4º Domingo do Advento – Ano C

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 1, 39-45)

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»

Reflexão

O Evangelho de hoje fala da visita de Maria a sua prima Isabel. Elas conheciam-se visto serem primas. Neste encontro, quer uma quer outra, descobrem um mistério que ainda não conheciam e que as enche de grande alegria. Quantas vezes nos acontece na nossa vida encontrarmos pessoas que conhecemos, mas que nos surpreendem de novo pela sabedoria que possuem e pelo testemunho de fé que nos dão?! É assim que Deus se revela e nos faz conhecer o mistério da sua presença na nossa vida.

Lucas não fala muito de Maria mas o que diz é de grande profundidade e importância. Apresenta Maria como modelo das comunidades cristãs. A chave para olhar deste modo Maria é a Palavra de Jesus a respeito da sua mãe: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). No modo como Maria se comporta com a Palavra de Deus, Lucas vê a atitude mais correcta por parte da comunidade para se relacionar com a Palavra de Deus: acolhê-la, encarná-la, interiorizá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-se moldar por ela, ainda que muitas vezes não seja compreendida e faça sofrer. Esta é a visão de fundo dos capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas, que falam de Maria, a Mãe de Jesus. Ou seja, quando Lucas fala de Maria, pensa nas comunidades cristãs do seu tempo que viviam dispersas nas cidades do império romano. Maria é o modelo da comunidade fiel. E, fiel a esta tradição bíblica, o último capítulo da Lumen Gentium do Vaticano II, que fala da Igreja, representa Maria como modelo da Igreja.

Palavra para o caminho

“Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor”. É a mensagem de Lucas às comunidades: acreditar na Palavra de Deus, que tem a força de realizar o que nos diz. É a Palavra criadora. Gera vida nova no seio de uma virgem, no seio de todo aquele que a acolhe com fé. O elogio que Isabel faz a Maria é completado com o elogio que Jesus faz a sua mãe: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28).

“Feliz de ti que acreditaste”. Apesar das incoerências e infidelidades das nossas vidas medíocres, bem-aventurado, também hoje, aquele que crê desde o fundo de seu coração.

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Orar é abrir a porta

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A oração tem como primeiro efeito criar em mim as condições de abertura a Deus, de comunhão com Ele, de Lhe abrir a porta. Pedir é dispor-me a receber, não é estar a avisar Deus do que me falta, é abrir o coração para o que Ele sabe que eu necessito e tem para me dar. É um acto de humildade de quem se reconhece carente de amor e graça.

Vasco P. Magalhães, sj

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A missão nasce da paixão

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Portanto cada um de nós está chamado a fazer conhecer Jesus a quantos ainda o não conhecem. Mas isto não significa fazer proselitismo. Não, significa abrir uma porta. «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 16), declarava São Paulo. Se o Senhor Jesus mudou a nossa vida, e no-la muda todas as vezes que estamos diante d’Ele, como não sentir a paixão de o dar a conhecer a quantos encontramos no trabalho, na escola, no nosso prédio, no hospital, nos lugares de encontro? Se olharmos à nossa volta, encontramos pessoas que estariam dispostas a começar ou a recomeçar um caminho de fé, se encontrassem cristãos apaixonados por Jesus. Não deveríamos e não poderíamos ser nós aqueles cristãos? Faço-vos esta pergunta: «Mas eu estou deveras apaixonado por Jesus? Estou convicto de que Jesus me oferece e me concede a salvação?». E, se estou apaixonado, devo dá-lo a conhecer.

Papa Francisco

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3º Domingo do Advento – Ano C

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 3, 10-18)

E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.» Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, João disse a todos: «Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.» E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.

Reflexão

Caminhamos rapidamente em direcção ao Natal. Os textos propostos para este 3º Domingo do Advento, Ano C, convidam-nos a alegrar-nos: “solta brados de alegria”, “exulta”, “rejubila”, “alegrai-vos sempre…”. O motivo explica-o João Baptista: “está a chegar quem é mais forte do que eu…”. No entanto, o mesmo João explicita as atitudes que devemos ter se quisermos experimentar esta alegria prometida: partilhar os bens que temos, não cometer injustiças e não oprimir ninguém. “O que temos de fazer?”. É a questão da conversão.

