Na Assunção de Maria, Deus mostra que quer salvar o homem inteiro, alma e corpo

A Assunção ao céu, em corpo e alma, é um privilégio divino concedido à Mãe de Deus pela sua particular união com Jesus. Trata-se de uma união corporal e espiritual, iniciada com a Anunciação e amadurecida durante toda a vida de Maria mediante a sua participação singular no mistério do seu Filho.

A existência de Nossa Senhora decorreu como a de uma mulher comum do seu tempo: rezava, ocupava-se da família e da casa, ia à sinagoga… Mas toda a actividade que diariamente fazia era realizada em união total com Jesus. No Calvário, esta união alcançou o ponto mais alto, no amor, na compaixão e no sofrimento do coração. Por isso Deus concedeu-lhe também uma participação plena na ressurreição de Jesus. O corpo da Mãe foi preservado da corrupção, como o corpo do Filho. A Igreja convida-nos a contemplar este mistério: ele mostra que Deus quer salvar o homem inteiro, alma e corpo.

A Assunção de Maria, criatura humana, dá-nos a confirmação do nosso destino glorioso. A ressurreição da carne é um elemento próprio da revelação cristã, eixo da nossa fé. A realidade maravilhosa da Assunção de Maria manifesta e confirma a unidade da pessoa humana e recorda-nos que somos chamados a servir e a glorificar Deus com todo o nosso ser, alma e corpo. O nosso destino, no dia da ressurreição, será semelhante ao da nossa Mãe celeste.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 15 de Agosto de 2018

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Levanto os meus olhos para ti, Senhor

Quando reconheço ter pecado, tomo consciência e digo a mim mesmo: “é o normal, não sei fazer outra coisa!” Se não pequei, dou graças a Deus reconhecendo que provém d’Ele.» 

Frei Lourenço da Ressurreição (1614 – 1691)

Senhor, sou pobre e limitado em extremo, mas não me quero afligir com isso. Sei que me amas infinitamente tal como sou, com o meu carácter as minhas deficiências. Mais ainda, Tu, Senhor, sei que amas descer ao mais baixo, ao nada, para ter o “gosto” de derramar sobre esse nada o oceano da Tua misericórdia e amor. Tens as Tuas delícias em escutar deste pequenino um gemido de amor. E cumulas das Tuas graças esse pequenino que a Ti recorre com tanta confiança. Seja eu este pequenino e nunca me importarei da minha pequenez, porque em Ti terei encontrado todo o meu tesouro. Assim seja.

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Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – 15 de Agosto

– Como ensina o Concílio Vaticano II, Maria Santíssima deve ser inserida sempre no mistério de Cristo e da Igreja. Nesta perspectiva, “do mesmo modo que a Mãe de Jesus, já glorificada no Céu de corpo e alma, é imagem e primícia da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição no século futuro, assim também já agora na terra, enquanto não chega o dia do Senhor (cf. 2 Pd 3, 10), Ela brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do Povo de Deus peregrino” (Constituição Lumen gentium, 68). Do Paraíso, Nossa Senhora continua a velar sempre, especialmente nas horas difíceis da prova, sobre os seus filhos, que o próprio Jesus lhe confiou antes de morrer na cruz (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto, 2008).

– Se a Assunção nos abre ao futuro luminoso que nos espera, convida-nos também vigorosamente a confiar-nos mais a Deus, a seguir a sua Palavra, a procurar e cumprir a sua vontade todos os dias: este é o caminho que nos torna «bem-aventurados» na nossa peregrinação terrena e nos abre as portas do Céu (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto, 2011).

Prefácio da Missa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria. 

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo Aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria: Santo, Santo, Santo…

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A caminho da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – 2

– Esta solenidade fala do nosso futuro, diz-nos que também nós estaremos ao lado de Jesus na alegria de Deus e convida-nos a ter coragem, a acreditar que o poder da Ressurreição de Cristo pode agir também em nós, tornando-nos homens e mulheres que, todos os dias, procuram viver como ressuscitados, levando à obscuridade do mal que existe no mundo, a luz do bem (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto, 2011).

