{"id":17268,"date":"2021-03-28T11:49:09","date_gmt":"2021-03-28T10:49:09","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=17268"},"modified":"2021-03-29T15:52:11","modified_gmt":"2021-03-29T14:52:11","slug":"as-sete-palavras-de-jesus-na-cruz-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=17268","title":{"rendered":"As sete palavras de Jesus na cruz &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mao-segurando-cruz-contra-sol_widexl.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-17293\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mao-segurando-cruz-contra-sol_widexl-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mao-segurando-cruz-contra-sol_widexl-300x200.jpg 300w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mao-segurando-cruz-contra-sol_widexl-768x512.jpg 768w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mao-segurando-cruz-contra-sol_widexl.jpg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>1. Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? (Mc 15,33-36<\/strong>)<\/p>\n<p><em>Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas da tarde. E \u00e0s tr\u00eas da tarde, Jesus exclamou em alta voz: \u00abElo\u00ed, Elo\u00ed, lem\u00e1 sabacht\u00e1ni?\u00bb, que quer dizer: <strong>Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?<\/strong> Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: \u00abEst\u00e1 a chamar por Elias!\u00bb Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, p\u00f4-la numa cana e deu-lhe de beber, dizendo: \u00abEsperemos, a ver se Elias vem tir\u00e1-lo dali.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Esta exclama\u00e7\u00e3o de Jesus crucificado mostra, antes de mais, como Ele desceu realmente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, em todas as suas potencialidades e capacidades, mas igualmente \u00e0 sua dramaticidade, dor e limita\u00e7\u00e3o. Confrontado com a oposi\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a dor e a perspetiva da morte, Ele permanece fiel ao projeto do Pai do c\u00e9u e do seu des\u00edgnio de cria\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano e aberto \u00e0 plenitude da vida.<\/p>\n<p>Na hora da crise, da viol\u00eancia, da morte, Jesus sente a ang\u00fastia de qualquer ser humano, n\u00e3o s\u00f3 perante a morte f\u00edsica, mas igualmente perante o aparente desmoronar dos seus projetos. Ele sente a experi\u00eancia do \u201cabandono de Deus\u201d, que contradiz a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com Ele.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o vive esta hora em oposi\u00e7\u00e3o com Deus, mas rezando. As suas palavras s\u00e3o o in\u00edcio de um salmo \u2013 ora\u00e7\u00e3o dos aflitos (Sl 22) \u2013 que come\u00e7a com um doloroso lamento perante o que aparece como o abandono de Deus e termina com louvor perante a salva\u00e7\u00e3o que Ele concede aos que nele confiam.<\/p>\n<p>Esta atitude orante \u2013 isto \u00e9, de liga\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus \u2013 n\u00e3o aparece apenas aqui. Esteve presente ao longo da sua vida: no in\u00edcio da sua miss\u00e3o, no deserto, nas noites e manh\u00e3s em que se retirava, quando tinha de tomar decis\u00f5es, no Jardim das Oliveiras, na horas das crises. Jesus viveu sempre em comunh\u00e3o com o Pai e, nesta hora solene e dram\u00e1tica, essa rela\u00e7\u00e3o faz-se mais forte.<\/p>\n<p>Mas a ora\u00e7\u00e3o de Jesus na cruz significa mais do que isso. Ele reza a ora\u00e7\u00e3o do seu povo, com o seu povo, com toda a humanidade e pela humanidade \u00e0 qual se tinha unido. O seu grito ao Pai \u00e9 o grito da humanidade inteira. Ele sente bem a ang\u00fastia dos homens: a fome das multid\u00f5es, a sede de vida dos enfermos, dos pobres e injusti\u00e7ados, a exclus\u00e3o dos pecadores e dos que pensam diferente, as v\u00edtimas das opress\u00f5es e os frustrados das revoltas violentas\u2026 Tudo isso se encontra neste grito de Jesus, na cruz de Jesus.<\/p>\n<p>Este \u00e9 tamb\u00e9m o grito da humanidade crente, o grito de n\u00f3s todos, tamb\u00e9m nesta pandemia que atinge a humanidade:\u00a0\u201c<em>Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste<\/em>?\u201d N\u00e3o \u00e9 um grito contra Deus, mas dirigido a Deus na dor e, por vezes, na dif\u00edcil compreens\u00e3o dos seus caminhos. No fundo um grito de sede e de confian\u00e7a, para entender e aceitar o porqu\u00ea de tudo isto e a meta aonde o caminho da vida nos leva.<\/p>\n<p>A dor pode ter este efeito: reconhecer a pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o e levantar os olhos ao c\u00e9u \u00e0 procura de luz, de for\u00e7a, de caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? (Mc 15,33-36) Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas da tarde. E \u00e0s tr\u00eas da tarde, Jesus exclamou em alta voz: \u00abElo\u00ed, Elo\u00ed, lem\u00e1 sabacht\u00e1ni?\u00bb, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? 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