Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 21

Dia 21: Não procurar coisas supérfluas

Que me não vençam, meu Deus, que me não vençam a carne e o sangue; que não me engane o mundo e a sua breve glória; que não sucumba ao demónio e à sua astúcia. Dá-me a força para resistir, a paciência para suportar, a constância para perseverar. Concede-me, em vez de todas as consolações do mundo, a suave unção do teu espírito, e em vez do amor carnal, o amor do teu nome. Eis que a comida, a bebida, o vestuário, tudo o que é feito para sustentar o corpo pesa ao espírito fervoroso. Faz que eu use com temperança de tais consolações, para que não me enrede nos excessivos desejos. Não se pode pôr tudo isto de parte, pois há que sustentar a natureza. Que em tudo isto, peço-te, me dirija e ensine a tua mão, a fim de que não caia nos excessos.

Resolução: Usar de grande moderação em tudo o que é necessário ao corpo.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 20

Dia 20: Abri, Senhor, o meu coração, e os meus ouvidos escutarão o amor

Filho, não sejas curioso, nem tenhas cuidados vãos. Que te importa isto ou aquilo? Segue-me. Que te importa, na verdade, se este é desta ou daquela maneira, ou se aquele diz isto ou faz aquilo? Não tens de responder pelos outros, mas só de ti próprio darás contas. Porque te intrometes, então? Eis que sou Eu que a todos conheço, que vejo tudo o que sucede sob o sol, que sei como cada qual é, e o que pensa, e o que quer, e qual o fim da sua intenção. Por isso, a mim se devem entregar todas as coisas; mas tu conserva-te em paz, e deixa que o que se agita se agite quanto quiser. Sobre ele recairá tudo o que fizer ou disser, porque me não pode enganar.

Resolução: Decidir acabar com os murmúrios sobre a vida dos outros.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 19

Dia 19: Ilumina-me

Alumia-me, bom Jesus, com a claridade da luz interior, e afasta da cela do meu coração todas as trevas. Impede as muitas divagações do meu espírito e suprime as tentações que me violentam. Luta com força por mim, expulsa os animais ferozes, esses desejos atraentes, para que encontre a paz na tua força e a abundância dos teus louvores ressoe sem cessar na tua santa casa, isto é, na consciência pura. Liga-me a ti pelo laço indissolúvel do amor: pois que só Tu bastas a quem ama, e, fora de ti, todas as coisas são vãs.

Resolução: Na hora das trevas, pedir instantemente a Deus para que as dissipe, liberte de toda a tentação, afaste de toda a consolação transitória, e dirija às coisas celestes, unido a Deus com o indissolúvel vínculo do amor.

 

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A oração de intercessão

A oração não leva o cristão a esquecer-se do mundo, antes pelo contrário, leva-o a abraçar as alegrias e dores, as esperanças e angústias da humanidade. De fato, embora muitos busquem o silêncio e a solidão para a sua oração, não o fazem por razões intimistas ou para fugir da realidade, mas para escutar melhor a voz de Deus que chama cada cristão para se oferecer aos outros, como pão partido e partilhado. A oração faz com que os nossos corações sejam mais compassivos e atentos às necessidades dos outros, sem excluir ninguém: intercede por todos e cada um, convertendo-se numa espécie de antena de Deus neste mundo. Muitas vezes o Espírito Santo inspira o fiel a interceder pelos pecadores – “defendendo-os” diante de Deus, como fizeram Abraão e Moisés, sabendo reconhecer-se ele também um pecador necessitado de oração. Em suma, a oração permite ver o rosto de Cristo nos outros e aprender a vê-los com os olhos de Deus, com a Sua inesgotável compaixão e ternura (Papa Francisco, Resumo da Audiência Geral, 16 de Dezembro, 2020).

Audiência Geral de 16 de Dezembro, 2020

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2020/documents/papa-francesco_20201216_udienza-generale.html

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 18

Dia 18: Encontrar o caminho da paz e da liberdade

Filho, ensinar-te-ei agora o caminho da paz e da verdadeira liberdade. Faz como dizes, Senhor, porque me é grato ouvir.

Procura, filho, fazer mais a vontade dos outros do que a tua. Prefere sempre ter menos do que mais. Procura o pior lugar e submete-te a todos. Deseja sempre e reza para que a vontade de Deus se cumpra em ti inteiramente. Deste modo, caminha o homem nas regiões da paz e do repouso.

