Novena de Nossa Senhora do Carmo (2017): 2

2º DIA: MARIA, ESPLÊNDIDA NO SERVIÇO

Reflexão: Logo que recebe o anúncio do Anjo, a Mãe do Senhor põe-se a caminho para saudar e ajudar a sua prima Isabel, já idosa, que espera um menino. O Evangelho diz-nos que ela caminha à pressa, para pôr-se ao serviço da que tem necessidade. A Virgem não se ensoberbece (o anúncio não lhe sobe à cabeça), porque nela cumprir-se-á a esperança de Israel, mas com grande humildade vai prestar um serviço nas mais pequenas e simples tarefas do lar.

Oração: Maria, perita no serviço, ajuda-nos a compreender que somente sendo servos uns dos outros é que podemos ser verdadeiros discípulos do teu Filho. Maria, perita no serviço, torna-nos capazes de estar sempre disponíveis para com aqueles que diariamente encontramos no nosso caminho. Maria, Virgem Mãe, ajuda-nos a adiantar-nos com gestos de mútua caridade.

Compromisso: Prestar ajuda às pessoas que estão próximas de mim. E para imitar mais fielmente a Virgem, procurar ser mais serviçal para com aquelas pessoas que me parecem que são menos simpáticas.

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Novena de Nossa Senhora do Carmo (2017): 1

1º DIA: MARIA, EXEMPLO DE ACOLHIMENTO

Reflexão: Os evangelhos começam apresentando Maria como mulher que acolhe o projecto de Deus, em atitude de oração. Ela escuta, medita, consente e responde “sim” a Deus que chama. Numa palavra: acolhe. Este acolhimento engendra nela a Vida. “A Palavra fez-se carne”.

Oração: Santa Maria, mulher do acolhimento, faz-nos teus imitadores e imitadoras, para que possamos em cada dia gerar Jesus, em cada situação da nossa vida. Santa Maria, mulher do acolhimento, ensina-nos a meditar a Palavra de Deus como tu o fazias, para que em cada momento da nossa vida saibamos acolhê-la para nos deixarmos guiar por ela. Santa Maria, Flor do Carmelo, escuta a nossa oração.

Compromisso: Ler uma página do Evangelho e reflectir sobre ela para procurar o que Deus quer de mim na minha vida de cada dia.

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“Família Carmelita” nº 77 – 2017

Caríssimo Amigos e Leitores da “Família Carmelita”!

Acaba de sair mais um número da revista “Família Carmelita”. O seu conteúdo continua a fazer eco da celebração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, e da visita que o Papa Francisco nos fez ao vir à Cova da Iria nos dias 12 e 13 de Maio do corrente ano, tendo como ponto alto a canonização dos pastorinhos Francisco Marto e Jacinta Marto. Para que isto fosse possível, duas crianças (pastorinhos) intercederam junto de Deus e de Nossa Senhora pela cura de uma outra criança. O miraculado chama-se Lucas. Pusemo-nos a caminho e conseguimos entrar em contacto com os pais do menino Lucas e do Carmelo de Campo Mourão (Paraná-Brasil) e recolhemos os testemunhos destas duas fontes para sabermos como tudo aconteceu. A canonização dos Beatos Francisco e Jacinta Marto passou por um Carmelo e uma Carmelita. Significativo!…

A abrir este número da revista “Família Carmelita” aparece uma entrevista com o Superior da Ordem do Carmo em Portugal, Fr. Ricardo dos Reis Rainho, a propósito da sua reeleição para um novo mandato de três anos à frente desta porção do Carmelo.

