{"id":10417,"date":"2018-09-12T18:09:36","date_gmt":"2018-09-12T18:09:36","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=10417"},"modified":"2018-09-13T10:32:29","modified_gmt":"2018-09-13T10:32:29","slug":"quem-e-mais-escravo-quem-esta-na-prisao-ou-quem-nao-sabe-o-que-e-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=10417","title":{"rendered":"Audi\u00eancia Geral do Papa Francisco  (12 de Setembro de 2018)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"JUSTIFY\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/prisao-cadeia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10422\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/prisao-cadeia-300x233.jpg\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/prisao-cadeia-300x233.jpg 300w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/prisao-cadeia.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><b>Quem \u00e9 mais escravo? Quem est\u00e1 na pris\u00e3o ou quem n\u00e3o sabe o que \u00e9 o amor?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Na catequese de hoje regressamos ao terceiro mandamento, o do dia do repouso. O Dec\u00e1logo, promulgado no livro [b\u00edblico] do \u00caxodo, \u00e9 repetido no livro [b\u00edblico] do Deuteron\u00f3mio de maneira quase id\u00eantica, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o desta terceira palavra, onde surge uma diferen\u00e7a preciosa: enquanto que no \u00caxodo o motivo do repouso \u00e9 a b\u00ean\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, no Deuteron\u00f3mio, por seu lado, comemora o fim da escravid\u00e3o. Nesse dia o escravo deve repousar como o dono, para celebrar a mem\u00f3ria da P\u00e1scoa de liberta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Os escravos, com efeito, por defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem repousar. Mas existem muitos g\u00e9neros de escravid\u00e3o, seja exterior seja interior. H\u00e1 as constri\u00e7\u00f5es externas como as opress\u00f5es, as vidas sequestradas pela viol\u00eancia e por outros tipos de injusti\u00e7a. Existem depois as pris\u00f5es interiores, que s\u00e3o, por exemplo, os bloqueios psicol\u00f3gicos, os complexos, os limites relacionados com o car\u00e1cter e outros.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">H\u00e1 repouso nestas condi\u00e7\u00f5es? Um homem recluso ou oprimido pode permanecer mesmo assim livre? E uma pessoa atormentada por dificuldades interiores pode ser livre? Com efeito, h\u00e1 pessoas que, at\u00e9 na pris\u00e3o, vivem uma grande liberdade de alma. Pensemos, por exemplo, em S. Maximiliano Kolbe ou no cardeal Van Thuan, que transformaram as escuras opress\u00f5es em lugares de luz. Como tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas marcadas por grandes fragilidades interiores que todavia conhecem o repouso da miseric\u00f3rdia e sabem-no transmitir. A miseric\u00f3rdia de Deus liberta-nos, quando a encontramos sentimo-nos livres.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">O que \u00e9 ent\u00e3o a verdadeira liberdade? Consiste talvez na possibilidade de escolha? Com certeza que essa \u00e9 uma parte da liberdade, e empenhamo-nos para que seja assegurada a cada homem e mulher. Mas sabemos bem que poder fazer aquilo que se deseja n\u00e3o chega para se ser verdadeiramente livre nem feliz. A verdadeira liberdade \u00e9 muito mais.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">De facto, h\u00e1 uma escravid\u00e3o que encadeia mais do que uma pris\u00e3o, mais do que uma crise de p\u00e2nico, mais do que uma imposi\u00e7\u00e3o de qualquer g\u00e9nero: a escravid\u00e3o do pr\u00f3prio ego. Aquelas pessoas que parece que se reflectem o dia inteiro no espelho para ver o pr\u00f3prio ego. S\u00e3o escravos do ego. O ego pode tornar-se um tirano que tortura o homem onde quer que esteja e lhe d\u00e1 a mais profunda opress\u00e3o, essa que se chama \u201cpecado\u201d, que n\u00e3o \u00e9 a banal viola\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo, mas fracasso da exist\u00eancia e condi\u00e7\u00e3o de escravo. No fim de contas, pecado \u00e9 dizer e fazer ego, fazer aquilo que se quer ignorando os limites, o amor, os mandamentos, isto \u00e9 o pecado.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">O guloso, o lascivo, o avarento, o col\u00e9rico, o invejoso, o pregui\u00e7oso, o orgulhoso s\u00e3o escravos dos seus v\u00edcios, que os tiranizam e atormentam. N\u00e3o h\u00e1 tr\u00e9gua para o guloso, porque a gula \u00e9 a hipocrisia do est\u00f4mago, que est\u00e1 cheio e faz-nos crer que est\u00e1 vazio, e para o lascivo, que t\u00eam de viver do prazer; a ansiedade da possess\u00e3o destr\u00f3i o avarento, sempre a acumular dinheiro e a fazer mal aos outros; o fogo da ira e o verme da inveja arru\u00ednam as rela\u00e7\u00f5es. Os escritores dizem que os invejosos t\u00eam o corpo e a alma amarelada porque a inveja destr\u00f3i a alma; a pregui\u00e7a que evita qualquer esfor\u00e7o torna a pessoa incapaz de viver; o egocentrismo soberbo escava um fosso profundo entre si e os outros.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, quem \u00e9 por isso o verdadeiro escravo? Quem \u00e9 aquele que n\u00e3o conhece repouso? O verdadeiro escravo \u00e9 aquele que n\u00e3o conhece repouso e aquele que n\u00e3o \u00e9 capaz de amar. Somos escravos de n\u00f3s mesmos e n\u00e3o somos capazes de amar.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">O terceiro mandamento, que convida a celebrar no repouso a liberta\u00e7\u00e3o, para n\u00f3s crist\u00e3os \u00e9 profecia do Senhor Jesus, que rompe a escravid\u00e3o interior do pecado para tornar o ser humano capaz de amar. O amor verdadeiro \u00e9 a verdadeira liberdade; afasta da possess\u00e3o, reconstr\u00f3i as rela\u00e7\u00f5es, sabe acolher e valorizar o pr\u00f3ximo, transforma em dom de alegria cada fadiga e torna-nos capazes da comunh\u00e3o. O amor torna-nos livres mesmo na pris\u00e3o, mesmo se fracos e limitados. Esta \u00e9 a liberdade que recebemos do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i><b>Papa Francisco, Audi\u00eancia Geral, 12 de Setembro, 2018<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 mais escravo? Quem est\u00e1 na pris\u00e3o ou quem n\u00e3o sabe o que \u00e9 o amor? Na catequese de hoje regressamos ao terceiro mandamento, o do dia do repouso. 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