para chamar todos a fazer parte dele. O horizonte trinitário de comunhão envolve-nos todos e estimula-nos a viver no amor e na partilha fraterna, na certeza de que onde há amor, há Deus.

Papa Francisco, Angelus, 22 de Maio, 2016

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Resumo da homilia da Missa de Pentecostes 2019

O Pentecostes chegou, para os discípulos, depois de cinquenta dias de incerteza. Por um lado, Jesus ressuscitara: cheios de alegria, tinham-No visto, escutado e até comido com Ele. Por outro, ainda não superaram dúvidas e temores: estavam com as portas fechadas (cf. Jo 20, 19.26), com perspectivas reduzidas, incapazes de anunciar o Vivente. Depois, chega o Espírito Santo e as preocupações desaparecem (…). O Espírito não lhes tornou as coisas mais fáceis, não fez milagres espectaculares, não eliminou problemas nem opositores, mas o Espírito trouxe para a vida dos discípulos uma harmonia que faltava: a Sua, porque Ele é harmonia.
Era dentro, no coração, que os discípulos precisavam de ser mudados. A sua história diz-nos que a própria visão do Ressuscitado não basta; é preciso acolhê-Lo no coração. De nada aproveita saber que o Ressuscitado está vivo, se não se vive como ressuscitados. E é o Espírito que faz viver e ressurgir Jesus em nós, que nos ressuscita dentro. Por isso Jesus, ao encontrar os Seus, repete: «A paz esteja convosco» (Jo 20, 19.21) e dá o Espírito. A paz não consiste em resolver os problemas a partir de fora – Deus não tira aos Seus tribulações e perseguições –, mas em receber o Espírito Santo. Nisto consiste a paz, aquela paz dada aos Apóstolos, aquela paz que não livra dos problemas, mas, nos problemas, é oferecida a cada um de nós. É uma paz que torna o coração semelhante ao mar profundo: permanece tranquilo, mesmo quando as ondas estão revoltas à superfície. É uma harmonia tão profunda que pode até transformar as perseguições em bem-aventurança. (O Espírito Santo) É paz na ansiedade, confiança no desânimo, alegria na tristeza, juventude na velhice, coragem na prova. É Ele que, no meio das correntes tempestuosas da vida, mantém firme a âncora da esperança. Como nos diz hoje São Paulo, é o Espírito que nos impede de recair no medo, fazendo-nos sentir filhos amados (cf. Rm 8, 15). É o Consolador, que nos transmite a ternura de Deus. Sem o Espírito, a vida cristã desfia-se, privada do amor que tudo une. Sem o Espírito, Jesus permanece um personagem do passado; com o Espírito, é pessoa viva hoje. Sem o Espírito, a Escritura é letra morta; com o Espírito, é Palavra de vida. Um cristianismo sem o Espírito é um moralismo sem alegria; com o Espírito, é vida.

O Espírito Santo produz harmonia não só dentro, mas também fora, entre os homens. Faz-nos Igreja, compõe partes distintas num único edifício harmónico. Somos diferentes, na variedade das qualidades e dos dons. O Espírito distribui-os com criatividade, sem rebaixar nem nivelar. E, a partir desta diversidade, constrói a unidade. Assim procede desde a criação, porque é especialista em transformar o caos em cosmos, em criar harmonia. Ele é especialista em criar as diversidades, as riquezas; cada um com a sua, diversa. Ele é o criador desta diversidade e, ao mesmo tempo, é Aquele que harmoniza, que dá harmonia, e dá unidade na diversidade. Somente Ele pode fazer estas duas coisas.

(…) Para ser espirituais, para saborear a harmonia do Espírito, é preciso colocar a sua visão à frente da nossa. Então as coisas mudam: com o Espírito, a Igreja é o Povo santo de Deus, a missão é o contágio da alegria – não o proselitismo – os outros são irmãos e irmãs amados pelo mesmo Pai. Mas, sem o Espírito, a Igreja é uma organização, a missão é propaganda, a comunhão é um esforço. E tantas Igrejas fazem acções programáticas no sentido de planos de pastoral, de discussões sobre todas as coisas. Pode parecer que este seja o caminho para nos unir, porém este não é o caminho do Espírito, é o caminho da divisão. A primeira e a derradeira necessidade da Igreja é o Espírito (São Paulo VI). Ele «vem aonde é amado, aonde é convidado, aonde é esperado» (São Boaventura).

Papa Francisco, Praça de São Pedro, Roma, 9 de Junho de 2019

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Domingo de Pentecostes

HINO

Vem, criador Espírito de Deus, / Visita o coração dos teus fiéis, / E com a graça do alto os purifica.

Paráclito do Pai, Consolador, / Sê para nós a fonte de água viva, / O fogo do amor e a unção celeste.

