A santidade

Para nós, a santidade não é outra coisa senão a posse completa do Espírito Santo, o Seu domínio sobre todo o nosso ser.

Beato Pe. Eugénio Maria do Menino Jesus, OCD

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11º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos (4, 26-34)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra por si mesma frutifica primeiro a planta, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. E, quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque chegou a ceifa». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, uma vez semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem aninhar-se à sua sombra». Jesus anunciava-lhes a Palavra com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

Reflexão

É bonito ver como Jesus procurava na vida e nos acontecimentos elementos e imagens que pudessem ajudar o povo a perceber e a experimentar a presença do Reino de Deus. No evangelho de hoje ele conta duas pequenas histórias que acontecem todos os dias na vida de todos nós: a da semente que cresce sozinha e a da pequena semente de mostarda que lançada à terra dá um grande arbusto.

O agricultor que semeia conhece o processo ou fases desde a sementeira até à colheita: semente, fiozinho verde, folha, espiga, grão. Ele não mete a foice antes do tempo. Sabe esperar. Mas não sabe como a terra, a chuva, o sol e a semente têm esta força de fazer crescer uma planta do nada até dar fruto. Assim é o Reino de Deus. Tem processo, tem etapas e prazos, tem crescimento. Vai acontecendo. Produz fruto no tempo marcado. Mas ninguém sabe explicar a sua força misteriosa. Ninguém é dono. Só Deus!

A semente de mostarda é pequena, mas ela cresce e, no fim, os passarinhos vêm fazer o seu ninho nos ramos. Assim é o Reino de Deus. Começa muito pequenino, cresce e estende os seus ramos para que os passarinhos possam fazer os seus ninhos. Começou com Jesus e uns poucos discípulos e discípulas. Foi perseguido e caluniado, preso e crucificado. Mas cresceu e foi estendendo os seus ramos. A parábola deixa uma pergunta no ar que vai ter resposta mais adiante no evangelho: “Quem são os passarinhos?”. O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar na comunidade e ter parte no Reino.

Jesus contava muitas parábolas. Tudo tirado da vida do povo! Assim ele ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no quotidiano. Tornava o quotidiano transparente. Pois o extraordinário de Deus esconde-se nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. O povo entendia da vida. Nas parábolas recebia a chave para abri-la e encontrar dentro dela os sinais de Deus.

O Senhor sempre nos surpreende

No Evangelho de hoje, Jesus fala à multidão do Reino de Deus e da dinâmica do seu crescimento, e faz isso contando duas breves parábolas. Na primeira parábola, o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso da semente. A mensagem que esta parábola nos dá é esta: por meio da pregação e da acção de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e se desenvolve por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis. Ele, no seu crescimento é acima de tudo expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva em frente a vida cristã no Povo de Deus.

Às vezes, a história, com os seus acontecimentos e os seus protagonistas, parece ir na direcção oposta ao plano do Pai celeste, que deseja para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade, a paz. Mas nós somos chamados a viver esses períodos como estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita. De facto, ontem como hoje, o Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, sua vitalidade vitoriosa. Por isto, nos momentos de escuridão e de dificuldades, nós não devemos nos abater, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus. Deus sempre salva, é o salvador.

Na segunda parábola, Jesus compara o Reino de Deus a um grãozinho de mostarda. É uma semente muito pequena, mas desenvolve-se tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível. Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la nas nossas vidas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário.

A autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono em Deus. É a consciência de ser instrumentos pequenos e fracos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podem realizar grandes obras, fazendo progredir o seu Reino que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Papa Francisco, resumo do Angelus de 17 de Junho de 2018).

Palavra para o caminho

Na linguagem evangélica, a semente é símbolo da Palavra de Deus (…). Do mesmo modo como a semente humilde se desenvolve na terra, também a Palavra age com o poder de Deus no coração de quem a ouve. (…)

A Palavra de Deus faz crescer, dá vida. E aqui gostaria de vos recordar mais uma vez a importância de ter o Evangelho, a Bíblia, ao alcance – o Evangelho pequeno na bolsa, no bolso – e de nos alimentarmos todos os dias com esta Palavra viva de Deus: ler todos os dias um excerto do Evangelho, um trecho da Bíblia. Nunca vos esqueçais disto, por favor. Porque é esta a força que faz germinar em nós a vida do Reino de Deus (Papa Francisco).

