O Amor solidário de Jesus para com os pobres em espírito

Jesus via como os doutores da lei ensinavam aos pobres a tradição dos antigos (Mc 7,1-5). Eles explicavam tudo direitinho conforme a letra da lei, mas a muitos deles faltava o espírito da lei. Em nome da fidelidade à letra, querendo ou não, eles marginalizavam muita gente: os pobres, os doentes, os deficientes físicos, as mulheres, os impuros, as crianças, os pobres. Diziam que a pobreza, o sofrimento, os males da vida e as deficiências eram castigos de Deus. Em vez de ensinar a lei de Deus como expressão do rosto carinhoso do Pai, eles escondiam a imagem do Pai atrás de uma máscara de normas e obrigações que tornavam impossível a observância da lei para os pobres (Mc 7,6-13).

Jesus experimentava Deus de maneira diferente. Sentia Deus como Pai, como Mãe. Ele tinha um outro espírito, que o fazia meditar a letra da lei com um novo olhar e o levava a escutar os pobres com muita ternura. Jesus também era pobre. Vivia no meio dos pobres da sua terra, igual a eles.

Porém, para Jesus, nascer pobre e ser pobre não eram uma fatalidade nem um castigo de Deus, mas sim a expressão de um apelo de Deus. Jesus não era um pobre revoltado com inveja daqueles ricos que acumulavam toda a riqueza para si. Na sua pobreza Jesus tinha uma riqueza maior: Deus estava com ele. O Reino de Deus vivia nele e o espírito do Reino o levava a lutar para que a injustiça fosse eliminada e os bens da terra fossem partilhados e se tornassem fonte de fraterni­dade para todos. Esta riqueza do Reino de Deus e da fraternidade, Jesus a irradiava no meio dos pobres e queria que todos a descobrissem.

Jesus e seus discípulos viviam misturados com os pobres e os excluídos (Mc 2,16; 1,41; Lc 7,37). Jesus reconhecia a riqueza e o valor dos pobres (Mt 11,25-26; Lc 21,1-4), e proclamava-os felizes (Lc 6,20; Mt 5,3). Não possuía nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Lc 9,58). E a quem desejava segui-lo para conviver com ele, mandava escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). Mandava fazer opção pelos pobres (Mc 10,21). A pobreza, que caracterizava a vida de Jesus, caracterizava também a sua missão. Ao contrário dos outros missionários (Mt 23,15), os discípulos e as discípulas de Jesus não podiam levar nada, nem ouro, nem prata, nem duas túnicas, nem sacola, nem sandálias, mas somente a Paz! (Mt 10,9-10; Lc 10,4-5). Eram pobres em espírito, pois iam animados pelo mesmo espírito de Jesus.

Jesus anunciava o Reino para todos, para pobres e ricos. Não excluía ninguém. Mas o anunciava a partir dos pobres e excluídos: prostitutas eram preferidas aos fariseus (Mt 21,31–32; Lc 7,37-50); publicanos tinham precedência sobre os escribas (Lc 18,9-14; 19,1-10); leprosos eram acolhidos e limpos (Mc 1,44; Mt 8,2-3; 11,5; Lc 17,12-14); doentes eram curados em dia de sábado (Mc 3,1-5; Lc 14,1-6; 13,10-13); mulheres faziam parte do grupo que acompanhava Jesus (Lc 8,1-3; 23,49.55; Mc 15,40-41); crianças eram apresentadas como professores de adultos (Mt 18,1-4; 19,13-15; Lc 9,47-48); samaritanos eram apresentados como modelo para os judeus (Lc 10,33; 17,16); famintos eram acolhidos como rebanho sem pastor (Mc 6,34; Mt 9,36; 15,32; Jo 6, 5-11); cegos recebiam a visão (Mc 8,22-26; Mc 10,46-52; Jo 9,6-7) e os fariseus eram declarados cegos (Mt 23,16); possessos eram libertados do poder do mal (Lc 11,14-20); a mulher adúltera era acolhida e defendida contra os que a condenavam em nome da lei de Deus (Jo 8,2-11); estrangeiros eram acolhidos e atendidos (Lc 7,2-10; Mc 7,24-30; Mt 15,22). Os pobres perceberam a novidade e acolheram Jesus dizendo: “Um novo ensinamento dado com autoridade!” (Mc 1,27), diferente dos escribas e dos fariseus (Mc 1,22). Todo este carinho de Jesus na convivência com os pobres era a maneira de ele revelar a preferência do amor solidário do Pai para com eles.

Carlos Mesters, O. Carm.

