4º. Santa Teresa e a santidade. “Vossa sou, para Vós nasci”

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 4º DIA

Santa Teresa, que soubeste descobrir Deus em todas as circunstâncias, nas pessoas e nos acontecimentos, ensina-nos que tudo passa, que só Deus não muda, que a paciência tudo alcança, que quem a Deus tem nada lhe falta, que só Deus basta.

Santa Teresa e a santidade

Adiantando-se quatro séculos ao Concílio Vaticano II, que afirma: “Na Igreja todos são chamados à santidade” (Lumen Gentium, 39), Teresa de Jesus, com a sua particular graça e finura, escreve: “Olhai que o Senhor convida a todos a serem santos, pois é a própria verdade, e não há que duvidar”. Teresa está convencida que a santidade é perfeitamente compatível com a vida comum e corrente, com trabalhos materiais aparentemente vulgares, demonstrando-o quando escreve: “Jacob não deixava de ser santo quando cuidava do seu gado, nem Abraão nem São Joaquim” (Carta 172). A santidade, para Teresa de Jesus, é um dom de amor recebido, muito mais do que algo que se alcança através do próprio esforço, contudo, exige disponibilidade absoluta relativamente à Vontade de Deus. Na sua famosa poesia “Vossa sou para Vós nasci” a santa deixa-nos um pequeno mas bem conseguido tratado acerca da santidade.

“Vossa sou, para Vós nasci”

Vossa sou, para Vós nasci, / Que quereis fazer de mim? 

Soberana Majestade, / Eterna Sabedoria, / Bondade tão boa para a minha alma, / Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade, / Olhai para a minha baixeza, / Para mim que hoje Vos canto o meu amor. / Que quereis fazer de mim? 

Vossa sou, pois me criastes, / Vossa, pois me resgatastes, / Vossa, pois me suportais, / Vossa, pois me chamastes, / Vossa, pois me esperais, / Vossa pois não estou perdida, / Que quereis fazer de mim? 

Que quereis então, Senhor tão bom, / que faça tão vil servidor? / Que missão destes a este escravo pecador? 

Eis-me aqui, meu doce amor, / Meu doce amor, eis-me aqui. / Que quereis fazer de mim? / Eis o meu coração, / que coloco em Vossas mãos, / com o meu corpo, minha vida, minha alma, / minhas entranhas e todo o meu amor. / Doce Esposo, meu Redentor, / para ser Vossa, me ofereci, / que quereis fazer de mim? 

Dai-me a morte, dai-me a vida, / a saúde ou a doença / dai-me honra ou desonra / a guerra, ou a maior paz, / a fraqueza ou a paz plena, / a tudo isso, digo sim: / Que quereis fazer de mim? 

Dai-me riqueza ou pobreza, / consolação, desconsolo, / dai-me alegria ou tristeza / dai-me o inferno ou dai-me o céu, / vida doce, só sem véu, / pois toda eu me rendi.

Se quereis, dai-me oração; / Se não, dai-me o deserto, / Abundância e devoção, / se não quereis, a esterilidade. / Soberana Majestade, / Só encontro paz aqui. / Que querei fazer de mim?

Dai-me, pois, sabedoria / ou, por amor, ignorância. / Dai-me anos de abundância / ou de fome e carestia, / Dai-me trevas ou claro dia, / Revolvei-me aqui ou ali. / Que quereis fazer de mim?

Se quereis o meu descanso, / quero, por amor, descansar. / Se me mandais trabalhar, / quero morrer trabalhando. / Dizei-me, onde, como e quando? / Dizei-me, doce Amor, dizei-me. / Que quereis fazer de mim?

Dai-me Calvário ou Tabor, / deserto ou terra fértil / Que eu seja Job em sua dor / ou João que ao peito deita. / Seja vinha a mais estéril / ou frutuosa, se cumpre assim. / Que quereis fazer de mim?

Seja José posto em cadeias, / ou do Egipto chefe elevado / Quer David sofrendo penas / quer David rei exaltado / Seja Jonas naufragado / ou libertado dali. / Que quereis fazer de mim?

Quer me cale, quer fale, / faça fruto ou não o faça, / mostre a Lei a minha chaga / ou eu goze do doce Evangelho; / Quer eu sofra, quer me alegre, / Somente Vós em mim vivei. / Que querei fazer de mim?

Vossa sou, para Vós nasci, / Que quereis fazer de mim?