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Pedir ao Pai celeste o dom da saudável inquietação

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é a festa de Santo António de Pádua. Quem de vós se chama António? Um aplauso a todos os “Antónios”. Hoje começamos um novo itinerário de catequeses sobre o tema dos mandamentos. Os mandamentos da lei de Deus. Para o introduzir, inspiramo-nos no trecho que acabamos de ouvir: o encontro entre Jesus e um homem — é um jovem — que, de joelhos, lhe pergunta como pode herdar a vida eterna (cf. Mc 10, 17-21). E naquela pergunta há o desafio de cada existência, também da nossa: o desejo de uma vida plena, infinita. Mas como fazer para a alcançar? Que caminho percorrer? Viver verdadeiramente, viver uma existência nobre… Quantos jovens procuram “viver” e depois destroem-se, indo atrás de coisas efémeras.

Alguns pensam que é melhor suprimir este impulso — o impulso de viver — porque é perigoso. Gostaria de dizer, especialmente aos jovens: o nosso pior inimigo não são os problemas concretos, por mais sérios e dramáticos que sejam: o maior perigo da vida é um mau espírito de adaptação, que não é mansidão nem humildade, mas mediocridade, pusilanimidade. Um jovem medíocre tem futuro ou não? Não! Permanece ali, não cresce, não terá sucesso. A mediocridade ou a pusilanimidade. Aqueles jovens que têm medo de tudo: “Não, eu sou assim…”. Estes jovens não irão em frente. Mansidão, fortaleza e nenhuma pusilanimidade, nenhuma mediocridade. O Beato Pier Giorgio Frassati — que era um jovem — dizia que é preciso viver, não ir vivendo. Os medíocres vão vivendo. Viver com a força da vida. É necessário pedir ao Pai celeste para os jovens de hoje o dom da saudável inquietação. Mas em casa, nos vossos lares, em cada família, quando se vê um jovem sentado o dia inteiro, às vezes a mãe e o pai pensam: “Mas ele está doente, tem algo”, e levam-no ao médico. A vida do jovem é ir em frente, ser desassossegado, a saudável inquietação, a capacidade de não se contentar com uma vida sem beleza, sem cor. Se os jovens não forem famintos de vida autêntica, pergunto-me, que fim terá a humanidade? Onde vai parar a humanidade com jovens quietos, e não inquietos?

A pergunta daquele homem do Evangelho que ouvimos ressoa dentro de cada um de nós: como se encontra a vida, a vida em abundância, a felicidade? Jesus responde: «Tu conheces os mandamentos» (v. 19), e cita uma parte do Decálogo. É um processo pedagógico, com o qual Jesus quer orientar para um lugar específico; com efeito, da sua pergunta já é claro que aquele homem não tem a vida plena, procura mais, está inquieto. Portanto, o que deve entender? Diz: «Mestre, «tenho observado tudo isto desde a minha mocidade!» (v. 20).

Como se passa da mocidade para a maturidade? Quando se começa a aceitar os próprios limites. Tornamo-nos adultos quando nos relativizamos e adquirimos a consciência daquilo «que falta» (cf. v. 21). Este homem é obrigado a reconhecer que tudo o que pode “fazer” não supera um “teto”, não vai além de uma margem.

Como é bom ser homens e mulheres! Como é preciosa a nossa existência! E no entanto, existe uma verdade que na história dos últimos séculos o homem rejeitou frequentemente, com consequências trágicas: a verdade dos seus limites.

No Evangelho, Jesus diz algo que nos pode ajudar: «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar a cumprimento» (Mt 5, 17). O Senhor Jesus concede o cumprimento, Ele veio para isto. Aquele homem devia chegar ao limiar de um salto, onde se abre a possibilidade de deixar de viver de si mesmo, das próprias obras, dos próprios bens e — precisamente porque falta a vida plena — deixar tudo para seguir o Senhor. Analisando bem, no convite final de Jesus — imenso, maravilhoso — não há a proposta da pobreza, mas da verdadeira riqueza: «Só te falta uma coisa; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!» (v. 21).

