Via Sacra. Caminhar com Jesus em tempo de pandemia (I)

VIA SACRA

CAMINHAR COM JESUS EM TEMPO DE PANDEMIA

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

O tempo que vivemos faz-nos parar. Interrompe a nossa vida, os nossos hábitos, as nossas celebrações, ritos e tradições. Revela os nossos medos e incertezas, mas também as nossas esperanças. Faz-nos duvidar… e acreditar. Isola-nos… mas também nos torna solidários… É neste tempo que nos aproximamos da Páscoa.

Com Jesus, percorremos o caminho da Cruz. Ao começar este percurso, mais interior que exterior, acompanhado os últimos passos de Jesus, deixemos que o silêncio nos habite, e nos abra ao mistério da vida e da morte, ao mistério da morte para a Vida…

I ESTAÇÃO

Jesus é condenado à morte

Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus,

Que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 Do Evangelho segundo São Lucas (23, 22-25)

Pilatos disse pela terceira vez à multidão: «Que mal fez Ele? Nada encontrei n’Ele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-Lo, depois de O castigar». Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. Libertou o que tinha sido preso por rebelião e homicídio e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.

Meditação e oração

Ainda há pouco nos parecia improvável esta quase “condenação” global ao isolamento social, à ausência de contactos próximos, à insegurança, ao quase-medo de todos os que, eventualmente, possamos encontrar numa ida rápida ao supermercado ou à farmácia… Também nesta situação não nos podemos esquecer que a “condenação” não é o fim: como Jesus, podemos viver este tempo como um caminho para a ressurreição!

Senhor Jesus, ajuda-nos, neste momento, a caminhar confiantes, como Tu, ao encontro do Pai, partilhando das dores da humanidade.

 Pai nosso…

II ESTAÇÃO

Jesus é carregado com a Cruz

 Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus,

Que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 Do Evangelho segundo São Marcos (8, 34-35)

Chamando a Si a multidão, juntamente com os discípulos, [Jesus] disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de Mim e do Evangelho, há de salvá-la».

Meditação e oração

A cruz, no seguimento de Jesus, é caminho para, perdendo, ganhar a vida. A entrega, o serviço, o amor até ao fim, é o caminho de Jesus. É também o projeto que nos propõe. Neste tempo em que tantos carregam uma pesada cruz de doença, de isolamento, de medo… não deixa de ser tempo de seguir Jesus, de abraçar a cruz, de a carregar com amor.

Que esperas de mim, Senhor? Sei que não posso aproximar-me, segurar na mão, dar um abraço a quem tem uma cruz mais pesada que a minha… Posso apenas partilhar a sua cruz no meu coração e na minha oração. Dá-me, Senhor, a força para não desanimar, e a fé para nunca deixar de confiar e amar.

Pai nosso…

III ESTAÇÃO

Jesus cai pela primeira vez

Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus,

Que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 Do Livro do profeta Isaías (53, 4-5)

Na verdade, Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores. Nós O reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado.

 Meditação e oração

Ao vermos Jesus cair pela primeira vez, o pensamento leva-nos, neste momento, para os que sentem os primeiros sintomas: a febre, a dificuldade de respirar, a tosse seca… e a questão esmagadora: “Será que fui contaminado?” Para alguns, pode ser só um susto, mas, para outros, chega a confirmação… No nosso isolamento social, que o nosso coração não deixe de se condoer por cada um dos que sofre…

Senhor Jesus, caído sob o peso da cruz, ampara-nos nas nossa quedas, conforta-nos nos nossos medos, conforta aqueles que sofrem e de quem, nestes tempos, não nos podemos aproximar…

 Pai nosso…

IV ESTAÇÃO

Jesus encontra a sua Mãe

Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus,

Que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 Do Evangelho de São Lucas (2, 34-35)

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão de revelar-se os pensamentos de muitos corações».

 Meditação e oração

Se ao menos pudesse abraçar os meus filhos”, dizia uma mãe, em isolamento, depois de ver sepultar, fechada e isolada, o seu marido que a doença do Covid-19 fez partir mais cedo… Nem essa consolação…

Conta a tradição que Maria cruzou o seu olhar com o de Jesus no caminho do Calvário. Mas também ela, naquele momento, não O pode abraçar… O afastamento dos familiares é uma dor que acresce à dor, mas sabemos que, mesmo temporariamente afastados no contacto físico, mantemos o amor, a comunhão, a amizade no nosso coração.

