Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Se olharmos ao nosso redor, damo-nos conta de que existem muitas ofertas de alimento que não derivam do Senhor e que aparentemente satisfazem em maior medida. Alguns nutrem-se de dinheiro, outros de sucesso e de vaidade, outros ainda de poder e de orgulho. Mas o único alimento que nos nutre verdadeiramente e que nos sacia é aquele que o Senhor nos concede! O alimento que o Senhor nos oferece é diferente dos demais, e talvez não nos pareça tão saboroso como determinadas comidas que o mundo nos oferece. Então, sonhamos outras refeições, como os hebreus no deserto, que tinham saudades da carne e das cebolas que comiam quando estavam no Egipto, esquecendo-se contudo que comiam aqueles pratos na mesa da escravidão. Naqueles momentos de tentação, eles recuperavam a memória, mas uma memória doentia, uma memória selectiva. Uma memória escrava, não livre.

Hoje, cada um de nós pode perguntar-se: e eu? Onde quero comer? De que mesa me desejo alimentar? Na mesa do Senhor? Ou então sonho em comer alimentos saborosos, mas na escravidão?

Papa Francisco, Homilia, 19 de Junho de 2014

ORAÇÃO  

Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Resumo da mensagem final da reunião dos Conselhos Gerais O. Carm. e O.C.D.

Somos missão porque somos o amor de Deus comunicado”

De três em três anos, os dois Conselhos Gerais dos frades O. Carm. e O.C.D. reunimo-nos para reflectir sobre diversos temas relacionados com o nosso carisma e missão na Igreja. Este ano, juntámo-nos em Gort Muire, a casa provincial da Província irlandesa dos Carmelitas (O. Carm.), localizada em Dublin, Irlanda, para reflectir sobre o tema “Baptizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”.

Neste contexto, reflectimos sobre um texto do discurso do Papa Francisco contido em “Baptizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. O Papa Francisco recorda-nos que a missão está enraízada no baptismo e é um chamamento dirigido a todo o baptizado. O discurso do Papa Francisco transforma a nossa compreensão da missão. Tendemos a entender a missão principalmente como pregar, construir escolas, hospitais, serviços sociais e desenvolver actividades caritativas. Se bem que estas iniciativas e actividades missionárias são importantes, o Papa Francisco convida-nos a ver a missão desde uma perspectiva mais profunda e mais ampla: “SOMOS missão porque somos o amor de Deus comunicado, somos santidade de Deus criada à sua própria imagem”.

A missão não é principalmente o que fazemos mas o que somos. Essencialmente é uma questão de ser mais do que fazer. Flui do nosso encontro pessoal com Jesus Cristo, que nos chama a estar com ele e a acompanhá-lo na sua missão no mundo. Somente a partir desta nossa intimidade com Jesus Cristo, descobrindo que nos ama incondicionalmente, poderemos crescer numa conversão contínua e ser missão no nosso mundo. Visto desta maneira, o nosso chamamento a ser missão acontece onde vivemos, quando damos testemunho de amor, na nossa comunidade, família paróquia e entre os vizinhos. É um chamamento a crescer na santidade expressa através de acções amorosas da vida quotidiana.

Neste sentido, recordamos dois santos missionários carmelitas: Santa Teresa do Menino Jesus e o Beato Tito Brandsma. Ambos dão testemunho do que significa ser missão no contexto da sua vida e do seu tempo.

Apesar de Santa Teresa do Menino Jesus nunca ter saído do recinto do seu Carmelo, foi proclamada padroeira universal das missões juntamente com São Francisco Xavier em 14 de Dezembro de 1927. Santa Teresa tinha um coração missionário. Nos seus “Manuscritos autobiográficos” diz-nos que teria gostado “ser missionária não só por alguns anos mas desde o princípio da criação até à consumação dos tempos”.

Limitada pelas paredes do Carmelo, viveu o seu zelo missionário no mosteiro. Descobriu a sua vocação de ser “amor no coração da Igreja”; quer dizer, fazer do amor de Jesus Cristo o centro da sua vida e expressar o seu amor por ele concretamente nas pequenas acções da vida diária e em todas as suas relações. Ela acreditava que o amor é eterno; que transcende os limites físicos, o espaço e o tempo, e tem um poder transformador para curar e converter os corações. Estava convencida de que quanto mais amor haja no coração da Igreja, mais amor haverá em todos os membros da Igreja e no mundo. A prática do amor produz frutos para toda a Igreja e para o mundo. Neste sentido, todos os baptizados são chamados a ser “amor no coração da Igreja” e fazer do amor a força motivadora das nossas vidas. Desta maneira convertemo-nos em missão na Igreja e no nosso mundo.

