Quem é semelhante a Ti? És inigualável

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Oh! Quão admirável é Jesus! Meu Deus, eu Te adoro! Só Tu és grande; adoro a Tua grandeza, o Teu poder. Só Tu és digno de admiração… Tu és admirável. Quem é semelhante a Ti? Não há outro deus semelhante a Ti, nem no Céu, nem na terra. Quão feliz sou por Deus me ter criado para O poder chamar “meu” Deus! Se Tu me tivesses criado sem a razão não poderia dizer “meu” Deus. Dou-Te graças por me haveres dado a inteligência: eu Te a ofereço. Quão feliz sou por ter um Pai que enche o Céu e a terra! Que em toda a parte se ouçam os louvores ao meu Deus! Que a montanha rejubile de alegria, que a terra exulte!…

Santa Maria de Jesus Crucificado

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18º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 6, 24-35)

Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus. Ao encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste cá?» Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo.» Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.» Eles replicaram: «Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra realizas Tu? Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu.» E Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo.» Disseram-lhe então: «Senhor, dá-nos sempre desse pão!» Respondeu-lhes Jesus: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».

Reflexão

O evangelho de João fala de um diálogo de grande interesse, que Jesus manteve com uma multidão nas margens do lago de Tiberíades. No dia anterior, ela compartilhou com Jesus uma refeição surpreendente e gratuita. Comeu pão até se saciar. Como irá deixá-lo ir embora? Aquilo que busca é que Jesus repita o seu gesto e volte a alimentar a todos gratuitamente. Não pensam em mais nada.

Jesus desconcerta-os com esta afirmação: “Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna”. O pão é indispensável para viver. Necessitamos dele e devemos trabalhar para que nunca falte a ninguém. Jesus sabe-o e manda-o pedir no Pai Nosso.

Porém, Jesus quer despertar uma outra fome. Fala-lhes de um pão que não sacia somente a fome de um dia, mas a fome e a sede de vida que há no ser humano. Jesus apresenta-se como esse Pão que nos vem do Pai, não para nos fartar de comida, mas “para dar vida ao mundo”. Este pão, vindo de Deus, “dura para a vida eterna”. Os alimentos que comemos todos os dias mantêm-nos vivos durante anos, porém chega um momento em que não podem defender-nos da morte. Não nos podem dar vida para além da morte. Jesus apresenta-se como esse Pão de vida eterna. Cada um tem de decidir como quer viver e como quer morrer. Porém, crer em Cristo é alimentar em nós uma força indestrutível, começar a viver algo que não terminará com a nossa morte.

Palavra para o caminho

Naturalmente, quando o bem-estar se converte no fim principal da nossa vida, já não importam demasiadamente os demais e cria-se um modo de vida tão superficial e tão insensível e cego relativamente às dimensões mais profundas do ser humano, que parece já não haver lugar para Deus. É um equívoco colocar toda a esperança num bem-estar que termina quando morremos. O apelo de Jesus pretende despertar-nos: “Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará”.

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Pensamentos do Santo Padre Pio

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– Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus.

– A paz é a simplicidade do espírito, a serenidade da mente. A tranquilidade da alma, o vínculo do amor. A paz é a ordem, a harmonia em todos nós: ela é um prazer contínuo, que surge do testemunho da boa consciência; é a alegria santa de um coração, no qual reina Deus.

– Quem vive a caridade vive em Deus.

– Nenhum de nós é digno d’Ele; mas é Jesus que nos convida, é Ele que deseja que O recebamos (na Eucaristia). Sejamos, pois, humildes e recebamo-Lo com o coração cheio de amor.

– Os santos amam mais do que as pessoas apegadas ao mundo.

– Louve somente a Deus e não aos homens.

– Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há-de escutar a tua oração.
– Naturalmente que temos plena consciência de não merecermos o seu perdão (de Deus); mas não duvidamos da sua infinita misericórdia. Esqueçamos pois os nossos pecados, como Deus já os esqueceu.

– Se os homens conhecessem o valor da Santa Missa, a Polícia teria que estar sempre às portas das Igrejas para manter a ordem por causa da grande quantidade de pessoas que a assistiriam.

