Dá-me a tua mão

Se Deus me diz pela boca do profeta que me é mais fiel do que o meu pai e do que a minha mãe e que Ele é o próprio amor, reconheço quão “razoável” é a minha confiança no braço que me sustém e como toda a angústia de cair no nada é insensata, desde que eu não me desprenda por mim mesmo do braço protector. (Santa Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein).

Oração

Jesus, Tu és o revelador do Pai. Tantas vezes me dizes para deixar o pai e a mãe e seguir-Te. Isto não se aplica apenas aos consagrados, aos sacerdotes e às consagradas. Isto aplica-se a todos os cristãos, aplica-se a mim: também eu tenho de deixar pai e mãe, no sentido em que tenho que me converter, de deixar alguns critérios e formas de actuar aprendidas na família que estão em oposição com a Tua vontade.

Lendo a Tua palavra, rezando, frequentando os sacramentos, a minha mente e o meu coração vão-se iluminando e descobrindo novos rumos, diferentes daqueles que aprendi desde menino(a): muitos caminhos novos e inesperados se abrirão diante de mim. “Mostra-me o Pai e isso me basta”, isto é: “nascer de novo”. Assim seja.

 

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Solenidade de Cristo Rei – Ano A

O rei-pastor identifica-se também com as ovelhas perdidas

Hoje celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, com a qual se encerra o ano litúrgico. Na sua morte e ressurreição, Jesus mostrar-se-á como Senhor da história, Rei do universo, Juiz de todos. Mas o paradoxo cristão é que o Juiz não se reveste de realeza temível, mas é um Pastor cheio de mansidão e misericórdia.

Com efeito, nesta parábola do juízo final, Jesus serve-se da imagem do pastor. Usa as imagens do profeta Ezequiel, que falara da intervenção de Deus a favor do povo, contra os maus pastores de Israel. Eles eram cruéis e exploradores, preferindo apascentar-se a si próprios e não o rebanho; por isso, o próprio Deus promete cuidar pessoalmente do seu rebanho, defendendo-o das injustiças e dos abusos. Esta promessa de Deus ao seu povo realizou-se plenamente em Jesus Cristo, o Pastor: Ele próprio é o Bom Pastor. Ele mesmo diz de si: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10, 11.14).

Na página do Evangelho de hoje, Jesus identifica-se não só com o rei-pastor, mas também com as ovelhas perdidas. Poderíamos falar como que de uma “dupla identidade”: o rei-pastor, Jesus, identifica-se também com as ovelhas, ou seja, com os irmãos mais pequeninos e necessitados. E assim indica o critério do juízo: ele será assumido com base no amor concreto, concedido ou negado a essas pessoas, porque Ele próprio, o juiz, está presente em cada uma delas. Ele é juiz, Ele é Deus-homem, mas Ele é também o pobre, está escondido, encontra-se presente na pessoa dos pobres, que Ele menciona precisamente ali. Jesus diz: «Em verdade vos digo, todas as vezes que fizestes (ou deixastes de fazer) isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (ou deixastes de fazer)». Seremos julgados sobre o amor. O julgamento será sobre o amor. Não sobre o sentimento, não: seremos julgados sobre as obras, sobre a compaixão que se faz proximidade e ajuda atenciosa.

Portanto, no fim do mundo, o Senhor passará em revista o seu rebanho, e fá-lo-á não só da parte do pastor, mas também da parte das ovelhas, com as quais Ele se identificou. E perguntará: “Foste um pouco pastor como Eu?”. “Foste pastor de mim, que estava presente naquelas pessoas necessitadas, ou ficaste indiferente?”. Irmãos e irmãs, tenhamos cuidado com a lógica da indiferença, com o que nos vem imediatamente ao pensamento: olhar para o outro lado, quando vemos um problema.

Papa Francisco, Angelus (excerto), 22 de Novembro, 2020

 

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Alegrar-se com o bem do próximo

Alegrar-se com o bem dos outros é um princípio de felicidade em que nos temos de educar. Incomoda um mundo de “bota-abaixo”, que não sabe ver nem alegrar-se com o bem alheio. É já grande coisa entristecer-se e doer-se com o sofrimento do amigo, e quase todos somos capazes disso. Outra coisa é alegrar-se com o bem do próximo – isso é grandeza de alma!

