“Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo”

Segundo Jesus, aquele que quiser ser grande, tem de renunciar ao seu desejo de poder sobre os outros e aprender, simplesmente, a servir a partir de uma postura de amor fraterno. Os que aceitam viver a partir da generosidade, do serviço e da solidariedade são pessoas que irradiam uma autoridade única. Não necessitam ameaçar, manipular, subornar nem adular. São homens e mulheres que nos atraem pela sua generosidade e nobreza de vida. Na sua existência resplandece a grandeza do próprio Jesus que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos» (Mc 10, 45). A sua vida é grande, precisamente, porque sabem dá-la.

José Antonio Pagola

O caminho do serviço é o antídoto mais eficaz contra a doença da busca dos primeiros lugares; é o remédio para os alpinistas, esta busca dos primeiros lugares, que contagia muitos contextos humanos e não poupa nem mesmo os cristãos, o povo de Deus, nem a hierarquia eclesiástica.

Papa Francisco

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Repousa no Senhor

Nos períodos de depressão física e de abatimento espiritual, se se torna difícil recolher as nossas energias para erguer-se e elevar-se, repousemos no Senhor e não nos entristeçamos. Tal estado pode trazer à alma grande proveito; basta que acolha a presença de Deus e Lhe ofereça a própria humilhação.

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado

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“Olha, se tu desprezas, se tu insultas, se tu odeias, isso é homicídio”

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de prosseguir com a catequese sobre a Quinta Palavra do Decálogo, “Não matar”. Já destacámos como este mandamento revela que aos olhos de Deus a vida humana é preciosa, sagrada e inviolável. Ninguém pode desprezar a vida do outro ou a própria; o homem, com efeito, traz em si a imagem de Deus e é objecto do seu amor infinito, qualquer que seja a sua condição em que foi chamado à existência.

No trecho do Evangelho que ouvimos há pouco, Jesus revela-nos deste mandamento um sentido ainda mais profundo. Ele afirma que, diante do tribunal de Deus, também a ira contra um irmão é uma forma de homicídio. Por isso, o Apóstolo João escreverá: “Quem odeia seu irmão é assassino” (1 Jo 3, 15). Mas Jesus não se fica por aqui, e na mesma lógica acrescenta que também o insulto e o desprezo podem matar. E nós estamos acostumados a insultar, é verdade. E o insulto acontece-nos como se fosse uma respiração. E Jesus diz-nos: “Parem, porque o insulto faz mal, mata”. O desprezo. “Mas eu…estas pessoas, este, eu desprezo-o”. E esta é uma forma de matar a dignidade de uma pessoa. E belo seria que este ensinamento de Jesus entrasse na mente e no coração, e cada um de nós dissesse: “Não voltarei a insultar ninguém”. Seria um belo propósito, porque Jesus diz-nos: “Olha, se tu desprezas, se tu insultas, se tu odeias, isso é homicídio”.

Nenhum código humano equipara actos tão diferentes atribuindo-lhes o mesmo grau de juízo. E coerentemente Jesus convida até mesmo a interromper a oferta do sacrifício no templo se nos recordarmos que um irmão foi ofendido por nós, de maneira a irmos procurá-lo e reconciliar-nos com ele. Também nós, quando vamos à Missa, deveríamos ter esta atitude de reconciliação com as pessoas com as quais tivemos problemas. Mesmo se pensamos mal delas, se as insultamos. Mas muitas vezes, enquanto esperamos que o sacerdote chegue para celebrar a Missa, murmura-se um pouco e fala-se mal dos outros. Isto não se pode fazer. Pensemos na gravidade do insulto, do desprezo, do ódio: Jesus coloca-os na linha da morte.

O que Jesus quer dizer, ao alargar até este ponto o campo da Quinta Palavra? O homem tem uma vida nobre, muito sensível, e possui um “eu” recôndito não menos importante que o seu ser físico. De facto, para ofender a inocência de uma criança, basta uma frase inoportuna. Para ferir uma mulher pode bastar um gesto de frieza. Para despedaçar o coração de um jovem é suficiente negar-lhe a confiança. Para aniquilar um homem basta ignorá-lo. A indiferença mata. É como dizer à outra pessoa: “Tu estás morta para mim”, porque tu já a mataste no teu coração. Não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar.

