Amor Solidário de Jesus – VII

O Amor Solidário de Jesus para com os que lutam pela Paz

A construção da Paz começa nas coisas miúdas como desejar um “Bom Dia!”, e só terminará quando o mundo estiver reconstruído: sem guerra, sem fome, sem doenças, sem injustiça, sem opressão, todos vivendo como irmãos e irmãs, uns dos outros. Este é o objetivo da construção da Paz, da Paz completa. SHALÔM. A Paz é como uma casa para morar: ela é construída tijolo por tijolo. Quem não cuida do tijolo, nunca terá casa para morar. Qual é o tijolo que serve para construir a casa da Paz?

A vida de Jesus é uma amostra de como ser construtor de paz. Onde havia ódio, levava o amor; onde havia ofensa, levava o perdão; onde havia discórdia, levava a união; onde havia dúvida, levava a fé; onde havia erro, levava a verdade; onde havia desespero, leva a esperança; onde havia ofensa, levava o perdão; onde havia tristeza, levava a alegria; onde havia injustiça, levava a justiça e o direito; onde havia trevas, levava a luz.

Aos discípulos amedrontados dizia: “A paz esteja com vocês!” Soprou sobre eles dizendo: “Recebam o Espírito Santo!”, e deu a eles e a todos nós o poder de perdoar e de reconciliar (Jo 20,21-23). E quando os enviou em missão, não permitia levar nada, a não ser uma única coisa: a Paz. E quando chegavam em algum lugar, eles deviam dizer: “A Paz esteja nesta casa!” (Lc 10,5). Assim começou e recomeça o processo da Paz que reverte o processo do ódio, da confusão, da discórdia, da ofensa, da destruição, iniciado com Adão e Eva (Gn 2,1-7), com Caim e Lamec, (Gn 4,8.24), com o Dilúvio (Gn 6,13-17) e a Torre de Babel (Gn 11,1-9). Assim recomeça sempre a reconstrução do Paraíso Terrestre da Paz.

Não se começa a construção da casa pelo telhado, mas pelo alicerce. Qual o alicerce da casa da Paz? É a reconstrução do relacionamento humano entre as pessoas, bem na base, para que possa nascer e renascer a vida em comunidade. No tempo de Jesus, o povo esperava que o profeta Elias voltasse “para reconduzir o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais” (Ml 3,23-24). Eles esperavam que fosse refeito o tecido básico da convivência humana, pois sem este alicerce, o resto não teria consistência. Seria construir a casa em cima da areia (cf Mt 7,26).

O que Jesus mais fez foi exatamente isto: refazer a vida comunitária nos povoados da Galiléia. Conforme o Evangelho de Marcos, a primeira coisa que Jesus fez foi chamar discípulos para formar comunidade com eles (Mc 1,16-20; 3,14). Ao redor dele nascia a nova fraternidade, expressão do amor solidário de Deus, fundamento na construção da Paz. Ele acolhia as pessoas, dava lugar aos que não tinham lugar, era irmão para os que viviam isolados, denunciava as divisões que impediam a construção da paz: divisão entre próximo e não-próximo (Lc 10,29-37); entre pagão e judeu (Mt 15,28; cf. Lc 7,6); entre puro e impuro (Mt 23,23-24; Mc 7,13-23); entre pobres e exploradores (Lc 20,46–47; 22,25). Quando curava uma pessoa ou perdoava um pecador, dizia: “Vai em paz!” (Lc 7,50; 8,48; Mc 5,34). Quando, depois da ressurreição, aparecia aos discípulos, ele dizia: “A Paz esteja com vocês!” (Lc 24,30; Jo 20,19.26). Ele trouxe a paz que só Deus nos pode dar (Jo 14,27). É a paz fruto da justiça, fruto de longa luta e de muito sofrimento. Por isso disse em outro lugar que não veio trazer a paz, mas sim a espada e a divisão (Mt 10,34; Lc 12,51).

Jesus reforçava a vida em comunidade que é o fundamento da Paz, o lugar da reconstrução da Aliança. A Paz existe quando todos e todas são acolhidos como irmãos e irmãs, uns dos outros, todos sendo filhos e filhas do mesmo Pai. Jesus procurava reintegrar as pessoas marginalizadas na convivência humana (Mc 1,40-45). A Comunidade deve ser como o rosto de Deus, transformado em Boa Nova para o povo. Jesus era ecumênico e universal. Acolhia a todos: judeus, romanos, samaritanos, a mulher Cananéia.

