{"id":2618,"date":"2014-05-02T23:12:46","date_gmt":"2014-05-02T23:12:46","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=2618"},"modified":"2019-07-25T10:59:03","modified_gmt":"2019-07-25T09:59:03","slug":"3-o-domingo-da-pascoa-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=2618","title":{"rendered":"3.\u00ba Domingo da P\u00e1scoa (Ano A)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/sem-nome.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2619\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/sem-nome.png\" alt=\"sem nome\" width=\"320\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/sem-nome.png 800w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/sem-nome-150x150.png 150w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/sem-nome-300x300.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><b>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas (Lc 24, 13-35)<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i>Nesse mesmo dia, dois dos disc\u00edpulos iam a caminho de uma aldeia chamada Ema\u00fas, que ficava a cerca de duas l\u00e9guas de Jerusal\u00e9m; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o pr\u00f3prio Jesus e p\u00f4s-se com eles a caminho; os seus olhos, por\u00e9m, estavam impedidos de o reconhecer. Disse-lhes Ele: \u00abQue palavras s\u00e3o essas que trocais entre v\u00f3s, enquanto caminhais?\u00bb Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cl\u00e9ofas, respondeu: \u00abTu \u00e9s o \u00fanico forasteiro em Jerusal\u00e9m a ignorar o que l\u00e1 se passou nestes dias!\u00bb Perguntou-lhes Ele: \u00abQue foi?\u00bb Responderam-lhe: \u00abO que se refere a Jesus de Nazar\u00e9, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado \u00e0 morte e crucificado. N\u00f3s esper\u00e1vamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, j\u00e1 l\u00e1 vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. \u00c9 verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, n\u00e3o achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Ent\u00e3o, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, n\u00e3o o viram.\u00bb Jesus disse-lhes, ent\u00e3o: \u00ab\u00d3 homens sem intelig\u00eancia e lentos de esp\u00edrito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! N\u00e3o tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua gl\u00f3ria?\u00bb E, come\u00e7ando por Mois\u00e9s e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez men\u00e7\u00e3o de seguir para diante. Os outros, por\u00e9m, insistiam com Ele, dizendo: \u00abFica connosco, pois a noite vai caindo e o dia j\u00e1 est\u00e1 no ocaso.\u00bb Entrou para ficar com eles. E, quando se p\u00f4s \u00e0 mesa, tomou o p\u00e3o, pronunciou a b\u00ean\u00e7\u00e3o e, depois de o partir, entregou-lho. Ent\u00e3o, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presen\u00e7a. Disseram, ent\u00e3o, um ao outro: \u00abN\u00e3o nos ardia o cora\u00e7\u00e3o, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?\u00bb<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i>Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusal\u00e9m e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: \u00abRealmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o!\u00bb E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o p\u00e3o.<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><b>Mensagem<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">A cena coloca-nos, em primeiro lugar, diante de dois disc\u00edpulos que v\u00e3o a caminho de Ema\u00fas. Um chama-se Cl\u00e9ofas; o outro n\u00e3o \u00e9 identificado (como se Lucas quisesse dizer que podia ser \u201dqualquer um\u201d dos crentes que tomam conhecimento da hist\u00f3ria). Os dois est\u00e3o, nitidamente, tristes e desanimados, pois os seus sonhos de triunfo e de gl\u00f3ria ao lado de Jesus ru\u00edram pela base, aos p\u00e9s de uma cruz. Esse Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores, de restaurar o reino grandioso de David (\u201dn\u00f3s