– A misericórdia de Deus será sempre maior que a tua ingratidão.

– O sofrer é de todos, o saber sofrer é de poucos.

– Quando notamos que estamos com muito medo, é sinal que precisamos de aumentar a nossa confiança em Deus!

– O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas.

– Pratique a simplicidade e a humildade e não se preocupe com as críticas deste mundo.

– Olhe para Jesus crucificado e encontrará a solução de todos os problemas.

Padre Pio

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Beato Tito Brandsma – 27 de Julho

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Nasceu na cidade de Bolsward, na Frísia (Holanda), no ano de 1881. Ainda muito jovem, entrou para a Ordem do Carmo e foi ordenado sacerdote em 1905. Estudou em Roma, onde conseguiu o grau de Doutor em Filosofia na Universidade Gregoriana. Retornando para a Holanda, ensinou em diversas escolas e foi nomeado professor de Filosofia, Teologia Mística e sua história, na Universidade Católica de Nimega, da qual também foi eleito “Reitor Magnífico”. Salientou-se pela sua afabilidade para com todos. Foi jornalista profissional e, em 1935, foi designado Assistente Eclesiástico dos jornalistas católicos. Opôs-se à ocupação nazista da Holanda e, baseando-se no Evangelho, combateu tenazmente a ideologia do Nacional Socialismo (Nazismo), defendeu a liberdade da Educação e da Imprensa católicas e protestou contra a perseguição às crianças de origem judaica. Por estas razões foi preso: começa desta forma o seu Calvário de campo em campo, de prisão em prisão e, depois de tantos sofrimentos e humilhações, foi assassinado em Dachau, no ano de 1942. Até ao seu último suspiro, não se cansou de levar a paz e o conforto espiritual a todos os seus colegas de prisão. No meio de inúmeros e atrozes sofrimentos soube comunicar o bem, o amor e a paz. No dia 3 de Novembro de 1985 foi proclamado Beato da Igreja de Cristo pelo Papa João Paulo II, que dele falou: “Frei Tito Brandsma foi o maior carmelita do século XX”.

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Duas verdades evocadas pelo Escapulário

São duas, pois, as verdades evocadas pelo sinal do Escapulário: por um lado, a contínua protecção da Virgem Santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da suprema passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de não se poder limitar a devoção a Maria a meras orações e serviços prestados a fim de a honrar em algumas circunstâncias, devendo antes aquele constituir um “hábito”, ou seja, uma orientação constante da própria conduta pessoal, imbuída de oração e vida interior, mediante a prática frequente dos sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espirituais e corporais.

 São João Paulo II

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17º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 6, 1-15) 

Depois disto, Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Filipe respondeu-lhe: «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.» Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer. Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

Reflexão

O Papa Francisco disse que neste acontecimento relatado pelo evangelho deste Domingo lê-se três mensagens:

A primeira é a compaixão: “Diante da multidão que o segue e – por assim dizer – «não o deixa em paz», Jesus não reage com irritação, não diz: «Estas pessoas incomodam-me!». Não, não. Mas reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que não o procuram movidos pela curiosidade, mas pela necessidade. Mas prestemos atenção: compaixão – aquilo que Jesus sente – não é simplesmente sentir piedade; é algo mais! Significa com-padecer-se, ou seja, identificar-se com o sofrimento alheio, a ponto de o carregar sobre si…”.

A segunda é a partilha: “É útil confrontar a reacção dos discípulos, diante de pessoas cansadas e famintas, com a de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que é melhor despedir a multidão, para que possa ir comprar algo para comer. Jesus, ao contrário, diz: Dai-lhes vós mesmos de comer!..”.

E a terceira mensagem: “O prodígio dos pães prenuncia a Eucaristia. Vê-se isto no gesto de Jesus, que «abençoou» (v. 19) antes de partir os pães e de os distribuir à multidão. É o mesmo que fará Jesus na última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia, Jesus não oferece um pão, mas o pão de vida eterna, doa-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor a nós”.

