Semana dos Seminários: 11-18 de Novembro de 2018

Semana dos Seminários: “Formar Discípulos Missionários”

Oração

Deus Trindade, sabes o quanto somos mendigos de Ti. À beira do caminho procuramos a luz que dá mais sentido aos nossos dias e cura todas as nossas cegueiras. Tu passas sempre pela nossa vida e acendes em cada um de nós o desejo de sermos Teus discípulos. Na Tua estrada queremos ser formados. Nas Tuas palavras e nos Teus gestos, Ser instrumentos da Tua graça. Juntos no caminho, queremos ser comunidade enviada em missão. Rezamos por todos os que arriscam seguir-Te, especialmente os seminaristas e pré-seminaristas. Rezamos ainda por todos aqueles que se entregam totalmente a Ti e colocam a sua vida nas Tuas mãos. Pedimos-Te que continues a despertar os corações adormecidos para que mais jovens das nossas comunidades aceitem o desafio de Te seguir.

Preces

Senhor Jesus que chamaste os teus discípulos e continuas a chamar homens e mulheres para o serviço do teu reino, nesta semana de Oração pelos Seminários, dirigimos o nosso coração para ti, dizendo: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

1. Por todos aqueles a quem o Senhor chamou a servir a Igreja, para que possam pelo seu exemplo e testemunho falar da alegria do evangelho e da missão, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

2. Por todos aqueles que, na nossa diocese, trabalham com entusiasmo em prol das vocações sacerdotais, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

3. Por todos aqueles que, sentindo o chamamento de Deus ao sacerdócio, ganham a coragem de responder com generosidade e sem medo ao convite do Senhor, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

4. Pelos nossos Seminários – pelos seus formadores, alunos e colaboradores – para que continuem a servir a Igreja nesta difícil missão com alegria e espírito de total entrega, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

5. Por todos aqueles que já disseram sim, sobretudo os nossos seminaristas, para que sejam formados na lógica do Evangelho e à luz do Concílio Vaticano II, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

6. Por todas as comunidades cristãs para que percebam a sua grande missão de chamar e de cuidar das vocações, oremos: Ensina-nos a formar discípulos missionários.

Pai nosso… Ave Maria… Glória…

Senhor nosso Deus, derramai sobre nós a Vossa graça para que a nossa vida seja cada vez mais missionária e cada um de nós se sinta mais discípulo. Por Cristo, nosso Senhor.

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Deus é nosso Pai

Que querem dizer os cristãos quando afirmam que Deus é Pai? Dizem que Deus não é só um criador, e, menos ainda, um juiz ou um patrão. O pai – ou a mãe – é aquele que, não só cria e alimenta os seus filhos, mas sobretudo os educa e faz crescer. Afirmar que Deus é Pai quer dizer que é alguém que está sempre pronto a acolher, a ajudar e a promover. Os pais têm com quem aprender a ser pais!

Vasco P. Magalhães, sj

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32º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 12,38-44)

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver». 

Reflexão

O Evangelho deste 32º Domingo do Tempo Comum, Ano B, coloca diante de nós uma viúva pobre que dá a Deus a sua vida toda, em total contraste com os escribas e muitos outros, que fazem bom teatro religioso pois “gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas”. A cena central passa-se no átrio das mulheres do Templo de Jerusalém, num lugar chamado “Casa do Tesouro”. Muita gente deitava aí muito do que lhe sobrava, mas a viúva pobre deu “tudo quanto tinha, a sua vida toda!”.

O Evangelho refere que a viúva é pobre. Duplamente desfavorecida: enquanto viúva e enquanto pobre. Na época, as viúvas eram o protótipo do pobre, dos fracos e dos explorados, sobretudo quando não tinham quem as protegesse e ajudasse. Mas o que é evidenciado, é que deu tudo, ainda que tenha dado pouco. O acento não está posto na quantidade, mas na totalidade. Enquanto os fariseus vivem aproveitando-se da religião, esta mulher desprende-se pelos outros, confiando totalmente em Deus. O seu gesto mostra-nos o coração da verdadeira religião: confiança grande em Deus, gratuidade surpreendente, generosidade e amor solidário, simplicidade e verdade. Não conhecemos o nome desta mulher nem o seu rosto, mas Jesus apresenta-a como exemplo a imitar. 

