«Abbá; Papá». Catequese do Papa Francisco

O cristão, depois de ter conhecido Jesus e ouvido a sua pregação, já não considera Deus como um tirano que mete medo, mas sente florescer no seu coração a confiança e confidência com Ele. Pode falar com o Criador, chamando-Lhe «Pai». Não se trata simplesmente de usar um símbolo – a figura do pai – associando-a ao mistério de Deus, mas todo o mundo de Jesus é transvasado no nosso coração. No texto lido da Carta aos Romanos (e o mesmo aparece na Carta aos Gálatas), ouvimos a palavra aramaica: «Abbá, Pai!» Ora, no Novo Testamento, é raro que as palavras aramaicas não sejam traduzidas para grego, pelo que devemos imaginar que nelas esteja de certo modo «gravada» a voz do próprio Jesus. De facto, «Abbá» é muito mais íntimo e sentido do que tratar a Deus simplesmente pela palavra «Pai»; alguém chegou mesmo a propor que se traduzisse «Abbá» pela forma meiga e carinhosa de «Papá», o tratamento usado pela criança que se sente completamente envolvida pelo abraço do pai numa ternura sem fim. Esta imagem aplicada a Deus, será um exagero? Se o fizéssemos nós, a alguém poderia vir a dúvida. Mas é o próprio Jesus que a aplica ao Pai misericordioso, na parábola do filho pródigo. Este experimenta o abraço dum pai que há tanto tempo o esperava, que já não se recorda das palavras ofensivas pronunciadas pelo filho antes de partir, que procura apenas dizer-lhe como sentia falta dele. Nisto, o Pai misericordioso revela os traços do ânimo duma mãe. Pois é sobretudo esta que sempre desculpa o filho, conserva viva a empatia com ele e continua a querer-lhe bem mesmo quando já não o merece. Deus é como uma mãe que nunca deixa de amar a sua criatura! Trata-se duma gestação que se prolonga muito para além dos nove meses da gestação física, dura para sempre e gera um circuito infinito de amor. Nos momentos negros da vida, podemos encontrar a força de rezar, recomeçando pela palavra «Abbá; Papá», na certeza de que Deus não «esconderá o seu rosto» e «não se fechará no silêncio», mas, pelo contrário, dirá que «nunca nos perdeu de vista».

Papa Francisco, Resumo da Audiência Geral, 16 de Janeiro de 2019

 

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O sacerdote

Os melhores sacerdotes não são sempre aqueles que sobem ao púlpito para fazer belos sermões, mas aqueles que sofrem muito e oferecem os seus sofrimentos pelos pecadores. Estou contente por poder sofrer.

Beato Tito Brandsma, O. Carm.

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Bendizer (Dizer bem): “Tu és o meu Filho muito amado”

Henri Nouwen recorda com emoção a primeira vez que, numa sinagoga de Nova York, foi testemunha da bênção de um filho judeu pelos seus pais: «Filho, aconteça o que te acontecer na vida, tenhas êxito ou não, chegues a ser importante ou não, gozes de saúde ou não, recorda sempre quanto te amam o teu pai e a tua mãe».

O ser humano contemporâneo ignora o que é a bênção e o sentido profundo que encerra. Os pais não mais bendizem os seus filhos. As bênçãos litúrgicas perderam o seu sabor original. Esqueceu-se que «bendizer» (do latim benedicere) significa literalmente «falar bem», dizer coisas boas a alguém. E, sobretudo, dizer-lhe o nosso amor e o nosso desejo de que seja feliz. Há entre nós demasiada condenação. Há muitos que se sentem amaldiçoados em vez de abençoados. Alguns maldizem-se, inclusive, a si mesmos. Sentem-se maus, inúteis, sem valor algum.

O que muitos necessitam de escutar hoje no íntimo de seu ser é uma palavra de bênção. Saber que são amados apesar da sua mediocridade e dos seus erros. Uma das maiores desgraças do cristianismo contemporâneo é ter esquecido, em boa parte, esta experiência nuclear da fé cristã: «Eu sou amado, não porque sou bom, santo e sem pecado, mas porque Deus é bom e me ama de maneira incondicional e gratuita em Jesus Cristo». Sou amado por Deus, agora mesmo, tal como sou, antes que comece a mudar.

Os evangelistas narram que Jesus, ao ser baptizado por João, escutou a bênção de Deus: «Tu és o meu Filho, muito amado». Também a nós essa bênção de Deus sobre Cristo nos alcança. Cada um de nós pode escutá-la no fundo do seu coração: «Tu és meu filho amado». Quando as coisas ficarem difíceis e a vida parecer insuportável, lembra-te sempre de que és amado com amor eterno.

J. A. Pagola (texto adaptado)

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Domingo do Baptismo do Senhor – Ano C

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 3, 15-16.21-22)

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

A santidade é a meta da vocação de todos os baptizados

Hoje celebramos a festa do Baptismo de Jesus… Mas por que motivo Jesus, em quem não havia sombra de pecado, desejou ser baptizado por João? Por que quis realizar aquele gesto de penitência e conversão, juntamente com numerosas pessoas que deste modo queriam preparar-se para a vinda do Messias? Aquele gesto — que marca o início da vida pública de Cristo, como testemunham todos os evangelistas — coloca-se na mesma linha da Encarnação, da descida de Deus do mais alto dos céus, até ao abismo da mansão dos mortos. O sentido deste movimento de humilhação divina resume-se com uma única palavra: Amor, que é o nome do próprio Deus. O apóstolo João escreve: «Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele», e enviou-o «para expiar os nossos pecados» (1 Jo 4, 9-10). Eis porque o primeiro gesto público de Jesus consistiu em receber o baptismo de João que, ao vê-lo chegar, disse: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29).