Quem, podendo escolher entre um original e uma cópia, escolheria a cópia? Eis o desafio: encontrar o original da vida, não a cópia. Jesus não oferece sucedâneos, mas vida verdadeira, amor verdadeiro, riqueza verdadeira! Como poderão os jovens seguir-nos na fé, se não nos virem escolher o original, se nos virem habituados às meias-medidas? É desagradável encontrar cristãos medianos, cristãos — permiti-me a palavra — “anões”; crescem até a uma certa estatura e depois não; cristãos com o coração reduzido, fechado. É desagradável encontrar isto. É necessário o exemplo de alguém que me convida a um “além”, a um “acréscimo”, a crescer um pouco. Santo Inácio denominava-o “magis”, «o fogo, o fervor da ação, que desperta os sonolentos».

O caminho do que falta passa por aquilo que existe. Jesus não veio para abolir a Lei ou os Profetas, mas para levar a cumprimento. Devemos partir da realidade para dar o salto naquilo “que falta”. Temos que sondar o ordinário para nos abrirmos ao extraordinário.

Nestas catequeses pegaremos nas duas tábuas de Moisés como cristãos, de mãos dadas com Jesus, a fim de passar das ilusões da juventude para o tesouro que está no céu, caminhando atrás dele. Em cada uma daquelas leis, antigas e sábias, descobriremos a porta aberta pelo Pai que está nos céus para que o Senhor Jesus, que a cruzou, nos conduza à vida verdadeira. A sua vida. A vida dos filhos de Deus!

Papa Francisco, Audiência Geral, 13 de Junho de 2018

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Santo António (13 de Junho)

Nasceu em Lisboa (Portugal) no final do século XII. Foi recebido entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho e pouco depois da sua ordenação sacerdotal ingressou na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) com a intenção de se dedicar à propagação da fé entre os povos da África. Mas foi na França e na Itália que ele exerceu com grande fruto o ministério da pregação e converteu muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano 1231.

Pensamentos de Santo António

– O Espírito Santo fala tantas vezes quantos os bons pensamentos que tivermos.

– O Espírito Santo queima os pecados, limpa os corações, sacode o torpor e ilumina a ignorância.

– Feliz aquele que arranca de si o coração de pedra e toma um coração de carne, capaz de se doer compungido das misérias dos pobres, de modo que a sua compaixão lhe sirva de consolo e este consolo lhe dissipe a avareza.

– Acredita o estulto no conselho da raposa, fiado em que o bem transitório e mutável seja verdadeiro e duradouro.

– Quem ama não conhece nada que seja difícil.

– O sol da glória mundana deve escurecer-se ao lembrarmo-nos da Paixão do Senhor.

– A esmola extingue a avareza.

– Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, mordem-nos como serpentes.

– A paciência é a melhor maneira de vencer.

– Maria não afugenta nenhum pecador, antes, recebe a todos os que se refugiam nela e, por isso, é chamada Mãe de Misericórdia: é misericordiosa para com os miseráveis, é esperança para os desesperados.

– Assim como a flor, quando espalha o odor, não se corrompe, também o verdadeiramente humilde não se eleva quando louvado pelo perfume da sua vida de bondade.

– A caridade é a alma da fé. Se perdida, a fé morre.

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que em Santo António destes ao vosso povo um pregador insigne do Evangelho e um poderoso intercessor junto de Vós, concedei que, pelo seu auxílio, sigamos fielmente os ensinamentos da vida cristã e mereçamos a vossa protecção em todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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10º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos (Mc 3, 20-35)

Naquele tempo, Jesus vem para casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer um pedaço de pão. Ouvindo isto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamando-os a si, disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não pode subsistir. E se Satanás se levantou contra si mesmo, está dividido e não pode subsistir, está para acabar. Ninguém pode entrar em casa de alguém forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo jamais tem perdão, pois é réu de pecado eterno». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso de um espírito impuro». Entretanto, chegam a sua Mãe e os seus irmãos, que, estando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe dizem: «Eis que a tua Mãe e os teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é a minha Mãe e os meus irmãos?». E, olhando em redor para os que estavam sentados à sua volta, diz: «Eis a minha Mãe e os meus irmãos. Pois quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, irmã e Mãe».

Reflexão

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 3, 20-35) mostra-nos dois tipos de incompreensão que Jesus teve que enfrentar: a dos escribas e a dos seus próprios familiares.