Também hoje há tantas mulheres e tantos homens de fé simples e coração generoso, “santos ao pé da porta”, imagens vivas da viúva do Evangelho deste Domingo que não dá a Deus o que lhe sobra, mas o que é: toda a sua pessoa. Estas pessoas ensinam-nos a seguir Jesus pois assemelham-se a ele que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobrezaSão homens e mulheres das bem-aventuranças, que dificilmente aparecerão nos jornais, pessoas de vida oculta, feita apenas de seriedade, de honestidade, de generosidade, de dias por vezes cumulados de uma fadiga imensa. São eles que sustentam o mundo!

Palavra para o caminho

Na balança da justiça divina não se pesa a quantidade dos dons, mas o peso dos corações. A viúva do Evangelho depositou no tesouro do templo duas moedas de pouco valor e superou os dons de todos os ricos. Nenhum gesto de bondade está privado de sentido diante de Deus, nenhuma misericórdia permanece sem fruto” (São Leão Magno).

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São Nuno de Santa Maria – 6 de Novembro

Nuno Álvares Pereira – São Nuno de Santa Maria – foi herói e santo, quer enquanto esteve no mundo nos compromissos familiares e de serviço à Pátria, quer quando como Irmão Donato ingressou na Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (Carmelitas), no Convento de Nossa Senhora do Vencimento ou do Carmo que ele mesmo mandara construir. Não há cisão na sua vida: Nuno é herói enquanto santo e é santo enquanto herói. Foi para o serviço de Deus que Nuno defendeu durante a maior parte da sua vida “a terra que o criara”. E foi ainda para o serviço de Deus que, no outono da vida, procurou a solidão conventual para viver só para Deus. Esquecida a sua santidade fica oculto o segredo de toda a sua vida e das opções que tomou.

Nos santos verificamos melhor o que Deus pode fazer numa pessoa que deixa Deus ser Deus na sua vida: “Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve quando eu o chamo” (Sl 4, 4). Este foi o refrão do salmo responsorial que muito Povo de Deus rezou cantando, na Missa da canonização de Fr. Nuno de Santa Maria, em 26 de Abril de 2009, presidida pelo Papa Bento XVI na Praça de São Pedro em Roma.

Hino

Unidos em oração, / comungamos na alegria / de evocar o nosso irmão, / Nuno de Santa Maria.

“Servir a Deus”, eis o lema, / que escolheu e praticou: / até à renúncia extrema / de tudo se despojou.

Não podia o mundo encher / coração tão dilatado: / carmelita há-de morrer, / humilde e apagado.

Goza já da liberdade / própria dos filhos da luz: / reveste-o a caridade, / sua glória é a Cruz.

A vós, Deus trino e uno, / bendizemos e adoramos; / celebrando São Nuno, / vossa glória proclamamos.

Preces

Peçamos a Deus Pai, fonte de toda a santidade, que, pela intercessão de São Nuno de Santa Maria, nos conduza a uma vida mais perfeita; e digamos: Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

– Pai Santo, que despertastes em São Nuno um grande amor à perfeição, fazei-nos fiéis seguidores de Jesus Cristo no caminho da santidade. Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

– Pai Santo, que em homens ilustres manifestastes a vossa grandeza e zelo pelo vosso povo, infundi em nós a virtude da fortaleza na defesa dos verdadeiros valores e na luta contra o mal. Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

– Pai Santo, que dentre todas as criaturas privilegiastes o homem e a mulher, despertai em nós aquela dedicação que São Nuno tinha para com os mais pobres e infelizes. Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

– Pai Santo, que em São Nuno despertastes uma devoção filial à Virgem, Santa Maria, fazei de nós, carmelitas, verdadeiros imitadores da Virgem, Mãe e Formosura do Carmelo. Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

– Pai Santo, que dais o justo prémio aos que por vós combateram, acolhei na Pátria Celeste os nossos confrades, familiares amigos e benfeitores falecidos. Fazei-nos santos, porque vós sois Santo.

