Solenidade do Profeta Elias – 20 de Julho

A Ordem Carmelita celebra neste dia a Solenidade do Profeta Elias. Elias converteu-se para os primeiros carmelitas e os irmãos que lhes sucederam, na primeira pessoa que tinha incarnado o ideal de vida que os tinha estimulado a deixar as suas casas. Sentiram-se, em certo sentido, filhos seus, herdeiros de uma riqueza espiritual que, por diferentes caminhos, tinha chegado até eles. Os carmelitas de então, como os de hoje, têm Elias como seu “Pai”, não no sentido histórico ou material, mas pelos valores que a sua figura exprime.

Hino

Deus o chamou à solidão, / E ele ouviu a sua voz; / Viveu a experiência de Deus, / É um modelo para todos nós.

No silêncio e na oração, / No amor de Deus era abrasado; / Ocupado com o seu Senhor, / Era por ele alimentado.

Profeta de bens messiânicos, / Ei-lo à viúva a anunciar: / “A farinha mais o azeite, / Disse o Senhor, hão-de durar”.

Homem de Deus é Santo Elias: / Um menino ressuscitou; / A futura ressurreição/ Com sua acção profetizou.

Defensor do Deus verdadeiro, / A sua mão com ele estava; / Quantas gestas prodigiosas / Por meio dele Deus operava!

A glória da Eterna Trindade: / Pai, Filho e Espírito de Amor / Nós contemplemos com Elias. / Com ele a Deus nosso louvor.

Preces

Supliquemos humildemente a Deus, nosso Pai, que outrora falou por meio dos profetas e hoje nos fala por intermédio do seu Filho, por meio do qual quer reconciliar todos os homens consigo, dizendo confiadamente: Senhor, atraí-nos para vós!

– Senhor, que vos revelastes ao profeta Elias no silêncio e na solidão, concedei-nos que, desapegados de tudo o que nos impede de ouvir a vossa voz, sempre vos procuremos e encontremos. Senhor, atraí-nos para vós!

– Senhor, que destes ao sedento Elias a água reconfortante da torrente do Carit, concedei que bebamos nas fontes vivas da caridade e da contemplação. Senhor, atraí-nos para vós!

– Senhor, que sustentastes com a vossa força o profeta Elias na sua caminhada para o monte Horeb, concedei que caminhemos incessantemente ao vosso encontro, sustentados pelo Corpo e Sangue de Cristo. Senhor, atraí-nos para vós!

– Senhor, que vos revelastes a Elias no sopro de uma brisa ligeira, concedei que, no silêncio, atentos e com pronta docilidade, saibamos perceber cada inspiração do Espírito Santo. Senhor, atraí-nos para vós!

– Senhor, que suscitastes Elias como fogo e o inflamastes de zelo pela vossa glória, concedei que, inflamados no vosso amor, sirvamos hoje com solicitude a Igreja e os irmãos. Senhor, atraí-nos para vós!

– Vós que enviastes uma chuva salutar, em atenção às preces do nosso Pai Elias no monte Carmelo, infundi em nós, que fomos chamados ao Carmelo, o espírito de oração, para que possamos atrair sobre o mundo as chuvas da vossa graça. Senhor, atraí-nos para vós!

Pai Nosso

Oração conclusiva

Deus eterno e omnipotente, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Queres que vamos arrancar o joio?”

A “Parábola do trigo e do joio” descrita no Evangelho de Mateus, inspirou a alocução do Santo Padre neste 16º Domingo do Tempo Comum (Ano A). Através dela Jesus mostra-nos a paciência de Deus e abre o nosso coração à esperança.

Jesus conta que no campo onde foi semeado bom trigo, surgem ervas daninhas. Os servos perguntam ao proprietário de onde veio o joio: “Foi um inimigo que fez isto”, respondeu. Os servos queriam imediatamente limpar o campo, mas foram advertidos pelo proprietário de que havia o risco de também o trigo ser arrancado junto com o joio. É preciso esperar o momento da colheita: somente então serão separados, e o joio será queimado.

