3º Domingo do Advento – Ano C

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 3, 10-18)

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos” (Filip 4, 4)

O 3º Domingo do Advento é conhecido como o Domingo da Alegria. (…) Almada Negreiros dizia: “A alegria é a coisa mais séria deste mundo”. Dostoiévsky pedia: “Amigos meus, não peçam a Deus o dinheiro, o triunfo ou o poder. Peçam-lhe a única coisa importante: a alegria.” E Clarice Lispector, insistia: “Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade.”

Não é fácil imaginar João Baptista como um porta-voz da alegria. Mas foi o salto de felicidade dado no seio de sua mãe que foi sinal para Isabel se maravilhar com a visita de Maria. E na sua pregação exigente germina a alegria da vinda do Salvador. A conversão pede mudanças importantes na rotina medíocre da vida. A todos convida à alegria de partilhar, de não dar simplesmente o que sobra mas o próprio dom de si, e a fazer a experiência da felicidade que não vem das coisas mas da abertura ao outro. Aos que manuseiam o dinheiro, que não o usem com ganância e explorando os outros, mas o utilizem com justiça. Aos que detêm algum poder, que não violentem nem roubem ninguém. O baptismo no Espírito Santo e no fogo é a abundância do amor que a Páscoa derrama no mundo. Queima a palha da tristeza e da angústia e recolhe o trigo da alegria e da paz.

Chesterton escreveu: “A alegria, que era a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão.” Mas Nietzsche lamentava: “Acreditaria no seu Salvador, se visse os cristãos com rostos mais alegres”. S. Paulo VI escreveu em 1975 uma Carta sobre a Alegria cristã em que perguntava: “não será normal que a alegria habite dentro de nós, quando os nossos corações contemplam e descobrem de novo, na fé, os seus motivos fundamentais?” E o Papa Francisco deu-nos a Carta “A Alegria do Evangelho” como verdadeiro programa de renovação. Que caminhos de alegria é possível abrir em nós e no mundo?

P. Vítor Gonçalves

Palavra para o caminho

Hoje é o terceiro Domingo do Advento, chamado também Gaudete, ou seja, Domingo da Alegria. Na liturgia ressoa várias vezes o convite a alegrar-se, a rejubilar, porquê? Porque o Senhor está próximo. O Natal está próximo. A mensagem cristã chama-se «evangelho», isto é, «boa nova», um anúncio de alegria para todo o povo; a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes, a Igreja é a casa da alegria! E quantos estão tristes encontram nela a alegria, a verdadeira alegria!

Mas a alegria do Evangelho não é uma alegria qualquer! Tem a sua razão de ser no saber que se é acolhido e amado por Deus. Ele está sempre connosco para nos ajudar a ir em frente… A alegria cristã, como a esperança, tem o seu fundamento na fidelidade de Deus, na certeza que Ele mantém sempre as suas promessas (Papa Francisco).

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