Carlos Mesters, O. Carm.

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Domingo do Bom Pastor (IV Domingo da Páscoa)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 10, 11-18)

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isso que meu Pai me tem amor; por eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.

Para ter acesso ao comentário do evangelho do 4º Domingo da Páscoa, Ano B, consulte: http://www.ordem-do-carmo.pt/

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Amor Solidário de Jesus – VI

O Amor Solidário de Jesus para com os puros de coração

Fazia parte do programa de Jesus “abrir os olhos dos cegos” (Lc 4,18). Ele dizia aos discípulos: “A lâmpada do corpo é o olhar. Quando o olhar é sadio, o corpo inteiro também fica iluminado. Mas, se o olhar está doente, o corpo também fica na escuridão. Portanto, veja bem se a luz que está em você não é escuridão” (Lc 11,34-35). Quem tem um olhar de inveja, não enxerga corretamente as pessoas e não percebe a presença de Deus nos outros. Quem tem um olhar de orgulho, de raiva ou de vingança, não consegue apreciar direito os fatos da vida. Tais pessoas são cegas. Jesus dizia que alguns fariseus eram cegos, porque não enxergavam direito nem a vida nem as coisas de Deus (cf. Mt 15,14; 23,16-17; Jo 9,40-41). Mas quem tem um olhar puro, esse consegue perceber os apelos de Deus na vida.

Jesus, ele tinha um olhar limpo, puro, e o mantinha puro por meio da oração, tendo sempre presente a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,19). Ele só fazia aquilo que o Pai lhe mostrava que era para fazer (Jo 5,19). Ele falava só aquilo que ouvia do Pai (Jo 5,30).

Jesus procurava ajudar os discípulos a limpar o olhar: “Cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes!” (Mc 8,15-16). A mentalidade do “fermento de Herodes e dos fariseus” (Mc 8,15) tinha raízes profundas na vida daquele povo. Também hoje, o “fermento do consumismo” tem raízes profundas na nossa vida e exige uma vigilância constante. Jesus procurava atingir essas raízes para poder arrancar o “fermento” que os impedia de perceber a presença de Deus na vida. É bonito ver como Jesus, através do diálogo, ia ajudando as pessoas a enxergar melhor. O evangelho de João é que dá uma atenção especial a esta preocupação de Jesus: a conversa de Jesus com a Samaritana (Jo 4,7-26), com Nicodemos (Jo 3,1-15), com Marta (Jo 11,21-27), com o cego que foi curado (Jo 9,35-39). Jesus ajudava até mesmo as pessoas que resistiam contra ele: alguns judeus (Jo 8,31-59) e Pilatos (Jo 18,33-38).

Vale a pena ver de perto como ele fazia para purificar os olhos dos discípulos e como combatia os vários tipos desse falso fermento, dessa falsa mentalidade, que até hoje impedem a visão correta das coisas: Certa vez, alguém, que não era da comunidade, usava o nome de Jesus para expulsar os demônios. João viu e proibiu, pois, assim ele dizia, aquela pessoa não fazia parte do grupo (Mc 9,38). Era o falso fermento da mentalidade de grupo fechado.  Jesus responde: “Não impeçam! Quem não é contra é a favor!” (Lc 9,39-40). Outra vez, os discípulos brigavam entre si pelo primeiro lugar (Mc 9,33-34). Era o falso fermento da mentalidade de competição e de prestígio. Jesus reage: “O primeiro seja o último” (Mc 9,35). “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45; Mt 20,28; Jo 13,1-16). Outro dia, mães com crianças queriam chegar perto de Jesus. Os discípulos as afastavam. Era o falso fermento da mentalidade de quem marginaliza o pequeno. Jesus os repreende: ”Deixem vir a mim as crianças!” (Mc 10,14). “Quem não receber o Reino como uma criança, não pode entrar nele” (Lc 18,17). Outro dia ainda, vendo um cego os discípulos perguntavam: “Quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” (Jo 9,2). Era o falso fermento da mentalidade de quem segue a opinião da ideologia dominante. Jesus responde: “Nem ele, nem os pais dele, mas para que nele se manifestem as obras de Deus” (cf Jo 9,3).