Pode-se ler nesta parábola uma visão da história. Ao lado de Deus – o dono do campo – que semeia sempre e somente a boa semente, há um adversário, que na escuridão trabalha com inveja, hostilidade, para estragar tudo, espalhando o joio para impedir o crescimento do trigo. O adversário ao qual Jesus se refere tem um nome: é o diabo, o opositor por excelência de Deus. A sua intenção é atrapalhar a obra da salvação, fazer com que o Reino de Deus seja obstaculizado por operários iníquos, semeadores de escândalos. De facto, a boa semente e o joio não representam o bem e o mal abstractamente, mas a nós, seres humanos, que podemos seguir a Deus ou ao diabo.

A intenção dos servos é eliminar imediatamente o mal, isto é, as pessoas más, mas o proprietário é mais sábio, e vê mais longe: eles devem saber esperar, porque suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã. O mal, certamente, deve ser rejeitado, mas os malvados são pessoas com quem é preciso ter paciência. Não se trata daquela tolerância hipócrita que oculta ambiguidade, mas da justiça mitigada pela misericórdia. Se Jesus veio buscar os pecadores mais que os justos, curar os enfermos antes ainda que os têm saúde, também a acção dos seus discípulos deve ser dirigida não para eliminar os malvados, mas para os salvar.

Os servos querem um campo sem ervas daninhas, o proprietário um bom trigo. Assim, o Evangelho deste Domingo apresenta duas maneiras de agir e viver a história: por um lado, o olhar do proprietário, que vê longe; por outro, o olhar dos servos, que vêem o problema. Jesus convida-nos a assumir o seu próprio olhar, o que se fixa no bom trigo, que sabe protegê-lo mesmo entre as ervas daninhas. Os que buscam os limites e defeitos dos outros não colaboram bem com Deus, mas sim aqueles que sabem reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história, cultivando-o até amadurecer. E então será Deus, e somente ele, a recompensar os bons e a punir os malvados.  Que a Virgem Maria nos ajude a entender e a imitar a paciência de Deus, que não quer que nenhum dos seus filhos se perca, que ele ama com amor de Pai.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 19 de Julho, 2020

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3º – Tríduo em honra do Profeta Elias

Elias, o homem do deserto

A experiência do deserto marcou a vida de Elias. Ele enfrentou o deserto de Karit (1 R 17,5), o deserto de Beersheba (1 R 19, 4), o deserto de Horeb (1 R 19,8). Deserto, não só como lugar geográfico, mas também como experiência interior. Tanto a profecia como a mística são elementos constitutivos da missão do povo de Deus que se refazem no deserto. O deserto era o lugar da origem do povo, da volta às fontes, onde se recuperavam a memória e a identidade; o lugar para onde o povo escapou para a liberdade, onde morreram os restos da ideologia do faraó, e onde o povo se reorganizou; o lugar da longa caminhada, quarenta anos, onde morreu uma geração inteira; o lugar do murmúrio, da luta, da tentação e da queda; o lugar do namoro, do noivado, da experiência de Deus, da oração. O deserto fez Elias reaproximar-se da origem do povo. Os 40 dias lembram os 40 anos. No deserto Elias experimentou os seus próprios limites. Não chegou a perder a fé, mas já não sabia como usar a fé antiga para enfrentar a situação nova. Foi o momento de viver e sofrer a crise do próprio povo. Por isso mesmo, ao superar a sua crise pessoal e ao reencontrar a presença da Deus para si mesmo, ele estava a redescobrir o sentido de Deus para a vida do povo. A experiência do deserto marcou para sempre a vida dos primeiros eremitas do Monte Carmelo. Saindo da Palestina, levaram o deserto consigo, dentro de si. Vivendo na Europa, reencontraram o deserto, não na vida regular dos grandes mosteiros independentes e auto-suficientes, longe das cidades, mas sim na vida pobre dos Mendicantes nas periferias das grandes cidades.

