{"id":10274,"date":"2018-08-20T13:49:12","date_gmt":"2018-08-20T13:49:12","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=10274"},"modified":"2018-08-20T13:49:12","modified_gmt":"2018-08-20T13:49:12","slug":"carta-do-papa-francisco-ao-povo-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/?p=10274","title":{"rendered":"Carta do Papa Francisco ao Povo de Deus"},"content":{"rendered":"<p align=\"CENTER\"><a href=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/escribiendo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-10275\" src=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/escribiendo-300x243.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/escribiendo-300x243.jpg 300w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/escribiendo-768x622.jpg 768w, https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/escribiendo.jpg 850w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"CENTER\">\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><b>CARTA DO PAPA FRANCISCO AO POVO DE DEUS<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00abUm membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele\u00bb (1 Co\u00a012, 26). Estas palavras de S\u00e3o Paulo ressoam com for\u00e7a no meu cora\u00e7\u00e3o ao constatar mais uma vez o sofrimento vivido por muitos menores por causa de abusos sexuais, de poder e de consci\u00eancia cometidos por um n\u00famero not\u00e1vel de cl\u00e9rigos e pessoas consagradas. Um crime que gera profundas feridas de dor e impot\u00eancia, em primeiro lugar nas v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m em suas fam\u00edlias e na inteira comunidade, tanto entre os crentes como entre os n\u00e3o-crentes. Olhando para o passado, nunca ser\u00e1 suficiente o que se fa\u00e7a para pedir perd\u00e3o e procurar reparar o dano causado. Olhando para o futuro, nunca ser\u00e1 pouco tudo o que for feito para gerar uma cultura capaz de evitar que essas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o aconte\u00e7am, mas que n\u00e3o encontrem espa\u00e7os para serem ocultadas e perpetuadas. A dor das v\u00edtimas e das suas fam\u00edlias \u00e9 tamb\u00e9m a nossa dor, por isso \u00e9 preciso reafirmar mais uma vez o nosso compromisso em garantir a protec\u00e7\u00e3o de menores e de adultos em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i><b>1. Um membro sofre?<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Nestes \u00faltimos dias, um relat\u00f3rio foi divulgado detalhando aquilo que vivenciaram pelo menos 1.000 sobreviventes, v\u00edtimas de abuso sexual, de poder e de consci\u00eancia, nas m\u00e3os de sacerdotes por aproximadamente setenta anos. Embora seja poss\u00edvel dizer que a maioria dos casos corresponde ao passado, contudo, ao longo do tempo, conhecemos a dor de muitas das v\u00edtimas e constamos que as feridas nunca desaparecem e nos obrigam a condenar veementemente essas atrocidades, bem como unir esfor\u00e7os para erradicar essa cultura da morte; as feridas \u201cnunca prescrevem\u201d. A dor dessas v\u00edtimas \u00e9 um gemido que clama ao c\u00e9u, que alcan\u00e7a a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado. Mas seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenci\u00e1-lo ou, inclusive, que procuraram resolv\u00ea-lo com decis\u00f5es que aumentaram a gravidade caindo na cumplicidade. Clamor que o Senhor ouviu, demonstrando, mais uma vez, de que lado Ele quer estar. O c\u00e2ntico de Maria n\u00e3o se equivoca e continua a se sussurrar ao longo da hist\u00f3ria, porque o Senhor se lembra da promessa que fez a nossos pais: \u00abdispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de m\u00e3os vazias\u00bb (Lc\u00a01, 51-53), e sentimos vergonha quando percebemos que o nosso estilo de vida contradisse e contradiz aquilo que proclamamos com a nossa voz.