Vejo-te, Maria, com o olhar fixo no teu filho. Tinha sido profetizado que isto iria acontecer, mas agora que acontece, é tudo diferente… Parece que nunca se está preparado… Tu que viveste essa dor de tão perto, olha agora para o sofrimento que os teus filhos atravessam. Que a tua presença seja consolação e o teu coração refúgio e caminho para Deus.

Pai nosso…

V ESTAÇÃO

Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a Cruz

Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus,

Que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Do Evangelho segundo São Lucas (23, 26)

Quando iam conduzindo Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás dele.

Meditação e oração

Olhando o Cireneu, rezamos com o Papa Francisco, na celebração extraordinária de oração pela pandemia Covid-19 (27 março 2020): “Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho.”

Pai nosso…

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Consagração a Nossa Senhora do Sameiro

Consagração a Nossa Senhora do Sameiro

Tu podes, és Mãe de Deus; e deves, és nossa Mãe”

Não estamos aqui pelo nosso merecimento. Sabemos das nossas falhas, dos nossos egoísmos, das nossas petulâncias, das nossas desobediências, dos nossos desnortes, dos nossos orgulhos, da mania de sermos deuses que mandam na vida e nisto tudo… Estamos aqui porque acreditamos em Ti, no teu poder mediador, na relação única que tens com Deus e no amor que nos dedicas.

Fomos chamados à realidade da nossa pequenez. Fomos chamados ao essencial, que andava escondido por entre imensas superficialidades. Fomos chamados à redescoberta do verdadeiro sentido da amizade, da fraternidade, da comunhão, da solidariedade, da família, dos amigos, do trabalho, da escola, da vida, até do recolhimento e do silêncio.

Agora, Mãe amada, com a lição aprendida, deixa-nos voltar à rua, deixa-nos ir para a vida nova, pautada pelo coração, pelo amor a Deus e a Ti, pelo amor ao próximo, pela “toalha à cintura”, pelo desprendimento generoso, pelo abraço sincero ao irmão.

Mãe querida, ilumina os insensatos, os imprudentes, os iludidos, os que ainda não conseguem ver para além da riqueza, da economia e da matéria.

Cuida também e gratifica os cuidadores: todos os que dão a cara, a vida, o conhecimento e o esforço a fim de se evitar tragédia maior. Estou a recomendar-te os médicos, os enfermeiros, o pessoal auxiliar, os farmacêuticos, os bombeiros, os prestadores de serviços, os cuidadores de velhinhos, todos, Mãe, todos os bons e generosos. Que eles sintam também a Tua bondade e generosidade.

Permite, Mãe querida, que as crianças voltem aos baloiços, à escola, e a lambuzar com beijos o rosto dos pais, dos manos, dos avós… Permite que os velhinhos passem tranquilos os últimos dias da sua vida. Permite que os diques se rompam e todos possam retornar a suas casas para abraçar e beijar. Permite que todos voltemos à rua, não como ameaça, não com desconfiança, mas como companheiros e irmãos, para continuarmos, unidos e solidários, o caminho da vida. Permite, Mãe, que continuemos a erguer as nossas taças para festejar vitórias, para festejar aniversários, para festejar nascimentos, para festejar o amor, para festejar regressos de gente querida. Permite, Mãe, que voltemos a viajar, a admirar o mundo belo por Deus criado, com sorriso nos lábios e sol nos dias. Permite, Mãe, que voltemos ao trabalho, rentabilizando os nossos dons em favor de Deus e do próximo. Permite, Mãe, que voltemos à vida normal, com ânimo, com júbilo, com vontade de sair de casa e abraçar o mundo.

Mãe, cuida do Brasil; cuida dos Estados Unidos da América; cuida da África; cuida do Equador; cuida da Itália; cuida da Alemanha e da Inglaterra; cuida da França e da Espanha; cuida de Portugal; cuida do mundo inteiro. E acolhe todos quantos se apressaram em partir deste mundo. Confiamos em Ti. Confiamo-nos, todos, a Ti. Afinal – nós sabemos, nós acreditamos: “Tu podes, és Mãe de Deus”. Mas não Te esqueças: Tu também deves. Sim, és nossa Mãe, a nossa querida Mãe, a Senhora do Sameiro!