O Beato Tito Brandsma, que morreu no campo de concentração de Dachau em 1942, também tinha um coração missionário. Desde jovem frade ainda em período de formação, Tito desejou ser enviado como missionário para anunciar o Evangelho a todos os povos. Contudo, a falta de saúde impediu-o de realizar o seu sonho. Deus enviou Tito a um território de missão que ele próprio nunca teria escolhido: os campos de concentração nazis. Em 1942 foi deportado para o campo de concentração de Dachau. Ali converteu-se em missionário através da sua oração, da sua confiança em Deus no meio do terrível sofrimento, ao consolar as aflições dos seus companheiros de prisão e ao negar-se a odiar os nazis. Tito acreditava que “a oração não é um oásis no deserto da vida; é toda a vida”. Esta bela afirmação revela a fonte da sua fortaleza para levar a cabo as suas actividades apostólicas, para dar testemunho da Verdade e para suportar com paciência a pobreza, o sofrimento e a brutalidade dos campos de concentração e para perdoar aos seus inimigos. Num discurso pronunciado em 1941, Tito disse: “A nossa vocação e a nossa felicidade consiste em fazer felizes os outros”. Talvez estas palavras, assim como as palavras de Jesus que significaram tanto para o Beato Tito, “a paz vos deixo, a minha paz vos dou”, resumem o seu espírito missionário e o que significa ser missão na Igreja e no mundo.

Ser missionários no nosso tempo implica fazer a nós próprios a seguinte pergunta: “Como podemos, como carmelitas, responder aos desafios que o nosso mundo e as nossas Igrejas enfrentam neste século XXI?”. Devemos esforçar-nos por ser: a) homens e mulheres autênticos de oração; b) viver uma vida comunitária evangélica, abertos ao diálogo e construindo relações nos lugares onde vivemos e servimos; c) que os nossos ministérios sejam proféticos. Reconhecemos que está a surgir uma nova realidade na Igreja: sinodal, dialógica, colaborativa, inclusiva e responsável. Isto requer discernimento, formação e conversão contínua.

Nós carmelitas SOMOS missão. Damo-nos conta, mais uma vez, das riquezas da nossa herança carmelita e, a partir da fonte do nosso carisma, desejamos responder às necessidades e desafios presentes no nosso mundo e na nossa Igreja.

Como sempre, confiamos na intercessão e na presença de Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, cujo coração missionário a impulsionou depois da Anunciação a levar à sua prima Isabel a alegria da salvação de Deus em Jesus Cristo. Oramos para que nos acompanhe nos nossos esforços para ser missão na nossa Igreja e no nosso mundo.

Dublin (Irlanda), 31 de Maio de 2019

Conselhos Gerais O. Carm. e O.C.D.

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A Eucaristia “faz” a Igreja

Sem a Eucaristia a Igreja simplesmente não existiria. De facto, é a Eucaristia que faz de uma comunidade humana um mistério de comunhão, capaz de levar Deus ao mundo e o mundo a Deus. O Espírito Santo, que transforma o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, transforma também quantos o recebem com fé em membros do corpo de Cristo, de modo que a Igreja é realmente sacramento de unidade dos homens com Deus e entre eles.

Numa cultura cada vez mais individualista, como é aquela na qual estamos imersos nas sociedades ocidentais, e que tende a difundir-se em todo o mundo, a Eucaristia constitui uma espécie de «antídoto», que age nas mentes e nos corações dos crentes e semeia continuamente neles a lógica da comunhão, do serviço, da partilha, em síntese, a lógica do Evangelho. Os primeiros cristãos, em Jerusalém, eram um sinal evidente deste novo estilo de vida, porque viviam em fraternidade e punham em comum os seus bens, para que ninguém fosse indigente (cf. Act 2, 42-47). De que derivava tudo isto? Da Eucaristia, ou seja, de Cristo ressuscitado, realmente presente no meio dos seus discípulos e activo com a força do Espírito Santo.