No Angelus pronunciado no dia 6 de Dezembro o Papa Francisco pode ajudar-nos a responder a esta pergunta: “E talvez nós nos perguntemos: «Por que nos devemos converter? A conversão diz respeito a quem de ateu se torna crente, de pecador se faz justo, mas nós não precisamos, nós já somos cristãos! Por conseguinte somos justos». E isto não é verdade. Pensando assim, damo-nos conta de que é precisamente desta presunção — que somos cristãos, todos bons, justos — que nos devemos converter: da suposição que, no fim de contas, está bem assim e não precisamos de conversão alguma. Mas procuremos questionar-nos: é deveras verdade que nas várias situações e circunstâncias da vida temos em nós os mesmos sentimentos de Jesus? É verdade que sentimos como Jesus sente? Por exemplo, quando sofremos alguma injustiça ou afronta, conseguimos reagir sem animosidade e perdoar de coração a quem nos pede desculpa? Quanto é difícil perdoar! Quanto é difícil! «Vais-me pagar!»: estas palavras vêm de dentro! Quando somos chamados a partilhar alegrias e sofrimentos, sabemos chorar sinceramente com quem chora e rejubilar com quem se alegra? Quando devemos expressar a nossa fé, sabemos fazê-lo com coragem e simplicidade, sem nos envergonharmos do Evangelho? E assim podemos fazer-nos muitas perguntas. Não estamos tranquilos, devemos converter-nos sempre, ter os sentimentos que Jesus tinha.

A voz do Baptista ainda brada nos actuais desertos da humanidade, que são — quais são os desertos de hoje? — as mentes fechadas e os corações empedernidos, e provoca-nos a questionar-nos se estamos efectivamente a percorrer o caminho justo, vivendo uma vida segundo o Evangelho. Hoje como naquela época, ele admoesta-nos com as palavras do profeta Isaías: «Preparai os caminhos do Senhor!» (v. 4). É um convite urgente a abrir o coração e a acolher a salvação que Deus nos oferece incessantemente, quase com teimosia, porque quer que todos sejamos livres da escravidão do pecado. (…) Ninguém pode dizer: «Eu sou santo, eu sou perfeito, eu já estou salvo»”.

Palavra para o caminho

“E nós que devemos fazer?” (Lucas 3,10.12.14), perguntam as multidões, os publicanos, os soldados. Perguntamos nós também. Responde João Baptista: vós não vos canseis de dar, não roubeis, não pratiqueis a injustiça, não façais violência! Amai! Reparemos que todos os frutos de conversão que João Baptista menciona e reclama se referem sempre ao nosso comportamento para com o próximo. Fica claro que a conversão, isto é, o nosso voltar-se para Deus, passa sempre pelos nossos gestos para com o próximo, nomeadamente pela partilha para além do impensável.

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Não está em jogo pouco, mas TUDO

180801_1.tif. Vista noturna mostra lua cheia atr‡s do Cristo Redentor, um dos poucos monumentos do Rio de Janeiro que n‹o sofreram com os cortes de ilumina‹o pœblica em raz‹o do racionamento de energia elŽtrica; a prefeitura considera a est‡tua o simbolo da cidade.

Como seríamos felizes se pudéssemos encontrar o tesouro de que nos fala o Evangelho [Mt 13, 44];  tudo o resto nos pareceria nada. Como ele é infinito, quanto mais escavamos, mais riquezas encontramos. Ocupemo-nos sem cessar a procurá-lo, não nos cansemos até que o tenhamos encontrado.

Frei Lourenço da Ressurreição

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Abrir caminhos para Deus

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O apelo de João Baptista para despertar o povo e acender nele a fé em Deus salvador, concentra-se na afirmação: «Preparai o caminho do Senhor». Como abrir caminhos para Deus? Como abrir-lhe mais caminhos na nossa vida?

Busca pessoal. Para muitos, Deus está hoje como que oculto e encoberto por toda uma classe de preconceitos, dúvidas, más recordações de infância ou experiências religiosas negativas. Como descobri-lo? A primeira coisa é abrir o coração e buscar o Deus vivo que se nos revela em Jesus Cristo. Deus deixa-se encontrar pelos que o procuram.