Pe. Paulo Abreu

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Semana Santa 2020 com São João da Cruz

«O VERDADEIRO ESPIRITUAL»

Leitura e meditação do Evangelho (Mt 27,11-14.45-50): Paixão do Senhor

As duas pistas para pôr em prática durante a semana

1. Determino um momento na minha semana para viver um tempo de silêncio com Jesus.

2. Até que ponto sou capaz de viver uma verdadeira amizade com o Filho de Deus? Desejo mesmo ser um «bom espiritual»?

ORAR EM CADA DIA DA SEMANA SANTA

Segunda-feira Santa, 6 de Abril: a verdadeira Via do Senhor

«Eis o meu servo que Eu amparo.» (Is 42,1)

«Quem não se sentiria confundido e enganado (…) ao ver que Ele nasceu numa condição humilde, viveu na pobreza e morreu na miséria? E que, durante a sua vida temporal, não só não dominou a terra, mas sujeitou-Se a gente desprezível até morrer?» (São João da Cruz)

Que aspecto de Jesus surge habitualmente na minha oração? A do servo, a do autor de milagres, a do orador agradável…?

Terça-feira Santa, 7 de Abril: procurar Deus escondido

«Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de Me procurar.» (Jo 13,33)

«Ó alma formosíssima entre todas as criaturas, que tanto desejas saber onde está o teu Amado para te encontrares e unires a Ele, já te foi dito que tu mesma és o aposento onde Ele mora, o refúgio e o esconderijo onde Se oculta.» (São João da Cruz)

O rosto glorioso de Jesus vai-se esconder por trás da face desfigurada do Servo sofredor. Procuro a presença de Deus nas pessoas que sofrem e que me estão próximas e também no íntimo do meu ser.

Quarta-feira Santa, 8 de Abril: uma Páscoa interior

«O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.» (Mt 26, 18)

«Um pastorzinho, só e amargurado / Alheio de prazer e de contento / Tem na sua pastora o pensamento/ E o peito por amor tão magoado.» (São João da Cruz)

A minha morada interior está preparada e pronta para o Senhor vir celebrar a sua Páscoa em mim?

Quinta-feira Santa, 9 de Abril: A fonte da Eucaristia

«Tomai e comei, este é o meu Corpo.» (Mt 26, 26

«Aquela eterna fonte está escondida / Neste pão vivo para dar-nos vida, / Mesmo sendo noite.» (São João da Cruz)

Diante deste mistério inaudito da Eucaristia, em silêncio, adoro e dou graças pelo insondável amor de um Deus que quer unir-Se a nós a este ponto…

Sexta-feira Santa, 10 de Abril: a morte de Amor

«E, inclinando a cabeça, entregou o Espírito.» (Jo 19, 30)

«E, ao fim de grande tempo, ele há trepado / Uma árvore: abriu os braços belos / E morto lá ficou, suspenso neles / Seu peito por amor tão magoado!» (São João da Cruz)

Acolho demorada e profundamente este amor de Jesus entregue à morte por mim, e dou graças pela salvação do mundo inteiro.

Sábado Santo, 11 de Abril: o silencioso amor de Maria

«Junto à cruz de Jesus estava, de pé, Maria, sua Mãe.» (Jo 19, 25)

«Uma palavra falou o Pai, que foi o seu Filho, e di-la sempre em eterno silêncio, e em silêncio a há-de ouvir a alma.» (São João da Cruz)

Com a Virgem Maria, permaneço vigilante na fé e preparo-me para me deixar invadir pela grande alegria de Deus que ressuscita os mortos.

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Via Sacra com Santa Teresa de Jesus

Senhor Jesus, queremos nesta Via Sacra seguir os vossos passos no caminho para o Calvário, com a ajuda de Santa Teresa de Jesus que nos dá este conselho: “Não se deixe a Paixão e a Vida de Cristo que é de onde nos veio e vem todo o bem”. Neste longo e doloroso trajecto, suportastes dores, injúrias e humilhações. Ajudai-nos a meditar estas estações com muita fé e devoção. Queremos aprender de vós a fidelidade a Deus, mesmo diante das dificuldades que nos cercam ao longo da vida. Pedimos também à vossa Mãe Santíssima que fiquem bem impressas no nosso peito as vossas chagas e as dores do seu maternal coração. Senhor Jesus, nós vos adoramos e bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes e mundo.

1ª ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

O governador respondeu-lhes: ‘Qual dos dois quereis que vos solte?’ Disseram: ‘Barrabás’. Pilatos perguntou: ‘Que farei de Jesus, que chamam Cristo?’ Todos responderam: ‘Seja crucificado!’ Tornou a dizer-lhes: ‘Mas que mal fez ele?’ Eles, porém, gritaram com mais veemência: ’Seja crucificado!’” (Mt 27, 21-23).