Oração

Deus eterno e todo poderoso, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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2º – Tríduo em honra do Profeta Elias

Elias, o homem da oração

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou” (1Rs 17,1; 18,15). “Elias era um homem fraco como nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, sem desanimar, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar os seus frutos” (Tg 5,17-18). A tradição carmelita tem aqui, nestas duas frases da Bíblia sobre Elias, um dos pontos fundamentais da sua espiritualidade. Elias estava ligado a Javé pela oração. Ele reza e consegue de volta a vida do filho da viúva (1Rs 17,20). Critica a oração dos profetas de Baal (1Rs 18,27) e pede para que Deus se manifeste ao povo no Monte Horeb (1Rs 18,36-37). Ao rezar, ele curva-se, coloca a cabeça entre os joelhos. Ele insiste e não desiste. Por sete vezes, manda o empregado subir a montanha, até aparecer a nuvenzinha que trouxe a chuva (1Rs 18,41-46). Reza na fraqueza, queixando-se a Deus (1Rs 19, 10.14), pedindo a morte (1Rs 19,4). Confronta-se com Deus na brisa suave (1Rs 19,12). A oração era o espaço que lhe dava condições de descobrir a presença de Deus na brisa suave, de defender a aliança e a vida do povo, de viver em conflito permanente, sem desmoronar.

Oração

Deus eterno e todo poderoso, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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1º – Tríduo em honra do Profeta Elias

«Vive Deus, em cuja presença eu estou» (1Rs 17,1)

«Vive Deus, em cuja presença eu estou» (1Rs 17,1) e «Eis a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a Tua Palavra» (Lc 1,38), são as primeiras declarações pessoais das duas grandes figuras inspiradoras do Carmelo: o profeta Elias e Nossa Senhora, respectivamente. Em ambas aparece bem claro que a dimensão mais importante e central das suas vidas, a primeira, mais radical e totalizadora exigência do seu coração é o Absoluto de Deus. No caso de Elias, essa relação é expressa com um vocabulário cultual: Elias está totalmente devotado ao serviço de Deus, como Seu enviado, promovendo o Seu culto verdadeiro, no vasto templo da presença de Deus que é o mundo. Maria, por sua parte, exprime num vocabulário esponsal a Sua adesão total à vontade de Deus como o Seu único Senhor (cf. Rt 3,9; 1Sm 25,41). Tal é o sinal distintivo do verdadeiro crente, viver o primeiro mandamento como compromisso fundamental de toda a sua existência, como Jesus disse: «o primeiro mandamento é este: “Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”» (Mc 12,29-30). Este imperativo fundamental da vida do cristão, constitui o coração da espiritualidade carmelita. A ele se dedica o primeiro artigo da Regra.

Oração

Deus eterno e todo poderoso, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Nossa Senhora do Carmo, nossa mãe, ajuda-nos

Nossa Senhora do Carmo, nossa mãe, ajuda-nos a ter mãos inocentes e um coração puro, a não pronunciar uma mentira e a não falar em detrimento de outras pessoas. Assim poderemos subir o monte do Senhor e obter a sua bênção, a sua justiça, a sua salvação. 

Papa Francisco, Twitter, 16 de Julho, 2020

 

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Solenidade de Nossa Senhora do Carmo 2020 – 16 de Julho

Hino

Ó vinde cristãos louvar a Maria / com um hino singelo e terna alegria. / Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

Foi lá no Carmelo que a Virgem surgiu / do mar numa nuvem Elias a viu./ Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

Em chuva de rosas Ela apareceu / e todo o Carmelo feliz exultou. /Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

Vós todos que aflitos e tristes viveis / na Virgem do Carmo consolo achareis. / Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

Rainha das virgens também ela é; / se queres ser puro, implora-a com fé. / Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

E um dia nos céus com os Anjos e Santos, / no Carmo da glória será nosso canto. / Flor do Carmelo nossa alegria. / Salve, salve Maria! Salve, salve Maria!

Reflexão

O Carmelo antes de ser um conjunto de doutrinas a estudar ou de práticas morais, é uma proposta de vida, em que são importantes o encontro pessoal com o Deus vivo, a experiência da sua proximidade, do seu amor, da sua ternura e da sua graça. 