Atenção interior. Para abrir um caminho a Deus é necessário descer ao fundo do nosso coração. Quem não busca Deus no seu interior é difícil que o encontre fora. Dentro de nós encontraremos medos, perguntas, desejos, vazio… Não importa. Deus está aí. Ele criou-nos com um coração que não descansará enquanto não estiver n’Ele.

Com um coração sincero. Não nos deve preocupar o pecado ou a mediocridade. O que mais nos aproxima do mistério de Deus é VIVER NA VERDADE, não nos enganarmos a nós mesmos, reconhecer os nossos erros. O encontro com Deus acontece quando nasce a partir de dentro esta oração: «Ó Deus, tende compaixão de mim, porque sou pecador». Este é o melhor caminho para recuperar a paz e a alegria interior.

Em atitude de confiança. É o medo que fecha a muitos o caminho para Deus. Muitos têm medo de se encontrar com Ele: só pensam no seu juízo e possíveis castigos. Acabam por não crer que Deus só é amor e que, mesmo quando julga o ser humano, o faz com amor infinito. Despertar a confiança total neste amor pode ser começar a viver de uma maneira nova e feliz com Deus.

Caminhos diferentes. Cada um há-de fazer o seu próprio caminho. Deus acompanha-nos a todos nós. Não abandona ninguém e, menos ainda, quando se encontra perdido. O importante é não perder o desejo humilde de Deus. Quem continua a confiar, quem de alguma maneira deseja crer já é «crente» perante esse Deus que conhece até ao fundo o coração de cada pessoa.

Adaptação de um texto de J. A. Pagola

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Solenidade da Imaculada Conceição

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 1,26-38)

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.

Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?»

O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Reflexão

“Alegra-te”. A primeira palavra da parte de Deus aos homens, quando o Salvador se aproxima do mundo, é um convite à alegria. É o que escuta Maria: alegra-te.

A alegria é um dom bonito, porém também muito vulnerável. Um dom que se deve saber cultivar com humildade e generosidade no fundo da alma. Hermann Hesse explica os rostos atormentados, nervosos e tristes de tantos homens, desta maneira muito simples:”É porque a felicidade somente pode senti-la a alma, não a razão, não o ventre, nem a cabeça, nem a bolsa”.

A alegria de Maria é a de uma mulher crente que se alegra em Deus salvador, que levanta os humilhados e dispersa os soberbos, que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1,46-55). Maria alegra-se em Deus, porque ele vem realizar a esperança dos abandonados. Somente pode ser feliz quem se esforça por fazer felizes os outros.

“O Senhor está contigo”. Não estamos órfãos. Vivemos invocando, cada dia, um Deus Pai que nos acompanha, nos defende e busca sempre o bem de todo o ser humano. Jesus não nos abandonou. Com ele tudo é possível.

“Não temas”. São muitos os medos que paralisam os seguidores de Jesus. Medo do mundo moderno e da secularização. Medo de um futuro incerto. Medo da nossa fraqueza. Medo da conversão ao Evangelho. O medo impede-nos de caminhar para o futuro com esperança. A força de Deus não se revela numa Igreja poderosa, mas humilde.

“Darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus”. Também a nós, como a Maria, nos é confiada uma missão: não somos chamados a julgar o mundo, mas a semear esperança. A nossa tarefa não é apagar o pavio que se extingue, mas estimular a fé que, em muitos, quer brotar.

Podemos ser fermento de um mundo mais sadio e fraterno. Estamos em boas mãos. Deus não está em crise. Somos nós que temos de nos atrever a seguir Jesus com alegria e confiança!

Oração a Nossa Senhora da Conceição

Virgem Santíssima, que fostes concebida sem pecado original e por isto merecestes o título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e por terdes evitado todos os outros pecados, o Anjo Gabriel vos saudou com as belas palavras “Ave Maria, cheia de graça”, nós vos pedimos que nos alcanceis do vosso divino Filho o auxílio necessário para vencermos as tentações e evitarmos os pecados e, já que vos chamamos de Mãe, atendei-nos com carinho maternal para que possamos viver como dignos filhos vossos. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós. Amen.

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2º Domingo do Advento – Ano C

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 3, 1-6)

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas. Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão planos. E toda a criatura verá a salvação de Deus.’»

