{"id":8842,"date":"2017-12-24T23:53:39","date_gmt":"2017-12-24T23:53:39","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=8842"},"modified":"2017-12-24T23:53:39","modified_gmt":"2017-12-24T23:53:39","slug":"missa-da-noite-do-natal-do-senhor-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=8842","title":{"rendered":"Missa da noite do Natal do Senhor. Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"JUSTIFY\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/O-menino-jesus-nasceu-para-nos-relacionados.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-8843\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/O-menino-jesus-nasceu-para-nos-relacionados.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">\u00abCompletaram-se os dias de [Maria] dar \u00e0 luz e teve o seu filho primog\u00e9nito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por n\u00e3o haver lugar para eles na hospedaria\u00bb (Lc\u00a02, 6-7). Com esta afirma\u00e7\u00e3o simples mas clara, Lucas leva-nos ao cora\u00e7\u00e3o daquela noite santa: Maria deu\u00a0\u00e0 <i>luz<\/i>, Maria deu-nos\u00a0a <i>Luz<\/i>. Uma narra\u00e7\u00e3o simples para nos entranhar no acontecimento que muda para sempre a nossa hist\u00f3ria. Tudo, naquela noite, se tornava fonte de esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Mas recuemos alguns vers\u00edculos\u2026 Por decreto do imperador, Maria e Jos\u00e9 viram-se obrigados a partir. Tiveram de deixar os parentes, a sua casa, a sua terra e p\u00f4r-se a caminho para se recensearem. Uma viagem nada confort\u00e1vel nem f\u00e1cil para um casal jovem que estava para ter um beb\u00e9: viram-se for\u00e7ados a deixar a sua terra. No cora\u00e7\u00e3o, transbordavam de esperan\u00e7a e de futuro por causa do filho que chegava; mas sentiam os passos carregados com as incertezas e perigos pr\u00f3prios de quem tem de deixar a sua casa.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">E em seguida tocou-lhes enfrentar a coisa talvez mais dif\u00edcil: chegar a Bel\u00e9m e sentir que era uma terra que n\u00e3o os esperava, uma terra onde n\u00e3o havia lugar para eles.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Mas foi precisamente l\u00e1, naquela realidade que se revelava um desafio, que Maria nos presenteou com o Emanuel. O Filho de Deus teve de nascer num curral, porque os seus n\u00e3o tinham espa\u00e7o para Ele. \u00abVeio para o que era seu, e os seus n\u00e3o O receberam\u00bb (Jo1, 11). E l\u00e1, no meio da escurid\u00e3o duma cidade que n\u00e3o tem espa\u00e7o nem lugar para o forasteiro que vem de longe, no meio da escurid\u00e3o duma cidade toda em movimento que parecia querer, neste caso, edificar-se voltando as costas aos outros\u2026 precisamente l\u00e1 acende-se a centelha revolucion\u00e1ria da ternura de Deus. Em Bel\u00e9m, criou-se uma pequena abertura para aqueles que perderam a terra, a p\u00e1tria, os sonhos; mesmo para aqueles que sucumbiram \u00e0 asfixia produzida por uma vida fechada.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Nos passos de Jos\u00e9 e Maria, escondem-se tantos passos. Vemos as pegadas de fam\u00edlias inteiras que hoje s\u00e3o obrigadas a partir. Vemos as pegadas de milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o escolhem partir, mas s\u00e3o obrigadas a separar-se dos seus entes queridos, s\u00e3o expulsas da sua terra. Em muitos casos, esta partida est\u00e1 carregada de esperan\u00e7a, carregada de futuro; mas, em tantos outros, a partida tem apenas um nome: sobreviv\u00eancia. Sobreviver aos Herodes de turno, que, para impor o seu poder e aumentar as suas riquezas, n\u00e3o t\u00eam problema algum em derramar sangue inocente.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Maria e Jos\u00e9, para quem n\u00e3o havia lugar, s\u00e3o os primeiros a abra\u00e7ar Aquele que nos vem dar a todos o documento de cidadania; Aquele que, na sua pobreza e pequenez, denuncia e mostra que o verdadeiro poder e a aut\u00eantica liberdade s\u00e3o os que honram e socorrem a fragilidade do mais fraco.