Ano da Fé – IV

O LIVRO DA REVELAÇÃO DIVINA: A BÍBLIA (I)

 

No coração do Povo de Deus está a Bíblia, um livro onde ele reconhece a assinatura do seu Deus. A Bíblia transmite-nos a Revelação de Deus e o seu projecto de amor, desde a Criação, através de um povo por Ele escolhido (Israel), até ao ponto da plenitude desta história: a vida, a morte e a ressurreição de Jesus, a efusão do Espírito Santo. Deste dom do Espírito nasce a Igreja, o novo Povo de Deus, enxertado no antigo e chamado a encontrar a sua consumação na glória celeste. O Antigo e o Novo Testamento constituem a Escritura Sagrada. Esta, “consignada sob a inspiração do Espírito Santo”, é verdadeiramente Palavra de Deus. Se os escritos que compõem a Bíblia trazem a marca de mãos humanas, eles não deixam de ter Deus por autor e ensinam “firme, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que aí ficasse consignada” (Dei Verbum, 11). No conjunto da Sagrada Escritura, e mesmo no Novo Testamento, os evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) ocupam um lugar privilegiado. Estes quatro livros, com efeito, conservam vivas a figura e a palavra de Jesus “em que toda a revelação de Deus omnipotente se consuma” (Dei Verbum, 7).

Desconhecer a Escritura é desconhecer Cristo (S. Jerónimo).

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Solenidade de Cristo Rei

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 18, 33-37)

Pilatos entrou de novo no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és rei dos judeus?» Respondeu-lhe Jesus: «Tu perguntas isso por ti mesmo, ou porque outros to disseram de mim?» Pilatos replicou: «Serei eu, porventura, judeu? A tua gente e os sumos sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste?» Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» Disse-lhe Pilatos: «Logo, Tu és rei!» Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.»

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Ano da Fé – III

DEUS VEM AO NOSSO ENCONTRO: A REVELAÇÃO

Só Deus tem poder para nos dizer realmente quem é. O homem procura-o às “apalpadelas” mas “só Deus fala bem de Deus”. A fé cristã, que renova a vida do crente e a sua inteligência das coisas, responde à iniciativa de Deus que vem ao encontro do homem, revelando-se: “Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tem acesso ao Pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina” (Dei Verbum, nº 2).

A revelação tem lugar na história concreta dos homens. Deus revela-se primeiro na história de Israel, que conserva um lugar inalienável na fé cristã. No seio da história, o próprio Deus age e fala. Foi Ele que escolheu o seu povo, para lhe confiar uma missão no meio das nações. Deus que é sempre o primeiro a amar, ama sempre sem reservas. Ele não espera, para amar os homens, a resposta que eles poderão dar a este amor.

A história de Israel tecida de alegrias e provações, representa de algum modo a da humanidade nas suas diferentes situações ou experiências: em vida nómada, em escravatura, em libertação, em marcha no deserto, em conquista, em vida sedentária, em exílio, em regresso do exílio… Esta história é anúncio e preparação do que, finalmente, irá realmente acontecer. A vinda de Jesus Cristo, a sua vida, a sua morte e ressurreição marcam efectivamente o cumprimento da história de Israel Entre a Páscoa de Jesus e a sua última vinda na glória, desenrola-se o tempo da Igreja. É o tempo da vida nova fundada sobre a obra de Cristo, o tempo da missão, destinada a levar a luz e os frutos desta obra a toda a humanidade.

Em resumo: O ser humano pode descobrir pela razão que Deus existe, mas não como Deus é realmente. Portanto, como Deus gosta de ser conhecido revelou-se a nós. Ele fê-lo por amor. Desde a Criação, passando pelos Patriarcas (Abraão, Isaac, Jacob) e pelos profetas, até à definitiva revelação no seu Filho Jesus Cristo, Deus comunicou continuamente com a humanidade. Em Jesus, ele verteu-nos o coração e tornou-nos mais claro o seu ser mais íntimo e o seu desígnio: fazer participar, pela graça do Espírito Santo, todos os homens na vida divina, como seus filhos adoptivos no seu único Filho. Através de Jesus Cristo, torna-se visível o Deus invisível: “A partir do momento em que nos deu o seu Filho, que é a sua única e definitiva Palavra, Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e duma só vez e nada mais tem a acrescentar” (S. João da Cruz). Ele torna-se como nós. Isto mostra-nos até que ponto vai o amor de Deus: Ele carrega todo o nosso peso. Deus percorre connosco todos os caminhos. Ele vive a nossa solidão, o nosso sofrimento, o nosso medo da morte. Ele apresenta-se onde não podemos avançar, para nos abrir a porta para a Vida.

A felicidade que procurais, a felicidade que tendes direito (…) tem um nome, um rosto: é Jesus de Nazaré (Bento XVI).