Pai Nosso

Oração conclusiva

Senhor nosso Deus, que destes a São Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.  Amen.

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São Nuno de Portugal, um santo original

Por paradoxal que possa parecer, São Nuno Álvares Pereira é um santo muito original, precisamente por ter sido tão pouco diferente dos fiéis normais. Ou seja, como foi tão normal, foi muito diferente da maioria dos outros santos e, por isso mesmo, pouco diferente do comum dos mortais.

Quem percorrer o santoral católico, não pode deixar de concluir que a maioria dos bem-aventurados que, como tais foram reconhecidos pela suprema autoridade eclesial, não coincide com o perfil do cristão corrente e normal. Por exemplo, quase todos os fiéis católicos são casados, mas entre os santos canonizados abundam, pelo contrário, os celibatários, sacerdotes ou religiosos. Raros são os santos que casaram e tiveram filhos, como insólitos são também os que desempenharam alguma profissão civil. Mesmo entre os que exerceram algum ofício, são poucos os que se dedicaram à vida militar, aparentemente irreconciliável com o mandamento novo da caridade. Santidade e pobreza são conceitos que se implicam mutuamente, segundo o programático sermão das bem-aventuranças e, por isso, até à data, não consta nenhum santo multimilionário, nem constam santos endinheirados, ou grandes proprietários. Desde tempos antigos, o poder é visto por alguns como inconciliável com a santidade cristã: não em vão Jesus Cristo rejeitou liminarmente a oferta diabólica de todos os reinos deste mundo e as suas riquezas! Embora haja alguns santos que o foram no exercício de funções políticas, como S. Tomás More e São Luís de França, escasseiam contudo os que o foram sendo militares.

Ora São Nuno de Santa Maria, antes de ser frade carmelita, foi tudo isso. Casou e teve vários filhos, entre os quais a que, pelo seu casamento, viria a ser a primeira duquesa de Bragança e tronco dessa estirpe que, em 1640, passou a ser a Casa Real. São Nuno Álvares Pereira foi militar de profissão, tendo chegado a condestável do reino, quando a independência nacional estava comprometida, pelo casamento da herdeira do trono de Portugal com o então rei de Castela. O Santo Condestável não só foi, enquanto generalíssimo do exército do Mestre de Avis, um bravo guerreiro, mas também um dos homens mais ricos de Portugal, graças às avultadas doações que lhe foram feitas pelo rei, em justa recompensa pelos seus inestimáveis serviços. Enquanto a grande maioria dos santos desdenha as honras e títulos humanos, São Nuno Álvares Pereira não apenas aceitou a elevada condição de generalíssimo, como também os privilégios inerentes à grandeza do reino, que lhe competiam por força dos três títulos condais – de Arraiolos, Barcelos e Ourém – que lhe foram concedidos por el-Rei D. João I e que, desde então, são apanágio da Casa de Bragança.

Talvez alguém possa obstar que estas características da sua vida são alheias à sua santidade, a que Nun’Álvares teria acedido apenas quando renunciou a todos esses cargos, títulos e bens materiais, para humildemente professar como religioso carmelita. É verdade que a canonização de Frei Nuno de Santa Maria muito deve a essa última etapa da sua vida terrena. Mas seria errado pensar que foi só então que a sua vida cristã alcançou os limiares da perfeição evangélica. Muito antes, já D. Nuno Álvares Pereira dera sobejas provas da qualidade da sua fé, da autenticidade da sua esperança e da pureza da sua caridade: como marido santo que foi de sua mulher, como santo progenitor de seus filhos e netos, como santo general do exército, como santo conselheiro do rei, como santo fidalgo da corte, e até – espante-se! – como santo latifundiário! Não foi santo apesar destas suas circunstâncias, mas precisamente através delas, na medida em que são também santificáveis, como aliás todas as situações familiares e profissionais honestas.

O mundo tem muita necessidade de exemplos de santidade na vida religiosa, como Frei Nuno de Santa Maria. Mas são talvez mais urgentes os modelos de excelência cristã na vida matrimonial, familiar, profissional, económica e política, como São Nuno Álvares Pereira.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 5/11/2016

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31º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 12,28b-34)

Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». Jesus respondeu: «O primeiro é: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! É verdade o que disseste: Deus é o único e não há outro além dele. Amá-lo de todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do Reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-lo.

