Oração a São Nuno de Santa Maria

Pai Santo, em Jesus Cristo mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do vosso Reino. Para o conquistar, ele exercitou-se com as armas da fé, do amor a Cristo, a Nossa Senhora e à Igreja, da Palavra de Deus, da Eucaristia, da oração, da partilha, da pureza do coração, da fortaleza, do serviço e da justiça. Para vos servir de modo mais total como único Senhor, e a Maria Santíssima, Senhora do Carmo, a quem se consagrou na vida religiosa carmelita, de tudo se despojou. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça… (nomeá-la), para que sem obstáculos da alma e do corpo possamos nós também viver sempre ao vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, mereçamos tomar parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amen.

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São Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) – 6 de Novembro

Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve, quando eu o chamo” (Sl 4, 4). Estas palavras do Salmo Responsorial exprimem o segredo da vida do bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal. Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus – abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado na militia Christi, ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo. Características dele são uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino. Embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus. São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à acção de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o Convento do Carmo por ele mandado construir. Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus.

Bento XVI, Homilia da canonização, 26 de Abril de 2009

Unidos em oração, / comungamos na alegria / de evocar o nosso irmão, / Nuno de Santa Maria. / “Servir a Deus”, eis o lema, / que escolheu e praticou: / até à renúncia extrema / de tudo se despojou. / Não podia o mundo encher / coração tão dilatado: / carmelita há de morrer, / humilde e apagado. / Goza já da liberdade / própria dos filhos da luz: / reveste-o a caridade, / sua glória é a Cruz. / A vós, Deus trino e uno, / bendizemos e adoramos; / celebrando São Nuno, / vossa glória proclamamos.

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31º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 23,1-12)

Naquele tempo, Jesus falou às multidões e aos seus discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei, portanto, e guardai tudo quanto vos disserem, mas não façais segundo as suas obras, porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens: alargam os seus filactérios e alongam as franjas; são amigos do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças e de serem chamados ‘rabi’ pelos homens. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘rabi’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘pai’, porque um só é o vosso Pai, o celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘doutores’, porque um só é o vosso Doutor, o Messias. O maior entre vós será o vosso servo. Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado».

Reflexão

Neste 31º Domingo do Tempo Comum continuamos a ouvir Jesus a ensinar no Templo (Mt 23,1-12). No Evangelho de Mateus, o mundo dos escribas e dos fariseus é sempre pintado com cores escuras e sombrias. O único bom escriba que o Evangelho de Mateus conhece é aquele que se tornou discípulo: “Todo o escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao proprietário que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas»” (Mt 13,52; cf. 23,34).

O discípulo de Jesus – e nós, hoje – não devemos preocuparmos com o estatuto nem correr atrás de honras, ambição e carreirismo, da notoriedade tornada visível nas filactérias, que são pequenas caixas de couro que continham textos-chave da Escritura (Deuteronómio 6,8 e 11,18), e que se atavam à fronte e ao braço esquerdo, para ficar mais perto do coração, ou as franjas de cor azul ou violeta, que pendiam das vestes (Números 15,38-39: “Fala aos filhos de Israel e diz-lhes que façam para si, ao longo das suas gerações, franjas nos cantos das suas vestes, pondo na franja de cada canto um cordão de lã purpúrea. Tereis, assim, franjas que, quando olhardes para elas, vos recordarão todos os preceitos do SENHOR. Haveis de cumpri-los e não vos deixareis arrastar pelos vossos corações e pelos vossos olhos, que vos seduziriam para o mal.”), e mais tarde do manto que os judeus piedosos vestem para a oração. Convenhamos que é bem intencionada a prescrição, mas acaba por resultar em pura ostentação! Os escribas e fariseus aspiram a primazias e querem sobressair.

Como devem viver ao cristãos para que o farisaísmo não se perpetue na Igreja? Jesus diz que fundamentalmente é preciso que a comunidade cristã seja uma verdadeira fraternidade. A Igreja não é constituída por “superiores” (“maiores”) e “súbditos”; “mestres” e “discípulos”; “pais” e “filhos”; “doutores” e “alunos”; mas por “irmãos” uns dos outros, que têm Jesus como único Mestre, como Pai comum, Deus que está nos céus que nos dá o Seu Espírito e por meio dele nos instrui interiormente, iluminando, purificando, curando e transformando os corações para poderem conhecer e amar a Deus e aos irmãos.

Na Igreja, o maior é aquele que serve e dá a vida pelo outro, como Jesus, pois nela só o amor e o serviço têm a primazia aos olhos de Deus. Quem se gloria e exalta, rebaixa a Deus em si mesmo e assim será humilhado; mas quem se humilhar, obedecendo a Deus e reconhecendo o seu pecado, engrandece a Deus em si mesmo e por Ele será exaltado.

Palavra para o caminho

Existe algo de mais ridículo do que uma testemunha de Jesus buscar ser distinguida e reverenciada pela comunidade cristã?!…

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Construo sobre rocha firme ou sobre areia?