Santa Teresa de Jesus

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3º. Santa Teresa de Jesus e a Sagrada Escritura

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 3º DIA

Santa Teresa, que no Evangelho encontraste o melhor livro de oração, ajuda-nos a mergulhar no Evangelho para caminhar no seguimento de Jesus como autênticos discípulos.

Santa Teresa de Jesus e a Sagrada Escritura

O amor de Santa Teresa pela Palavra de Deus foi muito notório. De um diálogo que teve com Cristo, transmitiu-nos estas palavras: “Todo o dano que vem ao mundo provém de não se conhecer as verdades da Escritura com clara verdade”. As citações que a santa faz nas suas obras são um reflexo do seu conhecimento em grande escala da maior parte da Sagrada Escritura. Os seus escritos e pensamento estão embebidos da Sagrada Escritura. Os seus livros preferidos são os Evangelhos, as Cartas paulinas, o Cântico dos Cânticos e os Salmos.

Invocação

Santa Teresa de Jesus, que alimentaste a tua oração na Sagrada Escritura, torna-nos leitores apaixonados e assíduos da Palavra de Deus.

Oração

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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2º. Santa Teresa e Jesus Cristo

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 2º DIA

Santa Teresa, mensageira do Evangelho, amiga do Senhor, ensina-nos a encontrar Jesus Cristo e a caminhar na sua companhia.

Santa Teresa e Jesus Cristo

Na vida e na doutrina teresianas, Jesus Cristo tem um lugar central e único. Os primeiros contactos com Cristo aconteceram através da leitura e da meditação do Evangelho. O Evangelho é o seu livro preferido. Na leitura do Evangelho, Teresa descobre a Humanidade de Cristo, nasce nela o desejo de contemplar as imagens e retratos de Jesus, entusiasma-se em pintar o rosto do Senhor e recomenda nos seus escritos a “tomar Cristo por modelo e andar na sua companhia”, escutando no interior os seus ensinamentos.

Seguindo o caminho indicado por Teresa de Jesus, experimentaremos que a Humanidade de Jesus Cristo é para todos luz e guia, porta e caminho de vida espiritual; que Jesus Cristo é o melhor amigo e que nunca nos pode faltar.

Invocação

Santa Teresa, que escreveste: “Parecia-me que Jesus Cristo andava sempre a meu lado e que era testemunha de tudo o que eu fazia”, conduz-nos a Ele.

Oração

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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1º. A actualidade de Santa Teresa de Jesus

NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS: 1º DIA

Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa… só Deus não muda. A paciência tudo alcança, quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus).

 A actualidade de Santa Teresa de Jesus

Cada santo é um mensageiro de Deus, um profeta no meio do mundo, uma graça de Deus para a Igreja, uma injecção de vitalidade no Corpo Místico de Cristo. Teresa de Jesus foi uma autêntica graça para a Igreja do seu tempo, que atravessava uma época de esplendor e de miséria, de profunda religiosidade e de decadência moral.

A sua influência ainda hoje se faz sentir através dos seus escritos e da sua família religiosa (Carmelitas Descalços); Teresa continua a falar aos homens e às mulheres de hoje, dá testemunho do Deus vivo e da acção salvadora de Cristo. A sua vida e os seus ensinamentos atraem muitas pessoas a segui-la, para que também elas experimentem em que consiste verdadeiramente ser amigos de Deus.

Teresa de Jesus não é uma doutora de ensinamentos abstractos, de teorias, mas de vida. O Deus vivo de Teresa não é uma ideia, mas uma pessoa: é o Deus Trindade que nos chama à comunhão com Ele até atingirmos a plenitude inimaginável e inalcançável pelas nossas próprias forças.

Invocação

Santa Teresa de Jesus que nos convidas a seguir-te no castelo interior até alcançarmos o centro da alma onde Deus habita, ensina-nos que Deus é alegria e que só Deus basta.

Oração

Senhor, que por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

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Domingo

Domingo vem de dominus, em latim. Isto é: Senhor. É dia de pensar quem é o nosso Senhor, a pessoa ou o valor a quem dedicamos a nossa vontade e o nosso amor. Também é dia de sermos “Senhores”. Isto é, de nos darmos ao respeito e de respeitar. Respeito é uma palavra muito bonita, que significa “olhar de frente”. Este é o grande desafio de um mundo que não respeita nada nem ninguém. Mas pode mudar!