Reflexão

«Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a Lei, ou seja, os cinco primeiros Livros da Bíblia [= Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio], e reduzindo-a a preceitos, tinham contado lá 613 preceitos, sendo 365 [tantos quantos os dias do ano] negativos (Não farás ) e 248 [tantos quantos, assim se pensava então, os membros do corpo] positivos (“Farás”).

A questão que entretinha os mestres e as suas escolas era a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam ser o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discussão interminável e natural fonte de conflitos, pois, como costuma dizer-se, cada cabeça sua sentença. Qual seria então a posição de Jesus nesta matéria, e como a defenderia?

Jesus responde citando o Shemaʽ Yisraʼel [= «Escuta Israel], a mais importante afirmação de fé do povo hebreu: «O primeiro é este: “Escuta, Israel: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua inteligência e com todas as tuas forças”», oração que todo o hebreu piedoso recitava todos os dias, de manhã e à tardinha, e que é formada pelo texto do Deuteronómio 6,4-5. Mas Jesus não dá por terminada a sua resposta, pois continua assim: «O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”», citando o Livro do Levítico 19,18. E agora sim, fecha a sua resposta, dizendo: «Não há outro mandamento maior do que este» (Marcos 12,31b). O escriba perguntou a Jesus pelo primeiro. Na sua resposta, Jesus expõe o primeiro, mas junta-lhe o segundo, concluindo que os dois são um único mandamento: «Não há outro mandamento maior do que este».

Para Jesus, o primeiro mandamento são dois amores entrelaçados: amar Deus e amar o próximo. O génio cristão consiste na capacidade de manter unidos e bem articulados e equilibrados estes dois amores, pois há quem, para amar a Deus se afaste dos homens, e quem, para lutar ao lado dos homens, se esqueça de Deus. Quando estes dois amores se separam, ficamos no terreno da mentira, da falsidade e da idolatria. Na verdade, quando tu dizes que amas a Deus, mas não te importas do próximo, não reages perante as injustiças e não lutas contra a opressão, a que Deus te referes? Não seguramente ao Deus de Jesus Cristo, mas a um deus por ti próprio construído. Do mesmo modo, quando dizes que amas o próximo e o serves, mas recusas entregar-te totalmente a Deus, cairás facilmente nas mãos dos ídolos (a tua ideologia, o teu modelo de libertação, a tua política), e pensando que amas o próximo, nem te apercebes que o estás a instrumentalizar: queres libertá-lo, impondo-lhe as tuas ideias, a tua visão do mundo, a tua justiça. Já para não dizer, e isto é até o mais grave, que enquanto queres ajudar o homem a ser mais homem, o estás a afastar da sua necessidade mais profunda, da sua busca essencial, que é o próprio Deus.

Dois amores entrelaçados e inseparáveis. Cada um leva à verificação do outro. Mas não iguais. Amar a Deus, único Senhor da nossa vida, requer a totalidade de nós: «com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua inteligência e com todas as tuas forças». A medida do nosso amor a Deus é a inteireza e a totalidade.

António Couto. Texto resumido e adaptado

Palavra para o caminho

«A causa que em maior medida estimula o nosso coração ao amor de Deus é considerar profundamente o amor que Ele teve por nós… Este, mais que os benefícios, estimula o coração a amar; porque aquele que presta um benefício a outro, dá-lhe algo que possui; mas aquele que ama, dá-se a si mesmo com tudo o que tem, sem que lhe reste algo mais para dar» (São João de Ávila).

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Comemoração de todos os fiéis defuntos – 2 de Novembro

Comemoração de todos os fiéis defuntos

Nós te rogamos, Senhor, / Pelos irmãos que morreram / E à procura do teu rosto / À tua porta bateram.

Recebe-os junto de Ti / Por tua grande bondade, / Teu amor os transfigure / Em divina claridade.