– O Paraíso é a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena. Como seriam diferentes os nossos dias, se fossem animados por esta perspectiva! Assim foi para os santos. As suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente orientado para o céu, as realidades terrenas são vividas no seu justo valor porque são iluminadas pela verdade eterna do amor divino (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto de 2006).

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A caminho da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora- 1

– Na hodierna solenidade da Assunção contemplamos o mistério da passagem de Maria deste mundo para o Paraíso: celebramos, poderíamos dizer, a sua “páscoa”. Como Cristo ressuscitou dos mortos com o seu corpo glorioso e subiu ao Céu, assim a Virgem Santa, a Ele plenamente associada, foi elevada à glória celeste com toda a sua pessoa… (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto de 2005).

– A festa da Assunção… constitui para todos os crentes uma ocasião útil para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência humana na perspectiva da eternidade. Queridos irmãos e irmãs, é o Céu a nossa habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efémero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que apagam no coração a alegria da vida (Bento XVI, Angelus, 15 de Agosto de 2005).

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“É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem”

Mas não basta não fazer o mal para ser um bom cristão; é necessário aderir ao bem e fazer o bem. Muitas vezes acontece ouvir alguns que dizem: “Eu não faço mal a ninguém”. E acredita ser um santo. De acordo, mas tu fazes o bem? Quantas pessoas não fazem o mal, e nem mesmo o bem, e a sua vida decorre na indiferença, na apatia, na tibieza. Esta atitude é contrária ao Evangelho, e é também contrária ao vosso carácter, jovens, que por natureza sois dinâmicos, apaixonados e corajosos. Lembrai-vos disto: “É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem”. Isto dizia-o Santo Alberto Hurtado.

Hoje exorto-vos a ser protagonistas no bem. Protagonistas no bem. Não vos sintais bem quando não fazeis o mal; cada um é culpado pelo bem que poderia ter feito e não fez. Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, é preciso orar pelos inimigos; não basta não ser causa de divisão, é preciso levar paz onde ela não existe; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper quando ouvimos falar mal de alguém: parar os mexericos: isto é fazer o bem. Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos de modo tácito. É necessário intervir onde o mal se espalha; porque o mal se espalha onde não há cristãos audazes ​​que se oponham com o bem, “caminhando na caridade”, segundo a advertência de São Paulo.

Papa Francisco, Angelus, 12 de Agosto de 2018

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Beato Isidoro Bakanja, “mártir do Escapulário” – 12 de Agosto

O branco não gostava dos cristãos. Não queria que eu trouxesse o hábito de Maria, o escapulário. Insultava-me quando rezava. (…) Não tem importância que eu morra. Se Deus quer que eu viva, viverei; se Deus quer que eu morra, morrerei. Para mim é igual. (…) Não guardo nenhum rancor contra o branco. Açoitou-me mas isso é um assunto seu. Se morrer, pedirei desde o Céu muito por ele.

Beato Isidoro Bakanja

Oração

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a vida, que destes a força do vosso Espírito ao bem-aventurado jovem mártir Beato Isidoro Bakanja para que no martírio proclamasse o amor pelo Escapulário e a fidelidade do perdão, concedei-nos, por sua intercessão, viver sempre fiéis à vossa Igreja e descobrir em cada acontecimento da vida a força e a protecção de Maria nossa Mãe.

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19º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 6, 41-51)

Naquele tempo os judeus puseram-se a murmurar contra Jesus, por Ele ter dito: ‘Eu sou o pão que desceu do Céu’; e diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José, de quem nós conhecemos o pai e a mãe? Como se atreve a dizer agora: ‘Eu desci do Céu’?»