Vasco P. Magalhães, sj

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Amor ao próximo

A meu ver, o sinal mais certo para verificar se guardamos essas duas coisas [amor de Deus e amor do próximo] é a observância fiel do amor ao próximo. […] E convencei-vos: quanto mais praticardes este último, tanto mais estareis praticando o amor de Deus (Santa Teresa de Jesus).

Oração

Jesus, é impossível praticar com perfeição o amor do próximo, sem aquele “amor que é derramado nos nossos corações, pelo Espírito Santo que nos é dado”. Só o Teu amor em mim pode amar perfeitamente o meu próximo.

Mas tu colocas sempre um olhar de predileção sobre mim (e sobre todos) para me atraíres a Ti, para me fazeres entrar na Tua Morada santa, onde só Tu moras, me transformares em Ti e me colocares ao serviço da Igreja, isto é, de cada um os meus irmãos, começando pelos mais pequeninos e frágeis…

Ajuda-me a tomar consciência de que só Tu és o remédio de todos os meus males, de todas as minhas indiferenças e pecados em relação aos meus irmãos. Só em Ti, encontro remédio e descanso para estes males. Que me abrace à Tua vontade em cada dia, sempre mais. Assim seja.

 

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33º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Dar fruto

Na parábola do Evangelho do 33º Domingo do Tempo Comum (Ano A) (Mateus 25,14-30), somos logo levados a tomar consciência de que um imenso dom, vindo de Deus, precede sempre a nossa acção: cinco talentos, dois talentos, um talento… é sempre uma imensa quantidade dada logo à partida!

Um talento equivalia então a 6000 denários, sendo que o denário era o salário normal de um dia de trabalho. Um talento, 6000 denários, era assim o equivalente a uma vida inteira de trabalho! Portanto, quer seja um, dois ou cinco talentos, é sempre um imenso dom que nos é entregue. Os talentos entregues por Deus a cada um de nós não são como uma pedra preciosa que há que guardar ciosamente. São antes como uma imensa soma de dinheiro que há que pôr a render, ou como uma semente que há que semear para produzir raízes, caule, ramos, folhas, flores e frutos. Só que esta imensa soma de dinheiro ou esta semente capaz de um tal desenvolvimento são-nos entregues sem instruções!

Os dois primeiros servos não perderam tempo, mas partiram logo e obtiveram resultados fantásticos (100% de lucro). Mas o terceiro, ao contrário, agiu como se o talento recebido fosse uma pedra preciosa, e guardou-a ciosamente, para, a seu tempo, a devolver intacta ao seu dono. As razões do comportamento estranho deste terceiro servo, são-nos manifestadas depois, quando este servo se explica aquando da chegada, «muito tempo depois», do seu Senhor. Ele diz: «Eu sei que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e juntas onde não espalhaste. Tive medo, e escondi o teu talento na terra» (Mateus 25,24-25). Aqui estão as respostas erradas, que vêm desde Adão. Também Adão teve medo de Deus e escondeu-se dele (cf. Gn 3,10). Também este terceiro servo da parábola de Mateus ficou tolhido pelo medo e optou por jogar pelo seguro, que se vem a revelar falso. O medo deriva, nos dois casos, de uma falsa imagem de Deus, que é visto como um homem duro e exigente. É assim que ficamos muitas vezes paralisados, sem perceber a lógica dos dons de Deus, a começar pelo dom de Deus por excelência, que é o Espírito Santo. Sim, os dons do Deus da parábola são dinâmicos, e não pedras estáticas e imóveis! E o Deus da parábola é o Senhor da alegria e não do medo!

Portanto, a vigilância de Mateus 25,13 («Vigiai, pois…») manifesta-se em sermos activos, generosos, corajosos e ousados desde o primeiro momento, e não em ficarmos tolhidos, frios e inertes, ciosamente guardando um grande tesouro… Negociantes ousados, e não o tempo todo sentados em cima do tesouro. (Texto resumido e adaptado de António Couto).