Pelo sangue que na Cruz / Por todos foi derramado, / Perdoa suas ofensas, / Purifica-os do pecado.

Lembra-te, Pai, que era frágil / O barro de que os fizeste. / Compadecido, recebe-os / Na tua glória celeste.

Os nossos rogos aceite / O teu coração paterno. / No esplendor da luz perpétua, / Dá-lhes o descanso eterno.

Prefácio da missa dos defuntos – I

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação, dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor. N’Ele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição; e se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade. Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna. Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo

Preces

Oremos a Cristo, Nosso Senhor, que há-de transformar o nosso corpo miserável à semelhança do seu Corpo glorioso, e aclamemo-l’O dizendo: Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

– Cristo, Filho de Deus vivo, que ressuscitastes de entre os mortos o vosso amigo Lázaro, ressuscitai para a vida e para a glória os defuntos que redimistes com o vosso Sangue. Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

– Cristo, consolador dos aflitos, que, na morte de Lázaro, do jovem de Naim e da filha de Jairo, acorrestes compassivo a enxugar as lágrimas dos seus parentes e amigos, consolai também agora os que choram a morte dos seus entes queridos. Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

– Cristo, Redentor do mundo, olhai com bondade para aqueles que não Vos conhecem e vivem sem esperança, para que também eles acreditem na ressurreição dos mortos e na vida futura. Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

– Senhor, que enviastes o Anjo a confortar o vosso Filho na agonia do Horto, fazei-nos sentir o conforto da esperança na hora da nossa morte. Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

– Vós que permitis a destruição da nossa morada terrestre, concedei-nos a eterna morada do reino dos Céus. Senhor, Vós sois a ressurreição e a vida.

Pai nosso…

Oração conclusiva

Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.  Amen.

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Solenidade de todos os santos – 1 de Novembro

Solenidade de todos os santos

«Os Santos, tendo atingido pela multiforme graça de Deus a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no Céu, o louvor perfeito e intercedem por nós. A Igreja proclama o mistério pascal, realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo; e implora, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus. Segundo a sua tradição, a Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar» (Constituição Litúrgica, n.º 104 e 111).

Hino

Senhor Jesus, Pastor universal, / Conservai-nos fiéis, a vosso lado. / E não nos falte o amparo maternal / Da Virgem sem pecado.

Vós, bem-aventurados, defendei-nos. / Vós, ó Santos de Deus, acompanhai-nos. / Nos temporais da vida, protegei-nos; / Na morte, confortai-nos.

Apóstolos, Profetas, Confessores, / Virgens e Mártires que estais nos Céus: / Erguei a vossa voz de intercessores / Por nós, junto de Deus.

Cresça em tudo o louvor das criaturas / À suprema, infinita Majestade: / Glória a Deus uno e trino nas alturas, / Por toda a eternidade.

Preces

Invoquemos a Deus, que é a recompensa e a glória de todos os Santos, e digamos com alegria: Pela intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

– Deus, fonte de santidade, que fizestes brilhar nos vossos Santos as maravilhas infinitas da vossa graça,ensinai-nos a celebrar neles a vossa bondade infinita. Pela intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

– Deus providentíssimo e eterno, que manifestastes nos vossos Santos as imagens mais perfeitas de vosso Filho,fazei que, por eles, nos sintamos mais eficazmente atraídos à união com Cristo. Pela intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

– Rei dos Céus, que por meio dos fiéis seguidores de Cristo nos estimulais a buscar a cidade futura, fazei que aprendamos, com os Santos, a seguir o melhor caminho para chegar à pátria eterna. Pela intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

– Deus da eternidade, que, pelo sacrifício do Corpo de vosso Filho, nos unis mais intimamente aos habitantes do Céu, fazei que os celebremos devotamente em espírito e verdade. Pela intercessão dos vossos Santos, salvai-nos, Senhor.

