Ao comungar recebemos a vida do próprio Senhor

Jesus apresenta-se como “o pão vivo que desceu do céu”, o pão que dá a vida eterna e acrescenta: “O pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo”. Esta mensagem é decisiva, e de facto provoca a reacção daqueles que o escutavam, que começam a discutir entre si: “Como é que ele pode dar-nos a sua carne a comer?”. Quando o sinal do pão partilhado traz o seu significado verdadeiro, isto é o dom de si até ao sacrifício, emerge a incompreensão, emerge até mesmo a rejeição d’Aquele que pouco antes queriam carregá-Lo em triunfo quando queriam fazê-LO rei.

Apesar destas murmurações, Jesus continua: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. Aqui, junto à carne, aparece também o sangue. Carne e sangue, em linguagem bíblica, exprimem a humanidade concreta. As pessoas e os próprios discípulos, intuem que Jesus nos convida a entrar em comunhão com Ele, a “comer” o próprio Jesus, a sua humanidade, para compartilhar com Ele o dom da vida para o mundo. Diferente de triunfos e miragens de sucesso!

Este pão da vida, Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, é-nos doado gratuitamente na mesa da Eucaristia. Ao redor do altar encontramos o que nos alimenta e nos sacia espiritualmente hoje e para a eternidade. Todas as vezes que participamos na Santa Missa, em certo sentido, antecipamos o céu na terra, porque do alimento eucarístico, do Corpo e do Sangue de Jesus, aprendemos o que é a vida eterna.

A Eucaristia plasma-nos porque não vivemos somente para nós mesmos, mas para o Senhor e para os irmãos. Quando vamos à comunhão recebemos a mesma vida de Deus e para ter essa vida é necessário nutrir-se do Evangelho e do amor dos irmãos. A felicidade e a eternidade da vida dependem da nossa capacidade de tornar fecundo o amor evangélico que recebemos na Eucaristia.

Também hoje Jesus repete a cada um de nós: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. Não se trata de um alimento material, mas de um pão vivo e vivificante, que comunica a própria vida de Deus. A incompreensão dos ouvintes perante estas palavras de Jesus também pode ocorrer hoje. Diante do convite de Jesus para nos nutrir com seu o Corpo e o seu Sangue, poderemos sentir a necessidade de discutir e resistir, como fizeram aqueles que o escutavam de quem o Evangelho de hoje nos fala. Isto acontece quando temos dificuldade em moldar a nossa existência na de Jesus, a agir de acordo com seus critérios e não de acordo com os critérios do mundo. Mas Ele nunca se cansa de nos convidar para o seu banquete para saciar-nos d’Ele, “pão vivo que desceu do céu”. 

Nutrindo-nos deste alimento podemos entrar em plena sintonia com Cristo, com os seus sentimentos, com os seus comportamentos. Isto é tão importante: ir à Missa e comunicar-se, porque receber a comunhão é receber este Cristo vivo, que nos transforma a partir de dentro e nos prepara para o céu.

Papa Francisco, Angelus (resumo), 19 de Agosto de 2018

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