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Quando se ama

Quando se ama tudo é alegria, a cruz não pesa, o martírio não se sente, vive-se mais no céu do que na terra.

Santa Teresa dos Andes

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Cristo, palavra definitiva e total

Já te disse tudo na minha Palavra, que é o Meu Filho – e não tenho outra – que mais te posso Eu responder agora ou revelar? Põe os olhos só n’Ele, porque n’Ele tudo disse e revelei, e acharás ainda mais do que pedes e desejas. Tu pedes locuções e revelações às migalhas, mas, se fixares n’Ele o teu olhar, acharás tudo. Ele é toda a minha locução e resposta, toda a minha visão e revelação. Ao dar-vo-l’O por Irmão, Companheiro, Mestre, Preço e Prémio, já vos falei, respondi, manifestei e revelei tudo. Desde o dia que desci com o meu Espírito sobre Ele no monte Tabor, dizendo: Quer dizer: «Este é o meu Filho muito amado, no Qual pus todo o Meu encanto, escutai-O», (Mt 17, 5). abandonei todas essas maneiras de ensinamentos e respostas, e tudo Lhe confiei a Ele. Escutai-O, porque Eu já não tenho mais fé para revelar, nem mais nada a manifestar. Porque, se falava antes, era prometendo a Cristo; e, se Me perguntavam, as perguntas eram orientadas à petição e esperança de Cristo, no qual haviam de encontrar o Bem total.

São João da Cruz

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Amar a Deus

Quem deveras ama a Deus, todo o bem ama, todo o bem quer, todo o bem favorece, todo o bem louva, com os bons se junta sempre e os favorece e defende; não ama senão verdades e coisa que seja digna de amar.

Pensais que é possível, a quem mui deveras ama a Deus, amar vaidades, ou riquezas, ou coisas de deleites do mundo, ou honras, ou tenha contendas ou invejas? Não, que nem pode; e tudo, porque não pretende outra coisa senão contentar ao Amado.

Santa Teresa de Jesus

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Tesouros da sabedoria e da ciência

Por mais mistérios e maravilhas que tenham descoberto os santos Doutores e entendido as almas santas neste estado de vida, o melhor fica-lhes por dizer e até por entender. Efectivamente, há muito que aprofundar em Cristo, porque Ele é como uma mina abundante com muitas cavidades cheias de tesouros, que por mais que afundem nunca lhes encontram fim nem termo, antes em cada cavidade vão encontrando novas veias de novas riquezas.

(…) Porque para entrar nas riquezas desta sabedoria, a porta é a cruz, que é uma porta estreita, e desejar entrar por ela é de poucos; mas desejar os deleites a que se chega por ela, é de muitos.

São João da Cruz

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Abandono e confiança

Parece-me que o bom Deus lhe pede um abandono e confiança sem limites nas horas dolorosas em que sente esses terríveis vazios. Pense que, nessa altura, Ele está a escavar na sua alma maiores capacidades para O receber, de algum modo infinitas como Ele mesmo. Tente, então, pela vontade, ficar inteiramente feliz, mesmo sob a mão que a crucifica; dir-lhe-ei até que encare cada sofrimento, cada provação “como uma prova de amor”, que lhe venha directamente da parte do bom Deus, para se unir a Ele.

Santa Isabel da Trindade

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Missão do Carmelo

A Ordem Carmelita recebeu a missão de continuar na Igreja, Corpo Místico de Cristo, o amor que Jesus tinha para com a sua Mãe.

Venerável Miguel de São Agostinho

OremosSenhor, nosso Deus, durante a vida terrena de teu Filho, quem tocasse nas franjas do seu manto ficava curado. Nós te louvamos, Senhor, porque ainda hoje, a tua Igreja, continua a usar os meios mais humildes para nos mostrar a Tua imensa misericórdia, com que cumulaste Maria, nossa Mãe. O Escapulário do Carmo, sinal do amor materno da Virgem Maria, recorda-nos o seu amor para com a Ordem que lhe está consagrada, e convida-nos a imitar as suas virtudes. Sinal de comunhão e de participação no espírito e na vida da Ordem do Carmo, é sinal da nossa contínua oração e da particular dedicação ao amor e serviço da Virgem Maria. Por isso, ó Pai, olha com benevolência aqueles que se revestem com o Escapulário do Carmo. Faz com que, deixando-se amar pela Virgem Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe do Carmelo, sejam conformes à imagem de Jesus Cristo. E depois de terem percorrido, livres de todos os perigos, o caminho da vida, possam entrar na glória da Tua casa. Por Cristo Nosso Senhor. Amen.

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