Para muitas pessoas falar em Carmelo é falar de oração. E está certo. O nosso confrade Fr. Pedro Bravo redigiu um artigo muito oportuno sobre a aridez na oração. Estamos certos que a matéria será bem acolhida e terá efeitos benfazejos pois é muito actual e experimentada por muitas pessoas. Faz muito bem ter em conta o que São João da Cruz diz relativamente aos orientadores (directores) espirituais. O Pe. Joaquim Teixeira, OCD, conduz-nos até este santo para sabermos o que ele nos aconselha nesta matéria tão delicada, oportuna e necessária. Não podemos improvisar e viver de “lugares-comuns” e “slogans” repetidos até à saciedade, ficando-nos pela superfície. Vem a propósito a publicação de uma parte da comunicação feita na Assembleia da União dos Superiores Gerais, em Roma, pelo nosso Superior Geral, Fr. Fernando Millán Romeral, que versa a formação permanente.

Este número da revista “Família Carmelita” sai num período em que por todo o lado há festas. O Sr. Bispo Emérito de Beja, D. António Vitalino, O. Carm., partindo de várias fontes, oferece-nos um artigo oportuno a que deu o título “Uma espiritualidade inculturada”.

Enquanto foi possível, pretendemos que este número assentasse em três pilares: formação, informação e oração. Outros assuntos destas três áreas podeis encontrar em “Família Carmelita” que agora chega às vossas mãos.

Este número é o último em que tenho a responsabilidade de “director” da revista. Muito obrigado a todos vós e aos que comigo trabalharam de forma directa e indirecta, e desejo à nova equipa as maiores felicidades na condução deste projecto editorial da Ordem do Carmo em Portugal.

Fr. Manuel Castro, O. Carm.

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Oração para pedir a canonização do Beato Tito Brandsma, O. Carm.

Deus nosso Pai, que infundistes no bem-aventurado Tito Brandsma a força do vosso Espírito, que o tornou fiel no vosso serviço e vitorioso no martírio, concedei-nos imitá-lo na sua grande fé, no generoso amor e no ardente zelo na construção do vosso Reino de verdade, de justiça e de paz, sem nunca nos envergonharmos do Evangelho.

Pela sua intercessão e por seu intermédio, concedei-nos sempre a vossa ajuda nas nossas necessidades (nomear), e a graça da canonização deste filho da Igreja e do Carmelo. Por Cristo, Nosso Senhor. Amen.

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13º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 10, 37-42)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.»

«Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»

Mensagem

O texto deste 13º Domingo do tempo Comum – Ano A é a conclusão do “discurso da missão”, o segundo dos cinco discursos de Jesus em Mateus, onde o evangelista recolhe diversos ensinamentos de Jesus sobre a missão e o discipulado.

Mais uma vez, como nos Domingos passados, o autor enfrenta o problema de uma comunidade em situação de conflito e perseguição. O conflito e a perseguição aconteciam também dentro do seio das famílias, onde alguns membros aderiam à comunidade cristã e outros não.

O seguimento de Jesus exige frequentemente decisões duras e nada pode ser mais importante do que o Reino. Por isso, Mateus diz que nem o amor ao pai ou à mãe pode ter mais importância do que o amor a Jesus A vivência dessas opções é, na prática, o que significa “tomar a sua cruz”. Tomar a cruz não é sofrer por sofrer. É a consequência da coerência com a opção por Jesus. Mas, não é para nos assustarmos, pois temos a garantia de que a procura e a vivência coerente com essas escolhas dar-nos-ão como herança “encontrar a vida”, isto é, a verdadeira vida em Deus.

Ser discípulo de Jesus não é somente dureza. Quantas vezes a pregação da “cruz” tem trazido conotações negativas, como se seguir Jesus fosse um sofrimento sem fim. Pelo contrário, exige dedicação, sacrifício e desprendimento, o que acarreta também sofrimento, mas, as suas alegrias são muito maiores.

O seguimento de Jesus deve ser uma alegria. É uma experiência de seguir as pegadas do Mestre, de ser colaborador na sua missão, de sentirmo-nos realizados como pessoas e cristãos por termos procurado colaborar na construção do Reino, com todas as nossas limitações e erros. É um privilégio e não um peso!