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Ano da Fé – II

O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS

 

Ao criar o homem à sua imagem, o próprio Deus inscreveu no coração humano o desejo de O ver. Mesmo que, muitas vezes, tal desejo seja ignorado, Deus não cessa de atrair o homem a Si, para que viva e encontre n’Ele aquela plenitude de verdade e de felicidade, que ele procura sem descanso. Por natureza e vocação, o homem é um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus. O homem pode, pela razão e a partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, conhecer a Deus com certeza como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita. Contudo, experimenta muitas dificuldades e não pode entrar pelas suas próprias forças na intimidade do mistério divino. Muitos, perante isto, recuam de medo. Alguns também não querem descobrir Deus porque, então, teriam de mudar de vida. Por isso é que Deus o quis iluminar com a sua Revelação. Fê-lo por amor. Tal como, no amor humano, só se pode conhecer algo de uma pessoa amada quando ela nos abre o coração, também só conhecemos os mais íntimos pensamentos de Deus porque Ele, eterno e misterioso, se abriu a nós por amor.

A mais nobre força do ser humano é a razão. A mais alta meta da razão é o conhecimento de Deus (Santo Alberto Magno).

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33º Domingo do Tempo Comum (B)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 13, 24-32)

«Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

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Ano da Fé – I

QUAL É O DESÍGNIO DE DEUS ACERCA DO HOMEM?

Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. Na plenitude dos tempos, Deus Pai enviou o seu Filho, como Redentor e Salvador dos homens caídos no pecado, convocando-os à sua Igreja e tornando-os filhos adoptivos por obra do Espírito Santo e herdeiros da sua bem-aventurança.

A medida do amor é amar sem medida (São Francisco de Sales).

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32º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 12, 38-44)

Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.» Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»

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Levanto os meus olhos para ti, Senhor

Em todas as nossas necessidades, sofrimentos e dificuldades, não há meio melhor e mais seguro do que a oração e a esperança de que Deus providenciará pelos meios que quiser. Este conselho é-nos dado pela Sagrada Escritura, onde se diz que o Rei Josafat, estando muitíssimo aflito e rodeado de inimigos, pondo-se em oração, disse a Deus: “Quando não sabemos o que fazer [e a razão não basta para prover às necessidades], só nos resta levantar os olhos para Ti, [para providenciares como mais Te agradar]” (2Cr 20,3-12).

São João da Cruz

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Festa de São Nuno de Santa Maria

SÃO NUNO DE SANTA MARIA

 

Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Junho de 1360 em Cernache do Bonjardim, e foi educado nos ideais nobres da Cavalaria medieval, no ambiente das Ordens militares e depois na Corte real. Tal ambiente marcou a sua juventude. Aos dezasseis anos casou-se com Dona Leonor de Alvim, e desta união nasceram três filhos, sobrevivendo apenas a sua filha Beatriz. As suas qualidades e virtudes impressionaram particularmente o Mestre de Aviz, futuro rei D. João I, que encontrou em D. Nuno um exímio chefe militar e nomeou-o Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, sendo a mais significativa a de Aljubarrota a 14 de Agosto de 1385, assegurando a independência de Portugal em relação ao Reino de Castela.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria eram a trave-mestra da sua vida interior. Mandou construir por conta própria numerosas igrejas, destacando-se de entre estas o Convento do Carmo de Lisboa, que veio a entregar aos Carmelitas, que conhecera em Moura, e apreciara pela sua vida de intensa oração e amor a Nossa Senhora.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusou contrair novas núpcias. Quando finalmente foi alcançada a paz, distribuiu grande parte dos seus bens e decidiu entrar no Convento do Carmo de Lisboa, tendo tomado o nome de Frei Nuno de Santa Maria: era a opção por uma mudança radical de vida em coerência com a fé autêntica que sempre o orientara. Ao entrar no Convento recusou todos os privilégios e assumiu a condição mais humilde, a de simples irmão, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria – a sua terna Padroeira que sempre venerou – e dos pobres, nos quais via o rosto de Jesus.

Frei Nuno de Santa Maria morreu no Domingo de Páscoa de 1 de Abril de 1431, sendo sepultado no Convento do Carmo, passando de imediato a ser venerado como Santo pela piedade popular.

O Papa Bento XV declarou-o Beato a 23 de Janeiro de 1918, e o Papa Bento XVI proclamou-o Santo da Igreja Católica, na Praça de São Pedro, em Roma, no dia 26 de Abril de 2009. A sua Festa litúrgica celebra-se a 6 de Novembro.

 

ORAÇÃO: Pai Santo, em Jesus Cristo mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do vosso Reino. Para o conquistar, ele exercitou-se com as armas da fé, do amor a Cristo e à Igreja, da Palavra de Deus, da Eucaristia, da oração, da confiança em Maria, da caridade, do jejum, da castidade, da fortaleza, do serviço, da rectidão de espírito e da justiça. Para vos servir de forma mais radical como único Senhor, e a Maria Santíssima, Senhora do Carmo, a quem se consagrou na vida religiosa carmelita, de tudo se despojou.

Concedei-nos, por sua intercessão, a graça… (nomeá-la), para que sem obstáculos da alma e do corpo possamos nós também viver sempre ao vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, mereçamos tomar parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amen.

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31º Domingo do Tempo Comum (B)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 12, 28-34)

Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

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