Com tão bom amigo presente, com tão bom capitão, que se ofereceu para sofrer em primeiro lugar, tudo se pode suportar. (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

2ªESTAÇÃO: JESUS CARREGA A CRUZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

E ele saiu, carregando a sua cruz, e chegou ao chamado ‘Lugar da Caveira’ – em hebraico chamado Gólgota.” (Jo 19, 17).

Pensas, filha, que o merecimento está no gozar? Ele não está senão em trabalhar, em padecer, em amar.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

3ª ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava.” (Is 53, 4).

Ó Senhor do mundo, verdadeiro Esposo meu, como vos reduzistes a este estado? Se assim é, Senhor, que tudo isso quereis passar por mim, o que é isso que eu passo por vós? Marchemos juntos, Senhor, por onde fordes, terei de ir, por onde passardes terei de passar.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

4ª ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA SUA MÃE

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: ’Eis que este menino foi colocado para queda e para o ressurgimento de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma!’” (Lc 2, 34-35).

Vimos sempre que aqueles que acompanharam Cristo Nosso Senhor mais de perto foram os que mais padeceram. Vejamos os sofrimentos da sua gloriosa Mãe, bem como dos seus santos apóstolos. Se amamos muito seremos capazes de sofrer muito.” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

5ª ESTAÇÃO: O CIRINEU AJUDA JESUS A LEVAR A CRUZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Enquanto o levavam, tomaram um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e impuseram-lhe a cruz para levá-la atrás de Jesus.” (Lc 23, 26).

Senhor, em tudo estou entregue ao vosso querer, para seguir-vos por onde quer que fordes, até a morte de cruz, determinada a ajudar-vos a carregá-la e a não vos deixar sozinho com ela.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

6ª ESTAÇÃO: A VERÓNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.” (Mt 17,2).

Considero muitas vezes, ó meu Cristo, como são doces e cheios de encanto os olhos que mostrais à alma que vos ama e que quereis olhar com amor. Um só desses dulcíssimos olhares, pousado sobre a alma que já tendes por vossa, basta, parece-me, para retribuir-lhe por muitos anos de serviço.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

7ª ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Mas foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele, fomos curados pelas suas chagas.” (Is 53, 5).

Como são poucos os que me amam verdadeiramente!(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

8ª ESTAÇÃO: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele.” (Lc 23, 27).

Somos ou não esposas de rei tão importante? Se o somos, que mulher honrada haverá que não participe, mesmo que por sua vontade não o queira, das desonras praticadas contra o seu esposo? Seja como for, da honra e da desonra participam um e outro. Pois é disparate querer partilhar do seu Reino e dele gozar, sem querer participar das suas desonras e sofrimentos.” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

9ª ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

– “Jesus carregava a sua cruz para fora da cidade…”. (Jo 19,17)

Crê, filha, que meu Pai dá maiores sofrimentos àqueles que mais ama… Em que te posso demonstrá-lo mais do que ao querer para ti o que quis para mim?” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

10ª ESTAÇÃO: JESUS É DESPOJADO DAS SUAS VESTES

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-os: não sabem o que fazem’. Depois, repartindo as suas vestes, sorteavam-nas.” (Lc 23, 34).

Grande coisa é seguir-Me liberto de tudo como Eu me pus na cruz.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

11ª ESTAÇÃO: JESUS É PREGADO NA CRUZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim.” (Jo 12, 32).

Ponde os olhos no Crucificado e tudo vos parecerá pouco. Se Sua Majestade nos mostrou o Seu amor com tão espantosas obras e sofrimento, como quereis contentá-lo só com palavras? Sabeis o que significa ser de facto espiritual? É fazer-se escravo de Deus, marcado com o Seu selo, o da cruz.(Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

12ª ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Era já mais ou menos a hora sexta quando houve trevas sobre a terra inteira até à hora nona, tendo desaparecido o sol. O véu do santuário rasgou-se ao meio, e Jesus deu um grande grito: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isto, expirou.” (Lc 23, 44-46).

Ó Senhor da minha alma e Bem meu, Jesus Cristo Crucificado! Não encontro outro meio para não cair a não ser apegar-me à cruz e confiar naquele que nela foi pregado. Jesus é o Amigo verdadeiro que nunca falta!” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

13ª ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Chegada a tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, o qual também se tornara discípulo de Jesus. E dirigindo-se a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo.” (Mt 27, 57-59).