Na Bíblia, no início, lê-se aquela frase terrível saída da boca do primeiro homicida, Caim, depois de o Senhor lhe perguntar onde estava o seu irmão. Caim responde: “Não sei. Serei eu, porventura, o guarda do meu irmão?” (Gen 4, 9). Assim falam os assassinos: “não me diz respeito”, “é problema teu”, e coisas semelhantes. Experimentemos responder a esta pergunta: somos nós os guardiões dos nossos irmãos? Sim, somos! Somos guardiões uns dos outros! E este é o caminho da vida, é o caminho do não matar.

A vida humana precisa de amor. E qual é o amor autêntico? É aquele que Cristo nos mostrou, isto é, a misericórdia. O amor de que não podemos prescindir é aquele que perdoa, que acolhe quem fez o mal. Nenhum de nós pode sobreviver sem misericórdia, todos precisamos do perdão. Por isso, se matar significa destruir, suprimir, eliminar alguém, então não matar quererá dizer curar, valorizar, incluir. E também perdoar.

Ninguém pode iludir-se pensando: “Estou a postos porque não faço nada de mal”. Um mineral ou uma planta têm este tipo de existência, mas o homem não. Uma pessoa – um homem ou uma mulher – não. A um homem ou a uma mulher é pedido mais. Há o bem a fazer, preparado por cada um de nós, a cada um o seu, que nos torna nós mesmos até ao fundo. “Não matar” é um apelo ao amor e à misericórdia, é um chamamento a viver segundo o Senhor Jesus, que deu a vida por nós e por nós ressuscitou. Uma vez repetimos todos juntos, aqui na Praça, uma frase de um santo sobre isto. Talvez nos ajudará: “Não fazer o mal é coisa boa. Mas não fazer o bem não é bom”. Devemos fazer sempre o bem. Ir mais além.

Ele, o Senhor, ao encarnar santificou a nossa existência; Ele, que com o seu sangue tornou-a inestimável; Ele, “o autor da vida” (At 3, 15), graças ao qual cada um é um presente do Pai. Nele, no seu amor mais forte que a morte, e pelo poder do Espírito que o Pai nos dá, podemos acolher a Palavra “Não matar” como o apelo mais importante e essencial: isto é, não matar significa um chamamento ao amor.

Papa Francisco, Audiência Geral, 17 de Outubro de 2018

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Quando orares, entra no teu quarto, e ora sempre e sem desanimar

No seu ensinamento divino, o Senhor Jesus mostrou te, por um lado, a bondade de Deus Pai e, por outro, a conveniência de orar com intensidade e frequência: mostrou te a bondade do Pai que sabe conceder boas dádivas, para que aprendas a pedir bens Àquele que é o sumo bem; e mostrou te a conveniência de orar com intensidade e frequência, não para que repitas sem cessar e mecanicamente as orações, mas para que adquiras o verdadeiro espírito da oração assídua. De facto, muitas vezes as longas orações vão acompanhadas de vanglória e, por outro lado, a falta de assiduidade na oração é sinal evidente de negligência. 

O Apóstolo (…) ensina que se deve orar em toda a parte, como afirma o Salvador quando diz: Entra na tua habitação. Mas deves compreender que não se trata de uma habitação cercada de paredes em que te fechas corporalmente, mas da tua morada interior, onde estão os teus pensamentos e habitam os teus sentimentos. Esta morada da tua oração acompanha te por toda a parte e em toda a parte continua a ser um lugar secreto, onde não há outro juiz que não seja Deus.

Santo Ambrósio

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Solenidade de Santa Teresa de Jesus – 15 de Outubro

Hino

Já despontou a aurora, / todo o Carmelo festeja, / esta Mística Doutora, / como Filha da Igreja.