O carmelita não se consagra a fazer coisas, mas a servir Cristo, com coração sincero. O seu Deus não é um ser impessoal, que permanece desconhecido e inacessível. Deus aproximou-se de nós, manifestou-se em Cristo, que é o único caminho que conduz ao Pai e a única fonte do Espírito Santo.

No Carmelo Maria é a irmã maior, companheira de caminho, mãe, protectora e modelo de consagração. O próprio título da Ordem indica uma relação de especial intimidade com ela: “Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”. Os carmelitas veneram a peregrina da fé, a discípula perfeita de Cristo e modelo de todos os discípulos.

Oração

Venha em nossa ajuda, Senhor, a poderosa intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, para que, protegidos pelo seu auxílio, cheguemos ao verdadeiro monte da salvação, Jesus Cristo Nosso Senhor. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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9º – Novena de Nossa Senhora do Carmo 2020

TESTEMUNHAS DE SANTIDADE

Mulher do silêncio e da oração, Mãe da misericórdia, Mãe da esperança e da graça, roga por nós.

Reflexão

Muitos homens e mulheres ao longo dos séculos testemunham que foram homens e mulheres de verdade através do trato confiante com a Virgem do Carmo.

Quando alguém deixa os lugares fáceis das margens e rema na noite para o alto mar em busca do rosto de Deus e do ser humano, faz-se companheiro dos místicos do Carmelo que alimentaram a sua fé na “fonte” e a sua chama de amor no lar de José e Maria de Nazaré.

A relação com Maria não nos infantiliza, nem trazer o escapulário nos torna imaturos. Pelo contrário! Há muitas testemunhas que mostram o contrário.

Pistas de luz

O melhor comentário ao que foi dito atrás são os testemunhos: a poesia, a mística, a arte, a música… garantem-nos que com Maria a vida cresce em abundância, a vida de Jesus.

A devoção a Maria é uma das flores mais belas do jardim do Carmelo. Diria que é como um girassol. É uma flor que se eleva sobre todas as outras flores. Nascida sobre um grande tronco, cheio de folhas grandes, a flor eleva-se para além da folhagem verde e tem a característica de “voltar-se” para o Sol. Além disso é uma imagem do próprio Sol… Maria era uma Flor assim. Também nós, como flores da sua semente, podemos crescer e florescer diante do Sol que se infundiu nela e também nos quer transmitir os raios da sua luz e do seu calor” (Beato Tito Brandsma).

Oração

Bendita és tu, ó Maria, Beleza e Esplendor de Carmelo, em ti contemplamos a meta da nossa caminhada, o caminho que nos leva a Cristo, nossa Esperança. Tu, Virgem de Carmelo, doce Mãe, sê propícia aos Carmelitas.

Com o teu exemplo, com o espírito do profeta Elias e a sabedoria do apóstolo Paulo, faz, ó Mãe, que vivamos como irmãos no Senhor, contemplemos todos os dias o Rosto do teu Filho e sirvamos com dedicação o nosso próximo. Amen.

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8º – Novena de Nossa Senhora do Carmo 2020

SÍMBOLO DE UMA ALIANÇA

Maria, Mãe espiritual, sempre no meio da Igreja, vem connosco a caminhar.

Reflexão

Não deixa de causar admiração que o ser humano do século XXI, que está rodeado da mais alta tecnologia, que fala do mundo como uma aldeia global, que nas comunicações alcançou avanços inimagináveis há alguns anos atrás, continue a ter necessidade de sinais tão humildes como o do escapulário.

O escapulário é um dos sinais que nos faz pisar a terra, fala-nos das coisas do dia-a-dia, aponta para a profundidade do ser humano onde coabitam a grandeza e a pobreza.

Nos lugares onde há conflitos, no meio das dificuldades para estabelecer o diálogo entre grupos humanos, na própria divisão interna que todo o ser humano experimenta quando as dificuldades causam o rompimento da harmonia, o escapulário é uma parábola de comunhão, porque é sinal de uma Mulher que em cada dia beija as nossas feridas e aproxima-nos, no seu ser de mulher, à ternura de Deus Trindade.