Filhas, busquemos nossa consolação em sofrer por amor daquele que tanto sofreu.” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

14ª ESTAÇÃO: JESUS É SEPULTADO

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Em verdade, em verdade, vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto.” (Jo 12, 24).

Como já não busca seu contentamento, mas o de Deus, a esposa se compraz em imitar em algum ponto a dolorosíssima vida que Cristo viveu.” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

15ª ESTAÇÃO: JESUS RESSUSCITA

– Nós vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo!

Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor” (Ap 5, 12)

Se estais alegres, vede-O ressuscitado, pois o simples imaginar que Ele saiu do sepulcro vos alegrará. Com que esplendor, com que formosura, com que majestade, quão vitorioso, quão alegre! Como quem se saiu bem da batalha onde conquistou um reino tão importante, que Ele deseja dar-vos por inteiro, junto Consigo.” (Santa Teresa de Jesus).

– Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

– Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

ORAÇÃO FINAL

Senhor Jesus, chegamos ao fim da Via Sacra, na qual meditámos e rezámos, com a ajuda de Santa Teresa de Jesus, os vossos passos no caminho até ao Calvário. Na vossa cruz resplandece a luz da esperança, que não nos permite voltar atrás. A vossa cruz se torne para nós sinal de vitória. Ajudai-nos a abraçá-la com amor para que possamos vislumbrar o brilho da vossa ressurreição. Vós que viveis e reinais para sempre.

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Ficai connosco, Senhor

Ficai connosco, Senhor

Como os dois discípulos do Evangelho, nós vos imploramos, Senhor Jesus: ficai connosco! Vós, divino Viandante, perito nos nossos caminhos e conhecedor do nosso coração, não nos deixeis prisioneiros das sombras da noite. Amparai-nos na fraqueza, perdoai os nossos pecados, orientai os nossos passos no caminho do bem. Abençoai as crianças, os jovens, os mais idosos, as famílias, especialmente os doentes. Abençoai os sacerdotes e as pessoas consagradas. Abençoai a humanidade inteira. Na Eucaristia vos fizestes “remédio de imortalidade”: dai-nos o gosto de uma vida plena, que nos faça caminhar nesta terra como peregrinos confiantes e alegres, olhando sempre para a meta da vida que não tem fim. Ficai connosco, Senhor! Ficai connosco! Amen.

São João Paulo II

À vossa protecção

À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

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Comunhão espiritual

A pandemia da Covid – 19 tem impossibilitado que muitíssimos cristãos comunguem sacramentalmente, tanto no contexto da Eucaristia celebrada, como fora dela. Contudo, a ninguém está impedida a “comunhão espiritual”. Esta devoção é um meio eficaz para chegar à perfeição e ao mesmo tempo é uma devoção fácil, porque pode ser praticada todos os dias, por todos, e quantas vezes se quiser, sem ser visto ou observado por pessoa alguma. A “comunhão espiritual” é uma prática altamente recomendada e consiste num desejo ardente de receber Jesus sacramentalmente e num amoroso encontro, como se fosse recebido realmente: «Se não podes comungar sacramentalmente, faz pelo menos a comunhão espiritual, que consiste em um desejo ardente de receber Jesus em teu coração», dizia São João Bosco.

Santa Catarina de Sena temia que a comunhão espiritual não tivesse valor em comparação com a comunhão sacramental. Jesus numa visão apareceu-lhe com dois cálices na mão e disse-lhe: «Neste cálice de ouro, coloquei as tuas comunhões sacramentais; neste cálice de prata, coloco as tuas comunhões espirituais. Esses dois cálices são muito bem-vindos para mim.»

Oração para a comunhão espiritual

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito, que mergulha no vosso e na vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor; desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece. À espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, e que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Eu vos amo. Assim seja.

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5ª Semana da Quaresma com São João da Cruz

VOLTAR À VIDA

Leitura e meditação do Evangelho João 11, 1-45: Eu sou a ressurreição e a vida

Três pistas para pôr em prática durante a semana

1. Tentarei visitar uma pessoa doente próxima ou, pelo menos, rezar por ela.

2. Que acto de esperança poderei realizar esta semana?

3. Posso tentar orar diante do fogo da lareira ou com a imagem dum madeiro a arder…

REZAR EM CADA DIA DA 5ª SEMANA DA QUARESMA

Segunda-feira, 30 Março: esperar contra toda a esperança

«Logo a multidão deu grandes brados e bendizia a Deus que salva os que põem nele a sua esperança.» (Dn 13, 60).