Bento XVI, Angelus, 26 de Junho de 2011

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O Tesouro da Eucaristia

A Eucaristia constitui de facto o “tesouro” da Igreja, a preciosa herança que o seu Senhor lhe deixou. E a Igreja conserva-a com o máximo cuidado, celebrando-a quotidianamente na Santa Missa, adorando-a nas igrejas e nas capelas, distribuindo-a aos doentes e, como viático, a quantos partem para a última viagem.

Mas este tesouro, que se destina aos baptizados, não esgota o seu raio de acção no âmbito da Igreja: a Eucaristia é o Senhor Jesus que se doa “pela vida do mundo” (Jo 6, 51). Em todos os tempos e lugares, Ele quer encontrar o homem e levar-lhe a vida de Deus. Não só.

A Eucaristia tem também um valor cósmico: a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo constitui de facto o princípio de divinização da mesma criação. Por isso a festa de Corpus Christi caracteriza-se de modo particular pela tradição de levar o Santíssimo Sacramento em procissão, um gesto rico de significado.

Bento XVI, Angelus, 18 de Junho de 2006

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Perdoar

Per-doar é da minha parte e o outro pode não querer, mas é doar, apesar de tudo, uma nova oportunidade, um abrirmo-nos e oferecermo-nos para recomeçar uma relação. O perdão tem a ver com a relação, a reconquista da relação. Isto não se consegue de um dia para o outro, nem através de um contorcionismo de sentimentos, como se uma pessoa que me é antipática tivesse de começar a ser-me simpática… Significa começar a fazer a caminhada no sentido de reestabelecer relações perdidas, estragadas. Posso perdoar alguém que continua a ser-me antipático e vice-versa. Perdoar significa que me disponho a ter uma relação construtiva com esse alguém, a doar-lhe o meu coração e a minha abertura, a estabelecer a ponte. O perdão é isso. Não é um esquecer ou um abafar de sentimentos. Não é um mero desculpar. É uma ponte que se pode lançar até no silêncio.

Vasco P. Magalhães, sj

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Solenidade da Santíssima Trindade

– Vós, Trindade eterna, sois como um mar profundo, no qual quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Vos procurar. Saciais a alma, mas dum modo insaciável, porque, saciando-se no vosso abismo, a alma permanece sempre faminta e sedenta de Vós, ó Trindade eterna, desejando ver-Vos com a luz da vossa luz.

Oh abismo, oh Trindade eterna, oh Divindade, oh mar profundo! Que mais me podíeis dar do que dar-Vos a Vós mesmo? Sois um fogo que arde sempre e não se consome. Sois Vós que consumis com o vosso calor todo o amor profundo da alma. Sois um fogo que dissipa toda a frialdade e iluminais as mentes com a vossa luz, aquela luz com que me fizestes conhecer a vossa verdade.
Espelhando-me nesta luz, conheço-Vos como sumo bem, o bem que está acima de todo o bem, o bem feliz, o bem incompreensível, o bem inestimável, a beleza sobre toda a beleza, a sabedoria sobre toda a sabedoria: porque Vós sois a própria sabedoria, o alimento dos Anjos, que com o fogo da caridade Vos destes aos homens.

Santa Catarina de Sena

– A palavra que resume toda a revelação é esta:  “Deus é amor” (1 Jo 4, 8.16); e o amor é sempre um mistério, uma realidade que supera a razão sem a contradizer, aliás, exaltando as suas potencialidades. Jesus revelou-nos o mistério de Deus:  Ele, o Filho, fez-nos conhecer o Pai que está nos Céus, e deu-nos o Espírito Santo, o Amor do Pai e do Filho. A teologia cristã sintetiza a verdade acerca de Deus com esta expressão:  uma única substância em três pessoas. Deus não é solidão, mas comunhão perfeita. Por isso a pessoa humana, imagem de Deus, realiza-se no amor, que é dom sincero de si.

Bento XVI, Angelus, 22, de Maio, 2005

– Mas o mistério da Trindade fala-nos hoje novamente da nossa relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Com efeito, mediante o Baptismo, o Espírito Santo inseriu-nos no coração e na própria vida de Deus, que é comunhão de amor. Deus é uma «família» de três Pessoas que se amam tanto a ponto de formar uma só. Esta «família divina» não está fechada em si mesma, mas está aberta, comunica-se na criação e na história e entrou no mundo dos homens para chamar todos a fazer parte dele. O horizonte trinitário de comunhão envolve-nos todos e estimula-nos a viver no amor e na partilha fraterna, na certeza de que onde há amor, há Deus.