Pistas de luz

O escapulário é sinal de comunhão entre Maria e cada um de nós. Recorda as palavras-chave de toda a aliança: “Eu sou para ti e tu, Maria, és para nós”.

O escapulário é uma forma, não única, de ler e expressar uma cena evangélica impressionante: Jesus na cruz e, a seus pés, Maria e João. Nessa cena, quase sem palavras, uma entrega, a que faz Jesus da sua Mãe a João, e nele a todos nós, e a que faz de João, e nele de todos nós, à Mãe.

O escapulário é um sinal de que a nossa casa, a nossa vida, as nossas comunidades cristãs, são para sempre o lar de Maria, onde em cada dia é amassado o pão da fraternidade e se preparam respostas de misericórdia para as feridas dos mais “pequenos” da terra.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Senhora do Carmo, dá-me um pouco da tua força para a minha fraqueza; um pouco da tua coragem para o meu desalento; um pouco da tua compreensão para o meu problema; um pouco da tua plenitude para o meu vazio… Senhora do Carmo, dá-me um pouco da tua rosa para o meu espinho; um pouco da tua certeza para a minha dúvida; um pouco do teu sol para o meu inverno; um pouco da tua disponibilidade para o meu cansaço; um pouco do teu rumo infinito para o meu extravio… Senhora do Carmo, dá-me um pouco da tua neve para o barro do meu pecado; um pouco da tua luminosidade para a minha noite; um pouco da tua alegria para a minha tristeza…

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7º – Novena de Nossa Senhora do Carmo 2020

SINAL DE PROTECÇÃO

Nossa Senhora do Carmo, reveste-nos de Jesus.

Reflexão

Se a imagem de Deus se deteriora, é necessário purificá-la, se a imagem do homem e da mulher se obscurece temos que limpar os nossos olhos para vê-la bem. Não temos que fazer o mesmo quanto ao escapulário?

O escapulário colocado ao serviço de uma ideologia, qualquer que ela seja, não nos comunica a beleza que tem em si, o que ele significa. Só num clima de gratuidade e de limpidez, ele deixa de ser uma arma de arremesso de uns contra outros, para se converter num espelho que nos mostra o dom de Maria e o compromisso que dele deriva.

Se não nos envergonharmos de ter necessidade de ajuda na nossa caminhada cristã, valorizemos o escapulário. Se não fizermos dele um amuleto da sorte ou uma forma barata de ganhar o céu, descobriremos que trazê-lo implica um forte compromisso, que necessariamente tem de chegar, como amor gratuito, aos que vivem perto de nós.

Pistas de luz

O escapulário evoca a contínua protecção de Nossa Senhora do Carmo. Protecção na vida e no momento da passagem da morte para a Vida. É curioso que no fim do caminho tenhamos de reconhecer que somos frágeis, que podemos cair na tentação de abandonar Jesus. É curioso, mas é isso o que somos.

O escapulário evoca também uma devoção que não se limita unicamente ao “fogo de artifício” de alguns dias determinados. Seria uma pena se só quiséssemos desfrutar do sol e da brisa refrescante três ou quatro dias ao ano. É tão bela a presença constante de Maria!

O escapulário é um hábito, o que supõe um estilo de vida, uma opção pela santidade, alimentada pela oração e os sacramentos. Tudo traduzido num compromisso de amor por todos, especialmente pelos mais pobres.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Ó Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, tu estiveste unida de modo admirável ao mistério da Redenção; tu acolheste e conservaste no coração a Palavra de Deus e perseveraste com os Apóstolos em oração esperando o Espírito Santo. Em ti, como numa imagem perfeita, vemos realizado o que desejamos e esperamos ser na Igreja. Ó Virgem Maria, Estrela mística do Monte Carmelo, ilumina-nos e guia-nos no caminho da perfeita caridade e atrai-nos para a contemplação do rosto do Senhor. Cuida de nós com amor, e reveste os teus filhos com o teu santo Escapulário, sinal da tua protecção, e que a tua presença ilumine os nossos caminhos e nos faça chegar ao monte da salvação, que é Cristo Jesus, teu Filho e Senhor nosso. Amen.

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