Palavra para o caminho

Às vezes, nós pensamos que ser cristão consiste em não praticar o mal. E não praticar o mal é bom. Mas não praticar o bem não é bom. Temos que praticar o bem, sair de nós mesmos e olhar, olhar para os mais necessitados.“Estende a tua mão ao pobre!”. E Jesus diz-nos outra coisa: “Sabes, o pobre sou Eu”. Jesus diz-nos o seguinte: “Eu sou o pobre!” (Papa Francisco, Angelus do dia mundial dos pobres, 2020).

 

 

 

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Todos os santos carmelitas – 14 de Novembro

Deus aguarda na sua morada os seus eleitos

Pressentia já (não com os olhos da carne, mas com os do coração) o que Deus reserva aos que O amam. E vendo que as recompensas eternas não tinham nenhuma proporção com os suaves sacrifícios da vida, queria amar, amar a Jesus com paixão, dar-lhe mil provas de amor enquanto ainda pudesse… Copiei várias páginas sobre o perfeito amor e sobre a recepção que Deus há-de fazer aos seus eleitos no momento em que Ele próprio se tornará a sua grande e eterna recompensa (Santa Teresa do Menino Jesus).

Oração

Jesus, hoje, em que se celebram todos os Santos da nossa Ordem (Carmelita), aqueles que já estão junto de Ti, vem naturalmente a nostalgia do Céu. Mas, simultaneamente vem aquela pergunta clássica: “Quando chegares ao Céu o que gostarias de ter feito na terra?”. Se fecho os olhos e me ponho a imaginar qual é aquilo que mais alegria dá ao Coração da Trindade, facilmente entendo que é isto que Teresinha afirma: “queria amar, amar a Jesus com paixão, dar-lhe mil provas de amor enquanto ainda pudesse…”.

Sou fraco(a) Senhor, mas Tu és o “Deus dos fracos que se abrem à Tua força”. Possa eu estar sempre aberto à Tua vontade e não ter medo, que me peças nada acima das minhas forças. Abandono e confiança! Assim seja.

 

 

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A comunhão perfeita

Só no céu nos será dado compreender aquilo que cá em baixo é desconhecido. No céu, bem unidos ao braseiro eterno, abraçar-nos-emos sem medo de nos voltarmos a separar, felizes da mesma felicidade do bom Deus, cantaremos eternamente as divinas misericórdias.

Beata Elias de S. Clemente

 

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A oração perseverante

Se não rezarmos não teremos a força para ir em frente na vida. A oração é como o oxigénio na vida. A oração é atrair sobre nós a presença do Espírito Santo que nos leva sempre em frente. Jesus deu exemplo de uma oração contínua, praticada com perseverança. O diálogo constante com o Pai, no silêncio e no recolhimento, é o fulcro de toda a sua missão. Os Evangelhos apresentam-nos também as suas exortações aos discípulos, para que rezem com insistência, sem se cansar. O Catecismo recorda as três parábolas contidas no Evangelho de Lucas que sublinham esta característica da oração de Jesus (cf. CIC, 2613).

A oração deve ser acima de tudo tenaz, como no-lo ensina a parábola daquele homem que vai a meio da noite à casa de um amigo pedir-lhe uns pães para dar de comer a a um hóspede que chegou inesperadamente. Deus é mais paciente do que nós, e quem bate à porta do seu coração com fé e perseverança não fica desiludido. Deus responde sempre. Sempre! O nosso Pai sabe bem do que precisamos; a insistência não serve para o informar ou convencer, mas para alimentar o desejo e a expectativa em nós. A parábola da viúva e do juiz iníquo faz-nos compreender que a fé não é o impulso de um momento, mas uma disposição corajosa para invocar Deus, até para “discutir” com Ele, sem se resignar ao mal e à injustiça. A parábola do fariseu e do publicano ensina-nos que não há verdadeira oração sem espírito de humildade. É a humildade que nos impele a orar.

O ensinamento do Evangelho é claro: é preciso rezar sempre, até quando tudo parece em vão, quando Deus nos parece surdo e mudo, e que perdemos tempo. Muitos Santos e Santas experimentaram este silêncio de Deus, a noite da fé, mas perseveraram na oração. Ainda que o Céu nos pareça surdo e mudo, continuemos a rezar, porque, mesmo na noite da fé, nunca estamos sozinhos. Na verdade, Jesus não é apenas testemunha e mestre de oração, é muito mais. Ele acolhe-nos na sua oração, para podermos rezar n’Ele e através d’Ele. E isto é obra do Espírito Santo.