Pai nosso…

Oração conclusiva

Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Rumo à solenidade de todos os santos – 3

Os cristãos têm os pés na terra, mas o coração já no Céu

Estas duas celebrações litúrgicas (Solenidade de Todos os Santos e comemoração de todos os fiéis defuntos), oferecem-nos uma singular oportunidade para meditar sobre a vida eterna. O homem moderno ainda espera esta vida eterna, ou considera que ela pertence a uma mitologia já superada? Neste nosso tempo, mais do que no passado, estamos tão absorvidos pelas coisas terrenas, que às vezes temos dificuldade de pensar em Deus como protagonista da história e da nossa própria vida. Mas a existência humana, por sua natureza, está orientada para algo maior, que a transcende; no ser humano é insuprimível o anseio pela justiça, pela verdade e pela felicidade completa. Diante do enigma da morte, em muitos estão vivos o desejo e a esperança de voltar a encontrar no além os seus entes queridos. É também forte a convicção de um juízo final que restabeleça a justiça, a espera de um confronto definitivo em que a cada um seja dado quanto lhe é devido.

“Vida eterna”, para nós cristãos, não indica contudo somente uma vida que dura para sempre, mas sim uma nova qualidade de existência, plenamente imersa no amor de Deus, que liberta do mal e da morte e nos põe em comunhão infinita com todos os irmãos e irmãs que participam do mesmo Amor. Portanto, a eternidade pode estar já presente no centro da vida terrena e temporal, quando a alma, mediante a graça, está unida a Deus, seu derradeiro fundamento. Tudo passa, só Deus não muda. Um Salmo diz: “Ainda que o meu corpo e o meu coração desfaleçam, / Deus será sempre o meu refúgio e a minha herança” (Sl 73 [72], 26). Todos os cristãos, chamados à santidade, são homens e mulheres que vivem solidamente alicerçados naquela “Rocha”; têm os pés na terra, mas o coração já no Céu, morada definitiva dos amigos de Deus.

Bento XVI, Resumo do Angelus de 1 de Novembro de 2006

 

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Rumo à solenidade de todos os santos – 2

Na grande assembleia dos santos, Deus quis reservar o primeiro lugar à Mãe de Jesus

Assim, a solenidade hodierna ajuda-nos a considerar uma verdade fundamental da fé cristã, que nós professamos no «Credo»: a comunhão dos santos. Que significa isto: a comunhão dos santos? É a comunhão que nasce da fé e une todos aqueles que pertencem a Cristo em virtude do Baptismo. Trata-se de uma união espiritual — todos estamos unidos! — que não é interrompida pela morte, mas continua na outra vida. Com efeito, subsiste um vínculo indestrutível entre nós, vivos, neste mundo e aqueles que já ultrapassaram o limiar da morte. Nós, aqui na terra, juntamente com quantos já entraram na eternidade, formamos uma única e grande família. Conserva-se esta familiaridade!

Esta comunhão maravilhosa, esta admirável união comum entre terra e céu verifica-se do modo mais excelso e intenso na Liturgia, e sobretudo na celebração da Eucaristia, que exprime e realiza a união mais profunda entre os membros da Igreja. Efectivamente, na Eucaristia nós encontramos Jesus vivo e a sua força, e através dele entramos em comunhão com os nossos irmãos na fé: quantos vivem ao nosso lado aqui na terra e aqueles que já nos precederam na outra vida, na vida que não conhece ocaso. Esta realidade enche-nos de alegria: é bom ter tantos irmãos na fé, que caminham ao nosso lado, que nos apoiam com a sua ajuda e, juntamente connosco, percorrem o mesmo caminho rumo ao Céu. E é consolador saber que existem outros irmãos que já alcançaram o Céu, que nos esperam e intercedem por nós a fim de que, juntos, possamos contemplar eternamente a Face gloriosa e misericordiosa do Pai.

Na grande assembleia dos santos, Deus quis reservar o primeiro lugar à Mãe de Jesus. Maria está no âmago da comunhão dos santos, como guardiã singular do liame da Igreja universal com Cristo, do vínculo da família. Ela é a Mãe, é a nossa Mãe, a nossa Mãe! Para quantos desejam seguir Jesus no caminho do Evangelho, Ela é a guia segura, porque é a primeira discípula. Ela é a Mãe cheia de desvelos, à qual confiar todas as aspirações e dificuldades.

Papa Francisco, Resumo do Angelus de 1 de Novembro de 2014

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