«Quanto mais a alma espera em Deus, tanto mais alcança» (S. João da Cruz).

Será que ponho suficientemente em acto a virtude teologal da esperança nas pequenas coisas do meu quotidiano?

Terça-feira, 31 Março: acolher a Deus como meu Pai

«Falo destas coisas tal como o Pai me ensinou» (Jo 8, 28).

«E porquê tanta demora, se já podes amar a Deus no teu coração?» (S. João da Cruz).

Como é hoje a minha relação pessoal com Deus nosso Pai?

Quarta-feira, 1 Abril: dar a Deus o que Ele espera

«Confiando nele, expuseram a vida, [e salvaram os seus corpos] antes que prostrarem-se em adoração diante de um outro deus que não fosse o Deus deles.»

«Que adianta dares a Deus uma coisa, se Ele te pede outra? Pensa no que Deus poderá querer e fá-lo, porque assim satisfarás melhor o teu coração do que com aquilo que gostas.» (S. João da Cruz).

Haverá ainda falsos deuses ou ídolos que ensombram a minha vida (tabaco, smartphone, …)? Com a graça de Deus, decido voltar a pô-los no seu lugar.

Quinta-feira, 2 Abril: a experiência da misericórdia

«Em verdade, em verdade vos digo: se alguém observar a minha palavra, nunca morrerá.» (Jo 8, 51).

«Esta doença [de amor], no entanto, não é de morte, mas sim para a glória de Deus; porque, nesta doença, a alma morre ao pecado por amor de Deus e a tudo o que não é de Deus.» (S. João da Cruz).

O pecado conduz à morte espiritual. Para viver de amor, decido ir receber o sacramento da reconciliação antes da Páscoa. Tenho a certeza que vou receber a misericórdia divina.

Sexta-feira, 3 Abril: a reconciliação universal

«Jesus devia morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos.» (Jo 11, 51-52).

«Este foi o maior abandono que recebeu nos sentidos durante a sua vida [na cruz], mas foi também com ele que realizou a maior obra da sua vida (…) que foi reconciliar e unir, pela graça, o género humano com Deus.» (S. João da Cruz).

Durante esta quaresma já tomei alguma iniciativa de perdão ou de reconciliação com outra pessoa? Ainda vou a tempo…

Sábado, 4 Abril: uma presença interior

«A minha morada será no meio deles. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo.» (Ez 37, 27)

«[Jesus] disse que o Pai, o Filho e o Espírito viriam àquele que O amasse e fariam nele a sua morada. Viver e morar no Pai, no Filho e no Espírito Santo seria introduzi-lo na vida de Deus.» (S. João da Cruz).

Estou atento a esta Presença de Deus em mim? No entanto é ela que me mantém vivo e é também ela a alegria de Deus.

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5º Domingo da Quaresma – Ano A

Lázaro, vem para fora

O Evangelho deste quinto Domingo de Quaresma é o da ressurreição de Lázaro. Lázaro era irmão de Marta e Maria; eram muito amigos de Jesus. Quando chegou a Betânia, Lázaro já tinha morrido há quatro dias; Marta correu ao encontro do Mestre e disse-lhe: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!” Jesus respondeu “Teu irmão ressuscitará”, e acrescentou: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. Jesus mostra-se como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de restituir a vida também aos mortos.

Depois chegaram Maria e outras pessoas, todos em lágrimas, e então Jesus – diz o Evangelho – “estremeceu interiormente e […] chorou”. Comovido, vai ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o sepulcro e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” E Lázaro sai com “as mãos e os pés atados com lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano”.

Aqui tocamos com a mão que Deus é vida e doa vida, mas assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do amigo Lázaro, mas quis assumir para si a nossa dor pela morte das pessoas queridas, e sobretudo quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte.

Nesta passagem do Evangelho vemos que a fé do homem e a omnipotência de Deus, do amor de Deus, buscam-se e por fim se encontram. É como um duplo caminho: a fé do homem e a omnipotência do amor de Deus que se procuram e no final se encontram. Vemos isso no grito de Marta e Maria e de todos nós com eles: “Se tivesses estado aqui!…”.

E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra dos vossos corações! Deixai que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte”.