Palavra para o caminho

O pão é multiplicado porque alguém “muito pequeno” renuncia a conservar para si as suas próprias seguranças arriscando fazer-se passar por ridículo e fracassar. O “rapazinho” da narração evangélica fia-se em Jesus, mesmo quando ele nada tinha prometido. O rapazito é uma pessoa insignificante, os pães são poucos e os peixes ainda menos. Tudo começa pela generosidade. Passando pelas mãos de Jesus tudo se converte em grande e belo. Há uma desproporção entre o que somos e o que Deus nos faz chegar a ser, se nos pusermos nas suas mãos. “Nada é impossível para Deus”. O nosso povo na sua sabedoria afirma: “O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”.

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Revista “Família Carmelita”

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A Ordem do Carmo em Portugal edita a revista Família Carmelita. Ela é um projecto editorial que já tem muitos anos, com uma história de altos e baixos, como é compreensível. Contudo, a perseverança tem mantido de pé esta publicação que pretende ser um “Abraço” entre todos aqueles e aquelas que, pertencendo ou não à Família Carmelita, de algum modo têm laços com o Carmelo, mesmo que sejam só afectivos.

Acaba de sair o nº 71, relativo a Julho de 2015, da revista Família Carmelita. Acompanha este texto a imagem da capa da revista. Para se ter uma ideia do seu conteúdo apresentamos os títulos dos trabalhos nela contidos: “Nota de abertura”; “A contemplação”; “Regra da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”; “Da permanência nas celas e da oração contínua. Nº 10 da Regra do Carmo”; “Bem-aventuranças dos pais”; “Mais uma carmelita canonizada: Maria de Jesus Crucificado”; “Santa Teresa de Jesus, escritora e mestra de oração”; “O Castelo de Teresa”; “O escapulário, dádiva de Maria”; “Como encontrei Nossa Senhora do Carmo”; “Um sacerdote”.

Temos sonhos e trabalhamos para os tornar realidade: servir e fazer chegar a um maior número de pessoas esta revista do Carmelo português. Lançamos-lhe um desafio: seja um Amigo da revista Família Carmelita e arranje também mais outro(s) Amigo(s) assinante(s).

Pode enviar os seus dados (Nome e Morada completa) para: familiacarmelita.revista@gmail.com ou: Frei Fernando Manuel Afonso Araújo – Rua de Santa Isabel, 128 – 1250-208 LISBOA. O preço da assinatura por cada número é 2 Euros e a anual é 6 Euros.

Muito obrigado.

Bem haja.

Fr. Manuel Castro, O. Carm.

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Solenidade do Profeta Elias – 20 de Julho

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Alguns peregrinos que foram do Ocidente para a Terra Santa escolheram o Monte Carmelo e estabeleceram-se junto da fonte chamada de Elias. Nesse lugar permanece ainda viva a memória do profeta cheio de zelo pelo Senhor, cuja palavra arde como uma tocha; o profeta que está na presença de Deus, sempre disposto a servi-Lo e a cumprir a sua Palavra; o profeta que mostra ao povo o verdadeiro Senhor; o profeta que estimula os seus a decidir-se a orientar a sua existência unicamente para o Senhor; o profeta atento à voz de Deus e ao grito dos pobres, que sabe defender os direitos do Único e dos seus predilectos, os últimos.

A Bíblia conta de Elias as maiores maravilhas e faz os mais belos elogios: pela sua oração Deus enviou abundantemente a chuva depois de um longo e rigoroso período de seca. Fugindo do terrível rei Acab e escondido numa gruta, o Senhor ordenou a um corvo que durante muitos dias levasse pão a Elias. Na sua fuga ia o profeta esfomeado. Era o tempo da seca. Foi pois neste período que Elias abençoou uma viúva pedindo ao Senhor que, enquanto durasse a seca, não lhe faltasse nem a farinha nem o azeite para o seu sustento e do seu filho, em reconhecimento pela hospitalidade desta família pobre que socorreu o faminto profeta de Deus. E, mais tarde, tendo morrido o único filho desta viúva, Elias ressuscitou o menino. No monte Carmelo Elias fez descer fogo sobre o sacrifício, mostrando assim que o deus Baal e os seus profeta eram falsos. Novamente viu-se forçado a fugir de Acab e da sua mulher Jezabel. Faminto e desalentado no deserto a ponto de desejar morrer, Deus alimenta-o através de um anjo com pão e água, e encoraja-o a caminhar durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, o Horeb. Uma vez aqui, Deus mostrou-se a Elias já não nos tradicionais sinais do Antigo Testamento, do fogo, do terramoto ou do forte vento, mas numa brisa suave. Esta nova experiência de Deus dá-lhe olhos novos, abre um novo horizonte e devolve a Elias a liberdade para a acção, a vitória sobre o medo, a vontade de continuar a lutar pela causa de Deus em defesa da vida do povo, e dá-lhe, ao mesmo tempo, a consciência clara de não ser o dono da luta nem o único a defender a causa de Deus.

