{"id":16954,"date":"2021-02-22T12:02:36","date_gmt":"2021-02-22T12:02:36","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=16954"},"modified":"2021-03-03T15:05:58","modified_gmt":"2021-03-03T15:05:58","slug":"praticas-sinais-e-devocoes-quaresmais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=16954","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas, sinais e devo\u00e7\u00f5es quaresmais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/via_sacra_basilica_nossa_senhora_fatima_santuario.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-17055\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/via_sacra_basilica_nossa_senhora_fatima_santuario-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/via_sacra_basilica_nossa_senhora_fatima_santuario-300x195.jpg 300w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/via_sacra_basilica_nossa_senhora_fatima_santuario-768x499.jpg 768w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/via_sacra_basilica_nossa_senhora_fatima_santuario.jpg 810w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cerca de duzentos anos ap\u00f3s a morte de Jesus, os crist\u00e3os come\u00e7aram a preparar a P\u00e1scoa com tr\u00eas dias de ora\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e jejum. Em meados do s\u00e9c. IV, esse tempo passou para quarenta dias e, por isso, come\u00e7ou a chamar-se <em>Quaresma<\/em> (do latim, <em>quadragesima dies<\/em>). O n\u00famero quarenta \u00e9, na Escritura, s\u00edmbolo da prepara\u00e7\u00e3o, da prova e do arrependimento (Ex 24, 18; Jn 3, 4; Mt 4, 2; At 1, 3).<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9, por isso, o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa, mediante o arrependimento e a convers\u00e3o. Come\u00e7a na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, dia em que se inicia o Tr\u00edduo Pascal. Os domingos n\u00e3o entram na contagem por serem o dia da semana em que se celebra a P\u00e1scoa de Jesus.<\/p>\n<p>Entre as pr\u00e1ticas quaresmais, contam-se a esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum (evangelho da Quarta-feira de Cinzas [Mt 6, 1-6.16-18]). A esmola remete para a partilha e o jejum significa comer menos. Al\u00e9m destas, s\u00e3o de referir a confiss\u00e3o quaresmal e a abstin\u00eancia que consistia tradicionalmente em n\u00e3o comer carne, mas pode ser entendida como priva\u00e7\u00e3o do que mais gostamos. De uma forma ou de outra, o jejum e a abstin\u00eancia t\u00eam como objetivo promover o autodom\u00ednio, fomentar a partilha e lembrar que \u201cnem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus\u201d (Mt 4, 4).<\/p>\n<p>S\u00e3o diversos os sinais da Quaresma: as cinzas lembram-nos a brevidade da vida e a fragilidade da condi\u00e7\u00e3o humana (\u201cLembra-te, homem, que \u00e9s p\u00f3\u2026\u201d); a aus\u00eancia de flores, nas Igrejas, sugere a conten\u00e7\u00e3o e o recolhimento (excetua-se o Domingo da Alegria\/IV da Quaresma); o roxo dos paramentos, a aus\u00eancia do <em>Gl\u00f3ria<\/em> e do <em>Aleluia<\/em>, nas celebra\u00e7\u00f5es, situam-nos num tempo de introspe\u00e7\u00e3o reflexiva, favorecida por uma m\u00fasica mais recolhida (o \u00f3rg\u00e3o deve tocar, em volume baixo, apenas para acompanhar os c\u00e2nticos).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o diversas as devo\u00e7\u00f5es da Quaresma. A mais p\u00fablica \u00e9 a Prociss\u00e3o de Passos (a palavra \u201cpassos\u201d deriva do partic\u00edpio perfeito latino <em>passus, a, um<\/em>, \u201cque sofreu\u201d). N\u00e3o \u00e9 uma pe\u00e7a de teatro nem uma festa, apesar de eu j\u00e1 ter ouvido chamar-lhe Festa dos Passos e mesmo romaria quaresmal! A Prociss\u00e3o de Passos s\u00f3 faz sentido se for uma oportunidade para meditar no sofrimento de Jesus e nos tornarmos mais sens\u00edveis ao sofrimento dos outros.<\/p>\n<p>Devo\u00e7\u00e3o muito divulgada \u00e9 a Via Sacra (\u201ccaminho sagrado\u201d). Consiste na medita\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o, em 14 esta\u00e7\u00f5es. A sua forma atual aparece j\u00e1 na primeira metade do s\u00e9culo XVII, foi difundida por S. Leonardo de Porto Maur\u00edcio (+1751), aprovada pela Santa S\u00e9 e enriquecida de indulg\u00eancias. Acontece, por regra, nas Igrejas, mas tamb\u00e9m nos lares crist\u00e3os e no espa\u00e7o p\u00fablico. A Via Sacra ao vivo tornou-se frequente entre n\u00f3s e, por vezes, quase se confunde com as Prociss\u00f5es de Passos.<\/p>\n<p>Devo\u00e7\u00e3o menos frequente \u00e9 a das Sete Dores de Nossa Senhora: profecia de Sime\u00e3o (Lc 2, 34-35); fuga para o Egito (Mt 2, 13-15); perda de Jesus, no Templo (Lc 2, 41-51); encontro de Maria com Jesus a caminho do Calv\u00e1rio (Lc 23, 27-31); morte de Jesus, na cruz \u2013 <em>Stabat<\/em> <em>Mater<\/em> (Jo 19, 25-27); Maria recebe nos bra\u00e7os o filho morto \u2013 <em>Piet\u00e0<\/em> (Mt 27, 55-61); Maria observa a sepultura do Filho (Lc 23, 50-55). \u00c9 vivida com muita intensidade, nas sextas-feiras da Quaresma, na Igreja de Nossa Senhora das Dores, P\u00f3voa de Varzim.<\/p>\n<p>Pelas suas pr\u00e1ticas, sinais e devo\u00e7\u00f5es, a Quaresma torna-se \u201cuma viagem que envolve toda a nossa vida, tudo de n\u00f3s mesmos. \u00c9 o tempo para verificar as estradas que estamos percorrendo, para encontrar o caminho que nos leva de volta a casa, para redescobrir o v\u00ednculo fundamental com Deus, do qual tudo depende\u201d (Papa Francisco, <em>Homilia da Quarta-feira de Cinzas<\/em> de 2021). Redescoberto o v\u00ednculo com Deus, ganha sentido e for\u00e7a o v\u00ednculo com os outros e com a natureza, em ordem a promover a fraternidade universal e a ecologia integral, como nos recordam duas das enc\u00edclicas do Papa Fancisco: <em>Fratelli Tutti<\/em>\u00a0 e <em>Laudato Si\u2019<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>P. Jo\u00e3o Alberto Correia<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de duzentos anos ap\u00f3s a morte de Jesus, os crist\u00e3os come\u00e7aram a preparar a P\u00e1scoa com tr\u00eas dias de ora\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e jejum. Em meados do s\u00e9c. IV, esse tempo passou para quarenta dias e, por isso, come\u00e7ou a chamar-se Quaresma (do latim, quadragesima dies). 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