esper\u00e1vamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel\u201d) e de distribuir benesses e honras aos seus colaboradores directos revelou-se, afinal, um \u201dbluff\u201d, um rotundo fracasso. Em lugar de triunfar, deixou-Se matar numa cruz; e a sua morte \u00e9 um facto consumado pois \u201d\u00e9 j\u00e1 o terceiro dia depois que isto aconteceu\u201d (o \u201dterceiro dia\u201d ap\u00f3s a morte \u00e9 o dia da morte definitiva, do n\u00e3o regresso do t\u00famulo). Abandonam a comunidade \u2013 que, doravante, n\u00e3o parece fazer qualquer sentido \u2013 e regressam \u00e0 sua aldeia, dispostos a esquecer o sonho, a p\u00f4r os p\u00e9s na terra e a enfrentar, de novo, uma vida dura e sem esperan\u00e7a. A discuss\u00e3o entre eles a prop\u00f3sito de \u201dtudo o que tinha acontecido\u201d (vers. 14) deve entender-se neste enquadramento: \u00e9 essa partilha solid\u00e1ria dos sonhos desfeitos que torna menos doloroso o desencanto.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Na sequ\u00eancia, o autor do relato introduz no quadro uma nova personagem: Jesus. Ele faz-se companheiro de viagem destes disc\u00edpulos em caminhada, interroga-os sobre \u201do que se passou nestes dias\u201d em Jerusal\u00e9m, escuta as suas preocupa\u00e7\u00f5es, torna-se o confidente da sua frustra\u00e7\u00e3o. Os dois homens contam a hist\u00f3ria do \u201dmestre\u201d cuja proposta os seduziu; mas a vers\u00e3o que contam termina no t\u00famulo: falta, na sua descri\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 no Senhor ressuscitado \u2013 ainda que conhe\u00e7am a tradi\u00e7\u00e3o do t\u00famulo vazio.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Para responder \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es dos dois disc\u00edpulos e para lhes demonstrar que o projecto de Deus n\u00e3o passava por quadros de triunfo humano, mas pelo amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias e pelo dom da vida, \u201dcome\u00e7ando por Mois\u00e9s e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito\u201d. \u00c9 na escuta e na partilha da Palavra que o plano salvador de Deus ganha sentido: s\u00f3 atrav\u00e9s da Palavra de Deus \u2013 explicada, meditada e acolhida \u2013 o crente pode perceber que o amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias e o dom da vida n\u00e3o s\u00e3o um fracasso, mas geram vida nova e definitiva. A escuta da Palavra de Deus d\u00e1 a entender ao crente a l\u00f3gica de Deus e demonstra-lhe que a vida oferecida como dom n\u00e3o \u00e9 perdida, mas \u00e9 semente de vida plena. Os disc\u00edpulos percebem, ent\u00e3o, que \u201do messias tinha de sofrer tudo isso para entrar na gl\u00f3ria\u201d: a vida plena e definitiva n\u00e3o est\u00e1 \u2013 de acordo com os esquemas de Deus \u2013 nos \u00eaxitos humanos, nos tronos, no poder; mas est\u00e1 no servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os, no dom da vida por amor, na partilha total daquilo que somos e que temos com os irm\u00e3os que caminham lado a lado connosco nos caminhos da vida.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Os tr\u00eas (Jesus, Cl\u00e9ofas e o disc\u00edpulo n\u00e3o identificado) chegam, finalmente, a Ema\u00fas. Os disc\u00edpulos continuam a n\u00e3o reconhecer Jesus, mas convidam-n\u2019O a ficar com eles. Ele aceita e sentam-se \u00e0 mesa. Enquanto comiam, Jesus \u201dtomou o p\u00e3o, recitou a b\u00ean\u00e7\u00e3o, partiu-o e entregou-lho\u201d. As palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus evocam a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica da Igreja primitiva. Dessa forma, Lucas recorda aos membros da sua comunidade que \u00e9 poss\u00edvel encontrar Jesus vivo e ressuscitado \u2013 esse Jesus que por amor enfrentou a cruz, mas que continua a fazer-Se companheiro de caminhada dos homens nos caminhos da hist\u00f3ria \u2013 na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical: sempre que os irm\u00e3os se re\u00fanem em nome de Jesus para \u201dpartir o p\u00e3o\u201d, Jesus l\u00e1 est\u00e1, vivo