A primeira incompreensão. Os escribas eram homens instruídos nas Sagradas Escrituras e encarregados de as explicar ao povo. Alguns deles são enviados de Jerusalém à Galileia, onde a fama de Jesus começava a difundir-se, a fim de o desacreditar aos olhos do povo; para desempenhar a função de linguarudos, desacreditar o outro, privar da autoridade, que coisa feia! E eles foram enviados para fazer isto. Estes escribas chegam com a acusação clara e terrível — eles não poupam meios, vão ao centro e dizem o seguinte: «Ele tem Belzebu, é pelo príncipe dos demónios que expulsa os demónios» (v. 22). Ou seja, é o chefe dos demónios que O impele; que equivale a dizer mais ou menos: “ele é um endemoninhado”. Com efeito, Jesus curava muitos doentes, e eles pretendem fazer crer que não o faz com o Espírito de Deus — como fazia Jesus — mas com o do Maligno, com a força do diabo. Jesus reage com palavras fortes e claras, não tolera isto, pois aqueles escribas, talvez sem se darem conta, estão a cair no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que está presente e age em Jesus. E a blasfema, o pecado contra o Espírito Santo, é o único pecado imperdoável — assim diz Jesus — porque parte de um fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus.

Mas este episódio contém uma admoestação que serve a todos nós. Com efeito, pode acontecer que uma grande inveja pela bondade e pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusá-la falsamente. Há nisto um grande veneno mortal: a maldade com que, de maneira intencional se pretende destruir a boa fama do outro. Deus nos livre desta terrível tentação! E se, examinando a nossa consciência, nos apercebemos que esta erva daninha está a germinar dentro de nós, vamos imediatamente confessá-lo no sacramento da Penitência, antes que se desenvolva e produza os seus efeitos malvados, que são incuráveis. Estai atentos, pois esta atitude destrói as famílias, as amizades, as comunidades e até a sociedade.

O Evangelho de hoje fala-nos também de outra incompreensão, muito diversa, em relação a Jesus: a dos seus familiares. Eles estavam preocupados, porque a sua nova vida itinerante lhes parecia uma loucura (cf. v. 21). Com efeito, Ele mostrava-se muito disponível com o povo, sobretudo com os doentes e os pecadores, a ponto de não ter tempo nem sequer para comer. Jesus era assim: primeiro as pessoas, servir o povo, ajudar o povo, ensinar ao povo, curar as pessoas. Era para as pessoas. Não tinha tempo nem sequer para comer. Por conseguinte, os seus familiares decidem reconduzi-lo a Nazaré, a casa. Chegam ao lugar onde Jesus está a pregar e mandam chamá-lo. Disseram-lhe: «Estão ali fora, Tua mãe e Teus irmãos que te procuram» (v. 32). Ele respondeu: «Quem são Minha mãe e Meus irmãos?», e olhando para as pessoas que estavam em seu redor a ouvi-lo, acrescentou: «Aí estão Minha mãe e Meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe» (vv. 33-34). Jesus formou uma nova família, já não baseada nos vínculos de sangue, mas na fé n’Ele, no seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Todos aqueles que acolherem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si. Acolher a palavra de Jesus torna-nos irmãos entre nós, faz de nós a família de Jesus. Falar mal dos outros, destruir a fama dos outros, torna-nos a família do diabo.

Aquela resposta de Jesus não é uma falta de respeito para com a sua mãe e os seus familiares. Aliás, para Maria é o maior reconhecimento, pois precisamente ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo à vontade de Deus. Que a Virgem Mãe nos ajude a viver sempre em comunhão com Jesus, reconhecendo a obra do Espírito Santo que age n’Ele e na Igreja, regenerando o mundo para a vida nova.

Papa Francisco, Angelus, 10 de Junho de 2018

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“Recebe o Espírito Santo, que te é concedido como dom”

 Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Prosseguindo a reflexão sobre o Sacramento da Confirmação, consideremos os efeitos que o dom do Espírito Santo faz amadurecer nos crismandos, levando-os a tornar-se, por sua vez, uma dádiva para os outros. O Espírito Santo é um dom! Recordemos que, quando nos dá a unção com o óleo, o bispo diz: “Recebe o Espírito Santo, que te é concedido como dom”. Aquele dom do Espírito Santo entra em nós e frutifica, para que nós o possamos transmitir aos demais. Receber sempre para oferecer: nunca receber e conservar as coisas dentro, como se alma fosse um armazém. Não: receber sempre para oferecer. Recebemos as graças de Deus para as dar aos outros. Esta é a vida do cristão. Portanto, é próprio do Espírito Santo descentrar-nos do nosso eu, abrindo-nos ao “nós” da comunidade: receber para dar. Nós não estamos no centro: somos um instrumento daquela dádiva para os outros.

