{"id":7050,"date":"2017-03-27T17:26:10","date_gmt":"2017-03-27T17:26:10","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=7050"},"modified":"2017-03-27T17:26:10","modified_gmt":"2017-03-27T17:26:10","slug":"a-proposito-de-jacinta-e-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=7050","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito de Jacinta e Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/fatima_pastorinhos_francisco_jacinta-640x427.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-7051\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/fatima_pastorinhos_francisco_jacinta-640x427.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">No meio das pequenas, m\u00e9dias e grandes not\u00edcias sobre quase tudo e quase nada, foi com j\u00fabilo \u2013 como cat\u00f3lico e portugu\u00eas \u2013 \u00a0que soube da canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos de F\u00e1tima, Jacinta e Francisco, que o povo crist\u00e3o, j\u00e1 h\u00e1 muito, havia consagrado como mem\u00f3rias vivas de santidade.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Nestas ocasi\u00f5es \u00e9 frequente ouvirem-se vozes desvalorizando ou tro\u00e7ando da ideia crist\u00e3 da santidade. Bem sei, tamb\u00e9m, que os santos est\u00e3o \u201cfora de moda\u201d na sociedade hedonista, relativista, de curto-circuito entre dinheiro e consci\u00eancia, subjugada \u00e0 \u201cditadura das banalidades\u201d, carente de exemplaridade, f\u00f3bica em rela\u00e7\u00e3o ao transcendente. Oscar Wilde haveria de, com sarcasmo, antecipar, no seu tempo, esta ideia, ao dizer que a diferen\u00e7a entre um santo e um pecador, \u00e9 que o santo tem sempre um passado e o pecador tem sempre um futuro\u2026<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Ser santo \u00e9 a vers\u00e3o com f\u00e9 da exemplaridade laica. Uma express\u00e3o da Gra\u00e7a Divina, mas tamb\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o livre de se ser pessoa e da convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 a partir do nosso interior se pode transformar o que nos \u00e9 exterior. Ser santo \u00e9, tamb\u00e9m, uma forma de subvers\u00e3o vivida na aus\u00eancia de qualquer forma de poder, que \u00e9 onde se deve revelar toda a presen\u00e7a de Deus. Escreveu D. Saraiva Martins que a santidade n\u00e3o consiste em fazer nada de extraordin\u00e1rio ou de \u201cex\u00f3tico\u201d, longe do alcance do homem comum, mas sim fazer sempre e bem as coisas ordin\u00e1rias, na fam\u00edlia, no trabalho, na sociedade, na educa\u00e7\u00e3o, na vida p\u00fablica, na voca\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">A santidade assenta na f\u00e9 vivida e no servi\u00e7o testemunhado, como tamb\u00e9m em regras de vida que est\u00e3o ao alcance de todos, com ou sem f\u00e9. No fundo, sabendo-se que o mais dif\u00edcil de alcan\u00e7ar \u00e9 o simples, que o mais poss\u00edvel de alcan\u00e7ar \u00e9 o que mais imposs\u00edvel parece, que o maior alimento do direito \u00e9 o dever, que o mais aparentemente insignificante sacrif\u00edcio pode ser o mais virtuoso, que a mais radical sinceridade \u00e9 irm\u00e3 g\u00e9mea da verdade, que a mais austera perseveran\u00e7a \u00e9 irm\u00e3 g\u00e9mea da bondade, que o hero\u00edsmo \u00e9 a persist\u00eancia paciente na luta de cada dia, que a fraternidade \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e a intelig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o, que na autenticidade est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o do comportamento, que a mais min\u00fascula verdade supera as mais poderosas mentiras, que a mais insignificante das perfei\u00e7\u00f5es \u00e9 prefer\u00edvel \u00e0 mais sonante das imperfei\u00e7\u00f5es, que o exemplo \u00e9 o caminho mais curto para o bem e o mais contagiante para os outros, e que o optimismo radica na esperan\u00e7a, na virtude, no trabalho e que o pessimismo radica na indiferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">No caso dos dois mais jovens beatos n\u00e3o-m\u00e1rtires Jacinta e Francisco, enquanto intercessores e como modelos de santidade, a sua canoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um encorajamento para fortalecer uma Igreja que pugne, cada dia, pela op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, pelos \u00faltimos, pelas crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Nestas alturas, \u00e9 recorrente apelar-se \u00e0 separa\u00e7\u00e3o completa entre o Estado e a Igreja. Por\u00e9m, a laicidade do Estado n\u00e3o implica a laicidade da sociedade. A sociedade \u00e9 plural e livre no sentido religioso e \u00e9 errado confundir, neste plano, Estado e Sociedade. A louv\u00e1vel e imperativa neutralidade religiosa do Estado n\u00e3o significa neutralidade por omiss\u00e3o, indiferen\u00e7a, absten\u00e7\u00e3o, ignor\u00e2ncia ou desconhecimento dos fen\u00f3menos religiosos e muito menos hostilidade.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o entendo, por isso, a omiss\u00e3o de alguns \u00f3rg\u00e3os de soberania, sempre t\u00e3o pr\u00f3digos e r\u00e1pidos em felicitar outras personagens e destacar outros acontecimentos e em formular votos de congratula\u00e7\u00e3o por d\u00e1 c\u00e1 aquela palha.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">Esta simb\u00f3lica distin\u00e7\u00e3o honra a portugalidade no Mundo, mesmo se vista fora do contexto estritamente religioso.<\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"color: #000000;\"><i><b>Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix, site do jornal P\u00fablico, 27 de Mar\u00e7o de 2017<\/b><\/i><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio das pequenas, m\u00e9dias e grandes not\u00edcias sobre quase tudo e quase nada, foi com j\u00fabilo \u2013 como cat\u00f3lico e portugu\u00eas \u2013 \u00a0que soube da canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos de F\u00e1tima, Jacinta e Francisco, que o povo crist\u00e3o, j\u00e1 h\u00e1 muito, havia consagrado como mem\u00f3rias vivas de santidade. 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