Elias converteu-se assim, para os primeiros carmelitas e os irmãos que lhes sucederam, na primeira pessoa que tinha incarnado o ideal de vida que os tinha estimulado a deixar as suas casas. Sentiram-se, em certo sentido, filhos seus, herdeiros de uma riqueza espiritual que, por diferentes caminhos, tinha chegado até eles. Os carmelitas de então, como os de hoje, têm Elias como seu “Pai”, não no sentido histórico ou material, mas pelos valores que a sua figura exprime.

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16º Domingo do Tempo Comum – Ano B

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 6, 30-34) 

Naquele tempo os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Disse-lhes, então: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

Reflexão

O nosso texto começa com a narração do regresso dos discípulos que, entusiasmados, contam a Jesus a forma como se tinha desenrolado a missão que lhes fora confiada. Na sequência, Jesus convida-os a irem com Ele para um lugar isolado e a descansarem um pouco. Os discípulos foram, com Jesus, para um lugar deserto; mas as multidões adivinharam para onde Jesus e os discípulos se dirigiam e chegaram primeiro. Ao desembarcar, Jesus viu as pessoas, teve compaixão delas (“porque eram como ovelhas sem pastor”) e pôs-se a ensiná-las.

A primeira coisa que o evangelista destaca é o olhar de Jesus. Não se irrita porque interromperam os seus planos. Olha-os demoradamente e comove-se. O seu coração intui a desorientação e o abandono em que se encontram os camponeses daquelas aldeias. Na Igreja temos de aprender a olhar para o povo como o olhava Jesus: captando o sofrimento, a solidão, o desconcerto ou o abandono que sofrem muitos e muitas.

A partir desse olhar, Jesus descobre a necessidade mais profunda daquelas pessoas: “andam como ovelhas sem pastor”. Vivem sem que ninguém cuide, realmente, delas. Não têm um pastor que as guie e defenda.

Movido pela compaixão, Jesus “pôs-se a ensiná-las”. Sem pressa, dedica-se pacientemente a ensinar-lhes a Boa Notícia de Deus. Não o faz por obrigação. Não pensa em si mesmo. Comunica-lhes a Palavra de Deus, comovido pela necessidade que têm de um pastor.

Não podemos permanecer indiferentes diante de tanta gente que, dentro das nossas comunidades cristãs, procuram um alimento mais sólido do que aquele que recebe. Não são poucos os cristãos que buscam ser melhor alimentados. Necessitam de pastores que lhes transmitam o ensinamento de Jesus.

Palavra para o caminho

Estes cinco versículos do Evangelho deste Domingo põem em relevo duas coisas: dão um retrato de Jesus formador dos discípulos e indicam que anunciar a Boa Nova de Jesus não é só uma questão de doutrina, mas sobretudo de acolhimento, bondade, ternura, disponibilidade, revelação do amor de Deus.

Marcos define o conteúdo do ensino de Jesus como “Boa Nova de Deus” (Mc 1, 14). A Boa Nova que Jesus proclama vem de Deus e revela algo sobre Deus. Em tudo o que Jesus diz e faz reflecte-se os traços do rosto de Deus. Reflecte a experiência que Ele mesmo tem de Deus, a experiência do Pai. Revelar Deus como Pai é a fonte, o conteúdo e o fim da Boa Nova de Deus.

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