Nos sete dons que descem sobre o mundo, / Nas línguas que proclamam o Evangelho, / Realiza a promessa de Deus Pai.

Ilumina, Senhor, a nossa mente, / Acende em nós a tua caridade, / Infunde em nosso peito a fortaleza.

Livra-nos das ciladas do inimigo, / Dá-nos a tua paz, e evitaremos / Perigos e incertezas no caminho.

Dá-nos a conhecer o amor do Pai / E o coração de Cristo nos revela, / Espírito de ambos procedente.

Louvemos a Deus Pai e a seu Filho, / Dêmos glória ao Espírito Paráclito, / Agora e pelos séculos sem fim. / Amen.

LEITURA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 19-23)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

PRECES

Oremos a Cristo Senhor, que pelo Espírito Santo nos reuniu na sua Igreja, e digamos com fé: Renovai, Senhor, a face da terra.

– Senhor Jesus, que, levantado na cruz, fizestes brotar do vosso lado uma fonte de água viva, enviai-nos o vosso Espírito de vida eterna. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que do Céu fizestes descer sobre os discípulos o Dom do Pai, enviai o vosso Espírito para criar um mundo novo. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que destes aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, enviai o vosso Espírito para reconciliar e salvar todos os homens. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que prometestes o Espírito Santo para nos ensinar toda a verdade e recordar tudo o que nos dissestes, enviai-nos o mesmo Espírito para que ilumine a nossa fé. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que nos prometestes o Espírito da verdade para nos dar testemunho de Vós, enviai-nos o mesmo Espírito, para que faça de nós testemunhas fiéis da vossa verdade. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que renovais todas as coisas pelo vosso Espírito, concedei a saúde aos enfermos, a consolação aos tristes e a salvação a todos os homens. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que pelo Espírito Santo ressuscitastes o vosso Filho de entre os mortos, dai a vida eterna aos nossos irmãos defuntos. Renovai, Senhor, a face da terra.

Pai nosso

ORAÇÃO

Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja, dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Dons do Espírito Santo

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de David. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem (Catecismo da Igreja Católica, §1831).

– Ver o mundo, as situações, as conjunturas e os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Nisto consiste a sabedoria.

– O dom do entendimento é uma graça que somente o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundidades do pensamento de Deus e do seu desígnio de salvação.

– Com a oração damos espaço para que o Espírito venha e nos ajude naquele momento, nos aconselhe sobre o que devemos fazer.

– Em todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza (dom do Espírito), para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé.

– O dom da ciência que deriva do Espírito Santo não se limita ao conhecimento humano: trata-se de um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua profunda relação com cada criatura.

– O dom da piedade suscita em nós, antes de tudo, a gratidão e o louvor. Com efeito,  este é o motivo e o sentido mais autêntico do nosso culto e da nossa adoração.

– O temor de Deus é o dom do Espírito que nos recorda como somos pequenos diante de Deus e do seu amor, e que o nosso bem está no nosso abandono com humildade, respeito e confiança em suas mãos.

Papa Francisco

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Abrir espaço ao Espírito Santo

O maior pecado da Igreja actual é a “mediocridade espiritual”. O nosso maior problema pastoral é o esquecimento do Espírito. O facto de se pretender substituir com a organização, o trabalho, a autoridade ou a estratégia o que somente pode nascer da força do Espírito. Não basta reconhecê-lo. É necessário reagir e abrir-nos à sua acção.

O essencial hoje é abrir espaço ao Espírito. Sem Pentecostes não há Igreja. Sem Espírito não há evangelização. Sem a irrupção de Deus nas nossas vidas, não se cria nada de novo, nada de verdadeiro. Se não se deixa reavivar pelo Espírito Santo de Deus, a Igreja não poderá oferecer nada de essencial ao anseio do homem dos nossos dias.

J. A. Pagola

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Ascensão do Senhor – Ano C

Havia de ser pregado em seu nome

o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações (Lc 24, 47)

– Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado quer mostrar-nos que a meta do nosso caminho é o Pai. A nossa primeira tarefa é a de sermos testemunhas da Bondade de Deus. 

– Crer na Ascensão de Jesus é crer que a humanidade de Cristo, da qual todos participamos, entrou na vida íntima de Deus dum modo novo e definitivo. Jesus ocultou-se em Deus, porém não para ausentar-se de nós, mas para viver, a partir desse Deus, uma proximidade nova e insuperável, e impulsionar a vida dos homens para o seu destino último.

– A Igreja existe para anunciar o Evangelho! Só para isto. E também, a alegria da Igreja é anunciar o Evangelho. A Igreja somos todos nós baptizados. Hoje somos convidados a compreender melhor que Deus nos deu a grande dignidade e responsabilidade de O anunciar ao mundo, de O tornar acessível à humanidade. Esta é a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, de todos os baptizados! (Papa Francisco).