Fé não significa acreditar ou não acreditar se Deus existe, embora a nossa cultura tenha muitas vezes relacionado fé com essa discussão teórica. Fé, crer, significa, à letra, “apoiar-se em”. Devemos perguntar: “Em quem me apoio, em quem faço fé? Qual é o meu fundamento? Em quem confio?” Ora só faz sentido “fazer fé” em quem nos ama, sem condições! Alguém que não engana e me dá força para o caminho! Ser crente cristão é estar convicto de que o caminho de Cristo é o mais humano, apoiado na certeza de um Deus que é Pai, e pedagogicamente me conduz à liberdade.

Vasco P. Magalhães, sj

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Comemoração dos fiéis defuntos – 2 de Novembro

Prefácio da missa dos defuntos – I

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação, dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor. N’Ele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição; e se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade. Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna, Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo

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São José, padroeiro da boa morte

São José, meu amável protector, que morrestes nos braços de Jesus e de Maria, socorrei-me em todas as necessidades e perigos da vida, mas principalmente na hora suprema da minha morte, vindo suavizar as minhas dores, enxugar as minhas lágrimas, fechar suavemente  os meus olhos, enquanto pronunciar os  dulcíssimos nomes: Jesus, Maria, José, salvai a minha alma! Amen.

Assim, tomei por advogado e senhor o glorioso São José, encomendando-me muito a ele. (…) Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito. Espantam-me muito os muitos favores que Deus me concedeu através desse bem-aventurado Santo, e os perigos, tanto do corpo como da alma, de que me livrou. Se a outros santos o Senhor parece ter concedido a graça de socorrer numa dada necessidade, a esse Santo glorioso, a minha experiência mostra que Deus permite socorrer em todas, querendo dar a entender, que São José, por ter-Lhe sido submisso na terra, na qualidade de pai adoptivo, tem no céu todos os seus pedidos atendidos. (…)

Eu queria persuadir todos a serem devotos desse glorioso santo, pela minha grande experiência de quantos bens ele alcança de Deus.

Santa Teresa de Jesus

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Solenidade de todos os santos – 1 de Novembro

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 1-12)

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Reflexão

A festa de todos os Santos, que celebramos hoje, recorda-nos que a meta da nossa existência não é a morte, mas o Paraíso!

Os Santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos. Eles são como nós, como cada um de nós, são pessoas que antes de alcançar a glória do Céu levaram uma vida normal, com alegrias e sofrimentos, dificuldades e esperanças. Mas o que mudou a sua vida? Quando conheceram o amor de Deus, seguiram-no com todo o seu coração, de maneira incondicional, sem hipocrisias; dedicaram a própria vida ao serviço do próximo, suportaram sofrimentos e adversidades sem ódio, respondendo ao mal com o bem, difundindo alegria e paz. Esta é a vida dos Santos: pessoas que, por amor a Deus, na sua vida não lhe puseram condições; não foram hipócritas; consagraram a própria vida ao serviço dos outros, para servir o próximo; padeceram muitas adversidades, mas sem ódio. Os Santos nunca odiaram.

Ser Santo não é um privilégio de poucos, como se alguém tivesse recebido uma grande herança; no Baptismo, todos nós recebemos a herança de poder tornar-nos Santos. A santidade é uma vocação para todos. Por isso, todos nós somos chamados a caminhar pela vereda da santidade, e esta senda tem um nome, um semblante: o rosto de Jesus Cristo. É Ele que nos ensina a tornar-nos Santos. É Ele que, no Evangelho, nos indica o caminho: a via das Bem-Aventuranças (cf. Mt 5, 1-12). Com efeito, o Reino dos Céus é para quantos não depositam a sua segurança nas coisas, mas no amor de Deus; para aqueles que têm um coração simples e humilde, sem a presunção de ser justos, sem julgar os outros; para aqueles que sabem sofrer com quantos sofrem e alegrar-se com quantos se alegram; para quantos não são violentos, mas misericordiosos e procuram ser artífices de reconciliação e de paz.

Na festa de hoje, os Santos transmitem-nos uma mensagem e dizem-nos: confiai no Senhor, porque o Senhor não desilude! Nunca decepciona, é um bom amigo, sempre ao nosso lado. Com o seu testemunho, os Santos encorajam-nos a não ter medo de ir contra a corrente, nem de sermos incompreendidos e ridicularizados quando falamos dele e do Evangelho; demonstram-nos com a sua vida que quantos permanecem fiéis a Deus e à sua Palavra experimentam já nesta terra a consolação do seu amor e, depois, o «cêntuplo» na eternidade (Papa Francisco).

Palavra para o caminho

A santidade, a plenitude da vida cristã não consiste em realizar empreendimentos extraordinários, mas em unir-se a Cristo, em viver os seus mistérios, em fazer nossas as suas atitudes, pensamentos e comportamentos. É ser conformes com Jesus.

Uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas acções, mas da acção do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro. A santidade cristã mais não é do que a caridade plenamente vivida. Para alcançar este objectivo, Deus difundiu abundantemente o seu amor nos nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi doado (cf. Rm 5, 5)

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“AMARÁS ao Senhor teu Deus… e ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 37-39)

Não obstante a minha pequenez, quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores, sentia a vocação de ser Apóstolo… Queria ser missionário, não apenas durante alguns anos mas queria tê lo sido desde o princípio do mundo e continuar até à consumação dos séculos. Mas acima de tudo, ó meu amado Salvador, quereria derramar o sangue por Vós até à última gota.

Porque durante a oração estes desejos me faziam sofrer um autêntico martírio, abri as epístolas de São Paulo a fim de encontrar uma resposta. Casualmente fixei me nos capítulos XII e XIII da primeira epístola aos Coríntios; e li no primeiro que nem todos podem ser ao mesmo tempo Apóstolos, Profetas, Doutores, etc…. que a Igreja é formada por membros diferentes e que os olhos não podem ao mesmo tempo ser as mãos. A resposta era clara, mas não satisfazia completamente os meus desejos e não me trazia a paz.

Continuei a ler e encontrei esta frase que me confortou profundamente: “Procurai com ardor os dons mais perfeitos; eu vou mostrar vos um caminho mais excelente”. E o Apóstolo explica como todos os dons mais perfeitos não são nada sem o amor e que a caridade é o caminho mais excelente que nos leva com segurança até Deus. Finalmente tinha encontrado a tranquilidade.

Ao considerar o Corpo Místico da Igreja, não conseguira reconhecer-me em nenhum dos membros descritos por São Paulo; melhor, queria identificar me com todos eles. A caridade ofereceu me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja apresenta um corpo formado por membros diferentes, não lhe falta o mais necessário e mais nobre de todos; compreendi que a Igreja tem coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia actuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os Apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo e que abrange todos os tempos e lugares, numa palavra, que o amor é eterno.

Então, com a maior alegria da minha alma arrebatada, exclamei: Ó Jesus, meu amor! Encontrei finalmente a minha vocação. A minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes: no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor; com o amor serei tudo; e assim será realizado o meu sonho.

Santa Teresinha do Menino Jesus

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30º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 34-40)

Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, reuniram-se em grupo. E um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Jesus disse-lhe: ‘Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

Reflexão

Aí está, neste 30º Domingo do Tempo Comum, mais uma pergunta armadilhada posta a Jesus, por um fariseu: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”. Ao fazê-la, pretende mostrar que, embora se deixe apelidar “Mestre”, Jesus não passa de um impostor, um ignorante que nunca estudou a Lei, nem a sabe interpretar, não sendo, por isso, digno de crédito. A discussão sobre “o maior mandamento da Lei”, o mandamento mais importante, não era uma questão pacífica no tempo de Jesus. De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a Lei, ou seja, os cincos primeiros livros da Bíblia (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio), e reduzindo-a a preceitos, tinham contado lá 613 preceitos, sendo 365, tantos quantos os dias do ano, negativos, e 248, tantos quantos assim se pensava então, os membros do corpo humano, positivos.

A questão que entretinha os mestres e as suas escolas era agora a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discussão interminável e natural fonte de conflitos, pois cada mestre sua sentença. Qual seria então a posição de Jesus nesta matéria, e como a defenderia?

Jesus responde ao “legista “ citando, em primeiro lugar, o Livro do Deuteronómio 6,5: “AMARÁS o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com toda a tua mente”. Dito isto, Jesus acrescenta: “O segundo é semelhante a este”, e cita agora o Livro do Levítico 19,18: “AMARÁS ao teu próximo como a ti mesmo”. Embora este preceito já venha na Lei, Jesus dá-lhe, porém, um novo conteúdo. “O próximo” não é só o parente, o membro do próprio povo ou grupo, o semelhante, mas aquele com quem se encontra e se relaciona, inclusive os inimigos, independentemente do seu aspecto, origem, condição social ou simpatia. A ele há que amar como a si mesmo.

Ora, o “legista” estava apenas interessado em saber qual era, segundo o Mestre Jesus, o primeiro mandamento. Jesus respondeu, mas fez logo saber ao “legista” também o segundo. Disse que este segundo era semelhante ao primeiro. Ora, se é semelhante, já não é apenas segundo, mas faz corpo com o primeiro. Sendo assim, então o AMOR a Deus é verificável no AMOR ao próximo, no nosso dia-a-dia.

E Jesus conclui: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. A expressão “a Lei e os Profetas” é uma forma de dizer toda a Escritura. A pergunta do “legista” visava apenas a Lei, mas Jesus diz, na sua resposta, que é toda a Escritura que está atravessada pelo fio de ouro do AMOR a Deus e ao próximo. Como quem diz: o grau do teu AMOR a Deus verifica-se pela qualidade do teu AMOR ao próximo.

Palavra para o caminho

“… compreendi que a Igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de Amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam mais o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerrava todas as Vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e todos os lugares… numa palavra, que é Eterno!” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

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