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Com vergonha e arrependimento, como comunidade eclesial, assumimos que n\u00e3o soubemos estar onde dever\u00edamos estar, que n\u00e3o agimos a tempo para reconhecer a dimens\u00e3o e a gravidade do dano que estava sendo causado em tantas vidas. N\u00f3s negligenciamos e abandonamos os pequenos. Fa\u00e7o minhas as palavras do ent\u00e3o Cardeal Ratzinger quando, na\u00a0<i>Via Sacra escrita para a Sexta-feira Santa<\/i> <i>de 2005<\/i>, uniu-se ao grito de dor de tantas v\u00edtimas, afirmando com for\u00e7a: \u00abQuanta sujeira h\u00e1 na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerd\u00f3cio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-sufici\u00eancia!&#8230; A trai\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, a recep\u00e7\u00e3o indigna do seu Corpo e do seu Sangue \u00e9 certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o cora\u00e7\u00e3o. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito:\u00a0<i>Kyrie,\u00a0eleison<\/i>\u00a0\u2013 Senhor, salvai-nos (cf.\u00a0Mt\u00a08, 25)\u00bb (Nona Esta\u00e7\u00e3o).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i><b>2. Todos os outros membros sofrem com ele.<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">A dimens\u00e3o e a gravidade dos acontecimentos obrigam a assumir esse facto de maneira global e comunit\u00e1ria. Embora seja importante e necess\u00e1rio em qualquer caminho de convers\u00e3o tomar conhecimento do que aconteceu, isso, em si, n\u00e3o basta. Hoje, como Povo de Deus, somos desafiados a assumir a dor de nossos irm\u00e3os feridos na sua carne e no seu esp\u00edrito. Se no passado a omiss\u00e3o p\u00f4de tornar-se uma forma de resposta, hoje queremos que seja a solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo e desafiador, a tornar-se o nosso modo de fazer a hist\u00f3ria do presente e do futuro, num \u00e2mbito onde os conflitos, tens\u00f5es e, especialmente, as v\u00edtimas de todo o tipo de abuso possam encontrar uma m\u00e3o estendida que as proteja e resgate da sua dor (cf. Exort. ap.\u00a0<i>Evangelii gaudium<\/i>, 228). Essa solidariedade exige que, por nossa vez, denunciemos tudo o que possa comprometer a integridade de qualquer pessoa. Uma solidariedade que exige a luta contra todas as formas de corrup\u00e7\u00e3o, especialmente a espiritual \u00abporque trata-se duma cegueira c\u00f3moda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer l\u00edcito: o engano, a cal\u00fania, o ego\u00edsmo e muitas formas subtis de autorreferencialidade, j\u00e1 que \u201ctamb\u00e9m Satan\u00e1s se disfar\u00e7a em anjo de luz\u201d (2 Cor\u00a011, 14)\u00bb (Exort. ap.\u00a0<i>Gaudete et exultate<\/i>, 165). O chamado de Paulo para sofrer com quem sofre \u00e9 o melhor ant\u00eddoto contra qualquer tentativa de continuar reproduzindo entre n\u00f3s as palavras de Caim: \u00abSou, porventura, o guardi\u00e3o do meu irm\u00e3o?\u00bb (Gn\u00a04, 9).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Reconhe\u00e7o o esfor\u00e7o e o trabalho que s\u00e3o feitos em diferentes partes do mundo para garantir e gerar as media\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias que proporcionem seguran\u00e7a e protejam \u00e0 integridade de crian\u00e7as e de adultos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, bem como a implementa\u00e7\u00e3o da \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d e de modos de prestar contas por parte de todos aqueles que realizem ou acobertem esses crimes. Tardamos em aplicar essas medidas e san\u00e7\u00f5es t\u00e3o necess\u00e1rias, mas confio que elas ajudar\u00e3o a garantir uma maior cultura do cuidado no presente e no futuro.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Juntamente com esses esfor\u00e7os, \u00e9 necess\u00e1rio que cada baptizado se sinta envolvido na transforma\u00e7\u00e3o eclesial e social de que tanto necessitamos. Tal transforma\u00e7\u00e3o exige convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, e nos leva dirigir os olhos na mesma direc\u00e7\u00e3o do olhar do Senhor. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II assim o dizia: \u00abse verdadeiramente partimos da contempla\u00e7\u00e3o de Cristo, devemos saber v\u00ea-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar\u00bb (Carta ap.\u00a0<i>Novo millennio<\/i> <i>ineunte<\/i>, 49). Aprender a olhar para onde o Senhor olha, estar onde o Senhor quer que estejamos, converter o cora\u00e7\u00e3o na Sua presen\u00e7a. Para isso nos ajudar\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e a penit\u00eancia. Convido todo o Povo Santo fiel de Deus ao\u00a0<i>exerc\u00edcio penitencial da ora\u00e7\u00e3o e do jejum<\/i>, seguindo o mandato do Senhor[1], que desperte a nossa consci\u00eancia, a nossa solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o \u201cnunca mais\u201d a qualquer tipo e forma de abuso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00c9 imposs\u00edvel imaginar uma convers\u00e3o do agir eclesial sem a participa\u00e7\u00e3o activa de todos os membros do Povo de Deus. Al\u00e9m disso, toda vez que tentamos suplantar, silenciar, ignorar, reduzir em pequenas elites o povo de Deus, constru\u00edmos comunidades, planos, \u00eanfases teol\u00f3gicas, espiritualidades e estruturas sem ra\u00edzes, sem mem\u00f3ria, sem rostos, sem corpos, enfim, sem vidas[2]. Isto se manifesta claramente num modo an\u00f3malo de entender a autoridade na Igreja &#8211; t\u00e3o comum em muitas comunidades onde ocorreram as condutas de abuso sexual, de poder e de consci\u00eancia &#8211; como \u00e9 o clericalismo, aquela \u00abatitude que n\u00e3o s\u00f3 anula a personalidade dos crist\u00e3os, mas tende tamb\u00e9m a diminuir e a subestimar a gra\u00e7a baptismal que o Esp\u00edrito Santo p\u00f4s no cora\u00e7\u00e3o do nosso povo\u00bb[3]. O clericalismo, favorecido tanto pelos pr\u00f3prios sacerdotes como pelos leigos, gera uma ruptura no corpo eclesial que beneficia e ajuda a perpetuar muitos dos males que denunciamos hoje. Dizer n\u00e3o ao abuso, \u00e9 dizer energicamente n\u00e3o a qualquer forma de clericalismo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00c9 sempre bom lembrar que o Senhor, \u00abna hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, salvou um povo. N\u00e3o h\u00e1 identidade plena, sem perten\u00e7a a um povo. Por isso, ningu\u00e9m se salva sozinho, como indiv\u00edduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de rela\u00e7\u00f5es interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa din\u00e2mica popular, na din\u00e2mica dum povo\u00bb (Exort. ap.\u00a0<i>Gaudete et exultate<\/i>, 6). Portanto, a \u00fanica maneira de respondermos a esse mal que prejudicou tantas vidas \u00e9 viv\u00ea-lo como uma tarefa que nos envolve e corresponde a todos como Povo de Deus. Essa consci\u00eancia de nos sentirmos parte de um povo e de uma hist\u00f3ria comum nos permitir\u00e1 reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro. Tudo o que for feito para erradicar a cultura do abuso em nossas comunidades, sem a participa\u00e7\u00e3o activa de todos os membros da Igreja, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de gerar as din\u00e2micas necess\u00e1rias para uma transforma\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e realista. A dimens\u00e3o penitencial do jejum e da ora\u00e7\u00e3o ajudar-nos-\u00e1, como Povo de Deus, a nos colocar diante do Senhor e de nossos irm\u00e3os feridos, como pecadores que imploram o perd\u00e3o e a gra\u00e7a da vergonha e da convers\u00e3o e, assim, podermos elaborar ac\u00e7\u00f5es que criem din\u00e2micas em sintonia com o Evangelho. Porque \u00absempre que procuramos voltar \u00e0 fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, m\u00e9todos criativos, outras formas de express\u00e3o, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo actual\u00bb (Exort. ap.\u00a0<i>Evangelii gaudium<\/i>, 11).