– A fé cristã não é “ficar a olhar para o céu” esquecendo o que se passa à nossa volta. O “Céu”, que não é um sítio no espaço ou a tela de fundo azul que a atmosfera terrestre produz e onde os pardais voam, começa dentro de cada um de nós. É a vida divina que o Espírito Santo derrama em todos os que abrem o coração a Deus. Porque começamos a viver como Jesus. A fazer comunhão ainda que os egoísmos teimem em destruí-la. A trabalhar pela paz e pela justiça ainda que muitas sedes de poder ergam obstáculos. É quando olhamos à volta e vemos o que pode ser melhor e mais belo, que descobrimos a vontade de Deus. E com outros, inventarmos novos gestos de compromisso! (Pe. Vítor Gonçalves).

Oração

Senhor Jesus, subiste para o Pai, deste-nos o Espírito. Com a Tua vida plantaste em cada coração a esperança da vida eterna. Deste-nos a força suficiente para cumprir as exigências da missão que nos pedes: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura”. Esta esperança é o segredo que nos faz sair de nós. A esperança cristã é actuante, não cruza os braços. A esperança é a palavra que traz dentro a confiança em Jesus que está sempre connosco.

Senhor Jesus, que vivamos sempre na Tua esperança, pois é tempo de ser esperança, é tempo de comunicar, é tempo de ser testemunha de Deus neste mundo que não sabe amar!

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No termo do mês de Maio de 2019

43. No coração da Igreja, resplandece Maria. É o grande modelo para uma Igreja jovem, que deseja seguir Cristo com frescor e docilidade. Era ainda muito jovem quando recebeu o anúncio do anjo, não se coibindo de fazer perguntas (cf. Lc 1, 34). Mas tinha uma alma disponível e disse: «Eis a serva do Senhor» (Lc 1, 38).

44. «Sempre impressiona a força do “sim” de Maria, jovem. A força daquele “faça-se em Mim”, que disse ao anjo. Foi uma coisa distinta duma aceitação passiva ou resignada. Foi qualquer coisa distinta daquele “sim” que por vezes se diz: “Bem; provemos a ver que sucede”. Maria não conhecia a frase “provemos a ver que sucede”. Era determinada: compreendeu do que se tratava e disse “sim”, sem rodeios de palavras. Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma “influenciadora”, é a “influenciadora” de Deus! O “sim” e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades».

45. Sem ceder a evasões nem miragens, «Ela soube acompanhar o sofrimento do seu Filho (…), apoiá-Lo com o olhar e protegê-Lo com o coração. Que dor sofreu! Mas não A abateu. Foi a mulher forte do “sim”, que apoia e acompanha, protege e abraça. É a grande guardiã da esperança (…). D’Ela, aprendemos a dizer “sim” à paciência obstinada e à criatividade daqueles que não desanimam e recomeçam».

46. Maria era a donzela de alma grande que exultava de alegria (cf. Lc 1, 47), era a jovenzinha com os olhos iluminados pelo Espírito Santo, que contemplava a vida com fé e guardava tudo no seu coração (cf. Lc 2, 19.51). Não ficava quieta, punha-se continuamente a caminho: quando soube que sua prima precisava d’Ela, não pensou nos próprios projetos, mas «dirigiu-Se à pressa para a montanha» (Lc 1, 39).

47. E, sendo necessário proteger o seu menino, partiu com José para um país distante (cf. Mt 2, 13-14). Pelo mesmo motivo, permaneceu no meio dos discípulos reunidos em oração à espera do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Assim, com a presença d’Ela, nasceu uma Igreja jovem, com os seus Apóstolos em saída para fazer nascer um mundo novo (cf. At 2, 4-11).

48. Aquela jovenzinha é, hoje, a Mãe que vela pelos filhos: por nós, seus filhos, que muitas vezes caminhamos na vida cansados, carentes, mas desejosos que a luz da esperança não se apague. Isto é o que queremos: que a luz da esperança não se apague. A nossa Mãe vê este povo peregrino, povo jovem amado por Ela, que A procura fazendo silêncio no próprio coração, ainda que haja muito barulho, conversas e distrações ao longo do caminho. Mas, diante dos olhos da Mãe, só há lugar para o silêncio cheio de esperança. E, assim, Maria ilumina de novo a nossa juventude.

Papa Francisco, Cristo vive, nnº 43-48

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Para construir a paz

Construir a paz obriga a tomar decisões e a fazer opções, a não pactuar com a injustiça, a não pactuar com a mentira, a lutar contra tudo o que é desumano. Por isso, a paz não é um apaziguamento nem um mero bem-estar, que pode ser muito egoísta e uma fuga à construção da paz. Para que exista paz verdadeira tem de se mudar de nível nas relações e há que destruir a paz podre, a paz falsa das águas mornas.

Vasco P. Magalhães, sj

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