Resoluções: 1.º Rezar com mais frequência e com o vivo desejo de que seja feita a divina vontade. 2.º Não antepor a vontade própria à dos outros, a menos que o dever exija o contrário. 3.ª Considerar-se o último de todos.

 

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 17

Dia 17: Dirigir a mente para a bondade divina

O que tem menos coisas não se deve entristecer, nem portar indignamente ou invejar o mais rico; mas amar-te ainda mais e louvar a tua bondade, pois que com tanta abundância, tão bondosa e livremente, sem acepção de pessoas, distribuis os teus dons. Tudo vem de ti, e por isso deves ser louvado em tudo. Tu sabes o que convém dar a cada um e porque este tem menos e aquele mais; não nos pertence a nós decidir isso, mas a ti, diante de quem são contados os méritos de cada um.

Resolução: Decidir não gastar o coração a considerar a superioridade dos benefícios de uns sobre outros, mas orientá-lo para a bondade e gratuidade divinas das suas mãos sempre cheias para dar e distribuir.

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Com coração de Pai…

Patris corde (Com coração de Pai) é o título da Carta Apostólica com que o Papa Francisco promulga um ano dedicado a S. José (8-12-2020 a 8-12-2021), assinalando os 150 anos da sua declaração como Padroeiro da Igreja Católica, por Pio IX, em 1870. A referida Carta tem como objetivo “aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo”. Sim, porque os santos não são apenas nossos intercessores, junto de Deus, mas também, e sobretudo, modelos de vida para nós.

Constituído por sete pontos de reflexão, é nosso intento apresentar este documento, no essencial, despertando o interesse pela sua leitura e o empenho na celebração que convoca.

Depois de uma introdução em que dá conta do que os evangelhos dizem acerca de José, o documento começa por apresentá-lo como pai amado. A sua grandeza “consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus”. Por isso, “é um pai que sempre foi amado pelo povo cristão”, como o comprovam as numerosas e importantes igrejas que, por todo o mundo, lhe estão dedicadas, assim como o facto de o seu nome aparecer associado a numerosas instituições eclesiais.

Logo de seguida, chama-lhe pai de ternura e afirma textualmente que “Jesus viu a ternura de Deus em José”. Refere, depois, que “a ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes, o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10)”.

José é também, no dizer do Papa Francisco, pai na obediência. Na situação difícil em que se encontrava, “com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria”. “Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu ‘fiat’, como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani. Na sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf.  Ex  20, 12)”. Foi na sua escola, em Nazaré, que Jesus aprendeu a fazer da vontade do Pai o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34).

José é ainda pai no acolhimento. Acolhe Maria sem colocar condições e, mesmo não os compreendendo, acolhe, por inteiro, os planos de Deus. “José deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história”.

Caraterística de José é também a arte de “transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. José é Pai com coragem criativa.

Carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família, é um pai trabalhador. “Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”. Eis porque, em 1955, o Papa Pio XII decidiu que o dia 1 de maio passasse a ser o dia litúrgico de S. José Operário. Por último, é apresentado como um pai na sombra, fazendo eco do modo como o escritor polaco Jan Dobraczyński, no seu livro A Sombra do Pai, narrou a vida de São José. “Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de José, que é, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele”. Numa sociedade repleta de filhos órfãos de pais vivos, para além de um interessante documento sobre S. José, esta Carta Apostólica presta-se a ser um assertivo exame de consciência para os pais e um útil guião para quantos o pretendam ser. É que “não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele”.

Pe. João Alberto Correia

Carta apostólica Patris corde (Com coração de Pai)

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 16

Dia 16: Rezar ao Senhor para que te faça conhecer a sua vontade

Abre, Senhor, o meu coração à tua lei e ensina-me a caminhar nos teus preceitos. Faz-me compreender a tua vontade e recordar com grande respeito e consideração os teus benefícios, tanto em geral como em particular, para que por eles te consiga dar graças de maneira digna. Mas reconheço e confesso que nem a mais pequena das tuas graças posso agradecer devidamente. Sou menos que qualquer dos bens que me deste, e quando considero a tua generosidade, o meu espírito perde-se nessa grandeza.