Completando nos batizados a semelhança a Cristo, a Confirmação une-os mais fortemente como membros vivos ao Corpo místico da Igreja (cf. Rito da Confirmação, n. 25). A missão da Igreja no mundo procede através da contribuição de todos aqueles que fazem parte dela. Alguns pensam que na Igreja existem patrões: o Papa, os bispos, os sacerdotes e depois os outros. Não: todos nós somos Igreja! E todos temos a responsabilidade de nos santificarmos uns aos outros, de cuidarmos dos demais. Todos nós somos Igreja! Cada qual tem a sua função na Igreja, mas todos nós somos Igreja! Com efeito, devemos pensar na Igreja como num organismo vivo, composto por pessoas que conhecemos e com as quais caminhamos, e não como numa realidade abstrata e distante. A Igreja somos nós que caminhamos, a Igreja somos nós que hoje nos encontramos nesta praça. Nós: esta é a Igreja. A Confirmação vincula à Igreja universal espalhada pela terra inteira, mas compromete ativamente os crismandos na vida da Igreja particular à qual pertencem, tendo como cabeça o Bispo, que é o sucessor dos Apóstolos.

E por isso o Bispo é o ministro originário da Confirmação (cf. Lumen gentium, 26), porque insere o confirmado na Igreja. O facto de que, na Igreja latina, este sacramento seja normalmente conferido pelo Bispo põe em evidência o seu «efeito de unir mais estreitamente aqueles que o recebem à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1313).

E esta incorporação eclesial é bem significada pelo sinal de paz que conclui o rito da Crisma. Com efeito, a cada confirmado o Bispo diz: «A paz esteja contigo!». Recordando a saudação de Cristo aos discípulos na noite de Páscoa, cheia de Espírito Santo (cf. Jo 20, 19-23) — ouvimos — estas palavras iluminam um gesto que «manifesta a comunhão eclesial com o Bispo e com todos os fiéis» (cf. CIC, n. 1301). Na Crisma, nós recebemos o Espírito Santo e a paz: aquela paz que devemos transmitir aos outros. Mas pensemos: cada qual pense, por exemplo, na própria comunidade paroquial. Há a cerimónia da Crisma, e depois trocamos o gesto da paz: o Bispo oferece-a ao crismado e em seguida, na Missa, trocamo-la entre nós. Isto significa harmonia, quer dizer caridade entre nós, significa paz. Mas depois, o que acontece? Saímos e começamos a falar mal do próximo, a “esfolar” os outros. Começam as tagarelices. E as bisbilhotices são guerras. Isto não está certo! Se recebemos o sinal da paz com a força do Espírito Santo, devemos ser homens e mulheres de paz, e não destruir com a língua a paz instaurada pelo Espírito. Quanto trabalho tem o desventurado Espírito Santo connosco, com este hábito da bisbilhotice! Pensai bem: a tagarelice não é uma obra do Espírito Santo, não é uma obra da unidade da Igreja. A bisbilhotice destrói aquilo que Deus faz. Mas por favor: deixemos de tagarelar!

A Confirmação só se recebe uma vez, mas o dinamismo espiritual suscitado pela santa unção persevera no tempo. Nunca cessaremos de cumprir o mandato de propagar em toda a parte o bom perfume de uma vida santa, inspirada pela fascinante simplicidade do Evangelho.

