16º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc 10, 42)

O evangelista Lucas narra a visita de Jesus à casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Elas acolhem-no e Maria senta-se aos seus pés para ouvi-lo pois não quer perder nenhuma das suas palavras. Tudo deve ser deixado de lado porque, quando ele vem visitar as nossas vidas, a sua presença e a sua palavra são prioritárias. O Senhor sempre nos surpreende: quando nos dispomos a ouvi-lo as nuvens desaparecem, as dúvidas cedem o lugar à verdade, o medo à serenidade, e as várias situações da vida encontram o lugar certo.

Na cena de Maria de Betânia aos pés de Jesus, São Lucas mostra a atitude de oração do fiel que sabe estar na presença do Mestre para ouvi-lo e colocar-se em sintonia com ele. Trata-se de fazer uma pausa durante o dia, de recolher-se no silêncio para dar lugar ao Senhor que “passa” e encontrar a coragem de permanecer um pouco “à parte” com ele, para depois retornar, com mais serenidade e eficácia, para as coisas quotidianas. Ao louvar a atitude de Maria, que “escolheu a melhor parte”, Jesus parece repetir a cada um de nós: “Não te deixes levar pelos afazeres, mas antes de tudo escuta a voz do Senhor, a fim de desempenhares bem as tarefas que a vida te atribui”.

Depois, há a outra irmã, Marta, que certamente tinha o carisma da hospitalidade. Enquanto Maria escuta Jesus, Marta está completamente absorvida pelos muitos afazeres. Jesus diz-lhe: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas”. Com estas palavras, Jesus não pretende condenar a atitude de serviço, mas sim a preocupação com que às vezes se vive.

Nós também partilhamos a preocupação de Santa Marta e, com o seu exemplo, propomo-nos fazer com que, nas nossas famílias e nas nossas comunidades, se viva o sentido do acolhimento, da fraternidade, para que cada um possa sentir-se “em casa”, especialmente os pequenos e os pobres quando batem à porta.

Portanto, o Evangelho de hoje recorda-nos que a sabedoria do coração está em saber conjugar estes dois elementos: a contemplação e a acção. Marta e Maria indicam-nos o caminho. Se queremos desfrutar a vida com alegria, devemos associar as duas atitudes: por um lado, o “estar aos pés” de Jesus, para ouvi-lo enquanto nos revela o segredo de todas as coisas; por outro, estar atentos e prontos para a hospitalidade, quando ele passar e bater à nossa porta, com o rosto de um amigo que precisa de um momento de descanso e fraternidade.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 21 de Julho, 2019

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