e actuante, no meio deles. A \u00faltima cena da nossa hist\u00f3ria p\u00f5e os disc\u00edpulos a retomar o caminho, a regressar a Jerusal\u00e9m e a anunciar aos irm\u00e3os que Jesus est\u00e1, efectivamente, vivo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Quando Lucas escreve o seu Evangelho (d\u00e9cada de 80), a comunidade crist\u00e3 defrontava-se com algumas dificuldades. Tinham decorrido cerca de cinquenta anos depois da morte de Jesus, em Jerusal\u00e9m. A catequese dizia que Ele estava vivo; mas no dia a dia de uma vida mon\u00f3tona, cansativa e cheia de dificuldades, era dif\u00edcil fazer essa experi\u00eancia. As testemunhas oculares de Jesus tinham j\u00e1 desaparecido e os acontecimentos da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o pareciam demasiado distantes, il\u00f3gicos e irreais. \u201dSe Jesus ressuscitou e est\u00e1 vivo, como posso encontr\u00e1-l\u2019O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experi\u00eancia de encontro real com esse Jesus que a morte n\u00e3o conseguiu vencer? Porque \u00e9 que Ele n\u00e3o aparece de forma gloriosa e n\u00e3o instaura um reino de gl\u00f3ria e de poder, que nos fa\u00e7a triunfar definitivamente sobre os nossos advers\u00e1rios e detractores?\u201d \u2013 perguntavam os crentes das comunidades lucanas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00c9 a isto que o catequista Lucas vai procurar responder. A sua mensagem dirige-se a esses crentes que caminham pela vida desanimados e sem rumo, cujos sonhos parecem desfazer-se ao encontro da realidade mon\u00f3tona e dif\u00edcil do dia a dia. Lucas diz: n\u00f3s, homens, podemos ter devaneios de grandezas e sonhar com interven\u00e7\u00f5es espectaculares e decisivas de Deus na hist\u00f3ria humana; mas esses n\u00e3o s\u00e3o os esquemas de Deus. N\u00e3o ser\u00e1 numa interven\u00e7\u00e3o desse tipo que encontraremos Jesus, vivo e ressuscitado. No entanto, Ele est\u00e1 vivo e caminha ao nosso lado nos caminhos do mundo. \u00c0s vezes, n\u00e3o conseguimos reconhec\u00ea-l\u2019O, pois os nossos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o cheios de perspectivas erradas acerca do que Ele \u00e9, dos seus m\u00e9todos e do que Ele pretende; mas, apesar de tudo, Ele faz-Se nosso companheiro de viagem, caminha connosco passo a passo, alimenta a nossa caminhada com a esperan\u00e7a que brota da sua Palavra, faz-Se encontrar na partilha comunit\u00e1ria do p\u00e3o (Eucaristia).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Na catequese lucana aparece, sobretudo, a ideia de que \u00e9 na celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da Eucaristia que os crentes fazem a experi\u00eancia do encontro com Jesus vivo e ressuscitado. A nossa narra\u00e7\u00e3o apresenta o esquema lit\u00fargico da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica: a liturgia da Palavra (a \u201dexplica\u00e7\u00e3o das Escrituras\u201d \u2013 que permite aos disc\u00edpulos entenderem a l\u00f3gica do plano de Deus em rela\u00e7\u00e3o a Jesus) e o \u201dpartir do p\u00e3o\u201d (que faz com que os disc\u00edpulos entrem em comunh\u00e3o com Jesus, recebam d\u2019Ele vida e que O reconhe\u00e7am nesses gestos que s\u00e3o o \u201dmemorial\u201d do dom da vida e da entrega aos homens).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">H\u00e1 ainda uma \u00faltima mensagem: depois de fazer a experi\u00eancia do encontro com Cristo vivo e ressuscitado na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, cada crente \u00e9, implicitamente, convidado a voltar \u00e0 estrada, a dirigir-se ao encontro dos irm\u00e3os e a testemunhar que Jesus est\u00e1 vivo e presente na hist\u00f3ria e na caminhada dos homens.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas (Lc 24, 13-35) Nesse mesmo dia, dois dos disc\u00edpulos iam a caminho de uma aldeia chamada Ema\u00fas, que ficava a cerca de duas l\u00e9guas de Jerusal\u00e9m; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. 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