Ninguém recebe a Confirmação somente para si mesmo, mas para cooperar no crescimento espiritual dos outros. Só assim, abrindo-nos e saindo de nós mesmos para ir ao encontro dos irmãos, podemos realmente crescer e não apenas iludir-nos que o fazemos. Com efeito, aquilo que recebemos como dom de Deus deve ser transmitido — o dom é para ser oferecido — a fim de que seja fecundo e não, ao contrário, enterrado por causa de temores egoístas, como ensina a parábola dos talentos (cf. Mt 25, 14-30). Até a semente, quando a temos na mão, não deve ser colocada ali, no armário, nem deixada de lado: é para ser semeada. Devemos transmitir à comunidade o dom do Espírito. Exorto os crismados a não “enjaular” o Espírito Santo, a não opor resistência ao Vento que sopra para os impelir a caminhar na liberdade, e não sufocar o Fogo ardente da caridade, que leva a consumir a vida por Deus e pelos irmãos. Que o Espírito Santo conceda a todos nós a coragem apostólica de comunicar o Evangelho, com obras e palavras, a quantos encontrarmos no nosso caminho. Com obras e palavras, mas com palavras boas, que edificam. Não com palavras de bisbilhotice, que destroem. Por favor, quando saírdes da igreja, pensai que a paz recebida é para ser oferecida aos outros; não para ser destruída com bisbilhotices. Não vos esqueçais disto!

Papa Francisco, Audiência Geral, 6 de Junho de 2018

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Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (8 de Junho)

Hoje, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, poder-se-ia dizer que é a festa do amor de Deus, um amor que é como um mar sem fundo. Antes que qualquer homem pudesse amar Deus, foi Ele que nos amou primeiro, Ele é o primeiro a amar. Tão grande é o amor de Deus. Um poeta dizia que era como o mar, sem margens, sem fundo… mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Como é que Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: rebaixa-se. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele faz-nos entender a grandeza do amor. Este amor mostrado no pequeno faz-se concreto em Jesus Cristo. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus. As obras de misericórdia são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos para diante (Papa Francisco, Resumo da meditação matutina, 8 de Junho de 2018).

Pensamentos de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus

“Nunca desconfieis da misericórdia do Sagrado Coração, que é infinitamente maior que todas as nossas misérias”.

“O Sagrado Coração quer reinar no coração do mundo inteiro porque todos lhe foram dados por herança”.

“O maior testemunho de amor que podemos dar ao Sagrado Coração e a melhor reparação que lhe podemos oferecer é unirmo-nos a Ele, muitas vezes, pela comunhão sacramental e desejarmos ardentemente essa união pela comunhão espiritual”.

“Todos podemos ser apóstolos do Sagrado Coração, porque temos corpos capazes de sofrer e trabalhar, e corações para amar e orar”.

Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus

– Coração de Jesus, símbolo do amor infinito do Pai pelos seres humanos, queremos consagrar-Vos, hoje e para sempre, a nossa família e implorar as Vossas bênçãos sobre ela. Coração de Jesus, nós Vos consagramos a nossa família.

– O nosso lar Vos pertence. Fazei nele o Vosso trono e reinai em nossos corações. Participai da nossa mesa e abençoai o nosso pão de cada dia. Que ele seja suficiente para nós e ainda nos permita fazer o milagre da partilha com os irmãos. Coração de Jesus, nós Vos consagramos a nossa família.

– Sede no meio de nós o Amigo intimo, o Irmão e o Companheiro de todas as horas. Cada um de nós, tudo o que somos ou temos, Vos pertence. Dai-nos a graça da fidelidade no discipulado, e que a nossa alegria seja fazer a Vontade do Pai. Coração de Jesus, nós Vos consagramos a nossa família.

– Pedimos também, ó Jesus, que a Vossa Mãe nos assista como filhos e filhas e abençoe o nosso lar, como fez feliz o lar de Nazaré. Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso e dai-nos a paz e a vida eterna. Coração de Jesus, nós Vos consagramos a nossa família.

Oração

Concedei, Deus todo-poderoso que, ao celebrar a solenidade do Coração de vosso amado Filho, recordemos com alegria as maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância dos vossos dons. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

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Fonte de água viva

Quanto mais se tem, mais se deseja. Porque, afinal, nada pode encher o coração, a não ser Deus que o fez à Sua medida. Tu próprio podes comprovar que, enquanto andaste a querer saciar-te em “cisternas rotas”, como diz a Escritura, não gozaste de paz. Ao contrário, o tédio, a angústia, a frustração, o desassossego espreitaram muitas vezes a tua vida… 

Quebra essas ataduras que te ocasionam mal-estar interior, “procura e encontrarás Deus”. Converte-te a Ele de todo o coração e encontrarás a paz.»

