Santa Teresa Benedita da Cruz – 9 de Agosto

Hino ao Espírito Santo

I

Quem és tu, / Doce luz que me preenche / e ilumina a obscuridade do meu coração? / Conduzes-me como a mão de uma mãe / E se me soltasses, / não saberia nem dar mais um passo. / És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si. / Se fosse abandonado por ti / cairia no abismo do nada, de onde tu o elevas ao Ser. / Tu, mais próximo de mim que eu mesmo / e mais íntimo que minha intimidade, / E, sem dúvida, / permaneces inalcançável e incompreensível, / E que faz brotar todo nome: / Espírito Santo — Amor eterno!

II

Não és Tu / O doce maná / que do coração do Filho flui para o meu, / alimento dos anjos e dos bem aventurados? / Aquele que da morte à vida se elevou, / Também a mim despertou a uma nova vida Do sono da morte. / E nova vida me doa / Dia após dia. / E um dia me cumulará de plenitude. / Vida de minha Vida. / Sim, Tu mesmo, / Espírito Santo, – Vida Eterna!

III

Tu és o raio / que cai do Trono do Juiz eterno / e irrompe na noite da alma, / que nunca se conheceu a si mesma? / Misericordioso e impassível / penetras nas profundezas escondidas. / Se ela se assusta ao ver-se a si mesma, / Concedes lugar ao santo temor, / princípio de toda sabedoria / que vem do alto, / e no alto com firmeza nos unes à tua obra, / que nos faz novos, / Espírito Santo — Raio penetrante!

IV

Tu és a plenitude do Espírito / e da força / com a qual o Cordeiro rompe o selo / do segredo eterno de Deus? / Impulsionados por ti / os mensageiros do Juiz / cavalgam pelo mundo / e com espada afiada separam / o reino da luz do reino da noite. / Então surgirá um novo céu / E uma nova terra, / e tudo retorna ao seu justo lugar / graças a teu alento: / Espírito Santo — Força triunfante!

V

Tu és o mestre construtor da catedral eterna / que se eleva da terra aos céus? / Por ti vivificadas as colunas se elevam / Para o alto e permanecem imóveis e firmes. / Marcadas com o nome eterno de Deus / se elevam para a luz / sustentando a cúpula, / que cobre, qual coroa, / a santa catedral, / tua obra transformadora do mundo, / Espírito Santo — Mão criadora!

VI

Tu és quem criou o claro espelho, / Próximo ao trono do Altíssimo, / como um mar de cristal / aonde a divindade se contempla amando? / Tu te inclinas / sobre a obra mais bela da criação, / e resplandecente te ilumina / com teu mesmo esplendor. / E a pura beleza de todos os seres, / Unida à amorosa figura da Virgem, / tua esposa sem mancha: / Espírito Santo — Criador do Universo!

VII

Tu és o doce canto do amor / e do santo recato, / que eternamente ressoa / diante do trono da Trindade, / e desposa consigo os sons puros de todos os seres? / A harmonia que une os membros com a Cabeça, / onde cada um encontra feliz / o sentido secreto de seu ser, e jubilante irradia, / livremente desprendido em teu fluir: / Espírito Santo — Júbilo eterno!

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

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