Quando uma luz é acesa, / brilha onde quer que esteja; / assim resplandece Teresa, / digna filha da Igreja.

Leve e suave é a cruz / que por amor se deseja; / tudo pôde com Jesus, / esta Filha da Igreja.

Ao Pai se dê louvor, / e ao Filho, bendito seja, / que reúne no Amor, / estes filhos da Igreja.

Lembremo-nos sempre do amor de Cristo 

Estando presente tão bom amigo e tão generoso capitão, Jesus Cristo, tudo podemos suportar. Ele é ajuda e dá forças; nunca falta; é verdadeiro amigo… Ditoso aquele que O ama de verdade e O traz sempre junto de si. Consideremos o glorioso São Paulo que tinha sempre em sua boca o nome de Jesus, porque o tinha bem no coração. Depois de ter compreendido isto, reparei com cuidado em alguns Santos, grandes contemplativos, que não iam por outro caminho: São Francisco, Santo António de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena…

Sempre que pensarmos em Cristo, lembremo-nos do amor com que Ele nos concedeu tantas mercês e da caridade que Deus mostrou ao dar-nos em penhor o próprio amor que tem por nós. O amor pede amor. Procuremos pois ir meditando nisto e despertando-nos para amar. Na verdade, se o Senhor nos concede uma vez a graça de nos imprimir no coração este amor, tudo será fácil para nós e muito faremos em breve tempo e com pouco trabalho (Santa Teresa de Jesus).

Preces

Senhor, fonte de vida e de santidade, que manifestais nos vossos santos as maravilhas da vossa graça, queremos com Santa Teresa cantar eternamente as vossas misericórdias. Glória a vós, Senhor!

– Vós que desejais abrasar todo o mundo com o fogo do vosso Amor, fazei que sejamos, como Santa Teresa, servidores do vosso Amor entre os nossos irmãos. Glória a vós, Senhor!

– Vós que proclamastes bem-aventurados os puros de coração e prometestes que haveriam de ver-vos, purificai o nosso olhar, para que vos descubramos em todas as criaturas e nos elevemos sempre para vós. Glória a vós, Senhor!

– Vós que amastes e escolhestes alguns membros do vosso povo, para que anunciassem a vossa palavra aos irmãos, enviai trabalhadores para a vossa messe. Glória a vós, Senhor!

– Vós que não cessais de chamar discípulos que, para edificação da Igreja, vos seguem mais de perto na castidade, pobreza e obediência, fazei que todos os religiosos, tendo a Virgem Maria por Mãe e Mestra, vos sigam e sirvam fielmente. Glória a vós, Senhor!

– Vós que suscitastes na Igreja a Família do Carmelo, concedei aos Carmelitas a graça da fidelidade ao espírito de oração e de zelo apostólico, a exemplo de Santa Teresa. Glória a vós, Senhor!

Que o exemplo desta santa nos encoraje

Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos (Bento XVI).

Bênção

Deus, nosso Pai, que vos chamou a celebrar a memória de Santa Teresa, vos torne participantes da sua santidade e sabedoria. Amen.

– Deus vos faça saborear a doçura da divina amizade, através do caminho da oração que Santa Teresa nos ensinou. Amen.

– Deus vos encha de ardor apostólico, para serdes, como Santa Teresa, testemunhas alegres do seu amor e filhos fiéis da Igreja. Amen.

Abençoe-vos Deus todo poderoso Pai, Filho e Espírito Santo. Amen.

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9º. Santa Teresa e a alegria

NOVENA DE SANTA TERESA: 9º DIA

Santa Teresa, que fundaste a tua alegria na consideração de que Deus tem as suas delícias em estar connosco, ensina-nos que Deus é alegria e que só Deus basta.