Jesus faz seus e apresenta a seu Pai cada um dos nossos gemidos e cada uma das nossas preces. A certeza de sermos ouvidos funda-se na oração de Jesus, que dá à oração do homem aquelas asas que ela sempre desejou possuir. O Senhor «te cobrirá com as suas penas – são palavras do Salmo 91 –; debaixo das suas asas encontrarás refúgio; a sua fidelidade é escudo e couraça». Esta promessa estupenda cumpre-se em Jesus, que nos acolhe na sua oração e assim podemos rezar ao Pai por Cristo, com Cristo e em Cristo. Ele é tudo para nós, como no-lo recorda Santo Agostinho: «Sendo o nosso Sacerdote, ora por nós; sendo a nossa Cabeça, ora em nós; e sendo o nosso Deus, a Ele oramos. Reconheçamos, pois, n’Ele, a nossa voz e a voz d’Ele em nós». Por isso, o cristão que reza, nada teme. Quem bate com fé e perseverança à porta do coração do Pai do Céu, não ficará desiludido.

Papa Francisco, Audiência geral (resumo), 11 de Novembro, 2020

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Mãe, por favor, vem depressa em nosso auxílio!

Estamos cansados do Covid 19. Estamos cansados de ver doentes, de ver máscaras e sapatos de plástico, de ver luvas e ventiladores.

Estamos cansados de tanto número na televisão, um pior que o outro, curvas sempre a subir, estatísticas ameaçadoras, carregadas de óbitos, de internamentos, de fadigas nos tratadores de doentes.

Estamos fartos da desconfiança, o outro como potencial inimigo, a afastar, a manter à distância, sem um toque, sem um carinho, sem um beijo, sem um abraço. E nem sequer o nosso sorriso recebe, tapado por uma máscara que nos abafa, que nos distorce, que nos atormenta.

Mãe, já chega. Vem depressa em nosso auxílio!

Também estamos cansados de ver em cada puxador uma bomba, em cada objeto uma espingarda, em cada papel um contágio, em cada saco de compras um perigo, em cada pedaço de tecido um depósito de vírus.

E não suportamos mais essa ideia da quarentena, dias e dias a contar carneiros, a ver paredes, a trepar por elas, a pensar na vida, a pensar no próximo teste ao Covid, a desesperar por ver o mundo um pouco maior que quatro paredes. Há gente que não sai de um quarto há meses, espreitando apenas para detrás da porta, a certas horas, em busca de algum alimento.

Tanta gente sozinha, cada vez mais sozinha, com medo de estar sozinha, igualmente com medo de receber companhia, porque tudo agora é ameaça, tudo é perigoso, tudo amedronta.

Mãe, já chega. Vem depressa em nosso auxílio!

Os números do desemprego vão subindo assustadoramente. A frustração é enorme. Não há mais motivação para nada. Não há razões para uma luta. Acabaram-se os objetivos. A fome espreita. Começa a faltar até o essencial. E para além do estômago vazio, os olhos começam a ficar embaciados, o coração mirrado, os dias cinzentos, a vida pesada e triste.

Não podemos morder a bochecha do bebé que nasceu, não podemos abraçar o amigo que está aí, a mãe – que é de idade – não recebe o carinhoso beijo, vai tudo de aceno ao longe, ou espreita-se pela janela. E se alguém se lembra de partir, os olhos vêm-no afastar-se, a solidariedade reduzida ao virtual, a mensagem enviada de longe, sem o calor da presença, o lenitivo do abraço, a solidariedade física, meiga e robusta.

Mãe, já chega. Vem depressa em nosso auxílio!

Estamos cansados de ver setas, contagens de espaço em metros, percursos assinalados, senta aqui e deixa espaço acolá, vai pela outra porta e chega-te para lá. Passa tanta corrente de ar entre nós e o próximo… Que distantes nos sentimos…

Milhares de consultas adiadas, milhares de operações desmarcadas, tantos doentes descuidados, porque as atenções se centraram e centram apenas ou quase exclusivamente num núcleo de enfermos. Mas os outros debilitados também sofrem, também penam, também morrem, também precisam de cuidados…

Uma dor de cabeça, que aflição. Uma tossidela, a mente começa logo a funcionar. A cabeça mais quente… e …estarei doente?! Faço teste ou não?! Ligo pra quem? Ou não ligo já?! Vou ter com quem tinha previsto encontrar-me ou irei contaminar?! Dúvidas. Muitas dúvidas. Incertezas. Muitas incertezas.