Também hoje Jesus nos repete: “Removei a pedra”. Deus não nos criou para o túmulo, criou-nos para a vida, bela, boa, alegre. Mas “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo” (Sb 2, 24), diz o Livro da Sabedoria, e Jesus Cristo veio libertar-nos dos seus laços.

Portanto somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte: por exemplo, a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte. O Senhor pede-nos para remover estas pedras do coração, e a vida então voltará a florescer à nossa volta. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele entra em contacto com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, a vida não só não está presente como também se recai na morte. 

A ressurreição de Lázaro também é sinal da regeneração que se realiza no crente mediante o Baptismo, com a plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela acção e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direcção à vida.

Que a Virgem Maria nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que sofrem, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida.

Papa Francisco, Angelus, 29 de Março, 2020

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5º Domingo da Quaresma – Ano A

”Eu sou a ressurreição e a vida”

Lázaro está doente. As suas irmãs ficam preocupadas e mandam prevenir Jesus. Mas este afirma: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus». Assim, pode acontecer que chamemos “doença” àquilo que é “saúde”. Segundo o Evangelho, seguir Jesus é recuperar a saúde espiritual!

O amor de Deus é a saúde da alma. Quando ela não tem um perfeito amor, também não tem uma saúde perfeita. Face ao amor de Jesus, todas as outras realidades perdem os seus atractivos. Assim a doença de amor pelo Senhor é uma santa doença!

Jesus apresenta-Se aqui como Aquele que é a «Ressurreição e a vida». Com Ele não há nenhum impasse. Nenhuma situação dolorosa é definitiva, nem mesmo a morte. Mas, para isso, é necessário crer e ter esperança: esperar para lá daquilo que podemos compreender e imaginar. A esperança é uma virtude teologal tão importante como a fé e a caridade. João da Cruz mostra-nos até que ponto temos falta de esperança, porque encerramos o futuro na nossa memória do passado. Imaginamos o que vai acontecer a partir do que já vivemos, tanto de agradável como de desagradável. Na vida espiritual somos ameaçados pela ausência de esperança, quer dizer, pela falta de disponibilidade para o inesperado, como se Deus não fosse suficientemente poderoso e livre para inventar, connosco, um futuro diferente daquele que nós conseguimos projectar! Ora, diz João da Cruz, «quanto mais a alma espera em Deus, tanto mais alcança». Recebemos de Deus tanto mais quanto mais esperarmos d’Ele! Cremos no Deus vivo que não pode senão dar vida e tudo o que é bom. Ele quer fazer isso desde já, através dos sacramentos e da oração. Podemos viver já uma profunda transformação interior, até chegarmos a unir-nos a Deus de forma que façamos quase espontaneamente a sua vontade: João da Cruz fala assim do matrimónio espiritual para simbolizar esta profunda união de vontades que corresponde à santidade. Eis, pois, a nossa dignidade, o sentido da nossa vida, e João da Cruz interpela-nos: «Ó almas, criadas para estas grandezas e a elas chamadas, que fazeis? Em que vos entretendes?»

O nosso caminho de vida consiste assim numa transformação interior, umas vezes agradável, outras, dolorosa, que nos conforma a Jesus até mesmo nos seus sentimentos mais profundos. De início, o Senhor seduz-nos através de graças sensíveis na oração. Depois vem um trabalho mais profundo e interior que por vezes se parece com uma operação cirúrgica para dar morte ao homem velho e dar vida ao homem novo. Deus faz o essencial do trabalho, mas nós temos de consentir e colaborar, dentro das nossas possibilidades. Viver plenamente é deixar Deus transformar-nos e voltar a dar-nos a vida tal como a Lázaro. Não se trata ainda da ressurreição, mas como que de um “ante gozo” dela. Trata-se de um sinal que anuncia a sua futura ressurreição e com a dele, a nossa!

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Oração do Rosário. Mistérios Gozosos  

Vamos rezar o terço, conforme o pedido insistente de Nossa Senhora neste lugar, e concluiremos este momento de oração com a consagração dos nossos países ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, pedindo o seu auxílio e proteção no momento de tribulação que vivemos atualmente.

Neste dia solene, em que a Igreja celebra a Anunciação a Maria de que ela seria a Mãe de Jesus, queremos confiar ao seu coração materno as nossas súplicas, para que as apresente junto de Deus e interceda por nós. Queremos pedir:

– pelas vítimas diretas e indiretas da pandemia que nos atinge; pelos profissionais de saúde, incansáveis nos seus esforços por socorrer os doentes; pelas autoridades, no seu esforço para encontrar soluções; e por todos nós e pelas nossas famílias.