Santa Teresa e a alegria

Teresa de Jesus convida as suas monjas a «andar alegres servindo» (Caminho 18,5). A verdadeira santidade é alegria, porque “um santo triste é um triste santo”. Os santos, mais do que esforçados heróis são fruto da graça de Deus aos homens. Cada santo manifesta-nos um traço do multiforme rosto de Deus. Em santa Teresa contemplamos o Deus que, sendo «soberana Majestade, eterna Sabedoria» (Poesia 2), revela-se próximo e companheiro, tem as suas delícias em conversar com os homens: Deus alegra-se connosco. E, por sentir o seu amor, experimentava uma alegria contagiosa que não podia dissimular e que transmitia à sua volta. Esta alegria é um caminho que temos de andar durante toda a vida. Não é instantânea, superficial, barulhenta. É preciso procurá-la já «nos princípios» (Vida 13,l). Expressa o gozo interior da alma, é humilde e «modesta» (cf. Fundações 12,l). Não se alcança pelo atalho fácil que evita a renúncia, o sofrimento ou a cruz, mas que se encontra padecendo trabalhos e dores (cf. Vida 6,2; 30,8), olhando para o Crucificado e procurando o Ressuscitado (cf. Caminho 26,4). Daí que a alegria de santa Teresa não seja egoísta nem auto-referencial. Como a do céu, consiste em «alegrar-se que se alegrem todos» (Caminho 30,5), pondo-se ao serviço dos demais com amor desinteressado. Da mesma forma que disse a um dos seus mosteiros em dificuldades, a Santa diz-nos também hoje a nós, especialmente aos jovens: «Não deixem de andar alegres!» (Carta 284,4). O Evangelho não é uma bolsa de chumbo que se arrasta pesadamente, mas sim uma fonte de gozo que enche de Deus o coração e o leva a servir os irmãos! (Excerto da Carta do Papa Francisco por ocasião da abertura do V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus).

Pai Nosso…, Ave Maria…, Glória ao Pai…

Santa Teresa de Jesus. Rogai por nós.

Oração

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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28º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos  (Mc 10, 17-30)

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou- Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».

Reflexão

O Evangelho convida-nos a ir ao encontro do Senhor, a exemplo daquele «alguém» que «correu para Ele». Ele pergunta a Jesus como deve fazer para «ter em herança a vida eterna». Pede vida para sempre, vida em plenitude; e qual de nós não a quereria? Mas pede-a – notemos bem – como uma herança a possuir, como um bem a alcançar, a conquistar com as suas forças. De facto, para possuir este bem, observou os mandamentos desde a infância e, para alcançar tal objectivo, está disposto a observar ainda outros; por isso, pergunta: «Que devo fazer para ter…?».

A resposta de Jesus mexe com ele. Faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me». E Jesus diz também a ti: «Vem e segue-Me». Vem: não fiques parado, porque não basta não fazer nada de mal para ser de Jesus. Segue-Me: não vás atrás de Jesus só quando te apetece, mas procura-O todos os dias; não te contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações: encontra n’Ele o Deus que sempre te ama, o sentido da tua vida, a força para te entregares.

E Jesus diz mais: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres». O Senhor não faz teorias sobre pobreza e riqueza, mas vai directo à vida. Pede-te para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-te de bens para dar lugar a Ele, único bem. Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está sobrecarregado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se. Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos; sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar. Neste sentido, São Paulo recorda-nos que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tim 6, 10). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem.

Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada.

O nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo; viver para amar ou viver para si mesmo. Perguntemo-nos de que lado estamos nós… Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus… Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo? Peçamos a graça de saber deixar por amor do Senhor: deixar riquezas, deixar sonhos de funções e poderes, deixar estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo. Sem um salto em frente no amor, a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 95): procura-se a alegria em qualquer prazer passageiro, fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados.

Papa Francisco, Homilia resumida e adaptada, 14 de Outubro de 2018

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8º. Santa Teresa e Maria, Mãe do Carmelo

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 8º DIA

“A companhia do bom Jesus é proveitosa demais para que nos afastemos dela, o mesmo acontece com a da sua Santíssima Mãe!” (Santa Teresa de Jesus).