Jesus disse-lhes, em resposta: «Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia. Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram. Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»

Reflexão

A leitura do capítulo 6 do Evangelho de João, que nos acompanha nestes Domingos na Liturgia, levou-nos a meditar sobre a multiplicação milagrosa, em que cinco pães de cevada e dois peixes foram suficientes para dar de comer a uma multidão de cinco mil homens, e sobre o convite que Jesus dirige a quantos tinha saciado, a esforçarem-se em busca de um alimento que permanece para a vida eterna. Ele quer ajudá-los a compreender o significado profundo do prodígio que realizou: saciando de modo milagroso a sua fome física, prepara-os para aceitar o anúncio segundo o qual Ele é o pão que desceu do céu, que sacia de modo definitivo.

Verificamos no texto que nos ocupa neste 19º Domingo (João 6,41-51) o crescimento da hostilidade e da agressividade contra Jesus, aqui traduzida pela presença do verbo “murmurar”, que lembra o comportamento dos Israelitas no deserto. A murmuração é uma espécie de rebelião interior, assente na insatisfação, desconfiança, inveja, ciúme e azedume contra as pessoas e contra Deus, neste caso, contra Jesus.

E qual é a razão desta murmuração contra Jesus? Radica no facto de estes judeus conhecerem bem o “histórico” de Jesus, o seu pai e a sua mãe, as suas raízes humanas bem humildes, e de não poderem conciliar estes dados com a sua origem divina. Os judeus dizem conhecer o pai de Jesus. Mas Jesus responde, apelando ao fim da murmuração, e apontando o seu verdadeiro Pai, que os judeus não conhecem: “Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair”. Mas este “Vir a Mim” é obra, não dos homens, mas de Deus: “Todos serão ensinados por Deus” (cf. Is 54,13), e conclui: “Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a Mim”. Jesus aponta o verdadeiro Pai, o único que nos leva a Jesus, o pão vivo descido do céu.

Duvidar da divindade de Jesus, como fazem os judeus na leitura do Evangelho hodierno, significa opor-se à obra de Deus… Eles não vão além das suas origens terrestres, e por isso rejeitam acolhê-lo como a Palavra de Deus que se fez carne. Santo Agostinho comenta: «Estavam distantes daquele pão celeste, e eram incapazes de sentir fome dele. A boca do seu coração estava enferma… Com efeito, este pão exige a fome interior do homem»” (Bento XVI).

Palavra para o caminho

Não acreditamos para podermos fazer coisas, acreditamos para termos a Deus como alimento. Tudo o resto vem por arrasto. Deus não envia Jesus para que nos venha matar momentaneamente a fome, mas para ser alimento duradouro. Jesus é o único que nos pode falar do Pai, o único que priva com Ele, o único que nos pode revelar os segredos de Deus, o único que os conhece.

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Oração a Nossa Senhora do Carmo

Senhora do Carmo, glória e esplendor do Carmelo, enche com a tua presença o caminho da nossa vida. A tua beleza, espelho da Beleza divina, irradie no mundo mansidão, paz e harmonia. A tua ternura, reflexo da Misericórdia divina, nos ajude a amar a Deus e aos irmãos com coração puro e recta consciência. A tua sabedoria, dom do Espírito Santo, nos eduque na escuta orante da Palavra e a vivê-la segundo os seus desígnios. A tua proximidade, sinal das promessas divinas, nos ensine a solidariedade e a caridade para com os pobres. Com o teu exemplo, ampara-nos, ó Maria, nossa Mãe e nossa Irmã.

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Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) – 9 de Agosto

O amor de Cristo foi o fogo que incendiou a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus»…

Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas têm uma relação directa. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!…

Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada… Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema… Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar!

João Paulo II, Excerto da Homilia da Canonização de Edith Stein, 11 de Outubro, 1998

Oração

Senhor, Deus dos nossos pais, que conduzistes a mártir Teresa Benedita ao conhecimento do vosso Filho crucificado e à sua imitação até à morte, concedei, pela sua intercessão, que todos os homens conheçam o Salvador, Jesus Cristo, e por Ele cheguem à perpétua visão do vosso rosto. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

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