As floristas não vendem, os restaurantes estão aflitos, os cafés estão meio vazios, o negócio para tantos não rende, nem pra comer, que fará para fazer face a despesas. Que desatino!

Mãe, por favor, já chega. Vem mesmo depressa em nosso auxílio!

Começa por socorrer os doentes e os enlutados. Dá coragem a quem tem que cuidar de uns e de outros. Acolhe os que partiram. Dá luz a quem procura antídotos. Dá-nos serenidade, saúde e paz. Dá-nos sustento e ânimo. Cuida de nós. Cuida de todos. Cuida do mundo.

Que em breve nos possamos, sem medo, abraçar. E possamos louvar-te pelos teus benefícios, ó Mãe piedosa e bendita, Rainha dos Céus e da Terra, a quem, de todo o coração, nos confiamos.

Mãe, por favor, vem depressa em nosso auxílio!

Cón. José Paulo Leite de Abreu

 

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Aí vem o esposo

 

O Evangelho do 32º Domingo do Tempo Comum (Ano A) (Mt 25,1-13) convida-nos a prolongar a reflexão sobre a vida eterna, iniciada por ocasião da Festa de Todos os Santos e da Comemoração de todos os fiéis defuntos. Jesus narra a parábola das dez jovens convidadas para uma festa nupcial, símbolo do Reino dos céus. No tempo de Jesus, havia o hábito de celebrar as núpcias durante a noite, portanto, o cortejo dos convidados deveria realizar-se com as lâmpadas acesas.

Algumas jovens são prudentes: além das lâmpadas, levam também uma reserva de azeite, as imprudentes levam unicamente as lâmpadas. Como o noivo demora todas acabam por adormecer. Quando é anunciada a sua chegada, as imprudentes vão comprar azeite e o noivo chega à casa da noiva nessa ocasião, dando-se depois o cortejo para a casa do noivo. As jovens prudentes entram com ele para a festa de casamento, enquanto as outras chegaram demasiado tarde e são recusadas.

Com esta parábola Jesus quer nos dizer que devemos estar preparados para o encontro com ele, não somente para o encontro final, mas também para os pequenos e grandes encontros de todos os dias. Não é suficiente a lâmpada da fé, mas é necessário também o azeite da caridade e das boas obras. Ser sábios e prudentes significa não esperar o último momento para corresponder à graça de Deus, mas fazê-lo activamente desde já, começar agora e não deixar para amanhã, para um futuro incerto. Preparamos o último encontro com o Senhor no hoje, cooperando com ele e realizando boas obras inspiradas no amor

Mas, infelizmente, esquece-se que a meta da nossa vida é o encontro definitivo com Deus, perdendo assim o sentido da espera e absolutizando o presente. Quando alguém absolutiza o presente, olha somente para ele, perdendo o sentido da espera, que é tão bonito. Esperar o Senhor é tão necessário e tira-nos das contradições do momento.

Se nos deixarmos guiar por aquilo que parece mais atraente, pela busca dos nossos interesses, a nossa vida torna-se estéril; não acumularemos nenhuma reserva de azeite para a nossa lâmpada, e esta apagar-se-á antes do encontro com o Senhor.

Se, ao contrário, vigiarmos e praticarmos o bem correspondendo à graça de Deus, podemos esperar com serenidade a chegada do esposo. O Senhor poderá vir até quando dormimos: isto não nos preocupará, porque temos a reserva de óleo acumulada com as boas obras de cada dia, acumulada com aquela expectativa do Senhor, que ele venha o mais depressa possível e que venha para me levar consigo.

Que Maria Santíssima nos ajude a viver como ela uma fé concreta: eis a lâmpada luminosa com que podemos atravessar a noite, para além da morte, e alcançar a grande festa da vida.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 8 de Novembro, 2020

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