Resolução: Recordar os benefícios sentidos quando se seguiu a vontade do Senhor. Ser pessoa grata, porque Deus está sempre presente.

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Vinte e seis passos do Advento ao Natal – 15

Dia 15: Procurar a consolação da alma que vem do Senhor

Ó Jesus, esplendor da eterna glória, consolação da alma peregrina! Diante de ti está muda a minha boca, e o meu silêncio fala-te. Até quando tardará o meu Senhor? Que Ele se aproxime do seu pobre e que o alegre; que imponha a sua mão e o arranque de toda a angústia. Vem, vem! Porque, sem ti, não haverá hora ou dia alegre – Tu és a minha alegria –, e sem ti está vazia a minha mesa. Sou infeliz, qual prisioneiro carregado de correntes, até que me reanimes com a luz da tua presença, me dês a liberdade e mostres a tua face amiga. Procuram outros, em vez de ti, algo que lhes agrade; mas a mim nada agrada, nem agradará, senão Tu, ó meu Deus, minha esperança, eterna salvação. Não me calarei, nem cessarei de pedir, até que volte a tua graça e fales à minha alma.

Resolução: Na aridez, recorrer ao Senhor com maior insistência. Procurar nele a consolação, e não naquilo que não pode dar.

 

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3º Domingo do Advento – Ano B

João Baptista veio para dar testemunho da luz (Jo 1, 7)

É curioso como o 4º Evangelho apresenta a figura de João Baptista. É um «homem», sem qualificativos ou precisões. Nada é dito sobre a sua origem ou condição social. Ele próprio sabe que não é importante. Não é o Messias, não é Elias, nem sequer é o Profeta que todos esperam. Só se vê a si mesmo como «a voz que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor». No entanto, Deus envia-O como «testemunha da luz», capaz de despertar a fé de todos. Uma pessoa que pode espalhar luz e vida. Que é ser testemunha da luz?

A testemunha é como João. Não dá importância a si mesmo. Não procura ser original ou chamar a atenção. Não tenta impressionar ninguém. Simplesmente vive a sua vida de uma forma convincente. Vê-se que Deus ilumina a sua vida. Irradia esse mesmo Deus no seu modo de viver e acreditar.

A testemunha da luz não fala muito, mas é uma voz. Vive algo inconfundível. Comunica o que a faz viver. Não diz coisas sobre Deus, mas contagia «algo». Não ensina doutrina religiosa, mas convida a acreditar. A vida da testemunha atrai e desperta interesse. Não culpabiliza ninguém. Não condena. Contagia confiança em Deus, liberta de medos. Abre sempre caminhos. É como João Baptista, «abre o caminho para o Senhor».

A testemunha sente-se débil e limitada. Muitas vezes comprova que a sua fé não encontra apoio nem eco social. Inclusive vê-se rodeado de indiferença ou rejeição. Mas a testemunha de Deus não julga ninguém. Não vê os outros como adversários que tem de combater ou convencer: Deus sabe como encontrar-se com cada um dos seus filhos e filhas.

Diz-se que o mundo actual está a converter-se num «deserto», mas a testemunha revela que sabe algo sobre Deus e o amor, sabe algo sobre a «fonte» e de como se acalma a sede de felicidade que há no ser humano. A vida está cheia de pequenas testemunhas. São crentes simples e humildes, conhecidos apenas por aqueles à sua volta. Pessoas muito boas. Vivem da verdade e do amor. Eles “abrem-nos o caminho” para Deus. São o melhor que temos na Igreja (José Antonio Pagola)

Palavra para o caminho

João retirou-se para o deserto, despojando-se de tudo o que era supérfluo, para ser mais livre e seguir o vento do Espírito Santo. Certamente, alguns traços da sua personalidade são únicos, irrepetíveis, não são possíveis a todos. Mas o seu testemunho é paradigmático para qualquer pessoa que queira procurar o sentido da  vida e encontrar a verdadeira alegria. Em particular, o Baptista é modelo para quantos na Igreja  são chamados a proclamar Cristo aos outros: só o podem fazer se se afastarem de si mesmos e da mundanidade, não atraindo as pessoas para si, mas orientando-as para Jesus. A alegria é isto: orientar para Jesus. E a alegria deve ser a característica da nossa fé (Papa Francisco, Angelus, 13 de Dezembro, 2020).

 

 

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