Papa Francisco, Angelus, 22 de Maio, 2016

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Resumo da homilia da Missa de Pentecostes 2019

O Pentecostes chegou, para os discípulos, depois de cinquenta dias de incerteza. Por um lado, Jesus ressuscitara: cheios de alegria, tinham-No visto, escutado e até comido com Ele. Por outro, ainda não superaram dúvidas e temores: estavam com as portas fechadas (cf. Jo 20, 19.26), com perspectivas reduzidas, incapazes de anunciar o Vivente. Depois, chega o Espírito Santo e as preocupações desaparecem (…). O Espírito não lhes tornou as coisas mais fáceis, não fez milagres espectaculares, não eliminou problemas nem opositores, mas o Espírito trouxe para a vida dos discípulos uma harmonia que faltava: a Sua, porque Ele é harmonia.
Era dentro, no coração, que os discípulos precisavam de ser mudados. A sua história diz-nos que a própria visão do Ressuscitado não basta; é preciso acolhê-Lo no coração. De nada aproveita saber que o Ressuscitado está vivo, se não se vive como ressuscitados. E é o Espírito que faz viver e ressurgir Jesus em nós, que nos ressuscita dentro. Por isso Jesus, ao encontrar os Seus, repete: «A paz esteja convosco» (Jo 20, 19.21) e dá o Espírito. A paz não consiste em resolver os problemas a partir de fora – Deus não tira aos Seus tribulações e perseguições –, mas em receber o Espírito Santo. Nisto consiste a paz, aquela paz dada aos Apóstolos, aquela paz que não livra dos problemas, mas, nos problemas, é oferecida a cada um de nós. É uma paz que torna o coração semelhante ao mar profundo: permanece tranquilo, mesmo quando as ondas estão revoltas à superfície. É uma harmonia tão profunda que pode até transformar as perseguições em bem-aventurança. (O Espírito Santo) É paz na ansiedade, confiança no desânimo, alegria na tristeza, juventude na velhice, coragem na prova. É Ele que, no meio das correntes tempestuosas da vida, mantém firme a âncora da esperança. Como nos diz hoje São Paulo, é o Espírito que nos impede de recair no medo, fazendo-nos sentir filhos amados (cf. Rm 8, 15). É o Consolador, que nos transmite a ternura de Deus. Sem o Espírito, a vida cristã desfia-se, privada do amor que tudo une. Sem o Espírito, Jesus permanece um personagem do passado; com o Espírito, é pessoa viva hoje. Sem o Espírito, a Escritura é letra morta; com o Espírito, é Palavra de vida. Um cristianismo sem o Espírito é um moralismo sem alegria; com o Espírito, é vida.

O Espírito Santo produz harmonia não só dentro, mas também fora, entre os homens. Faz-nos Igreja, compõe partes distintas num único edifício harmónico. Somos diferentes, na variedade das qualidades e dos dons. O Espírito distribui-os com criatividade, sem rebaixar nem nivelar. E, a partir desta diversidade, constrói a unidade. Assim procede desde a criação, porque é especialista em transformar o caos em cosmos, em criar harmonia. Ele é especialista em criar as diversidades, as riquezas; cada um com a sua, diversa. Ele é o criador desta diversidade e, ao mesmo tempo, é Aquele que harmoniza, que dá harmonia, e dá unidade na diversidade. Somente Ele pode fazer estas duas coisas.

(…) Para ser espirituais, para saborear a harmonia do Espírito, é preciso colocar a sua visão à frente da nossa. Então as coisas mudam: com o Espírito, a Igreja é o Povo santo de Deus, a missão é o contágio da alegria – não o proselitismo – os outros são irmãos e irmãs amados pelo mesmo Pai. Mas, sem o Espírito, a Igreja é uma organização, a missão é propaganda, a comunhão é um esforço. E tantas Igrejas fazem acções programáticas no sentido de planos de pastoral, de discussões sobre todas as coisas. Pode parecer que este seja o caminho para nos unir, porém este não é o caminho do Espírito, é o caminho da divisão. A primeira e a derradeira necessidade da Igreja é o Espírito (São Paulo VI). Ele «vem aonde é amado, aonde é convidado, aonde é esperado» (São Boaventura).