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00c9 imperativo que n\u00f3s, como Igreja, possamos reconhecer e condenar, com dor e vergonha, as atrocidades cometidas por pessoas consagradas, cl\u00e9rigos, e inclusive por todos aqueles que tinham a miss\u00e3o de assistir e cuidar dos mais vulner\u00e1veis. Pe\u00e7amos perd\u00e3o pelos pecados, nossos e dos outros. A consci\u00eancia do pecado nos ajuda a reconhecer os erros, delitos e feridas geradas no passado e permite nos abrir e nos comprometer mais com o presente num caminho de convers\u00e3o renovada.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Da mesma forma, a penit\u00eancia e a ora\u00e7\u00e3o nos ajudar\u00e3o a sensibilizar os nossos olhos e os nossos cora\u00e7\u00f5es para o sofrimento alheio e a superar o af\u00e3 de dom\u00ednio e controle que muitas vezes se torna a raiz desses males. Que o jejum e a ora\u00e7\u00e3o despertem os nossos ouvidos para a dor silenciada em crian\u00e7as, jovens e pessoas com necessidades especiais. Jejum que nos d\u00e1 fome e sede de justi\u00e7a e nos encoraja a caminhar na verdade, dando apoio a todas as medidas judiciais que sejam necess\u00e1rias. Um jejum que nos sacuda e nos leve ao compromisso com a verdade e na caridade com todos os homens de boa vontade e com a sociedade em geral, para lutar contra qualquer tipo de abuso de poder, sexual e de consci\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Desta forma, poderemos tornar transparente a voca\u00e7\u00e3o para a qual fomos chamados a ser \u00abum sinal e instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (Conc. Ecum. Vat. II,\u00a0<i>Lumen gentium<\/i>, 1).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">\u00abUm membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele\u00bb, disse-nos S\u00e3o Paulo. Atrav\u00e9s da atitude de ora\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia, poderemos entrar em sintonia pessoal e comunit\u00e1ria com essa exorta\u00e7\u00e3o, para que cres\u00e7a em n\u00f3s o dom da compaix\u00e3o, justi\u00e7a, preven\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o. Maria soube estar ao p\u00e9 da cruz de seu Filho. N\u00e3o o fez de uma maneira qualquer, mas permaneceu firme de p\u00e9 e ao seu lado. Com essa postura, Ela manifesta o seu modo de estar na vida. Quando experimentamos a desola\u00e7\u00e3o que nos produz essas chagas eclesiais, com Maria nos far\u00e1 bem \u00abinsistir mais na ora\u00e7\u00e3o\u00bb (cf. S. In\u00e1cio de Loiola,\u00a0<i>Exerc\u00edcios Espirituais<\/i>, 319), procurando crescer mais no amor e na fidelidade \u00e0 Igreja. Ela, a primeira disc\u00edpula, nos ensina a todos os disc\u00edpulos como somos convidados a enfrentar o sofrimento do inocente, sem evas\u00f5es ou pusilanimidade. Olhar para Maria \u00e9 aprender a descobrir onde e como o disc\u00edpulo de Cristo deve estar.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\">Que o Esp\u00edrito Santo nos d\u00ea a gra\u00e7a da convers\u00e3o e da un\u00e7\u00e3o interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compun\u00e7\u00e3o e a nossa decis\u00e3o de lutar com coragem.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i><b>Francisco<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, sans-serif;\"><i><b>Cidade do Vaticano, 20 de Agosto de 2018<\/b><\/i><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARTA DO PAPA FRANCISCO AO POVO DE DEUS \u00abUm membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele\u00bb (1 Co\u00a012, 26). Estas palavras de S\u00e3o Paulo ressoam com for\u00e7a no meu cora\u00e7\u00e3o ao constatar mais uma vez o sofrimento vivido por muitos menores por causa de abusos sexuais, de poder e de consci\u00eancia cometidos por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10274"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10277,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10274\/revisions\/10277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhoscarmelitas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}