Palavra para o caminho

«Acolher» é a palavra-chave do texto de hoje. Acolher os Doze, os discípulos de Jesus, os missionários e evangelizadores de todos os tempos, não consiste apenas em recebê-los educadamente em casa. Consiste também, e sobretudo, em expor-se ao anúncio que trazem, ao testemunho que dão. Não consiste apenas em abrir-lhes as portas da casa, embora isso também seja importante para quem deixou tudo por causa de Cristo (Mateus 10,37-39), e de vez em quando precisa de um quarto de hora de hospitalidade. Tem muito mais a ver com abrir o coração à mensagem de que são portadores, sabendo e vendo bem que por detrás deles, está Jesus, que os enviou.

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Orar com simplicidade

Fora do Ofício Divino, que sou muito indigna de recitar, não tenho coragem para me obrigar a procurar nos livros belas orações; isso faz-me doer a cabeça. Há tantas…, e todas tão belas, tanto umas como as outras… Não podendo recitá-las todas, e não sabendo qual escolher, faço como as crianças que não sabem ler: digo muito simplesmente a Deus o que Lhe quero dizer, sem compor belas frases, e Ele compreende-me sempre… 

Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o Céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria; enfim, é algo de grande, de sobrenatural, que me dilata a alma e me une a Jesus.

Santa Teresa do Menino Jesus

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Se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta?

Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus. Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos. A perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta? Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: «Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!» Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal. De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho. A única forma de vida do cristão é o Evangelho. O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo. Repugna aos cristãos a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar «mártires»: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus. A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal.

Papa Francisco, Resumo da Audiência Geral de 28 de Junho de 2017

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Da aridez às fontes da água viva

”A terra está plena de desolação, dizia o profeta, porque ninguém reflecte em seu coração.” Mas que terra desolada é esta? senão a alma, quando, não entrando em si mesma, onde Deus habita, já não é capaz de encontrar a fonte que jorra? 

Os santos bem souberam fazer este movimento interior e em que profundidade! O solo da alma deles era assim refrescado sem cessar pelas águas vivas, pelo contacto do Amor infinito: viviam no Espírito Santo no mais profundo de si próprios; no fundo do abismo produzia-se o toque divino. 

Santa Isabel da Trindade

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Amar a Deus, mais do que a si mesmo

Por aqui poderá a alma saber muito bem se ama puramente a Deus ou não. Se O ama, não terá coração para se amar a si mesma nem para fazer caso do seu gosto e proveito, mas só para a honra e glória de Deus e para Lhe agradar, porque quanto mais se amar a si mesma, menos coração terá para Deus.

São João da Cruz

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“Não tenhais medo” (Mt 10, 26)

As fontes cristãs apresentam Jesus inteiramente dedicado a libertar as pessoas do medo. Dava-lhe pena ver as pessoas aterrorizadas pelo poder do Império Romano, intimidadas pelas ameaças dos mestres da Lei, distanciadas de Deus pelo medo da sua ira, culpadas pela sua pouca fidelidade à Lei. Do seu coração, repleto de Deus, somente podia brotar um desejo: «Não tenhais medo». São palavras de Jesus que se repetem sempre nos evangelhos e que deveriam ser as mais repetidas na Igreja.

O medo apodera-se de nós quando no nosso coração cresce a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior. Este medo é o problema central do ser humano e somente podemos libertar-nos dele, enraizando a nossa vida num Deus que só quer o nosso bem. Assim entendia Jesus. Por isso, dedicou-se a despertar a confiança no coração das pessoas.

São muitos os medos que fazem as pessoas sofrerem em segredo. O medo faz mal, muito mal. Onde cresce o medo, perde-se de vista Deus e abafa-se a bondade que há no coração das pessoas. A vida apaga-se, a alegria desaparece.

Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, antes de tudo, um lugar onde a pessoa se liberta dos seus medos e aprende a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se respira uma paz contagiosa e se vive uma estreita amizade que torna possível escutar hoje o apelo de Jesus: «Não tenhais medo».

José Antonio Pagola

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