Reflexão

Os primeiros cristãos viram na actuação de João Baptista o profeta que preparou, decisivamente, o caminho para Jesus. Lucas resumiu a sua mensagem com este grito tomado do profeta Isaías: “Preparai o caminho do Senhor”. Como escutar este grito na Igreja hoje? Como abrir caminhos para que os homens e as mulheres do nosso tempo possam encontrar-se com Jesus?

Primeiramente, tomando consciência de que necessitamos de um contacto muito mais  vivo com a sua pessoa. Não é possível seguir a um Jesus convertido numa sublime abstracção. Necessitamos de nos sintonizar vitalmente com ele, deixar-nos atrair pelo seu estilo de vida, contagiar-nos da sua paixão por Deus e pelo ser humano. No meio do “deserto espiritual” da sociedade moderna, temos de entender e configurar a comunidade cristã como um lugar onde se acolhe o Evangelho de Jesus.

Não podemos esquecer que nos evangelhos não aprendemos uma doutrina académica sobre Jesus, destinada, inevitavelmente, a envelhecer ao longo dos séculos. Aprendemos um estilo de viver realizável em todos os tempos e em todas as culturas: o estilo de viver de Jesus.

A experiência directa e imediata com o relato evangélico faz-nos nascer para uma fé nova, não por via de uma “doutrinação” ou de uma “aprendizagem teórica”, mas pelo contacto vital com Jesus. Ele ensina-nos a viver a fé, não por obrigação, mas por atracção. Faz-nos viver a vida cristã não como dever, mas como contágio. No contacto com o evangelho recuperamos a nossa verdadeira identidade de seguidores de Jesus. O segredo da “nova evangelização” consiste em nos colocarmos em contacto directo e imediato com Jesus. Sem ele não é possível produzir uma fé nova.

“Preparai o caminho do Senhor”. As nossas vidas estão semeadas de obstáculos e resistências que impedem e dificultam a chegada de Deus aos nossos corações e às nossas comunidades cristãs e ao nosso mundo. Deus está sempre perto. Somos nós que devemos abrir caminhos para o acolher encarnado em Jesus: rectificar o que deformamos entre todos; endireitar caminhos tortos; enfrentar a verdade real das nossas vidas para assumir um dinamismo de conversão.

Palavra para o caminho

Ao fazer o elenco dos nomes grandes do mundo de então, não é pretensão do narrador fazer história. Antes, com a precisão do bisturi, quer dizer-nos que a Palavra de Deus passa ao lado dos senhores deste mundo, que decidem e planificam tudo, e vai cair sobre um pobre, João Baptista, que não habita em palácios, mas no deserto! O deserto é o território da verdade e onde se vive do essencial. Deus é livre.

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Rezar o terço com Santa Teresa de Jesus

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A Igreja e as diferentes Ordens e Congregações de espiritualidade carmelita e teresiana celebraram de 15 de Outubro de 2014 até 15 de Outubro de 2015 o V Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Jesus.

Este encontro aqui, na Capelinha das Aparições, é a expressão da nossa convicção nascida da fé de que somos guiados e animados por Maria no seguimento de Cristo. Constantemente lembramos o que ela disse em Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser”: ela leva-nos a Jesus. E ouvimos também o que Jesus disse no Calvário, do alto da cruz: “Eis a tua Mãe!”: Jesus leva-nos a Maria. Uma vez que o Carmelita deve viver em “obséquio de Jesus Cristo”, ninguém viveu como Maria este ideal. Estar com Maria é estar sempre em boa companhia.

Nossa Senhora está presente nos momentos mais decisivos da vida de Santa Teresa de Jesus. Basta recordar o que ela disse quando perdeu a sua mãe, entre os treze e quatorze anos de idade, como indicação, de que ela foi uma autêntica filha de Maria, não só num momento, mas sempre: “Quando comecei a perceber o que tinha perdido, fui-me, aflita, a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-Lhe, com muitas lágrimas, que fosse minha Mãe. Embora o fizesse com simplicidade, parece-me que me tem valido; porque conhecidamente tenho encontrado esta Virgem soberana, sempre que me tenho encomendado a ela, e, enfim, tornou-me a si”.

Em união com Santa Teresa de Jesus rezemos e meditemos os Mistérios gloriosos.