Em todas estas atitudes Jesus se esforçava para que as pessoas modificassem seu olhar sobre o próximo. Por exemplo, ele dizia: “Tudo que vocês fizerem a um destes meus irmãos mais pequeninos é a mim que o fizeram” (Mt 25,40). Ele se identifica com os pequenos: “Era eu!” (Mt 25,40.45). Ele levava as pessoas a perceber a presença dele até nas coisas mais simples da vida como dar um copo de água (Mt 10,42; Mc 9,41).

Carlos Mesters, O. Carm.

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Semana de Oração pelas Vocações

Oração pelas Vocações

Senhor da messe e pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos o teu forte e suave convite: “Vem e segue-Me”! Derrama sobre nós o teu Espírito: que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir a tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta as nossas comunidades para a missão. Ensina a nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade dos nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança aos nossos seminaristas. Desperta o coração dos nossos jovens para o ministério pastoral na tua Igreja. Senhor da messe e pastor do rebanho, chama-nos para o serviço do teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder “sim”. Ámen.

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III Domingo da Páscoa

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 24, 35-48)

Os discípulos de Emaús contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir do pão. Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!». Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito. Disse-lhes então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho». Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?». Deram-lhe um bocado de peixe assado; e, tomando-o, comeu diante deles. Depois,  disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, enquanto ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias devia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas».

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Amor Solidário de Jesus – V

O Amor Solidário de Jesus para com os misericordiosos

Jesus era a misericórdia em pessoa. Como o samaritano da parábola, tinha o coração na miséria dos outros. Ele conhecia de perto a miséria e o sofrimento do seu povo. Nas parábolas ele menciona a angústia dos trabalhadores desempregados que viviam à espera de um biscate e nem sempre o conseguiam (Mt 20,1-6); a situação do povo cheio de dívida e ameaçado de ser escravizado (Mt 18,23-26); o desespero que chegava a levar o pobre a explorar seu próprio companheiro (Mt 18,27-30; Mt 24,48-50); a extravagância dos ricos que ofendia os pobres (Lc 16,19-21); a luta da viúva pobre pelos seus direitos (Lc 18,1-8). Jesus sabia o que se passava no seu país. A miséria do povo o rodeava e enchia o seu coração.

O que Jesus mais fazia era atender às pessoas que o procuravam em busca de alguma ajuda ou alívio. Ele fazia isto desde pequeno. Lá em Nazaré, como todo mundo, ele trabalhava na roça e, além disso, ajudava o povo como carpinteiro. Carpinteiro era aquela pessoa bem prática do povoado a quem todos recorriam para resolver seus pequenos problemas domésticos: mesa quebrada, telha estragada, arado desregulado, etc. Este seu jeito natural de servir aos outros, Jesus o deve ter aprendido de sua mãe que chegou a viajar mais de 100 quilômetros só para ajudar sua prima idosa Isabel, no primeiro parto (Lc 1,36-39.56-57). Jesus dizia de si mesmo, resumindo o sentido da sua vida: “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45).

Sim, Jesus era a misericórdia em pessoa. Certa vez, ele queria descansar um pouco e foi de barco para o outro lado do lago (Mc 6,31). O povo soube e foi a pé na frente dele e ficou esperando por ele na praia (Mc 6,33). Vendo o povo, Jesus esqueceu o descanso e dizia: “Tenho dó desse povo. São como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Outra vez, em Cafarnaum, terminado o sábado, no momento de aparecer a primeira estrela no céu, o povo levou a ele todos os doentes da cidade, e ele curou a todos (Mc 1,32-34). Era tanta gente que o procurava, que nem sobrava tempo para ele comer (Mc 3,20; Mt 6,31). O evangelho conta muitos episódios desta atenção misericordiosa de Jesus para com as pessoas: com a mulher adúltera (Jo 8,11), com o paralítico (Mc 2,9), a moça pecadora (Lc 7,47), o bom ladrão (Lc 23,34). Perdoou até o soldado que o estava matando (Lc 23,34).

Pedro, ouvindo Jesus falar tanto em misericórdia e perdão, perguntou: “Quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” (Mt 18,21) O número sete significava a totalidade. No fundo, Pedro pergunta: “Então devo perdoar sempre?” E Jesus responde: “Não lhe digo que até sete vezes, Pedro, mas até setenta vezes sete”. Ou seja: “Não lhe digo até sempre, mas até setenta vezes sempre!”