Santo Henrique de Ossó

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Confiança em Jesus

Embarcámos com Cristo na nau e levantou-se a tempestade: e ainda que o Senhor durma, e nos parece que nos vamos afogar, Sua Majestade [Jesus] acordará a tempo e nos livrará: não desmaieis caríssimas, nem enfraqueça a vossa fé por ver que parece que o Senhor nos deixou tanto tempo nas mãos dos que tão sem razão nos afligem […]. 

Madre Maria de S. José

Oração: Senhor, quando vivo dificuldades e situações complicadas humanamente, parece que a minha fé esmorece e Tu pareces ausentar-Te. É então o momento da prova: o momento de não dar razão ao que sinto e não atender às trevas que me envolvem, mas colocar os meus olhos e o meu coração em Ti, confiante, sabendo que das Tuas mãos virá o auxílio no momento certo. Àqueles que amas não recompensas com doçuras, mas envias provas para os fortificar. Sim, Jesus, não quero sucumbir às provas, mas exactamente nestes momentos quero fixar em Ti o olhar e não desanimar, certo que Tu és mais forte do que todos os problemas e provas. Assim seja.

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Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia

Sem o Domingo não podemos viver”

Desde o dia 8 de Novembro de 2017, o Papa Francisco aproveitou as Audiências Gerais da Quarta-Feira, na Praça São Pedro ou na Aula Paulo VI, no Vaticano, para proporcionar aos fiéis presentes e aos de todo o mundo, catequeses sobre o sentido da Eucaristia ou Santa Missa. Essas catequeses foram concluídas no dia 4 de Abril passado, na Praça de São Pedro.

Na primeira catequese, em 8 de Novembro de 2017, o Papa Francisco explicou a sua opção por este tema: «Iniciamos hoje uma nova série de catequeses, que fixará o olhar no “coração” da Igreja, ou seja, na Eucaristia. Para nós cristãos, é fundamental compreender bem o valor e o significado da Santa Missa, a fim de viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus. (…)

Assim, através destas catequeses que hoje começam, gostaria de redescobrir juntamente convosco a beleza que se esconde na celebração eucarística, e que, quando é revelada, dá pleno sentido à vida de cada um. Nossa Senhora nos acompanhe neste novo percurso. Obrigado.»

A seguir, apresentamos a data e o tema de cada uma dessas catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia, bem como, fornecemos o link de acesso ao texto integral dessa catequese, já traduzido em português. Esse texto pode ser baixado, impresso e lido e distribuído por todos. Afinal, como nos recorda o Papa Francisco, trata-se de meditar e compreender melhor o «coração» da Igreja de Cristo.

Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia

1ª Catequese (8 de Novembro de 2017): A Santa Missa – Introdução. Aceda, clicando aqui.

2ª Catequese (15 de Novembro de 2017): A Missa como oração. Aceda, clicando aqui.

3ª Catequese (22 de Novembro de 2017): O que é a Missa? Aceda, clicando aqui.

4ª Catequese (13 de Dezembro de 2017): Por que ir à Missa aos Domingos? Aceda, clicando aqui.

5ª Catequese (20 de Dezembro de 2017): Ritos de introdução. Aceda, clicando aqui.

6ª Catequese (3 de Janeiro de 2018): Acto Penitencial. Aceda, clicando aqui.

7ª Catequese (10 de Janeiro de 2018): Glória – Hino de Louvor. Aceda, clicando aqui.

8ª Catequese (31 de Janeiro de 2018): Liturgia da Palavra. Aceda, clicando aqui.

9ª Catequese (7 de Fevereiro de 2018): Liturgia da Palavra – o Evangelho. Aceda, clicando aqui.

10ª Catequese (14 de Fevereiro de 2018): Liturgia da Palavra – Credo, Oração dos Fiéis. Aceda, clicando aqui.

11ª Catequese (28 de Fevereiro de 2018): A Liturgia Eucarística. Aceda, clicando aqui.

12ª Catequese (7 de Março de 2018): A Oração Eucarística. Aceda, clicando aqui.

13ª Catequese (14 de Março de 2018): O Pai Nosso. Aceda, clicando aqui.

14ª Catequese (21 de Março de 2018): A Comunhão sacramental. Aceda, clicando aqui.

15ª Catequese (4 de Abril de 2018): Ritos finais. Aceda, clicando aqui.

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