Mistérios gloriosos

1º Mistério: A ressurreição de Jesus. “Depois do sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. Então o anjo falou às mulheres: ‘Sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou como havia dito!’ ” (Mt 28 1. 5a. 6b).

Reflexão: O coração é atraído para o tesouro que ama e não se detém mesmo perante os perigos e dificuldades, até que possua o que deseja. O alimento de Jesus era fazer a vontade do Pai. Na ressurreição de Jesus vemos que a vontade de Deus é sempre o nosso Bem e que desabrocha em vida plena e indestrutível.

Santa Teresa põe no centro da sua espiritualidade fazer a vontade de Deus. Diz ela: “A vontade de Deus há-de cumprir-se, quer queiramos quer não, e a Sua vontade há-de fazer-se no Céu e na terra. Este Rei não se dá, senão a quem de todo se dá a Ele (…). Já tenho provas e grande experiência do lucro que há em deixar a minha vontade na Vossa” (CP 32, 4).

É bom e necessário em todas as horas pôr os olhos em Cristo, livro vivo, em quem se aprendem as verdades: “Se estais alegres, vede-O ressuscitado pois a simples imaginação que Ele saiu do sepulcro vos alegrará. Com que esplendor, com que majestade, quão vitorioso, quão alegre!” (C 26, 4).

Prece: Peçamos a Maria e a Santa Teresa de Jesus, para que aspirando à vida, e vida em abundância, o nosso desejo e alegria seja sempre fazer a vontade de Deus.

2.º Mistério: A Ascensão de Jesus ao Céu. “Então, o Senhor Jesus, depois de ter falado [com os discípulos], foi recebido no Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam” (Mc 16, 19-20).

Reflexão: Hoje parece estar obscurecida a ideia de fim, de finalidade. E, por isso, vive-se muito o imediato, no provisório, no descartável. Tem-se a tentação de chamar a atenção, seja da forma que for, através do impressionável. Talvez porque não se saiba para onde se vai, a ideia de caminho, peregrinação, conceitos muito importantes que nos podem ajudar e iluminar na compreensão da vida de Santa Teresa, não estejam muito enraízados entre nós.

Quem se entrega a Jesus, segundo a sua promessa, não se perde: “Quem me segue não anda nas trevas mas terá a luz da vida”. Desde que se determinou a dar-se totalmente a Cristo, Santa Teresa ficou unificada e caminhou serenamente na convicção de que viver é adentrar-se cada vez mais no mistério de Deus até o contemplar face a face no Céu. Por isso, na hora da sua morte disse estas palavras admiráveis: “Finalmente vamo-nos encontrar”.

Prece: Peçamos a Maria e a Santa Teresa de Jesus uma forma de vida inspirada na sabedoria do Evangelho para que em todas as horas possamos dizer e rezar: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”.

3º Mistério: A descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Nossa Senhora reunidos no Cenáculo. “Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: ‘a paz esteja convosco!’ Soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 21.23).

Reflexão: O Espírito Santo é o Pedagogo que o Pai e o Filho nos concedem. Na antiga Grécia o pedagogo era o escravo, o criado, que levava a criança à escola, ao mestre, para que ela fizesse a sua aprendizagem e formação. O Espírito Santo, Deus-Amor, que procede do Pai e do Filho, é-nos concedido para que no Filho sejamos Filhos e possamos chamar a Deus de “Abba”. Teresa de Jesus quando se determinou dar-se toda a Cristo, tendo-o como único Senhor e Esposo, a sua vida foi outra, deu muito fruto que ainda hoje perdura pois como diz Jesus “Sem mim, nada podeis fazer” e “A glória de meu Pai é que deis muito fruto”.

“Disse-me o Senhor: Faz o que está em teu poder e deixa-Me a Mim agir e não te inquietes com nada; goza do bem que te foi dado, que é muito grande: Meu Pai se deleita contigo e o Espírito Santo te ama” (CC 10).

