Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Este choro, nas Escrituras, pode ter dois aspectos: o primeiro é pela morte ou sofrimento de alguém. O outro aspecto são as lágrimas pelo pecado — pelo próprio pecado — quando o coração sangra pela dor de ter ofendido a Deus e ao próximo.

Podemos amar de uma forma fria? Podemos amar por função, por dever? Claro que não. Há alguns aflitos para consolar, mas às vezes há também consolados para afligir, para despertar, que têm um coração de pedra e não aprenderam a chorar. É necessário também despertar as pessoas que não se deixam comover pela dor dos outros.

O luto, por exemplo, é um caminho amargo, mas pode ser útil para abrir os olhos para a vida e para o valor sagrado e insubstituível de cada pessoa, e nesse momento percebemos quão curto é o tempo.

Há um segundo significado desta paradoxal bem-aventurança: chorar pelo pecado. Aqui é necessário distinguir: há aqueles que estão irados por terem cometido um erro. Mas isto é orgulho. Ao contrário, há quem chora pelo mal feito, pelo bem omitido, e pela traição do relacionamento com Deus. Este é o choro por não ter amado, que nasce da preocupação pelas outras pessoas. Neste caso, choramos porque não correspondemos ao Senhor que nos ama tanto, e entristece-nos o pensamento do bem que não praticamos; este é o significado do pecado. Estes dizem: «Ofendi aquele que amo», e isto os faz sofrer até às lágrimas. Deus seja abençoado se houver estas lágrimas!

A compreensão do pecado é um dom de Deus, é uma obra do Espírito Santo. Nós, sozinhos, não conseguimos entender o pecado. É uma graça que devemos pedir. Senhor, que eu entenda o mal que cometi ou o que posso cometer. Este é um dom muito grande e depois de ter compreendido isto, vem o choro de arrependimento.

Sábio e bem-aventurado é aquele que acolhe a dor relacionada com o amor, porque receberá a consolação do Espírito Santo que é a ternura de Deus que perdoa e corrige. Deus perdoa sempre: não nos esqueçamos disto. Deus perdoa sempre, até os piores pecados, sempre. O problema está em nós, que nos cansamos de pedir perdão, fechamo-nos e não pedimos perdão. É este o problema, mas Ele está ali para perdoar.

Se tivermos sempre em mente que Deus «não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as nossas culpas» (Sl 103, 10), vivemos na misericórdia e na compaixão, e em nós surge o amor. Que o Senhor nos conceda amar em abundância, amar com o sorriso, com a proximidade, com o serviço e também com o choro.

Papa Francisco, Audiência geral (resumo), 12 de Fevereiro), 2020