{"id":17257,"date":"2021-03-24T10:28:10","date_gmt":"2021-03-24T10:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=17257"},"modified":"2021-03-24T10:28:10","modified_gmt":"2021-03-24T10:28:10","slug":"domingos-de-ramos-e-a-narrativa-da-paixao-do-evangelista-marcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=17257","title":{"rendered":"Domingos de Ramos e a narrativa da Paix\u00e3o do evangelista Marcos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Stmo_Cristo_Humildad-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-17258\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Stmo_Cristo_Humildad-2-300x215.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Stmo_Cristo_Humildad-2-300x215.jpg 300w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Stmo_Cristo_Humildad-2.jpg 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Termos da Paix\u00e3o, em Marcos<\/strong><\/p>\n<p>Nas celebra\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo Domingo (Domingo de Ramos), vai ser lida a narrativa da Paix\u00e3o do evangelista Marcos (14, 1 \u2013 15, 47). Porque usa termos cuja compreens\u00e3o requer alguma explicita\u00e7\u00e3o, propomo-nos apresentar o seu significado, de forma sum\u00e1ria.<\/p>\n<p>Come\u00e7a por, em 14, 1, falar da Festa da P\u00e1scoa e dos \u00c1zimos. O termo \u201cP\u00e1scoa\u201d indica, no Antigo Testamento, a ceia do cordeiro (comer a P\u00e1scoa [v. 12] significa, por isso, \u201ccomer o cordeiro pascal\u201d), comemorativa da liberta\u00e7\u00e3o do Egito (\u00eaxodo). Acontecia no dia 14 do m\u00eas de Nisan, ap\u00f3s o equin\u00f3cio da Primavera. Na pastor\u00edcia, era a festa que assinalava a passagem dos rebanhos das pastagens de inverno para as de ver\u00e3o (transum\u00e2ncia). A Festa dos \u00c1zimos (de origem grega, o termo \u201c\u00e1zimo\u201d significa \u201csem fermento\u201d) come\u00e7ava no dia a seguir \u00e0 P\u00e1scoa (15 de Nisan). Durante sete dias, comia-se o p\u00e3o n\u00e3o fermentado, como memorial da sa\u00edda do Egito (cf. Ex 12, 15-20). Na agricultura, era a festa que assinalava a novidade das colheitas. Em \u00e9poca incerta, esta festa foi associada \u00e0 P\u00e1scoa, de tal modo que se tornaram, na pr\u00e1tica, uma festa \u00fanica (cf. Fl\u00e1vio Josefo, Antiguidades Judaicas, XVII, 93).<\/p>\n<p>Um pouco mais adiante, em 14, 32, a narrativa fala-nos do Gets\u00e9mani (o termo significa \u201clagar de azeite\u201d), nome de uma propriedade situada no Monte das Oliveiras, a leste de Jerusal\u00e9m, ainda que de localiza\u00e7\u00e3o incerta.<\/p>\n<p>Depois de, em 14, 33, ter falado de \u201csumo sacerdotes, doutores da Lei e anci\u00e3os\u201d, no v. 35, refere o nome da institui\u00e7\u00e3o por eles formada, o Sin\u00e9drio, uma esp\u00e9cie de tribunal judaico, chamado a intervir nas quest\u00f5es religiosas, mas sem poder para condenar, pois s\u00f3 os romanos o podiam fazer.<\/p>\n<p>Estando Jesus perante o tribunal romano e sendo costume Pilatos soltar-lhes um preso por altura da festa, a decis\u00e3o da multid\u00e3o recai sobre Barrab\u00e1s (15, 7.11), um nome aramaico que significa \u201cfilho (bar) do pai (abb\u00e1)\u201d. A ironia \u00e9 forte: Pilatos solta Barrab\u00e1s, que fora \u201cpreso com os insurretos que tinham cometido um assass\u00ednio durante a revolta\u201d (v. 7), e condena Jesus, o verdadeiro filho do Pai. Tal diz bem da falsidade e dos equ\u00edvocos que presidiram ao processo que dita a condena\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>A cena agora referida ocorreu no Pret\u00f3rio (15, 16), palavra de origem latina que significa, no \u00e2mbito militar, a sede do pretor e, aqui, o lugar onde Pilatos ordenou a condena\u00e7\u00e3o de Jesus. Apesar da incerteza, a sua localiza\u00e7\u00e3o oscila entre a Torre Ant\u00f3nia e o pal\u00e1cio de Herodes, ambos em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Depois de Pilatos ter decidido crucificar Jesus (15, 15), a narrativa fala da cruz (v. 21). Era usada em muitas culturas antigas como ornamento, mas os eg\u00edpcios viam-na como s\u00edmbolo da vida. Por influ\u00eancia persa, os romanos adotaram-na para instrumento de supl\u00edcio.<\/p>\n<p>O caminho da Paix\u00e3o termina no G\u00f3lgota (15, 22), termo que, em latim, se diz calvarium e significa \u201ccaveira\/cr\u00e2nio\u201d. Trata-se de uma pequena eleva\u00e7\u00e3o de terreno rochoso fora das muralhas de Jerusal\u00e9m, mas a poucos metros da cidade. O nome pode advir-lhe da sua configura\u00e7\u00e3o (em forma de cr\u00e2nio) ou do facto de a\u00ed haver muitos t\u00famulos.<\/p>\n<p>O vinagre dado a Jesus, numa esponja (15, 36), ser\u00e1 um vinho acidulado ou uma mistura de \u00e1gua e vinagre, o refrigerante dos soldados. Tendo em conta que a Paix\u00e3o de Jesus \u00e9 relida em chave vetero-testament\u00e1ria, Marcos evoca Sl 69, 22: \u201cDeram-me fel, em vez de comida, e vinagre, quando tive sede\u201d.<\/p>\n<p>Quase a terminar, a narrativa fala da Prepara\u00e7\u00e3o e esclarece que se tratava da \u201cv\u00e9spera do s\u00e1bado\u201d (15, 42). Assim se designava o in\u00edcio da tarde de sexta, em que se preparava a celebra\u00e7\u00e3o do s\u00e1bado e, neste caso, da pr\u00f3pria P\u00e1scoa (cf. Jo 19, 31.42).<\/p>\n<p>Para concluir, a narrativa refere a presen\u00e7a de um centuri\u00e3o (15, 44.45). Trata-se do chefe romano de um conjunto de cem soldados (centurium, em latim).<\/p>\n<p>Partindo do pressuposto de que conhecer mais ajuda a viver melhor, esperamos, deste modo, contribuir para uma melhor viv\u00eancia do Domingo de Ramos e da Semana da Paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Pe. Jo\u00e3o Alberto Correia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Termos da Paix\u00e3o, em Marcos Nas celebra\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo Domingo (Domingo de Ramos), vai ser lida a narrativa da Paix\u00e3o do evangelista Marcos (14, 1 \u2013 15, 47). Porque usa termos cuja compreens\u00e3o requer alguma explicita\u00e7\u00e3o, propomo-nos apresentar o seu significado, de forma sum\u00e1ria. Come\u00e7a por, em 14, 1, falar da Festa da P\u00e1scoa e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17257"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17260,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17257\/revisions\/17260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}