Santa Teresa e Maria, Mãe do Carmelo

Teresa perdeu a sua mãe quando era muito jovem. Sofreu muito, sentia o grande vazio deixado por ela, o que lhe dava uma sensação de extrema insegurança. Ajoelhando-se diante de uma imagem de Maria Santíssima, confiou-lhe toda a sua dor. Pediu-lhe que ocupasse o lugar da sua querida mãe. Teresa irá sentir, então, por toda a sua vida, o cuidado e a protecção materna de Nossa Senhora.

Santa Teresa experimenta em todo o momento a proximidade de Maria na sua vida, olha para ela como modelo de fé e companheira de caminho e contempla as suas virtudes para as reproduzir também na sua vida.

Sentia-se muito indigna de vestir o hábito de sua Mãe, a Senhora do Carmo, mas pedia a todas as suas filhas que dessem graças por o trazerem, porque eram verdadeiramente filhas dessa Senhora, que deviam sempre imitá-la e considerar a imensa grandeza dessa Senhora, bem como o privilégio de a ter por padroeira.

Invocação 

Santa Teresa, que tinhas grande honra em ter Maria como Mãe e Padroeira da Ordem Carmelita, obtém para a Família do Carmelo a graça de servir a Virgem Maria e de viver como ela em obséquio de Jesus Cristo.

Oração

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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7º. Santa Teresa e São José

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 7º DIA

A outros Santos parece ter dado o Senhor graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas (Santa Teresa de Jesus).

Oração introdutória

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

Santa Teresa e São José

Todos sabemos que Santa Teresa de Jesus tinha um dote especial para se relacionar com as pessoas da terra e os santos do céu. A lista dos santos da sua devoção, encontrada no seu breviário, contava 34 (e não estava completa). Mas entre eles havia um especial: São José. A razão não era só por ser o primeiro na lista, mas por razão das suas vivências espirituais. “Gostaria de persuadir a todos que fossem devotos deste glorioso Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus”. “As pessoas de oração deveriam ser particularmente suas devotas. Na verdade, não entendo como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus, sem agradecer a São. José o auxílio que lhes prestou. Quem não encontrar um mestre que lhe ensine o caminho da oração, tome este glorioso Santo por mestre e não se enganará no caminho”. 

Os conventos que Teresa vai fundando, à imagem do primeiro, levam o nome de São José. Dos 17 fundados por ela, 11 são dedicados a São José: “Grande era também a minha satisfação por ter cumprido o que o Senhor tanto me ordenara e por ter edificado nesta localidade uma igreja dedicada ao meu glorioso Pai São José”. Segundo ela nos conta “procurava celebrar a sua festa com toda a solenidade que podia”. A sua paixão por São José chega a este desabafo: “Não entendo como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus, sem agradecer a São José o auxílio que lhes prestou!”. 

Oração a São José

São José, homem do silêncio, da oração e da escuta da Palavra de Deus; homem do trabalho e da família; homem simples e humilde. Pedimos-te por todas as nossas famílias e, especialmente, por todos os Pais. Ajuda-os a imitar-Te na escuta e na obediência a Deus. Ampara e assiste os que mais sofrem. Protege todos aqueles que não têm trabalho e que não conseguem sustentar dignamente os seus lares. Àqueles que abandonam os filhos e a família, seguindo caminhos de destruição e vício, ilumina-os para que possam voltar ao aconchego do lar assumindo dignamente a sua paternidade. A todos os que sofrem por causa dos filhos perdidos, em caminhos sem sentido e de morte, dá-lhes a força do Pai Pródigo que aguarda e espera o seu regresso. Ampara e socorre todas as famílias, para que em todas haja trabalho digno, casa e pão, harmonia e educação, alegria e paz, a exemplo da tua família de Nazaré. 

Amável São José, que nunca em vão invocamos, tu cujo crédito é tão poderoso junto de Deus que até se pode dizer: «No Céu, São José manda mais do que suplica», reza por nós a Jesus, reza por nós a Maria. Amen.