Vasco P. Magalhães, sj

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Santa Teresinha do Menino Jesus – 1 de Outubro

Gostaria de vos falar hoje de Santa Teresa de Lisieux. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face viveu neste mundo só 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida muito simples e no escondimento, mas que, depois da morte e da publicação dos seus escritos, se tornou uma das santas mais conhecidas e amadas. (…) Repercorramos então as grandes etapas da sua vida (…).

Teresa nasceu a 2 de Janeiro de 1873 em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. É a última filha de Luís e Zélia Martin, esposos e pais exemplares, beatificados juntamente a 19 de Outubro de 2008. Tiveram nove filhos; quatro morreram em tenra idade. Permaneceram as cinco filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, com 4 anos, ficou profundamente abalada com a morte da mãe. Então, o pai transferiu-se com as filhas para a cidade de Lisieux, onde se desenvolverá toda a vida da Santa. Mais tarde Teresa, atingida por uma grave doença nervosa, sarou por graça divina, que ela própria define o «sorriso de Nossa Senhora». Recebeu depois a Primeira Comunhão, intensamente vivida, e pôs Jesus Eucaristia no centro da sua existência.

A «Graça do Natal» de 1886 assinala a grande mudança, por ela chamada a sua «total conversão». De facto, ficou totalmente curada da sua hipersensibilidade infantil e começou uma «corrida de gigante». Aos 14 anos Teresa aproxima-se cada vez mais, com grande fé, de Jesus Crucificado, e começa a ocupar-se de um criminoso, aparentemente desesperado, condenado à morte e impenitente. «Quis impedir-lhe de todas as formas de cair no inferno», escreve a Santa, com a certeza de que a sua oração o teria posto em contacto com o Sangue redentor de Jesus. É a sua primeira experiência fundamental de maternidade espiritual: «Eu tinha tanta confiança na Misericórdia Infinita de Jesus», escreve. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera com «um coração de mãe».

Em Novembro de 1887, Teresa vai em peregrinação a Roma juntamente com o Pai e a irmã Celina. Para ela, o momento culminante é a Audiência do Papa Leão XIII, ao qual pede a autorização para entrar, apenas com 15 anos, no Carmelo de Lisieux. Um ano depois, o seu desejo realiza-se: torna-se Carmelita, «para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes». Contemporaneamente, começa também a dolorosa e humilhante doença mental do seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação da Face de Jesus na sua Paixão. Assim, o seu nome de Religiosa — irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face — expressa o programa de toda a sua vida, em comunhão com os Mistérios centrais da Encarnação e da Redenção. A sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, a 8 de Setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimónio espiritual na «pequenez» evangélica, caracterizada pelo símbolo da flor: «Que festa bonita a Natividade de Maria para se tornar esposa de Jesus — escreve — Era a pequena Virgem Santa de um dia que apresentava a sua pequena flor ao pequeno Jesus». Para Teresa ser religiosa significa ser esposa de Jesus e mãe das almas . No mesmo dia, a Santa escreve uma oração que indica toda a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu Amor infinito, para ser a mais pequena, e sobretudo pede a salvação de todos os homens: «Que nenhuma alma seja danada hoje». De grande importância é a sua Oferta ao Amor Misericordioso, feita na festa da Santíssima Trindade de 1895: uma oferenda que Teresa partilha imediatamente com as suas irmãs de hábito, sendo já vice-mestra das noviças.

Dez anos depois da «Graça de Natal», em 1896, vem a «Graça de Páscoa», que abre a última fase da vida de Teresa com o início da sua paixão em profunda união com a Paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença que a levará à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da paixão da alma, com uma dolorosíssima prova da fé. Com Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heróica, como luz nas trevas que lhe invadem a alma. A Carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela chamados «irmãos». Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno: para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais distantes. Torna-se deveras uma «irmã universal»! A sua caridade amável e sorridente é a expressão da alegria profunda da qual nos revela o segredo: «Jesus, a minha alegria é amar-Te». Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas mais pequenas coisas da vida quotidiana, a Santa realiza a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja.

Teresa faleceu na noite de 30 de Setembro de 1897, pronunciando as simples palavras «Meu Deus, amo-Te!», olhando para o Crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O acto de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras «Jesus, amo-Te» estão no centro de todos os seus escritos. O acto de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade. Ela escreve: «Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, / O Espírito de Amor inflama-me com o seu fogo. / É amando-Te que eu atraio o Pai».

Bento XVI, Texto resumido e adaptado da Audiência Geral, 6 de Abril, 2011

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