O evangelho conta também as brigas e discussões que Jesus sustentava para defender os sofredores contra as agressões injustas das autoridades religiosas. Defendeu a mulher que vivia curvada há 18 anos e que foi agredida pelo coordenador da sinagoga (Lc 13,10-17). Defendeu a moça que foi agredida como pecadora na casa de um fariseu (Lc 7,36-50). Defendeu as mães que queriam uma bênção para suas crianças, contra a má vontade dos discípulos (Mt 19,13-15). Defendeu os discípulos quando criticados por arrancarem espigas em dia de sábado (Mt 12,1-8). Defendeu a mulher acusada de adultério por alguns fariseus (Jo 8,1-11). Defendeu e curou o rapaz com mão seca dentro da sinagoga em dia de sábado (Mc 3,1-6). Acolhia os leprosos, os doentes, os cegos, os coxos, todos e todas que o procuravam. E ele explicou o motivo que o levava a ter esse seu comportamento. Ele disse: “Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,13; 12,7; 23,23). Agindo assim, Jesus irradiava para os outros o amor solidário que ele mesmo recebia do Pai. Colocava em prática o que ensinava aos outros: “Sede misericordiosos como o Pai de vocês é misericordioso” (Lc 6,36).

Carlos Mesters, O. Carm.

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II Domingo da Páscoa

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 19-31)

Ao entardecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!». Dito isto mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como Pai me enviou, também Eu vos envio a vós». Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos».

Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos os Senhor!». Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu lado, não acredito».

Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!». Depois disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel!». Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque me viste acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!».

Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais a vida nele.

II DOMINGO DA PÁSCOA: DOMINGO DA MISERICÓRDIA

Oração para ser misericordiosa(o)

Senhor, desejo transformar-me toda(o) na Misericórdia e ser o vosso vivo reflexo. Que o mais grandioso atributo de Deus, a sua insondável Misericórdia, possa penetrar pelo meu coração e através da minha alma em direcção aos outros. Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos: que não suspeite de ninguém e não julgue segundo as aparências exteriores. Que eu apenas observe o que é belo na alma do próximo e que vá em seu socorro.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos: que eu esteja sempre atenta(o) às necessidades dos outros, e os meus ouvidos não sejam indiferentes às dores e aos gemidos do próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa: que eu nunca diga mal dos outros, mas tenha para cada um palavras de consolação e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e cheias de boas obras: que só possa fazer bem ao próximo, reservando-me os trabalhos mais duros e difíceis.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus pés sejam misericordiosos: que eu esteja sempre pronta(o) a ir ajudar o meu próximo, dominando o próprio cansaço e fadiga. Que o meu verdadeiro descanso seja servir os outros.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso: que eu sinta todos os sofrimentos dos outros. A ninguém negarei o meu coração. Que eu conviva sinceramente, mesmo com os que sei que hão-de abusar da minha bondade. Que, por mim mesma(o), me encerrarei no Misericordiosíssimo Coração de Jesus e guardarei silêncio sobre os meus próprios sofrimentos.

Ó meu Senhor, que habite em mim a vossa Misericórdia, Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, já que tudo podeis.

Santa Faustina Kowalska

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O Amor Solidário de Jesus – IV

O Amor Solidário de Jesus para com os que têm fome e sede de justiça

No tempo de Jesus, muitos escribas e fariseus ensinavam que a justiça só se alcançaria observando a lei até nos seus mínimos detalhes. Era aquela mesma visão da reforma deuteronomista e do Doutor da parábola do Bom samaritano. O relacionamento com Deus se tornava comercial: Eu ofereço algo a Deus, para que Ele me pague. Se eu observar bem toda a lei, posso exigir que Ele me dê a herança prometida da vida eterna. No ensino deles o acento caía na observância, no merecer. Não deixavam espaço para a gratuidade do amor e a misericórdia (cf Mt 9,13). Jesus não concordava com esta justiça e dizia: “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos fariseus e escribas, vocês não vão poder entrar no Reino dos céus” (Mt 5,20).