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“Não matarás”

A catequese de hoje é dedicada à Quinta Palavra: não matar. Estamos na segunda parte do Decálogo, que diz respeito às relações com o próximo; e este mandamento, com a sua formulação concisa e categórica, ergue-se como uma muralha em defesa do valor basilar nas relações humanas: o valor da vida. Poder-se-ia dizer que todo o mal realizado no mundo se resume nisto: o desprezo pela vida.

A vida é agredida pelas guerras, pelas organizações que exploram o homem – lemos os jornais e vemos tantas coisas -, pelas especulações sobre a criação e pela cultura do descartável, e por todos os sistemas que submetem a existência humana a cálculos de oportunidade, enquanto que um número escandaloso de pessoas vive num estado indigno do ser humano. Isso é desprezar a vida, isso é, de alguma forma, matá-la.

Uma perspetiva contraditória permite também a supressão da vida humana no ventre materno em nome da salvaguarda de outros direitos. Mas como pode ser terapêutico, civil ou simplesmente humano um ato que suprime a vida inocente e inerme no seu desabrochar? Pergunto: é justo, correto, tirar uma vida humana para resolver um problema? O que é vós pensais? É justo ou não? É justo contratar um assassino para resolver um problema? Não se pode, não é justo acabar com um ser humano para resolver um problema.

De onde vem tudo isto? A violência e a rejeição da vida nascem, no fundo, de onde? Do medo. O acolhimento do outro, com efeito, é um desafio ao individualismo. Pensemos, por exemplo, quando se descobre que uma vida nascente é portadora de deficiência, inclusive grave. Os pais, nestes casos dramáticos, precisam de uma verdadeira proximidade, de verdadeira solidariedade, para enfrentar a realidade, superando os compreensíveis medos. Ao contrário, muitas vezes recebem apressados conselhos para interromper a gravidez. (…)

Uma criança doente é como todo o carenciado da Terra, como um idoso que precisa de assistência, como muitos pobres que lutam por sobreviver: aquele, aquela que se apresenta como um problema, na realidade é um dom de Deus que pode afastar-nos do egocentrismo e fazer-nos crescer no amor. A vida vulnerável indica-nos o caminho de saída, o caminho para nos salvarmos de uma existência dobrada sobre si mesma e descobrir a alegria do amor. Gostaria de agradecer a muitos voluntários, ao voluntariado italiano, que é o mais forte que eu já conheci.

E o que é que conduz o homem a rejeitar a vida? São os ídolos deste mundo: o dinheiro – é melhor lançar fora, porque vai custar um preço -, o poder, o sucesso. Estes são parâmetros errados para avaliar a vida. A única medida autêntica da vida, qual é? É o amor, o amor com que Deus a ama (…).

Efetivamente, qual é o sentido positivo na Palavra «não matar»? Que Deus é «amante da vida» (…). O segredo da vida é-nos revelado a partir de como a viveu o Filho de Deus, que se fez homem para assumir, na cruz, a recusa, a fragilidade, a pobreza e a dor. Em cada criança doente, em cada idoso débil, em cada migrante desesperado, em cada vida frágil e ameaçada, Cristo está à nossa procura, está à procura do nosso coração, para nos abrir a alegria do amor.

Vale a pena acolher cada vida porque cada ser humano vale o sangue do próprio Cristo. Não se pode desprezar o que Deus tanto amou. Devemos dizer aos homens e às mulheres do mundo: não desprezeis a vida. A vida dos outros, mas também a própria, porque também para essa vale o mandamento: «não matar». Seja dito a muitos jovens: não desprezes a tua existência! Para de recusar a obra de Deus! Tu és uma obra de Deus! Não a desprezar com as dependências, que te levarão à ruína e à morte.

Ninguém meça a vida segundo os enganos deste mundo, mas cada um acolha-se a si próprio e aos outros em nome do Pai que nos criou. Ele é «amante da vida» – Deus é amante da vida – digamos juntos… com mais força -, e nós todos somos para ele tão queridos, que enviou o seu Filho por nós. Deus, com efeito, diz o Evangelho, «amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito, para que quem nele crê não morra, mas tenha a vida eterna».

Papa Francisco, Audiência Geral, 10 de Outubro de 2018

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