O evangelista Lucas narra que enquanto Jesus, depois de ter recebido o baptismo, «estando ainda a orar, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e do Céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus todo o meu enlevo”» (3, 21-22). Este Jesus é o Filho de Deus, totalmente imerso na vontade de amor do Pai. Este Jesus é Aquele que morrerá na cruz e ressuscitará pelo poder do mesmo Espírito que agora desce sobre Ele e O consagra. Este Jesus é o homem novo que quer viver como Filho de Deus, ou seja, no amor; o homem que, diante do mal do mundo, escolhe o caminho da humildade e da responsabilidade, não prefere salvar-se a si mesmo, mas oferecer a própria vida pela verdade e pela justiça (Bento XVI, Angelus, 13 de Janeiro de 2013).

Existe uma estreita relação entre o Baptismo de Cristo e o nosso Baptismo. No Jordão os céus abriram-se (cf. Lc 3, 21) para indicar que o Salvador nos descerrou o caminho da salvação e nós podemos percorrê-lo precisamente graças ao novo nascimento “da água e do Espírito” (Jo 3, 5) que se realiza no Baptismo. Nele nós somos inseridos no Corpo místico de Cristo, que é a Igreja, morremos e ressuscitamos com Ele e revestimo-nos dele, como o Apóstolo Paulo salienta várias vezes (cf. 1 Cor 12, 13; Rm 6, 3-5; Gl 3, 27). Por conseguinte, o compromisso que brota do Baptismo consiste em “ouvir” Jesus:  ou seja, em acreditar nele e em segui-lo docilmente, cumprindo a sua vontade. É deste modo que cada um pode tender para a santidade, uma meta que, como recorda o Concílio Vaticano II, constitui a vocação de todos os baptizados (Bento XVI, Angelus, 7 de Janeiro de 2007).

Palavra para o caminho

O acontecimento do baptismo de Cristo não é apenas revelação da sua filiação divina, mas é, ao mesmo tempo, revelação de toda a Santíssima Trindade (São João Paulo II).

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Pára, pensa, pondera e escolhe o melhor

Primeiro pára, senta-te e pensa o que pretendes de bem. Depois, pondera, não as hipóteses teóricas, mas as possibilidades reais. Então, entre duas realidades, podes escolher a melhor. Discernir não é descobrir a única hipótese boa, é decidir, entre coisas boas, qual é a melhor, a mais construtiva para si e para os outros. Se é fácil ou difícil, isso não conta.

Vasco P. Magalhães, sj

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Fonte de água viva

Quanto mais se tem, mais se deseja. Porque, afinal, nada pode encher o coração, a não ser Deus que o fez à Sua medida. Tu próprio podes comprovar que, enquanto andaste a querer saciar-te em “cisternas rotas”, como diz a Escritura, não gozaste de paz. Ao contrário, o tédio, a angústia, a frustração, o desassossego espreitaram muitas vezes a tua vida… 

Quebra essas ataduras que te ocasionam mal-estar interior, “procura e encontrarás Deus”. Converte-te a Ele de todo o coração e encontrarás a paz.

Santo Henrique de Ossó

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A audácia de confiar apesar de ser indigno(a)

Sobretudo, imito a conduta de [Maria] Madalena. Sua assombrosa, ou melhor, sua amorosa audácia, que cativa o coração de Jesus e seduz o meu. Sim, estou certa de que, embora tivesse consciência de todos os pecados que se podem cometer, iria, com o coração cheio de arrependimento, ficar nos braços de Jesus, pois sei como ele ama o filho pródigo que volta para ele.

Santa Teresinha do Menino Jesus

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2019: Consagração a Nossa Senhora

Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo(a) a vós, e em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste ano de 2019 e para sempre, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso(a), ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como propriedade vossa. Lembrai-vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa. Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.

Este ano de 2019 será aquilo que fizermos dele

Começar, estamos sempre a começar. Temos um Ano Novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade. Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um bom Ano Novo. Não esqueçamos ao longo do ano que começa hoje que há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há uma imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo.

Vasco P. Magalhães, sj

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Santa Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz (1 de Janeiro)

Mãe de Deus, Senhora da Alegria, Mãe igual ao Dia, Maria. A primeira página do ano é toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, Mãe de Jesus e também minha, Senhora de Janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.

Abençoa, Mãe, os nossos dias breves. Ensina-nos a vivê-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. É verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de graça. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste bem que Deus também é pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gerações te proclamam «Bem-aventurada»! Por isso, nós te proclamamos «Bem-aventurada»!

Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do coração. Somos tão modernos e tão cheios de coisas estes teus filhos de hoje! Tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, Mãe, o calor da tua mão no nosso rosto frio, insensível, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados.

Que seja, e pode ser, Deus o quer, e nós também podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, Pão e Amor, para todos os irmãos que Deus nos deu! E que Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe nos abençoe também. Amen!

António Couto

 

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