Na raiz desta falsa justiça estava a injustiça maior da falsa imagem de Deus que a religião comunicava ao povo. Por causa da insistência na observância da Lei, Deus aparecia como um juiz severo que ameaça com castigo, provoca medo e condena, e não como um pai que acolhe e perdoa. Esta tremenda injustiça para com Deus se manifestava nas coisas mais comuns do dia-a-dia e transformava a vida de muitas pessoas num inferno. Por exemplo, eles não podiam comer sem lavar as mãos (Mc 7,3); não podiam sentar à mesa com quem era de outra raça ou de outra religião (Mc 2,16); não podiam entrar na casa de um pagão (At 10,28); não podiam arrancar espigas em dia de sábado para matar a fome (Mt 12,1-2); não podiam curar um doente em dia de sábado (Mc 3,1-2). E assim havia muitas outras normas, observâncias e costumes. A impureza que a lei assim exigia ameaçava o povo de todos os lados: “Pecado! Proibido! Não Pode!” O “pecado” estava em toda parte! O povo, em vez de sentir-se em paz diante de Deus e feliz com a perspectiva do Reino, tinha a consciência pesada, pois não conseguia observar a Lei, nem alcançar a justiça (cf. Rom 7,15.19).

Jesus não pensava assim. Ele tinha fome e sede de uma outra justiça. Tinha outra imagem de Deus no coração. O amor de Deus por nós não é fruto das nossas observâncias, mas é um dom que recebemos de Deus. A mãe ama a criança não porque a criança é boa e lhe obedece em tudo, mas porque ela mesma é mãe. Mãe é Mãe! Amor de mãe não se compra, nem se merece, mas se recebe de graça pelo simples fato de nascer. “Quisesse alguém dar tudo o que tem para comprar o amor, seria tratado com desprezo” (Ct 8,7). Temos que observar a lei de Deus, sim, sempre, mas não para merecer ou comprar o céu. Observamos a lei para retribuir e agradecer a imensa bondade com que Deus nos acolhe e “nos amou primeiro”, sem mérito algum da nossa parte (1Jo 4,19). Aqui está a raiz do Amor Solidário!

Esta visão da justiça cresceu em Jesus, desde pequeno, convivendo em casa com sua mãe que lhe falava do amor e da misericórdia de Deus (cf Lc 1,54-55) e lembrava as histórias de Jeremias, Oséias e Isaías e tantas outras pessoas. Ele descobria o amor de Deus Pai no amor que recebia de Maria, sua mãe, de Ana, sua avó, e de José, seu pai, que era um homem justo (Mt 1,19). Jesus, por sua vez, traduzia este amor naqueles gestos tão simples de ternura com que recebia e acolhia as pessoas, desde as criancinhas até os velhos: Zaqueu (Lc 19,1-10), Bartimeu (Mc 10,46-52), Talita (Mc 5,41), Nicodemos (Jo 3,1-15), Madalena (Lc 8,2; Jo 20,11-18), Levi (Mc 2,13-17), a mulher adúltera (Jo 8,1-11), a moça do perfume (Lc 7,36-50), a Samaritana (Jo 4,7-26), a Cananéia (Mt 15,21-28), as mães com crianças pequenas nos braços (Mc 10,13-16). Irradiando esta sua fome e sede de justiça, Jesus irradiava o Amor Solidário de Deus.

Carlos Mesters, O. Carm.

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Domingo de Páscoa

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 1-9)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário, que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

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Quinta-feira Santa: Sacerdócio e Eucaristia

Um sacerdote deve ser simultaneamente pequeno e grande, nobre de espírito, como de sangue real, simples e natural, como de raiz camponesa, um herói na conquista de si mesmo, um homem que se bateu com Deus, uma fonte de santificação, um pecador a quem Deus perdoou, dos seus desejos o soberano, um servidor para os tímidos e os fracos, que não se abaixa diante dos poderosos, mas que se curva diante dos pobres, discípulo do seu Senhor, chefe do seu rebanho, um mendigo de mãos totalmente abertas, um portador de inúmeros dons, um homem no campo de batalha, uma mãe para confortar os doentes, com a sabedoria da idade e a confiança duma criança em direcção ao alto, os pés na terra, feito para a alegria, perito no sofrimento, isento de qualquer inveja, com perspectivas largas, que fala com franqueza, um amigo da paz, um inimigo da inércia, fiel para sempre… Tão diferente de mim!

De um manuscrito medieval

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