Nesta Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, estão sepultados os santos Francisco e Jacinta Marto, também eles vítimas de uma pandemia. Peçamos igualmente a sua intercessão, especialmente a de Santa Jacinta, de quem celebramos o centenário da sua morte: ela, que experimentou a solidão do hospital nos seus últimos momentos, console com a sua intercessão tantos doentes que, nestes dias e de forma dramática, experimentam a solidão do isolamento a que estão sujeitos.

Primeiro mistério: a Anunciação do Anjo a Nossa Senhora.

Do Evangelho de S. Lucas (Lc 1, 28-32): “Entrando onde ela estava, disse-lhe o Anjo: «Salve, cheia de graça, o Senhor está contigo!» Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que espécie de saudação seria esta. Disse-lhe o Anjo: «Não tenhas medo, Maria, pois encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no ventre e darás à luz um filho, e chamá-lo-ás com o nome de Jesus!»”.

Este é o mistério que a Igreja, hoje, celebra festivamente: o início do mistério da encarnação. Sempre que vem ao nosso encontro, Deus exorta-nos a vencer o medo e a confiar n’Ele, como Maria.

Neste mistério, peçamos a sua intercessão, para que, no momento de tribulação que experimentamos, não cedamos ao medo que paralisa, mas confiemos no Senhor, que não nos abandona.

Segundo mistério: A visita de Nossa Senhora a sua parente Isabel.

Do Evangelho de S. Lucas (Lc 1, 39-42): “Por aqueles dias, Maria levantou-se, foi apressadamente para a montanha, para uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. … Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Levantando, então, a voz com forte brado, disse: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!»”.

Maria é por excelência “portadora de Cristo”, isto é, aquela que se pôs a caminho para levar Jesus a Isabel. Como então, Maria continua hoje a trazer-nos Jesus Cristo e a conduzir-nos continuamente até Ele.

Neste mistério, peçamos por todos os cristãos, para que, com o seu testemunho de atenção aos mais necessitados, sobretudo nestes momentos difíceis, saibam ser, como Maria, “portadores de Cristo” e da sua esperança.

Terceiro mistério: O nascimento de Jesus em Belém.

Do Evangelho de S. Lucas (Lc 2, 6-7): “Enquanto (Maria e José) estavam (em Belém), cumpriram-se os dias de ela dar à luz. E deu à luz o seu filho primogénito, envolveu-o em panos e reclinou-o numa manjedoura”.

O nascimento de Jesus é revelação do imenso amor de Deus por nós. Porque, em Jesus, Deus assume a nossa condição frágil, Ele conhece os nossos sofrimentos, preocupações e angústias.

Neste mistério, peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé e a nossa confiança n’Ele em todos os momentos, mas sobretudo nestes tempos de tribulação.

Quarto mistério: a apresentação do Menino Jesus no Templo.

Do Evangelho de S. Lucas (Lc 2, 34-35): “Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Eis que [este menino] está aqui para a queda e o ressurgir de muitos em Israel e para ser um sinal de contradição – e uma espada trespassará a tua própria alma» – a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações”. (Lc 2, 34-35)

Maria é a “Virgem oferente”, que, no Templo, oferece ao Senhor o seu Filho e se oferece com Ele a Deus (cf. Marialis cultus, n. 20). Mas a oferta da sua vida é marcada pela espada de dor, anunciada por Simeão.

Neste mistério, peçamos a intercessão de Maria para, como ela, fazermos da nossa vida uma oferta agradável a Deus, sem termos medo do sofrimento que daí pode advir.

Quinto mistério: A perda e o encontro do Menino Jesus no Templo, entre os doutores.

Do Evangelho de S. Lucas (Lc2, 48-50): “Sua mãe disse a Jesus: «Filho, porque nos fizeste isto? Eis que teu pai e eu estávamos aflitos à tua procura!» Ele disse-lhes, então: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que é necessário que eu esteja na casa de meu Pai?» Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse”.

Como Maria e José, também nós, em tantas ocasiões, sobretudo no meio das dificuldades, não compreendemos o que Jesus nos diz ou estamos pouco recetivos às suas palavras.

Neste mistério, peçamos-lhe, por intercessão de Maria, a graça da disponibilidade para a sua vontade, mesmo quando a não compreendemos totalmente.

Santuário de Fátima, Basílica de Nossa Senhora do Rosário, 25 de março de 2020

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