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Naquela noite, Aquele que n\u00e3o tinha um lugar para nascer \u00e9 anunciado \u00e0queles que n\u00e3o tinham lugar nas mesas e nas ruas da cidade. Os pastores s\u00e3o os primeiros destinat\u00e1rios desta Boa Not\u00edcia. Pelo seu trabalho, eram homens e mulheres que tinham de viver \u00e0 margem da sociedade. As suas condi\u00e7\u00f5es de vida, os lugares onde eram obrigados a permanecer, impediam-lhes de observar todas as prescri\u00e7\u00f5es rituais de purifica\u00e7\u00e3o religiosa e, por isso, eram considerados impuros. Tra\u00eda-os a sua pele, as suas roupas, o seu odor, o modo de falar, a origem. Neles tudo gerava desconfian\u00e7a. Homens e mulheres de quem era preciso estar ao largo, recear; eram considerados pag\u00e3os entre os crentes, pecadores entre os justos e estrangeiros entre os cidad\u00e3os. A eles \u2013 pag\u00e3os, pecadores e estrangeiros \u2013 disse o anjo: \u00abN\u00e3o temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o ser\u00e1 para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que \u00e9 o Messias Senhor\u00bb (Lc\u00a02, 10-11).<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Eis a alegria que somos convidados a partilhar, celebrar e anunciar nesta noite. A alegria com que Deus, na sua infinita miseric\u00f3rdia, nos abra\u00e7ou a n\u00f3s,\u00a0<i>pag\u00e3os, pecadores e estrangeiros<\/i>, e nos impele a fazer o mesmo.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">A f\u00e9 desta noite leva-nos a reconhecer Deus presente em todas as situa\u00e7\u00f5es onde O julgamos ausente. Ele est\u00e1 no visitante indiscreto, muitas vezes irreconhec\u00edvel, que caminha pelas nossas cidades, pelos nossos bairros, viajando nos nossos transportes p\u00fablicos, batendo \u00e0s nossas portas.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">E esta mesma f\u00e9 impele-nos a abrir espa\u00e7o a uma nova imagina\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o ter medo de experimentar novas formas de relacionamento onde ningu\u00e9m deva sentir que n\u00e3o tem um lugar nesta terra. Natal \u00e9 tempo para transformar a for\u00e7a do medo em for\u00e7a da caridade, em for\u00e7a para uma nova imagina\u00e7\u00e3o da caridade. A caridade que n\u00e3o se habitua \u00e0 injusti\u00e7a como se fosse algo natural, mas tem a coragem, no meio de tens\u00f5es e conflitos, de se fazer \u00abcasa do p\u00e3o\u00bb, terra de hospitalidade. Assim no-lo recordava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u00abN\u00e3o tenhais medo! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo\u00bb (<i>Homilia\u00a0na Missa de in\u00edcio do Pontificado<\/i>, 22\/X\/1978).<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">No Menino de Bel\u00e9m, Deus vem ao nosso encontro para nos tornar protagonistas da vida que nos rodeia. Oferece-Se para que O tomemos nos bra\u00e7os, para que O levantemos e abracemos; para que n\u2019Ele n\u00e3o tenhamos medo de tomar nos bra\u00e7os, levantar e abra\u00e7ar o sedento, o forasteiro, o nu, o doente, o recluso (cf.\u00a0Mt\u00a025, 35-36). \u00abN\u00e3o tenhais medo! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo\u00bb. Neste Menino, Deus convida-nos a cuidar da esperan\u00e7a. Convida-nos a fazer-nos sentinelas para muitos que sucumbiram sob o peso da desola\u00e7\u00e3o, que deriva do facto de encontrar tantas portas fechadas. Neste Menino, Deus torna-nos protagonistas da sua hospitalidade.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Comovidos pelo jubiloso dom, Menino pequenino de Bel\u00e9m, pedimo-Vos que o vosso choro nos desperte da nossa indiferen\u00e7a, abra os olhos perante quem sofre. A vossa ternura desperte a nossa sensibilidade e nos fa\u00e7a sentir convidados a reconhecer-Vos em todos aqueles que chegam \u00e0s nossas cidades, \u00e0s nossas hist\u00f3rias, \u00e0s nossas vidas. Que a vossa ternura revolucion\u00e1ria nos persuada a sentir-nos convidados a cuidar da esperan\u00e7a e da ternura do nosso povo.<\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"color: #000000;\"><i><b>Papa Francisco, 24 de Dezembro de 2017<\/b><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abCompletaram-se os dias de [Maria] dar \u00e0 luz e teve o seu filho primog\u00e9nito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por n\u00e3o haver lugar para eles na hospedaria\u00bb (Lc\u00a02, 6-7). Com esta afirma\u00e7\u00e3o simples mas clara, Lucas leva-nos ao cora\u00e7\u00e3o daquela noite santa: Maria deu\u00a0\u00e0 luz, Maria deu-nos\u00a0a Luz. 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