Papa Francisco, Praça de São Pedro, Roma, 9 de Junho de 2019

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Domingo de Pentecostes

HINO

Vem, criador Espírito de Deus, / Visita o coração dos teus fiéis, / E com a graça do alto os purifica.

Paráclito do Pai, Consolador, / Sê para nós a fonte de água viva, / O fogo do amor e a unção celeste.

Nos sete dons que descem sobre o mundo, / Nas línguas que proclamam o Evangelho, / Realiza a promessa de Deus Pai.

Ilumina, Senhor, a nossa mente, / Acende em nós a tua caridade, / Infunde em nosso peito a fortaleza.

Livra-nos das ciladas do inimigo, / Dá-nos a tua paz, e evitaremos / Perigos e incertezas no caminho.

Dá-nos a conhecer o amor do Pai / E o coração de Cristo nos revela, / Espírito de ambos procedente.

Louvemos a Deus Pai e a seu Filho, / Dêmos glória ao Espírito Paráclito, / Agora e pelos séculos sem fim. / Amen.

LEITURA

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 19-23)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

PRECES

Oremos a Cristo Senhor, que pelo Espírito Santo nos reuniu na sua Igreja, e digamos com fé: Renovai, Senhor, a face da terra.

– Senhor Jesus, que, levantado na cruz, fizestes brotar do vosso lado uma fonte de água viva, enviai-nos o vosso Espírito de vida eterna. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que do Céu fizestes descer sobre os discípulos o Dom do Pai, enviai o vosso Espírito para criar um mundo novo. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que destes aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, enviai o vosso Espírito para reconciliar e salvar todos os homens. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que prometestes o Espírito Santo para nos ensinar toda a verdade e recordar tudo o que nos dissestes, enviai-nos o mesmo Espírito para que ilumine a nossa fé. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que nos prometestes o Espírito da verdade para nos dar testemunho de Vós, enviai-nos o mesmo Espírito, para que faça de nós testemunhas fiéis da vossa verdade. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que renovais todas as coisas pelo vosso Espírito, concedei a saúde aos enfermos, a consolação aos tristes e a salvação a todos os homens. Renovai, Senhor, a face da terra.

– Vós que pelo Espírito Santo ressuscitastes o vosso Filho de entre os mortos, dai a vida eterna aos nossos irmãos defuntos. Renovai, Senhor, a face da terra.

Pai nosso

ORAÇÃO

Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja, dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Dons do Espírito Santo

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de David. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem (Catecismo da Igreja Católica, §1831).

– Ver o mundo, as situações, as conjunturas e os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Nisto consiste a sabedoria.

– O dom do entendimento é uma graça que somente o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundidades do pensamento de Deus e do seu desígnio de salvação.

– Com a oração damos espaço para que o Espírito venha e nos ajude naquele momento, nos aconselhe sobre o que devemos fazer.

– Em todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza (dom do Espírito), para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé.

– O dom da ciência que deriva do Espírito Santo não se limita ao conhecimento humano: trata-se de um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua profunda relação com cada criatura.

– O dom da piedade suscita em nós, antes de tudo, a gratidão e o louvor. Com efeito,  este é o motivo e o sentido mais autêntico do nosso culto e da nossa adoração.

– O temor de Deus é o dom do Espírito que nos recorda como somos pequenos diante de Deus e do seu amor, e que o nosso bem está no nosso abandono com humildade, respeito e confiança em suas mãos.

Papa Francisco

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Abrir espaço ao Espírito Santo

O maior pecado da Igreja actual é a “mediocridade espiritual”. O nosso maior problema pastoral é o esquecimento do Espírito. O facto de se pretender substituir com a organização, o trabalho, a autoridade ou a estratégia o que somente pode nascer da força do Espírito. Não basta reconhecê-lo. É necessário reagir e abrir-nos à sua acção.

O essencial hoje é abrir espaço ao Espírito. Sem Pentecostes não há Igreja. Sem Espírito não há evangelização. Sem a irrupção de Deus nas nossas vidas, não se cria nada de novo, nada de verdadeiro. Se não se deixa reavivar pelo Espírito Santo de Deus, a Igreja não poderá oferecer nada de essencial ao anseio do homem dos nossos dias.

J. A. Pagola

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