Prece: Peçamos a Nossa Senhora e a Santa Teresa que nos ensinem a ser dóceis e a seguir as inspirações do Espírito Santo para que a qualidade do nosso viver seja palpável e contagiante: “Quem deveras ama a Deus, todo o bem ama, todo o bem quer, todo o bem favorece, todo o bem louva, com os bons se junta sempre e os favorece e defende; não ama senão verdades e coisa que seja digna de amar. Pensais que é possível, a quem mui deveras ama a Deus, amar vaidades, ou riquezas, ou coisas de deleites do mundo, ou honras, ou tenha contendas ou invejas? Não, que nem pode; e tudo, porque não pretende outra coisa senão contentar ao Amado”.

4º Mistério: A Assunção de Nossa Senhora ao Céu. “Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: ‘Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito!’ Mas Jesus respondeu: ‘Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática’ ” (Lc 11, 27-28).

Reflexão: A fé potenciando a razão abre e introduz o nosso ser em novos horizontes existenciais que “nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pela mente humana o que Deus tem preparado para os que O amam”. Na nossa caminhada acompanha-nos Maria, garantia segura da nossa Esperança, Estrela da nossa vida.

“O grande bem que me parece a mim que há no Reino do Céu, juntamente com muitos outros, é o de já não se ter cuidado com coisa alguma da terra, mas um sossego e glória em si mesmos, um alegrar-se que se alegrem todos, uma paz perpétua, uma grande satisfação no íntimo de si mesmos, que lhes vem de ver que todos santificam e louvam ao Senhor, e bendizem o Seu nome e ninguém O ofende. Todos O amam e a própria alma não se ocupa com outra coisa senão amá-Lo, nem pode deixar de O amar, porque O conhece” (CP 30, 5).

Prece: Peçamos a Nossa Senhora e a Santa Teresa que despertem em nós grandes desejos para que a nossa vida no tempo seja já “a eternidade começada”, “o Céu na Terra”.

5º Mistério: A coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra. “Maria exclamou: ‘de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações, porque o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas! Santo é o Seu nome!’ ”(Lc 46.48b-49).

Reflexão: Dizer Sim a Deus é Reinar. Quando Maria diz ao anjo: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”, ela sabe, por experiência, que Deus é bom, verdadeiro, fiel, e que a sua misericórdia se estende de geração em geração. Maria no seu Sim ensina-nos, como sempre ela o fez, a afinar a nossa vida pela vida de Deus: o que tu queres, Senhor, eu quero!

Maria teve que caminhar pela fé. Imitando a sua fé, somos capazes de ver para além das coisas exteriores que nos rodeiam. Ela foi capaz de ver Deus no coração do universo, guiando todas as coisas e todas as pessoas para si mesmo, através de Jesus Cristo. Maria era uma contemplativa, o que não significa que passasse os seus dias de joelhos. Uma contemplativa é uma amiga amadurecida de Deus que busca a realidade com os olhos de Deus e que ama o que vê com o coração de Deus. Porque Reinar é Servir, ela é nossa Mãe e Rainha do Céu e da Terra.

Infelizmente São José está excessivamente na sombra, quase esquecido. Não, assim, com Santa Teresa: “É que não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos – no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus – sem que se dê graças a São José pelo muito que então os ajudou”.

Prece: Peçamos a Nossa Senhora, a São José e a Santa Teresa para que saibamos fazer de toda a nossa existência uma Páscoa e uma Eucaristia, em que Jesus e Maria reinem nos nossos corações: “A quantos tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente”.

E também Maria se dá totalmente: “Estando todas no coro em oração depois de Completas, vi Nossa Senhora, com grandíssima glória, revestida dum manto branco e, debaixo dele, parecia amparar-nos a todas. Entendi quão alto grau de glória daria o Senhor às desta casa” (V 36, 24).

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Fé é “apoiar-se em”

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Fé não significa acreditar ou não acreditar se Deus existe, embora a nossa cultura tenha muitas vezes relacionado fé com essa discussão teórica. Fé, crer, significa, à letra, “apoiar-se em”. Devemos perguntar: “Em quem me apoio, em quem faço fé? Qual é o meu fundamento? Em quem confio?” Ora só faz sentido “fazer fé” em quem nos ama, sem condições! Alguém que não engana e me dá força para o caminho! Ser crente cristão é estar convicto de que o caminho de Cristo é o mais humano, apoiado na certeza de um Deus que é Pai, e pedagogicamente me conduz à liberdade.

Vasco P. Magalhães, s.j.

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